"A Filha da Empregada Imitou o Chefe da Máfia por 14 Dias… Até Ele Descobrir o Motivo" Capítulo 2 — O Quarto Que Ninguém Podia Abrir
"Todo mundo para fora."
A ordem de Dante Montenegro atravessou o corredor como uma lâmina.
Nenhum funcionário se moveu imediatamente.
Não por desobediência.
Mas porque ninguém conseguia acreditar no que havia acabado de ouvir.
Dante apontou para a escadaria.
"Agora."
Os empregados desapareceram em segundos.
Restaram apenas Bruno, Teresa, Marina e Sofia.
A menina continuava segurando seu ursinho de pelúcia, sem compreender por que todos pareciam tão assustados.
Dante caminhou até a porta dupla.
Passou os dedos pela fechadura.
Depois se virou.
"Quem deu acesso a esse quarto?"
Teresa juntou as mãos.
"Senhor, ninguém entra ali desde..."
"Eu perguntei quem entrou."
A governanta abaixou os olhos.
"Eu entro uma vez por mês para limpar. Sempre com sua autorização."
"E a criança?"
Marina imediatamente se colocou diante da filha.
"Ela nunca entrou nesse quarto, senhor."
Dante a encarou.
"Tem certeza?"
"Absoluta."
Sofia puxou a barra do uniforme da mãe.
"Mamãe..."
"Agora não, meu amor."
"Mas eu vi a moça."
Dante se aproximou.
"Onde você viu essa mulher?"
Sofia apontou para a porta.
"Ali."
"Quando?"
"Ontem."
Teresa levou a mão ao peito.
"Ontem?"
A menina assentiu.
"Ela estava sentada perto da janela."
Dante ficou imóvel.
A antiga sala de estar de Camila tinha uma poltrona junto à janela.
Era o lugar onde ela costumava ler todas as tardes.
Mas Sofia não poderia saber disso.
A porta permanecia trancada.
As janelas eram cobertas por cortinas grossas.
E nenhuma fotografia daquele cômodo existia nas áreas comuns da mansão.
"Como era essa mulher?", Dante perguntou.
Sofia pensou por alguns segundos.
"Tinha cabelo comprido."
"De que cor?"
"Castanho."
"E a roupa?"
"Um vestido branco."
Dante fechou os olhos.
Camila usava um vestido branco no último aniversário de casamento dos dois.
Ele ainda estava guardado naquele quarto.
Marina percebeu a mudança no rosto do patrão.
"Senhor Montenegro, Sofia tem muita imaginação. Talvez tenha visto alguma fotografia..."
"Não existem fotografias da minha esposa nesta parte da casa."
A resposta foi seca.
Marina se calou.
Dante tirou uma chave do bolso.
Era uma chave antiga, de metal escuro, presa a uma pequena corrente.
Sua mão tremia discretamente.
Bruno percebeu.
Nunca tinha visto o patrão daquele jeito.
"Quer que eu verifique primeiro, senhor?"
"Não."
Dante introduziu a chave na fechadura.
O mecanismo girou com dificuldade.
Quando a porta se abriu, um cheiro suave de perfume antigo escapou do cômodo.
Jasmim.
Camila adorava jasmim.
Dante sentiu uma pressão no peito.
O quarto permanecia quase exatamente como ela o deixara.
Um sofá bege.
Livros sobre uma mesa.
Uma poltrona junto à janela.
Um piano pequeno encostado à parede.
E, sobre uma cômoda, uma caixa de música de madeira clara.
Dante deu um passo para dentro.
A memória veio com violência.
Camila rindo.
Camila reclamando que ele trabalhava demais.
Camila dizendo que a casa parecia um quartel.
Ele precisou apoiar a mão na parede.
Atrás dele, Sofia sorriu.
"Ela gosta daqui."
Dante se virou.
"Quem?"
"A moça."
"Ela está aqui agora?"
Sofia olhou para a poltrona.
Por um instante, seu sorriso desapareceu.
"Não."
Dante sentiu uma mistura de alívio e decepção.
"Então onde está?"
A menina apontou para a janela.
"Foi embora quando você abriu a porta."
O silêncio pareceu ficar mais pesado.
Meia hora depois, Bruno estava na sala de segurança.
As gravações das câmeras internas mostravam Sofia brincando no corredor em diferentes momentos.
Em uma delas, a menina aparecia parada diante da porta fechada.
Sozinha.
Olhando para cima.
Sorrindo.
Depois parecia responder a alguém.
Bruno ampliou a imagem.
Não havia mais ninguém.
Marina, ao lado dele, sentiu o estômago se contrair.
"Ela faz isso às vezes", confessou.
Bruno olhou para ela.
"Fala sozinha?"
"Eu achava que sim."
"Desde quando?"
Marina hesitou.
"Desde pequena. Mas ficou mais frequente depois que começamos a trabalhar aqui."
Bruno voltou a observar a tela.
Na gravação, Sofia levantava uma das mãos.
Como se alguém estivesse segurando seus dedos.
A câmera não mostrava nada.
Bruno interrompeu o vídeo.
"Não vamos tirar conclusões."
Marina assentiu.
Mas não conseguiu afastar o medo.
Enquanto isso, Dante permanecia sozinho no antigo quarto de Camila.
Havia dezoito meses que não entrava ali.
A poltrona ainda tinha uma manta dobrada sobre o braço.
Um livro permanecia aberto na página cento e dezessete.
Ele reconheceu a letra da esposa em uma anotação feita na margem.
Não podemos viver com medo para sempre.
Dante passou o polegar sobre a frase.
"Eu tentei, Camila."
Sua voz falhou.
"Deus sabe que eu tentei."
O relógio de parede começou a funcionar.
Dante levantou a cabeça.
O relógio estava parado desde o funeral.
Os ponteiros avançaram lentamente.
Quatro horas.
Dezessete minutos.
Então pararam.
Dante recuou.
Era exatamente o horário registrado no atestado de óbito de Camila.
Uma corrente fria atravessou o cômodo.
As cortinas se moveram.
Mas a janela estava fechada.
Dante olhou ao redor.
"Camila?"
Nenhuma resposta.
Ele soltou uma risada amarga.
"Estou ficando louco."
Foi então que ouviu uma melodia.
Baixa.
Delicada.
A caixa de música estava tocando.
Dante se aproximou lentamente.
Reconheceu a canção.
Era a melodia que Camila costumava ouvir antes de dormir.
Ele abriu a tampa.
Dentro havia uma pequena bailarina de porcelana.
O mecanismo girava sozinho.
Dante tentou interrompê-lo.
A bailarina parou.
Mas a música continuou por mais três segundos.
Então cessou.
No fundo da caixa, ele percebeu uma pequena rachadura na madeira.
Passou a unha pela abertura.
Uma tampa falsa se soltou.
Havia um compartimento escondido.
E dentro dele, um pequeno cartão de memória.
Dante ficou olhando para o objeto.
Camila nunca mencionara aquele compartimento.
Nunca.
Na cozinha, Sofia desenhava sobre uma folha de papel.
Marina preparava uma xícara de chá para Teresa.
"Filha, o que você está desenhando?"
"A moça."
Marina se aproximou.
O desenho mostrava uma mulher de vestido branco.
Ao lado dela havia uma porta.
E, sobre a porta, Sofia desenhara um círculo preto.
"O que é isso?"
"Um relógio."
"Por que ele está preto?"
"Porque parou."
Marina sentiu um arrepio.
"Quem falou isso?"
Sofia continuou pintando.
"A moça."
"E o que mais ela disse?"
A menina levantou os olhos.
"Que o homem bravo precisa achar uma coisa."
"Que coisa?"
Sofia apontou para o próprio desenho.
"Uma coisa pequena."
Marina respirou fundo.
"Sofia, você está inventando?"
A menina pareceu ofendida.
"Não, mamãe."
"Então onde está essa moça agora?"
Sofia olhou para trás da mãe.
Seu rosto se iluminou.
"Ali."
Marina virou imediatamente.
Não havia ninguém.
Mas sentiu um perfume suave de jasmim.
E a porta da cozinha, que estava fechada, abriu alguns centímetros.
Naquela noite, Dante chamou Bruno ao escritório.
Colocou o cartão de memória sobre a mesa.
"Quero saber o que tem aqui."
Bruno pegou o objeto.
"Onde encontrou?"
"No quarto da Camila."
O segurança ergueu os olhos.
"Ela escondeu isso?"
"Parece que sim."
"Pode estar danificado."
"Então encontre alguém capaz de recuperar os arquivos."
Bruno assentiu.
Antes de sair, hesitou.
"Senhor, sobre a menina..."
"O que tem ela?"
"Verificamos as câmeras."
"E?"
"Não encontramos ninguém entrando naquele quarto."
Dante permaneceu em silêncio.
"Mas há uma coisa estranha", Bruno continuou.
"Fale."
"A menina conversa com alguém que não aparece nas imagens."
Dante apoiou os cotovelos sobre a mesa.
"Você está dizendo que acredita em fantasmas?"
"Estou dizendo que não consigo explicar o que vi."
Dante desviou o olhar.
Pela primeira vez em dezoito meses, sentia medo de descobrir a verdade.
Não medo de inimigos.
Não medo de perder dinheiro.
Medo de que Camila estivesse tentando falar com ele.
Perto da meia-noite, Marina finalmente conseguiu colocar Sofia para dormir.
A menina abraçava seu ursinho.
"Mamãe?"
"Oi, meu amor."
"O moço bravo vai ficar feliz?"
Marina acariciou seus cabelos.
"Espero que sim."
Sofia sorriu sonolenta.
"A moça também espera."
Marina apagou a luz.
Quando estava saindo, ouviu a filha murmurar:
"Ela falou que não foi um acidente."
Marina parou.
Voltou lentamente até a cama.
"Sofia?"
A menina já estava quase dormindo.
"O que não foi um acidente, filha?"
Sofia abriu os olhos apenas por um instante.
"A noite que ela morreu."
Marina sentiu o coração disparar.
"Quem disse isso?"
Sofia apontou para um canto escuro do quarto.
E sussurrou:
"Ela está chorando porque o homem que matou ela ainda mora aqui."
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