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"Na Gaiola do Bilionário: O Irmão do Meu Padrasto Não Me Deixa Ir" Capítulo 1

正文开头

Mamãe mandou que eu o chamasse de tio

"Quando ele chegar, você vai sorrir e chamar de tio."

Marisa deu a ordem enquanto a maquiadora ainda segurava o queixo de Helena. A ponta do pincel deixou uma camada pegajosa de brilho sobre seus lábios.

Helena esperou a mulher se afastar para responder.

"Mas eu nunca vi esse homem."

"É o irmão do Eduardo."

"Eu sei."

"Então não tem dificuldade nenhuma."

No espelho, a mãe parecia outra pessoa. O vestido de noiva se ajustava à cintura, as pérolas iluminavam seu rosto e o cabelo, antes preso às pressas para os plantões, caía em ondas perfeitamente desenhadas sobre um ombro.

Helena estava feliz por ela. Repetira aquilo para si mesma durante toda a manhã.

Estava feliz. Só não sabia o que fazer com o aperto que sentia.

"Mãe, eu podia ficar sem maquiagem. Não é o meu casamento."

Marisa pousou as mãos em seus ombros.

"Hoje é o dia mais importante da minha vida em muito tempo, Leninha. Não me peça isso agora."

Helena parou de mexer na barra do vestido verde.

"Não estou tentando estragar nada."

A expressão da mãe amoleceu.

"Eu sei, meu amor. Mas as pessoas vão olhar para nós. Quero que olhem e vejam duas mulheres bonitas, bem cuidadas. Não quero ninguém me perguntando se você está triste porque eu me casei."

"Eu não estou triste por isso."

Marisa lhe beijou a testa, tomando cuidado para não manchar a maquiagem.

"Então me ajuda. Só hoje."

Helena assentiu.

A mãe saiu para receber os convidados, deixando no camarim o perfume caro e o ruído delicado da saia roçando o piso.

Helena passou o dedo no próprio pulso. O fecho da pulseira emprestada apertava um pouco. Afrouxá-lo parecia mais simples do que descobrir como respirar naquele vestido, naquele hotel, naquela família que ainda não era sua.

Em poucas semanas, iria para Curitiba cursar Letras. Tinha conferido a confirmação da matrícula tantas vezes que quase decorara a página.

Uma universidade longe de São Paulo. Um quarto dividido com outras estudantes. Um lugar onde ninguém precisaria apresentá-la como a filha da nova esposa de Eduardo Ferraz.

Por enquanto, precisava atravessar o salão.

O salto fez um som seco no mármore. Helena reduziu os passos, com medo de tropeçar diante das mesas cheias.

Havia flores brancas em vasos mais altos do que ela, taças que pareciam frágeis demais para segurar e mulheres capazes de examinar uma pessoa inteira antes de terminar um sorriso.

Uma delas olhou seu vestido, depois seu rosto.

Helena fingiu não perceber.

Eduardo estava junto de Marisa, recebendo um casal. Ao vê-la, abriu espaço com um gesto acolhedor.

"Aqui está a nossa universitária."

Ela se aproximou.

"Boa tarde, senhor Eduardo."

Marisa apertou de leve seu braço.

Helena entendeu. Já haviam conversado sobre aquilo. Mesmo assim, a palavra pai não veio.

Seu pai tivera mãos manchadas de caneta, camisas simples e o hábito de guardar a melhor parte do peixe para ela. Não conseguia transferir o nome dele para um homem que conhecia havia tão pouco tempo.

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Eduardo percebeu sua hesitação.

"Sem pressa", disse, antes que Marisa insistisse. "Hoje já tem gente nervosa demais por aqui."

Sorriu para Helena, e ela conseguiu sorrir de volta.

Então alguma coisa mudou perto da entrada.

Não houve anúncio. Apenas uma pequena movimentação que passou de grupo em grupo. Um homem interrompeu o que dizia. Outro colocou a taça sobre uma mesa. O gerente do hotel endireitou a postura e avançou depressa.

Eduardo olhou para a porta.

"Augusto chegou."

Marisa alisou a saia, embora não houvesse uma única dobra fora do lugar.

Antes de caminhar, inclinou-se até a filha.

"Aquele é o tio de quem eu falei. Seja simpática. É ele quem cuida de tudo na família."

Helena acompanhou seu olhar.

Augusto Ferraz atravessava o salão sem demonstrar a menor urgência. O terno escuro tinha um caimento que ela não sabia explicar, mas que tornava os outros ternos ao redor subitamente menos elegantes.

Era alto. Mantinha uma das mãos no bolso e ouvia o homem a seu lado sem sorrir.

Quando o gerente se aproximou, respondeu alguma coisa breve. O gerente assentiu duas vezes.

Helena desejou ficar atrás da mãe.

Eduardo deu um passo à frente e abraçou o irmão.

"Achei que você fosse me fazer esperar mais."

"O último compromisso demorou."

Augusto correspondeu ao abraço, depois se voltou para Marisa.

"Minha esposa", apresentou Eduardo, com um orgulho discreto. "Marisa."

"Nós já nos vimos no hospital", ela disse. "Mas foi tão rápido que talvez você não se lembre."

"Eu me lembro. Parabéns."

Ele lhe apertou a mão. Educado, correto. Helena não identificou nada que justificasse seu próprio desconforto.

"Eu não sabia se devia chamar de Augusto ou de senhor Ferraz", Marisa confessou, sorrindo.

"Augusto está bom."

A mãe pareceu relaxar. Em seguida, puxou Helena um pouco para a frente.

"Esta é minha filha. Leninha, cumprimente seu tio."

Helena ergueu os olhos apenas até a gravata dele.

"Boa tarde, tio Augusto."

"Boa tarde."

A mão surgiu em seu campo de visão.

Por um instante, Helena ficou parada, sem saber se devia oferecer a própria mão ou se ele estava indicando alguma coisa.

O polegar de Marisa pressionou suas costas.

Ela se apressou. Segurou a mão dele com as duas, como fizera uma vez ao agradecer a uma professora por um favor.

Sua palma estava úmida.

Para não parecer ainda mais mal-educada, finalmente levantou o rosto.

Augusto a observava.

Não com o sorriso cortês que as pessoas ofereciam antes de olhar para alguém mais interessante. Ele continuou olhando, e Helena não soube em que momento lhe era permitido desviar.

Soltou a mão primeiro.

Escondeu os dedos atrás do corpo e os esfregou discretamente na própria palma.

"Ela fica acanhada em festas", explicou Eduardo.

"Gosta mais dos livros", acrescentou Marisa. "Passou muito bem no vestibular. Vai estudar em Curitiba."

"Qual curso?"

Helena demorou um segundo para entender que a pergunta era para ela.

"Letras."

正文2

"Você escolheu a universidade?"

"Escolhi."

"E a distância também?"

Ela olhou para ele, surpresa.

Marisa riu.

"Eu fiz essa mesma pergunta. Tanta opção aqui, e a menina quer sair de casa."

Augusto não acompanhou o riso imediatamente.

"É natural querer conhecer outra vida."

Helena sentiu um alívio pequeno. Talvez tivesse interpretado mal aquela primeira impressão. Talvez ele fosse apenas um homem pouco sorridente.

Logo alguém chamou os noivos para organizar a cerimônia, e ela foi encaminhada à mesa reservada à família.

Não conhecia ninguém ali.

Uma mulher perguntou se ela era de São Paulo. Helena explicou que nascera em Minas e se mudara três anos antes. A mulher disse "ah, sim" e virou o rosto para conversar sobre uma viagem à Europa.

Helena acomodou as mãos no colo.

Entre sua cadeira e a de Augusto havia um lugar vazio.

Ele se sentara mais adiante, respondendo a um homem que lhe mostrava algo no celular. Não parecia prestar atenção nela.

Ela aproveitou para olhar as travessas.

Não comera desde cedo. O café da manhã fora interrompido pela chegada da cabeleireira, e o almoço acabara substituído por provas de roupa e fotografias.

Na outra ponta da mesa, um garçom servia peixe com molho de limão.

Helena acompanhou o movimento sem querer.

Quando ele se aproximou de sua cadeira, alguém o chamou para repor vinho, e a travessa desapareceu outra vez.

Ela baixou os olhos. Podia esperar.

A cadeira vazia ao seu lado foi afastada.

"Você quer o peixe?"

A voz veio tão perto que Helena virou o rosto depressa.

Augusto acabara de se sentar ali.

"Não precisa."

"Não precisa ou não quer?"

Ela não conseguiu inventar uma resposta convincente.

Ele chamou o garçom com dois dedos.

"Sirva aqui, por favor."

O prato de Helena recebeu uma porção generosa. Augusto agradeceu ao funcionário e voltou a atenção para ela.

"Mais alguma coisa, Leninha?"

Seu apelido na boca dele pareceu íntimo demais.

Era o nome que a mãe usava ao acordá-la, que o pai gritava do quintal quando encontrava uma goiaba madura. Até Lucas, amigo desde o ensino médio, normalmente a chamava de Helena.

"Só isso. Obrigada, tio."

"Então coma. Você passou a manhã sem comer, não passou?"

"Como sabe?"

"Sua mãe está se casando. Imagino que ninguém tenha lembrado de alimentar você."

Não havia malícia aparente na resposta. Helena pegou o garfo.

O peixe estava macio. Ela tentou comer devagar, mas a fome venceu na segunda garfada.

Augusto empurrou o copo de água um pouco mais para perto.

"Quantos anos você tem?"

"Dezoito. Fiz no mês passado."

Ele assentiu.

"E já decidiu o que quer fazer depois da faculdade?"

"Ainda não. Talvez trabalhar com livros. Editora, revisão... Eu gosto de estudar literatura."

"Isso já é um começo."

Um convidado se aproximou para falar com ele. Augusto ouviu, respondeu que tratariam do assunto na segunda-feira e não deixou que a conversa se prolongasse.

Helena aproveitou a distração para beber água.

Àquela distância, conseguia ver as linhas finas no canto dos olhos dele. Era muito mais jovem do que Eduardo, mas não pertencia ao mundo dos rapazes com quem ela dividira salas de aula.

O perfume tinha uma nota de madeira e uma leve presença de tabaco.

Ela afastou o joelho, com receio de esbarrar na perna dele debaixo da mesa.

"Tenho negócios em Curitiba", Augusto disse, quando o convidado se retirou. "Vou para lá com alguma frequência."

"Ah."

"Se precisar de alguma coisa, pode me procurar."

"Obrigada. Acho que vai dar tudo certo."

"Espero que sim. Mas não precisa esperar dar errado para ter meu contato."

Ele tirou o celular do bolso, desbloqueou a tela e abriu a agenda.

Depois o colocou entre os dois.

"Seu número."

Helena olhou para o aparelho, depois para ele.

Era um favor, pensou. Uma gentileza de alguém da nova família.

Mesmo assim, enquanto procurava uma maneira educada de responder, percebeu que ele não fizera uma pergunta.

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