"A Filha da Empregada Imitou o Chefe da Máfia por 14 Dias… Até Ele Descobrir o Motivo" Capítulo 4 — A Última Voz de Camila
A caixa de música começou a tocar às três e cinquenta e nove da madrugada.
Dante Montenegro abriu os olhos imediatamente.
Estava sozinho no quarto.
A mansão permanecia silenciosa.
Por alguns segundos, pensou que tivesse sonhado.
Então ouviu novamente.
A melodia delicada vinha do corredor.
Era a música favorita de Camila.
Dante se levantou.
Vestiu uma camisa preta e abriu a porta.
O corredor estava vazio.
Mas a música continuava.
Baixa.
Distante.
Como se alguém a tocasse dentro do antigo quarto da esposa.
Dante caminhou até a porta dupla.
A fechadura estava trancada.
Ele tirou a chave do bolso.
Antes de introduzi-la, ouviu um sussurro.
"Dante..."
Seu coração pareceu parar.
A voz era feminina.
Suave.
Familiar.
Ele se virou rapidamente.
Ninguém.
"Camila?"
A música cessou.
Dante permaneceu imóvel.
Havia enfrentado homens armados sem demonstrar medo.
Mas aquela única palavra, pronunciada no escuro, fizera suas mãos tremerem.
Na manhã seguinte, Bruno encontrou o patrão no escritório.
Dante não havia dormido novamente.
"O técnico conseguiu acessar parte do cartão", Bruno informou.
Dante ergueu a cabeça.
"Tem alguma coisa?"
"Um arquivo de áudio. Está danificado, mas conseguimos recuperar alguns segundos."
"Coloque."
Bruno conectou um notebook ao sistema de som.
Um ruído metálico preencheu a sala.
Depois veio uma respiração ofegante.
E então uma voz.
"Dante..."
O homem ficou completamente imóvel.
Era Camila.
Não havia dúvida.
A voz estava mais fraca do que ele lembrava, mas era dela.
"Se você estiver ouvindo isso..."
O áudio falhou.
Um chiado longo.
Depois outra frase.
"...tem alguém passando informações..."
Dante se inclinou para a frente.
"Continua."
Bruno ajustou o volume.
A voz reapareceu.
"...não confie..."
O arquivo terminou abruptamente.
Dante bateu a mão na mesa.
"Só isso?"
"Por enquanto."
"Recupere o restante."
"O técnico está tentando."
Dante levantou-se.
"Quero o nome de quem fez isso."
Bruno hesitou.
"Senhor, talvez seja melhor não comentar a gravação com ninguém."
Dante o encarou.
"Por quê?"
"Porque, se Camila estava certa, a pessoa que a traiu pode continuar dentro da família."
Dante permaneceu em silêncio.
Depois respondeu:
"Então ninguém fica sabendo."
Na cozinha, Marina tentava convencer Sofia a tomar leite.
A menina estava distraída.
Olhava constantemente para a porta.
"Filha, o leite vai esfriar."
Sofia não respondeu.
"Sofia?"
A criança levantou um dedo.
"Espera, mamãe."
"Esperar o quê?"
"Ela tá falando."
Marina sentiu o estômago se contrair.
Olhou para a porta.
Não havia ninguém.
"Quem está falando?"
"A tia Camila."
Marina respirou fundo.
Já não sabia se devia repreender a filha, procurar um médico ou simplesmente escutar.
"O que ela está dizendo?"
Sofia franziu a testa.
"Que o Dante achou a coisinha."
Marina ficou imóvel.
"Que coisinha?"
"A que estava escondida."
A menina apontou para a própria orelha.
"Mas ele não ouviu tudo."
Marina segurou a borda da mesa.
Como Sofia poderia saber da gravação?
Dante e Bruno não haviam comentado nada com os funcionários.
Pelo menos era o que ela acreditava.
"Sofia, você ouviu alguém conversando sobre isso?"
A menina balançou a cabeça.
"Não."
"Então como sabe?"
Sofia apontou para o espaço vazio ao lado da geladeira.
"Ela tá aqui."
Marina olhou.
Nada.
Mas o ar ficou subitamente frio.
Uma colher caiu sozinha da bancada.
Marina recuou.
Sofia sorriu para o espaço vazio.
"Eu falei, tia."
Pouco depois, Marina encontrou Teresa no corredor.
A governanta estava pálida.
Havia passado a noite em claro depois de receber a ameaça.
"Marina, preciso mostrar uma coisa."
Ela levou a jovem até seu quarto.
Retirou a fotografia riscada de uma gaveta.
Marina levou a mão à boca.
"Meu Deus."
"Alguém entrou aqui ontem."
"Você avisou o senhor Montenegro?"
Teresa balançou a cabeça.
"Se eu falar, posso colocar todos em perigo."
Marina segurou suas mãos.
"Dona Teresa, isso é uma ameaça de morte."
"Eu sei."
"Então não podemos fingir que nada aconteceu."
Teresa começou a chorar.
"Você não entende. Camila também recebeu ameaças antes de morrer."
Marina ficou imóvel.
"Que ameaças?"
"Bilhetes. Telefonemas. Uma vez, alguém deixou uma flor preta sobre a cama dela."
"Ela contou ao marido?"
"Não. Disse que precisava descobrir quem estava por trás de tudo antes de envolver Dante."
Marina olhou novamente para a fotografia.
"E morreu tentando."
Teresa assentiu.
Foi então que Sofia apareceu na porta.
A menina olhou para a imagem riscada.
Seu sorriso desapareceu.
"Foi ele."
As duas mulheres se viraram.
"Quem, Sofia?", Marina perguntou.
A criança apontou para a fotografia.
"O homem que fez a tia chorar."
Teresa se ajoelhou.
"Você viu esse homem?"
Sofia assentiu.
"Ele tava bravo."
"Onde?"
"No quarto dela."
Marina sentiu um arrepio.
"Quando?"
Sofia pareceu confusa.
"Antes."
"Antes de quê?"
"Antes dela virar luz."
Teresa levou a mão ao peito.
Sofia continuou:
"A tia falou que tentou avisar o Dante. Mas o homem não deixou."
Marina olhou para Teresa.
Nenhuma das duas sabia o que dizer.
Naquela tarde, Dante decidiu procurar o Dr. Henrique Sampaio.
O médico havia acompanhado Camila durante os últimos meses de vida.
Seu consultório ficava nos Jardins, em uma rua discreta, longe dos grandes hospitais.
Henrique recebeu Dante com evidente surpresa.
"Senhor Montenegro."
"Preciso conversar sobre minha esposa."
O médico fechou a porta.
"Faz muito tempo."
"Não para mim."
Henrique abaixou os olhos.
Dante colocou uma cópia dos trechos recuperados da gravação sobre a mesa.
"Camila acreditava que alguém estava me traindo."
O médico ficou tenso.
"Ela comentou algo parecido durante as sessões."
"Por que não me contou?"
"Porque ela me pediu confidencialidade."
Dante se inclinou.
"Ela morreu, doutor."
"Eu sei."
"Então me diga o que sabe."
Henrique respirou fundo.
"Camila estava com medo. Dizia que alguém muito próximo do senhor havia descoberto seus movimentos."
"Ela mencionou algum nome?"
"Não diretamente."
Dante cerrou os punhos.
"Mas?"
O médico hesitou.
"Ela dizia que o homem responsável era alguém que o senhor considerava um irmão."
Dante sentiu o sangue gelar.
Ricardo.
Seu primo havia crescido ao seu lado.
Haviam estudado juntos.
Trabalhado juntos.
Dante lhe entregara o controle financeiro de parte dos negócios da família.
Mas confiança não era prova de inocência.
Nem de culpa.
"Ela deixou algum documento?"
Henrique balançou a cabeça.
"Não comigo."
Dante se levantou.
Antes de sair, o médico acrescentou:
"Existe algo mais."
Dante parou.
"Camila me disse que, se morresse, encontraria uma maneira de proteger o senhor."
Dante virou lentamente a cabeça.
"Como?"
Henrique pareceu desconfortável.
"Ela acreditava que o amor não terminava com a morte."
Dante não respondeu.
Pela primeira vez, aquelas palavras não lhe pareceram apenas uma tentativa de consolo.
Na mansão, Ricardo recebeu uma ligação enquanto caminhava pelo jardim.
"Você tem certeza?", perguntou.
Do outro lado, um homem respondeu:
"Eles recuperaram uma parte do arquivo."
Ricardo parou.
"Quanto?"
"Não sabemos."
"E o técnico?"
"Está tentando recuperar o restante."
Ricardo olhou para as janelas da casa.
"Então ele precisa parar."
"Entendido."
Ricardo desligou.
Por alguns segundos, permaneceu imóvel.
Depois retirou do bolso uma fotografia antiga.
Mostrava Dante e Camila no dia do casamento.
Ricardo estava ao lado dos dois.
Sorrindo.
Ele dobrou a fotografia ao meio.
"Você devia ter ficado quieta, Camila."
Às quatro horas, Dante voltou à mansão.
O corredor estava vazio.
Pela primeira vez, não desejava atravessá-lo.
Mas ouviu passos pequenos atrás de si.
Virou-se.
Sofia estava ali.
Mãos atrás das costas.
Testa franzida.
Imitando-o novamente.
Dante quase sorriu.
"Você não se cansa?"
A menina balançou a cabeça.
"Não."
"E por que continua fazendo isso?"
"Porque ela pediu."
Dante se ajoelhou.
"Sofia, preciso perguntar uma coisa."
A menina se aproximou.
"Pode."
"Você realmente vê a Camila?"
Sofia assentiu.
"Vejo."
"Ela está aqui agora?"
A menina olhou para trás dele.
Seu rosto se iluminou.
"Tá."
Dante sentiu o coração disparar.
"Onde?"
Sofia apontou para a porta.
"Bem ali."
Dante virou a cabeça.
Não viu ninguém.
Mas sentiu o perfume de jasmim.
Forte.
Como se Camila estivesse ao seu lado.
Sua voz saiu quase em um sussurro.
"Pergunte o que ela quer."
Sofia ficou em silêncio.
Parecia escutar.
Depois olhou para Dante.
"Ela quer que você escute a música até o fim."
Dante franziu a testa.
"Que música?"
"A da caixinha."
Ele sentiu um arrepio.
"Por quê?"
Sofia inclinou a cabeça.
"Porque tem outra voz."
Dante ficou imóvel.
"Outra voz?"
A menina assentiu.
"De um homem."
"Que homem?"
Sofia olhou novamente para a porta.
Seu sorriso desapareceu.
Então respondeu:
"Ela disse que você conhece."
Naquela noite, Bruno recebeu uma chamada do técnico responsável pelo cartão de memória.
"Consegui recuperar mais alguns segundos", o homem disse, ofegante.
Bruno se levantou.
"Envie imediatamente."
"Eu vou enviar, mas preciso falar uma coisa."
"O quê?"
"Tem uma segunda voz na gravação."
Bruno ficou imóvel.
"Consegue identificar?"
"Não com certeza. Mas o homem diz um nome."
"Que nome?"
O técnico hesitou.
Antes que pudesse responder, um estrondo ecoou do outro lado da linha.
Depois, silêncio.
"Alô?"
Bruno apertou o telefone.
"Alô! Está me ouvindo?"
Nenhuma resposta.
A ligação caiu.
Segundos depois, uma mensagem apareceu na tela.
Era um arquivo de áudio.
Bruno abriu.
Primeiro ouviu a voz de Camila.
Assustada.
"Você não pode fazer isso com Dante..."
Depois veio a voz de um homem.
Baixa.
Fria.
"Você devia ter ficado fora dos negócios da família, Camila."
Bruno reconheceu o tom.
Mas antes que pudesse ouvir mais, o arquivo terminou.
No mesmo instante, a porta do escritório se abriu.
Ricardo Montenegro entrou sorrindo.
"Bruno, meu amigo."
O segurança bloqueou a tela do celular.
Ricardo aproximou-se.
"Você parece nervoso."
Bruno não respondeu.
O primo de Dante apoiou uma das mãos sobre a mesa.
Então perguntou, com uma tranquilidade assustadora:
"Encontraram alguma coisa interessante naquela gravação?"
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