"“Abandone Sua Esposa”, Disse a Amante do Chefe da Máfia… Até a Enfermeira Revelar a Gravidez" Capítulo 2 — A Mulher Que Ele Chamou de Traidora
O celular continuava no chão quando Verônica se abaixou para pegá-lo.
Dante se antecipou apenas para impedir que ela apagasse a mensagem. Chamou Bruno e pediu que acionasse a polícia. Não precisava tocar naquele aparelho para compreender que alguma coisa terrível havia acontecido.
“É uma brincadeira de mau gosto”, disse Verônica, tentando recuperar a compostura. “Um número desconhecido. Você sabe quantas ameaças recebo?”
“Então não vai se importar em explicar isso aos investigadores.”
“Dante, pelo amor de Deus!”
Ele já não a escutava.
O rosto de Marina atrás do vidro havia despertado uma lembrança que ele passara oito meses tentando enterrar.
Na manhã em que tudo começara, a mansão do Jardim Europa cheirava a café fresco e pão de queijo. Marina estava na cozinha, usando uma camiseta antiga dele, enquanto a empregada terminava de arrumar a mesa.
“Você vai chegar tarde hoje?”, perguntou ela.
“Tenho uma reunião na Faria Lima.”
“Com a Verônica?”
Dante levantou os olhos do telefone.
“Com os representantes da Albuquerque Participações. Ela faz parte da negociação.”
Marina assentiu, mas não sorriu.
“Ela me ligou ontem.”
“Para quê?”
“Queria saber se eu realmente acreditava que um homem como você ficaria satisfeito com uma mulher como eu.”
Dante largou a xícara.
“Ela disse isso?”
“Disse que eu deveria aproveitar enquanto ainda usava o sobrenome Montenegro.”
“Vou falar com ela.”
“Não quero que você brigue por mim. Quero que estabeleça limites.”
Ele prometera. Depois, durante a reunião, Verônica chorara e afirmara que Marina interpretara mal uma brincadeira. Dante não quis prolongar o assunto.
Foi seu primeiro erro daquela semana.
Dois dias depois, Marina recebeu fotografias de um quarto de hotel. Dante aparecia perto da cama, sem paletó, enquanto Verônica o abraçava. Uma das imagens parecia mostrar um beijo.
Marina sentiu o chão desaparecer.
Ligou para o marido cinco vezes. Ele não atendeu porque estava em uma reunião. Quando finalmente chegou à mansão, encontrou a esposa esperando na biblioteca.
“Olha para isso e me diz que é mentira.”
Dante examinou as imagens.
“Isso não aconteceu.”
“Então por que ela está usando sua camisa?”
“Eu não sei.”
“Você esteve naquele hotel?”
“Não lembro de ter entrado nesse quarto.”
“Não lembra?”
A pergunta feriu seu orgulho. Ele não compreendeu que Marina precisava de uma explicação, não de uma demonstração de autoridade.
“Você vai confiar em mim ou em fotografias enviadas por um covarde?”
“Eu quero confiar em você. Mas preciso que me ajude.”
Dante saiu da biblioteca sem responder.
Na mesma semana, Ricardo Montenegro chegou com um dossiê. Havia transferências bancárias, mensagens impressas e uma suposta conversa entre Marina e um representante de um grupo rival.
“Eu preferia estar enganado”, disse Ricardo. “Mas alguém está vazando informações sobre nossas cargas.”
“E você acha que foi minha mulher?”
“Não acho nada. Os registros estão aqui.”
Dante examinou os papéis. Reconheceu números de contratos internos e horários de reuniões. Não percebeu que as mensagens não tinham verificação de origem.
Ricardo tocou seu ombro.
“Você precisa proteger a família.”
Naquela noite houve um jantar na mansão. Beatriz Montenegro, mãe de Dante, recebera empresários e parentes. Marina desceu usando um vestido azul-escuro, tentando esconder o cansaço. Havia passado a manhã enjoada e marcara uma consulta médica para a semana seguinte.
Verônica também estava presente.
“Que surpresa ver você aqui”, comentou ela, diante dos convidados. “Depois de tudo.”
Marina parou.
“Depois de quê?”
Dante levantou-se da mesa.
“Precisamos conversar.”
“Agora?”
“Agora.”
Nos primeiros dias depois da separação, Dante telefonara duas vezes. Na primeira, Marina não atendera. Na segunda, a chamada caíra na caixa postal. Ele interpretara aquilo como desprezo e decidira não insistir. Verônica aparecera naquela mesma noite com uma garrafa de vinho e a frase que ele agora odiava recordar: “Quem ama de verdade não vai embora.”
Dante não bebera o vinho. Também não mandara Verônica embora. Deixara que ela se sentasse no sofá onde Marina costumava ler. Deixara que fotografias dos dois circulassem entre colunistas sociais. Nunca a chamara de amante, mas tampouco desmentira os boatos com a firmeza necessária. A omissão servira como confirmação para quem observava de fora.
Em Santos, enquanto isso, Marina alugara um apartamento pequeno com janelas voltadas para uma rua movimentada. Pela manhã ajudava Rosa no restaurante; à noite organizava recibos e anotava informações num caderno. Quando sentia enjoo, sentava no banheiro e esperava passar. Não tinha motorista, empregados nem médico particular disponível a qualquer hora. Tinha a mãe, duas amigas e a decisão de continuar em frente.
Ricardo sugeriu que todos fossem para a sala. Mas Beatriz, já irritada com os boatos, perguntou em voz alta se Marina havia usado o nome Montenegro para obter dinheiro.
“Isso é absurdo!”, respondeu Marina.
Dante colocou o dossiê diante dela.
“Essas mensagens são suas?”
Marina leu a primeira página.
“Não.”
“Você conheceu esse homem?”
“Não!”
“Então por que há transferências ligadas a uma conta com seu nome?”
“Porque alguém está me incriminando!”
O silêncio tomou conta da mesa.
Verônica baixou a cabeça, escondendo um sorriso. Beatriz suspirou como se já esperasse aquela resposta.
Marina olhou para o marido.
“Dante, por favor. Você me conhece.”
Ele queria acreditar. Também queria que a humilhação pública terminasse. Escolheu a frase mais cruel possível.
“Se você não consegue confiar em mim, pode ir embora.”
Marina ficou imóvel.
“É isso que você quer?”
Dante não respondeu.
“Olha para mim”, ela pediu. “Você está mesmo me mandando embora?”
“Não vou discutir na frente de todo mundo.”
“Mas foi na frente de todo mundo que você me acusou.”
Ela retirou a aliança e a deixou sobre a mesa. Ninguém tentou detê-la.
Mais tarde, no quarto, Marina colocou algumas roupas nas malas. Encontrou no banheiro o teste de gravidez que comprara naquela tarde. Ainda não o havia utilizado. Guardou-o no fundo da bolsa e saiu sem olhar para trás.
Dante a viu atravessar o portão pela câmera de segurança. Pensou em correr atrás dela. Ricardo entrou no escritório naquele instante, falando sobre contratos urgentes, e ele permaneceu sentado.
Oito meses depois, no corredor do hospital, Dante finalmente reconheceu a covardia daquele gesto.
“Chefe?”
A voz de Bruno o trouxe de volta.
“Verônica está prestando esclarecimentos. Os policiais recolheram o aparelho, com autorização dela. Ela diz que não conhece o remetente.”
“E os documentos que Ricardo me mostrou naquela época?”
“Pedi à equipe jurídica os arquivos originais. Há uma coisa estranha.”
Bruno abriu um relatório no tablet.
“As fotografias do hotel indicam uma data em que o senhor estava em Campinas. Temos registro da reunião, imagens do prédio e pedágios do veículo.”
Dante sentiu a garganta fechar.
“Então aquelas fotos...”
“Precisam de perícia. Mas a data não bate.”
“Procure quem enviou as mensagens sobre Marina.”
“Já começamos.”
Horas depois, o resultado preliminar chegou. A conta anônima que encaminhara o suposto dossiê tinha sido acessada por um endereço de rede pertencente ao escritório central do Grupo Montenegro.
Não era uma prova definitiva de autoria. Mas bastava para derrubar a história de que tudo começara com um inimigo desconhecido.
Dante encarou o nome da empresa na tela.
O golpe contra seu casamento não viera necessariamente de fora.
Podia ter começado dentro da própria família.
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