"A Filha da Empregada Imitou o Chefe da Máfia por 14 Dias… Até Ele Descobrir o Motivo" Capítulo 5 — Ninguém Toca na Filha da Empregada
Ricardo Montenegro sorriu ao entrar no escritório, mas Bruno não sorriu de volta.
“Encontraram alguma coisa interessante naquela gravação?”, perguntou o primo de Dante.
Bruno colocou o telefone no bolso. “Ainda estamos verificando a origem do arquivo.”
“É curioso. Camila está morta há dezoito meses e continua dando trabalho.”
Bruno ergueu o rosto. “A senhora Camila merece respeito.”
O sorriso de Ricardo endureceu. “Cuidado para não confundir lealdade com insolência.”
Antes que Bruno respondesse, Dante apareceu à porta. Ricardo mudou imediatamente de expressão.
“Primo! Estava procurando você. Valentina vem jantar hoje. O pai dela quer discutir uma parceria.”
“Você marcou um jantar na minha casa sem me consultar?”
“É um encontro entre famílias. Nada demais.”
Dante observou os dois homens. “Bruno, venha comigo.”
No corredor, o segurança esperou que Ricardo desaparecesse. Só então falou da ligação interrompida, do arquivo recebido e da voz masculina.
“Você reconheceu?”, Dante perguntou.
“Tenho uma suspeita. Não uma prova. O técnico não atende mais.”
“Encontre-o. E não mencione o áudio a Ricardo.”
Bruno assentiu. Dante prosseguiu em direção à antiga sala de Camila, mas parou ao ouvir uma voz infantil.
“Um, dois, três… cara de bravo!”
Sofia surgiu atrás de uma coluna, com os braços cruzados nas costas. Fez uma expressão tão séria que suas bochechas ficaram redondas.
Dante tentou manter o rosto fechado. “Está treinando para ocupar meu lugar?”
“Não. Eu sou pequena demais.”
“Finalmente alguém nesta casa que sabe disso.”
Sofia riu. Marina apareceu carregando toalhas limpas e empalideceu ao vê-los juntos.
“Desculpe, senhor. Ela devia estar na cozinha.”
“Não fez nada de errado”, respondeu Dante.
Sofia se aproximou dele e falou baixinho: “A tia Camila está preocupada.”
O sorriso desapareceu de seu rosto. “Com o quê?”
“Tem um homem que finge ser bonzinho.”
Marina apertou as toalhas contra o peito. Dante se ajoelhou.
“Ela disse o nome dele?”
Sofia balançou a cabeça. “Quando ela tenta, fica tudo barulhento.”
Dante olhou para a porta fechada. A madeira estalou uma vez, embora ninguém a tocasse.
“Não precisa perguntar mais nada à menina”, disse Marina, firme. “Ela anda acordando assustada.”
Ele se levantou. “Você tem razão.”
Marina pareceu surpresa. Estava acostumada a homens poderosos que transformavam qualquer pedido em desafio. Dante, pela primeira vez, simplesmente ouviu.
À noite, o salão principal foi preparado para o jantar. Arranjos de orquídeas brancas enfeitavam a mesa. Teresa coordenava os funcionários com a expressão preocupada de quem pressentia uma tempestade.
Valentina Albuquerque chegou em um vestido verde-esmeralda e saltos altos. Beijou o rosto de Ricardo e estendeu a mão a Dante.
“Faz meses que você me evita.”
“Tenho trabalhado.”
“Trabalhado ou se escondido?”
Dante não respondeu. Valentina percebeu Marina servindo água e examinou seu uniforme cinza.
“É essa a funcionária de quem todos estão falando?”
Marina manteve os olhos baixos. “Boa noite, senhora.”
“Ouvi dizer que trouxe uma criança para morar aqui.”
“Minha filha fica comigo durante o expediente, com autorização.”
“Que generosidade da parte de Dante.”
A frase parecia educada. O olhar, não.
Durante o jantar, Ricardo falou sobre contratos e investimentos. Dante respondeu pouco. Valentina insistia em recordar festas antigas, quando Camila ainda estava viva, como se pudesse ocupar o lugar deixado pela mulher.
Um barulho de passos miúdos interrompeu a conversa.
Sofia apareceu na entrada com seu ursinho. Procurava Marina, que havia saído para buscar a sobremesa.
“Dante!”, chamou alegremente.
Valentina pousou a taça com força. “Quem permitiu isso?”
Sofia parou. “Eu só queria a mamãe.”
“Crianças de empregados não entram em jantares particulares.”
A menina abraçou o ursinho. “Eu não vou comer nada.”
“Não importa. Volte para a cozinha.”
Marina retornou naquele instante. “Sofia, venha comigo.”
Valentina levantou-se antes que a mãe alcançasse a criança.
“É impressionante como certas pessoas confundem emprego com convite para fazer parte da família.”
Marina respirou fundo. “Minha filha se perdeu procurando por mim. Eu vou levá-la.”
“Você deveria ensinar limites a ela. Ou talvez nunca tenha aprendido os seus.”
Sofia começou a chorar silenciosamente. Ricardo observava a cena sem intervir.
“Peça desculpas à senhora Valentina”, ele ordenou a Marina.
“Por minha filha ter entrado na sala? Eu já pedi. Mas ela não merece ser humilhada.”
Valentina deu um passo à frente. “Você está discutindo comigo?”
Marina segurou a mão de Sofia. “Estou protegendo minha filha.”
“Segurança!”, chamou Valentina. “Retirem as duas.”
Um dos homens próximos à porta hesitou. Ricardo fez um gesto para que obedecesse.
O segurança avançou, mas uma voz baixa o deteve.
“Não encoste nelas.”
Dante havia se levantado. O salão ficou em silêncio.
Valentina soltou uma risada incrédula. “Dante, é apenas uma empregada.”
“Ela tem nome.”
“Você vai me constranger por causa dessa mulher?”
“Você fez isso sozinha.”
Ricardo tentou intervir. “Não precisamos transformar um mal-entendido em escândalo.”
Dante apontou para a porta. “Valentina, seu jantar terminou.”
Ela ficou vermelha. “Meu pai não vai gostar disso.”
“Diga a ele exatamente o que aconteceu.”
Valentina pegou a bolsa e saiu. Ricardo a acompanhou até o vestíbulo, deixando atrás de si uma tensão que ninguém ousava comentar.
Sofia olhou para Dante com os olhos molhados. “Você ficou bravo por minha causa?”
Ele se abaixou. “Fiquei bravo porque trataram você e sua mãe mal.”
“Eu fiz coisa errada?”
“Entrou sem pedir licença. Da próxima vez, peça. Mas isso não dá a ninguém o direito de humilhar você.”
Sofia pensou por um instante. Depois cruzou as mãos atrás das costas e fez a expressão séria de sempre.
“Então eu vou falar igual você: ninguém encosta na minha mamãe!”
Uma risada escapou de Teresa. Dante também sorriu.
Marina sentiu a garganta apertar. Nunca alguém com tanto poder havia defendido sua filha daquela maneira.
Mais tarde, ela encontrou Dante junto à varanda.
“Obrigada”, disse.
“Não me agradeça por fazer o mínimo.”
“Na minha vida, o mínimo nem sempre aconteceu.”
Ele a observou por um momento. “Não quero que Sofia tenha medo desta casa.”
“Eu quero que ela possa crescer sem medo de ninguém.”
Dante baixou os olhos. “É mais do que eu consegui oferecer a Camila.”
Marina respondeu com cuidado: “Não pode mudar o que aconteceu. Mas pode decidir o que faz agora.”
Uma rajada de vento atravessou a varanda. O perfume de jasmim surgiu entre os dois. No vidro escuro da porta, Marina teve a impressão de ver uma silhueta feminina vestida de branco. Quando se virou, não havia ninguém.
No portão da propriedade, Valentina entrou no carro de Ricardo, furiosa.
“Você disse que a empregada seria afastada.”
“Será”, respondeu ele.
“Dante me expulsou da própria casa por causa daquela menina!”
Ricardo ligou o motor. “Então vamos fazer com que ele se arrependa de protegê-las.”
No banco traseiro, uma pasta preta guardava cópias de documentos financeiros. Ricardo a abriu e retirou uma credencial de acesso à sala de Dante.
“Desta vez”, murmurou, “a mãe vai parecer uma traidora.”
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