"“Abandone Sua Esposa”, Disse a Amante do Chefe da Máfia… Até a Enfermeira Revelar a Gravidez" Capítulo 1 — O Bebê Que Ele Não Sabia Que Existia
“Deixa ela, Dante.”
Verônica Albuquerque pronunciou aquelas palavras diante da sala de trauma número quatro como se a mulher que lutava pela vida lá dentro fosse apenas um compromisso inconveniente.
“Ela foi embora há oito meses. Você não deve mais nada a essa mulher.”
Dante Montenegro não respondeu.
Atrás do vidro, Marina Oliveira Montenegro estava imóvel sobre uma maca, cercada por médicos e aparelhos. A chuva ainda escorria dos cabelos escuros dela. Havia pequenos fragmentos de vidro presos perto de sua orelha. O vestido azul, que Dante reconheceu de imediato, tinha sido cortado pela equipe de emergência.
Ele conhecia aquele vestido. Comprara-o para o primeiro aniversário de casamento. Marina dissera que era caro demais e depois dançara com ele descalça na cozinha da mansão.
Agora havia sangue no tecido.
“Senhor Montenegro?”, chamou um segurança do Hospital São Gabriel. “Preciso que permaneça atrás da faixa.”
Dante não se mexeu. Aos trinta e quatro anos, estava acostumado a dar ordens que homens perigosos obedeciam sem discutir. Controlava empresas de transporte, armazéns e uma rede de negócios clandestinos que se estendia por São Paulo. Nunca precisara pedir duas vezes.
Naquela noite, porém, ninguém se importava com seu sobrenome.
“Pressão caindo!”, gritou alguém na sala.
A médica apertou uma compressa contra o lado esquerdo do corpo de Marina. Outro profissional pediu bolsas de sangue. Uma enfermeira aproximou um aparelho de ultrassom.
Dante acompanhou o movimento sem entender.
A enfermeira passou o transdutor pelo abdômen de Marina, observou a tela e ficou pálida.
“Chamem a obstetrícia. Agora!”
O cirurgião levantou a cabeça.
“Por quê?”
A enfermeira Helena Batista virou o monitor para ele.
“Ela está grávida de trinta e duas semanas!”
O corredor pareceu inclinar sob os pés de Dante.
Trinta e duas semanas.
Oito meses.
O mesmo tempo desde que Marina saíra de casa levando apenas duas malas e a aliança dentro de um envelope.
“Não”, ele murmurou.
Verônica soltou seu braço.
“Dante, você não podia saber...”
Ele olhou novamente para o vidro. O volume sob o vestido rasgado, que imaginara ser consequência dos ferimentos, ganhou um significado impossível de ignorar.
“Batimentos fetais presentes!”, anunciou Helena. “Cento e quarenta e dois.”
Uma equipe entrou correndo. Alguém trouxe equipamentos neonatais. A maca começou a ser movimentada.
Dante empurrou a porta.
“Esperem!”
Um médico bloqueou sua passagem.
“Senhor, saia daqui.”
“Aquele bebê é meu!”
“Então nos deixe trabalhar para salvar os dois.”
O médico o conduziu para fora. As portas se fecharam diante de seu rosto.
Dante permaneceu parado, respirando com dificuldade. Lembrou-se de Marina sentada à mesa do café, oito meses antes, com uma mão discretamente apoiada na barriga. Na época, achara que ela estava apenas nervosa por causa da discussão da noite anterior.
Lembrou-se também de como não perguntara se ela estava bem.
Verônica se aproximou.
“Você precisa pensar com calma. Pode nem ser seu.”
Ele virou o rosto lentamente.
“Repete.”
“Eu só estou dizendo que ela ficou longe de você durante meses.”
“Não fale da minha mulher.”
Verônica recuou um passo.
“Você está me assustando.”
“Ótimo. Agora responda: sabia da gravidez?”
“Claro que não!”
A resposta veio depressa demais. Os olhos dela, entretanto, desceram até a bolsa de couro creme pendurada no pulso.
Dante percebeu.
Nos últimos meses, ignorara dezenas de pequenos gestos como aquele. Verônica sempre surgia com uma explicação, uma lágrima ou uma história sobre a suposta crueldade de Marina. Ele aceitara tudo porque era mais fácil acreditar que a esposa o abandonara do que admitir que talvez tivesse sido injusto.
O celular de Dante vibrou.
Bruno Almeida, seu chefe de segurança, estava chegando ao hospital.
“Localizou o motorista que socorreu Marina?”, perguntou Dante ao atender.
“Sim. Ele disse que um carro preto avançou o sinal na Avenida Nove de Julho. A polícia está recolhendo imagens.”
Antes de Bruno chegar, uma recepcionista pediu que Dante confirmasse os dados cadastrais da paciente. Ele descobriu que Marina havia informado um endereço em Santos e um telefone de emergência que não era o dele. Era o número de Rosa. Aquilo o atingiu de uma maneira inesperada: durante meses, Marina construíra uma vida inteira na qual seu marido não tinha lugar nem mesmo numa ficha hospitalar.
“Ela pediu que não o avisassem?”, perguntou.
“A equipe entrou em contato com os números disponíveis após o acidente”, explicou a recepcionista. “Não posso comentar preferências pessoais registradas pela paciente.”
Dante agradeceu. Era uma palavra que seus funcionários raramente o ouviam pronunciar. Ao voltar para o corredor, reparou nas próprias mãos. Não tremiam quando assinava contratos arriscados, mas tremiam agora, enquanto ele esperava uma notícia de Marina.
“Quero tudo dentro da lei, Bruno. Câmeras, testemunhas, qualquer detalhe.”
“Entendido. E a senhora Marina?”
Dante olhou para as portas.
“Ela está grávida.”
Houve silêncio na ligação.
“De mim”, acrescentou Dante, como se precisasse ouvir a própria voz para acreditar.
Quando desligou, Verônica tocou novamente em seu braço.
“Vou buscar água para você.”
“Como soube do acidente?”
Ela franziu a testa.
“O quê?”
“Você apareceu no restaurante antes de Bruno me ligar. Disse que Marina estava no São Gabriel. Como soube?”
“Seu motorista comentou.”
“Meu motorista soube para qual hospital ela vinha apenas seis minutos antes de sairmos.”
“Talvez eu tenha confundido os horários.”
“E como sabia que era Marina?”
Verônica abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.
Do outro lado do corredor, uma mulher idosa começou a rezar baixinho diante da capela. O som da chuva contra as janelas parecia mais forte. Dante sentiu uma náusea que não tinha relação com sangue ou ferimentos.
“Mostre seu celular.”
“Você está passando dos limites.”
“Verônica.”
Ela apertou a bolsa contra o corpo.
“Não vou permitir que me trate como criminosa por causa da sua ex-mulher.”
“Ela continua sendo minha esposa.”
A frase saiu antes que ele pudesse pensar. Verônica empalideceu.
Uma porta se abriu. A doutora Camila Nogueira, obstetra, surgiu acompanhada do cirurgião Henrique Sampaio.
“Senhor Montenegro, precisamos conversar.”
Dante esqueceu Verônica imediatamente.
“A Marina está viva?”
“Está sendo preparada para uma cirurgia de emergência. A colisão provocou hemorragia importante. Também há sinais de sofrimento fetal. Podemos precisar realizar o parto antes de concluir os outros procedimentos.”
“Façam o necessário.”
“É o que estamos fazendo. Mas preciso que compreenda: o estado dela é grave.”
“E a criança?”
“Temos equipe neonatal pronta. Não posso prometer um resultado.”
Dante levou a mão à boca. Camila observou o homem de terno preto, tão conhecido nos jornais, e falou com firmeza:
“Se quiser ajudar, encontre os documentos médicos dela e alguém da família que conheça o histórico da gestação.”
“Eu não sabia”, ele confessou.
A médica suavizou a voz.
“Então comece pelo que pode fazer agora.”
Bruno chegou minutos depois. Dante ordenou que procurasse a mãe de Marina em Santos e que avisasse a polícia sobre as suspeitas relacionadas à colisão.
Quando se virou, Verônica estava digitando uma mensagem com as mãos trêmulas.
“Para quem está escrevendo?”
“Ninguém.”
O telefone vibrou novamente. Ela tentou esconder a tela, mas o nome de um contato desconhecido apareceu por um instante.
Dante segurou o pulso dela, sem apertar, e pediu que mostrasse a mensagem. Verônica puxou o braço e deixou o aparelho cair. A tela iluminada ficou virada para cima.
Uma frase ocupava o centro da conversa:
“Ela não deveria ter chegado viva ao hospital.”
Dante ergueu os olhos para Verônica.
Pela primeira vez naquela noite, ela não conseguiu fingir indignação.
Conseguiu apenas demonstrar medo.
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