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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 4

正文开头

Porque eu não gostaria

"Não. Só meu amigo."

Helena respondeu depressa demais. Percebeu e acrescentou, tentando soar tranquila:

"Estudamos juntos. Ele está em Curitiba e se ofereceu para me buscar."

"Não será necessário. Meu motorista vai levar você."

"Mas ele já estava se organizando..."

"Então avise que não precisa."

Ela apertou o telefone.

"Eu podia ir com ele. A gente conhece um ao outro há três anos."

Augusto se inclinou um pouco. Não o suficiente para chamar a atenção da comissária, mas o bastante para Helena sentir a mudança na distância entre os dois.

"Prefiro que você não faça isso."

"Por quê?"

Seu olhar permaneceu no dela.

"Porque eu não gostaria."

Helena esperou uma explicação que tornasse aquela resposta menos estranha.

Ela não veio.

Augusto recostou-se, abriu novamente a revista e passou a página que estivera segurando.

Helena baixou o rosto para o telefone.

Lucas enviara outra mensagem.

"Vou sair um pouco mais cedo para não pegar trânsito."

Ela digitou uma resposta, apagou e recomeçou.

"Não precisa ir. Estou viajando com o irmão do meu padrasto. Ele vai mandar um motorista me levar para a universidade."

Lucas respondeu quase imediatamente.

"Ah, está bem. Te encontro lá, então."

Helena releu a frase. Não havia cobrança, nenhuma pergunta insistente. Ele não pareceu achar que a oferta lhe dava o direito de decidir por ela.

"Obrigada mesmo assim."

"Você pode agradecer me avisando quando estiver chegando. Vou ser seu guia oficial."

Ela quase sorriu, mas se lembrou do homem ao lado e conteve o movimento.

Guardou o aparelho na mochila.

O avião começou a se mover. Helena ficou olhando os veículos pequenos que circulavam pela pista e tentou pensar na universidade. Havia um documento que precisava entregar, uma chave para retirar, o horário da recepção dos calouros.

Coisas simples. Coisas suas.

"Está com medo de voar?"

A pergunta a fez virar o rosto.

Augusto havia percebido sua mão fechada sobre a alça da mochila.

"Não muito."

"Pode colocar a bolsa no chão. Ninguém vai pegá-la aqui."

Ela obedeceu, mais para deixar de ser observada do que por conforto.

Durante a decolagem, pressionou os pés contra o piso. O movimento do avião sempre lhe dava a sensação desagradável de que deixava alguma coisa importante para trás.

Dessa vez, era a mãe.

Quando alcançaram uma altura estável, a comissária ofereceu bebidas. Helena pediu água. Augusto pediu café sem açúcar.

"Você tomou café da manhã?", ele perguntou.

"Tomei leite."

"Só isso?"

"Eu não estava com muita fome."

Ele olhou para a comissária.

"Pode trazer alguma coisa para ela comer?"

Helena abriu a boca para recusar, mas a funcionária já estava explicando as opções. Escolheu um sanduíche e agradeceu.

Augusto voltou à revista.

Talvez fosse isso, pensou. Talvez homens acostumados a resolver tudo simplesmente não soubessem oferecer ajuda sem transformá-la numa ordem.

Ela não queria passar o resto do voo procurando um significado escondido em cada frase.

正文1

Quando a comida chegou, comeu com cuidado para não deixar migalhas no colo. Augusto afastou o café para que a bandeja coubesse melhor.

"Minha mãe exagera quando fala que eu nunca saí de casa", Helena disse, tentando tornar a conversa mais normal. "Eu consigo ir do aeroporto até a universidade."

"Não duvido."

"É que... às vezes parece que todo mundo acha que eu vou me perder na primeira esquina."

Augusto fechou a revista sobre um dedo.

"Sua mãe me confiou você. Não seria muito cuidadoso da minha parte deixá-la sozinha assim que chegarmos."

"Não ia estar sozinha."

A expressão dele não mudou, mas Helena se arrependeu de ter dito aquilo.

Augusto pousou a revista.

"Esse rapaz ocupa bastante seus pensamentos."

"Não foi isso que eu disse."

"Eu ouvi."

Ela apoiou o sanduíche no prato.

Não sabia se ele estava brincando. Se estivesse, faltava o sorriso que lhe permitiria rir também e encerrar o assunto.

"Lucas é uma pessoa boa", explicou. "Ele conhece minha mãe. Já foi lá em casa."

"Não pedi referências."

Helena abaixou os olhos.

Augusto percebeu o efeito da resposta. Depois de alguns segundos, empurrou a água para mais perto dela.

"Não precisa ficar tensa. Estamos conversando."

Ela bebeu um gole.

Estavam conversando, mas só ele parecia à vontade.

"Você gosta de Curitiba?", perguntou, procurando outro assunto.

"Conheço mais as salas de reunião do que a cidade."

"Então o Lucas provavelmente vai ser um guia melhor."

A frase escapou antes que ela conseguisse avaliar.

Augusto a observou.

Helena sentiu o rosto esquentar.

"Quis dizer para mostrar o campus. Ele chegou antes."

O canto da boca dele se moveu, quase um sorriso.

"Entendi o que você quis dizer."

Ela decidiu que não tentaria mais preencher os silêncios.

Terminou a comida, entregou a bandeja à comissária e puxou a manta fina que estava ao seu lado. Queria fechar os olhos. Não precisava dormir; bastava que ninguém esperasse respostas.

Ao ajustar a manta, uma mecha caiu sobre sua boca.

Augusto ergueu a mão e a afastou, acomodando-a atrás de sua orelha.

Helena recuou antes de pensar.

A mão dele parou no ar por um instante.

"Desculpe", ela murmurou.

"Pelo quê?"

Não soube responder.

Pelo susto? Pelo movimento? Por ter demonstrado que não queria ser tocada?

Augusto recolheu a mão e passou o polegar pela lateral do próprio indicador.

"Você parece achar que eu vou fazer alguma coisa com você."

Helena apertou a manta entre os dedos.

"Eu só não estou acostumada."

"Com o quê?"

Ela olhou para a janela. As nuvens escondiam a cidade, e o vidro refletia um pedaço do rosto dele.

"Com tanta gente cuidando das minhas coisas."

Era uma resposta verdadeira, embora não fosse toda a verdade.

Augusto assentiu lentamente.

"Vai se acostumar."

Helena não gostou da segurança com que ele disse aquilo.

Encolheu-se sob a manta, apoiou a cabeça no encosto e fechou os olhos.

Por algum tempo, ouviu apenas o ruído constante dos motores e o movimento das páginas. Quando o telefone de Augusto vibrou, ele respondeu por mensagem, sem falar.

正文2

Ela começou a relaxar.

Talvez estivesse sendo injusta. Ele viera buscá-la, mudara a passagem, providenciara comida e uma pessoa para levá-la com segurança.

Não tinha motivos para tratá-lo como uma ameaça.

Mesmo assim, manteve a mão entre o próprio corpo e o braço da poltrona, delimitando o pequeno espaço que ainda lhe pertencia.

Não dormiu. Percebeu a descida quando a pressão começou a incomodar seus ouvidos.

Augusto tocou a manta, sem puxá-la.

"Estamos chegando."

Helena sentou direito e alisou o cabelo.

"Eu vi."

"O motorista conhece o endereço da residência estudantil. Ele espera você terminar o que precisar."

"Não precisa esperar. Depois que eu entrar..."

"Helena."

Foi a primeira vez que ele usou seu nome inteiro.

Ela se calou.

Augusto guardou a revista e olhou para ela com calma.

"Não transforme tudo numa discussão. Estou tentando facilitar sua chegada."

O peito dela se contraiu.

Não estava discutindo. Só queria dizer o que precisava.

Mas faltou coragem para corrigir o homem que já estava se levantando para retirar sua mochila do compartimento.

No aeroporto, ele recebeu uma ligação antes de a bagagem aparecer. Falou pouco, com o rosto voltado para uma parede de vidro.

Helena esperou ao lado da mala.

Quando voltou, Augusto já parecia pensar em outras coisas.

"Surgiu um problema na empresa. Não vou poder acompanhar você."

Ela conteve o alívio.

"Tudo bem. Obrigada por me trazer."

"O motorista está ali."

Ele indicou um homem que segurava uma pequena placa com seu nome.

Depois se aproximou, diminuindo outra vez a distância.

"Quando terminar de se instalar, avise sua mãe."

"Vou avisar."

Augusto manteve o olhar nela.

"E não se deixe levar por qualquer convite. É uma cidade nova."

Helena assentiu.

Ele a deixou seguir, mas ela sentiu que precisava andar direito, sem pressa demais, até alcançar o motorista.

Só dentro do carro conseguiu pegar o telefone.

Lucas tinha enviado uma fotografia do portão da universidade, com uma seta desenhada apontando para si mesmo.

"O guia está esperando."

Helena olhou para a imagem e sorriu.

Dessa vez, não havia ninguém ao seu lado para perguntar por quê.

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