localização atual: Novela Mágica A Filha da Empregada Imitou o Chefe da Máfia por 14 Dias… Até Ele Descobrir o Motivo Capítulo 1 — A Menina Que Imitava o Chefe da Máfia
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"A Filha da Empregada Imitou o Chefe da Máfia por 14 Dias… Até Ele Descobrir o Motivo" Capítulo 1 — A Menina Que Imitava o Chefe da Máfia

正文开头

Às quatro horas da tarde, o homem mais temido de São Paulo parou no meio do corredor.

E, pela primeira vez em quatorze dias, olhou para trás.

A três metros dele, uma menina de apenas três anos estava parada com as mãozinhas cruzadas atrás das costas, os ombros erguidos e a testa franzida.

Exatamente como ele.

O silêncio foi imediato.

Uma bandeja tremeu nas mãos de uma empregada.

Um segurança arregalou os olhos.

E Marina Oliveira sentiu o sangue desaparecer de seu rosto.

"Sofia..."

A voz saiu quase sem som.

A menina, porém, não percebeu o perigo.

Continuou olhando para Dante Montenegro com a expressão mais séria que seu rostinho redondo conseguia produzir.

Dante tinha trinta e dois anos, quase um metro e noventa de altura e ombros largos que pareciam ocupar o corredor inteiro.

Vestia uma camisa preta com as mangas dobradas, deixando à mostra as tatuagens que cobriam seus antebraços.

Seu rosto era bonito de uma maneira intimidadora.

Maxilar marcado.

Olhos escuros.

Uma expressão que raramente mudava.

Em São Paulo, bastava mencionar seu sobrenome para certas conversas terminarem imediatamente.

Mas naquela tarde, o homem que comandava negócios milionários e uma organização criminosa estava sendo imitado por uma criança de vestido amarelo.

E ninguém sabia como reagir.

"Venha aqui."

A voz de Dante ecoou pelo mármore.

Marina deu um passo à frente.

"Senhor Montenegro, por favor. Ela é só uma criança. Eu assumo toda a responsabilidade."

Dante levantou uma das mãos.

Marina se calou.

Ele não estava olhando para ela.

Estava olhando para Sofia.

"Eu mandei você vir aqui, menina."

Sofia abriu um sorriso.

E começou a andar.

Não correu.

Não pulou.

Caminhou devagar, com as mãos atrás das costas e passos exageradamente firmes.

Imitando perfeitamente o jeito de Dante.

Um dos seguranças abaixou a cabeça para esconder uma risada nervosa.

Dante percebeu.

Mas não disse nada.

Quando Sofia parou diante dele, precisou inclinar a cabeça quase completamente para enxergar seu rosto.

"Qual é o seu nome?"

"Sofia."

"Sofia de quê?"

"Sofia Oliveira."

"E por que você está andando desse jeito?"

A menina pareceu confusa.

"Do seu jeito, ué."

Marina fechou os olhos.

Era o fim.

Ela seria demitida.

Talvez expulsa da propriedade antes mesmo de conseguir recolher seus pertences.

Mas Dante apenas estreitou os olhos.

"Por que você fica me imitando?"

Sofia inclinou a cabeça.

"Porque você parece sozinho."

O corredor inteiro ficou imóvel.

Dante não respondeu.

A menina continuou, como se estivesse explicando a coisa mais simples do mundo.

"Você anda sozinho todo dia."

Ela apontou para o corredor atrás dele.

"Então eu ando com você."

Algo mudou no rosto de Dante.

Foi pequeno.

Quase imperceptível.

Mas Marina viu.

Aquela expressão dura pareceu perder a força por um instante.

E, para entender por que aquelas palavras eram tão perigosas, seria preciso voltar quatorze dias.

Marina Oliveira tinha vinte e nove anos e trabalhava havia seis meses na mansão Montenegro, no Jardim Europa.

正文1

Era mãe solteira.

Morava com Sofia em um apartamento pequeno na Vila Mariana.

O salário da mansão pagava o aluguel, a alimentação e parte das despesas da filha.

Não sobrava quase nada.

Quando a vizinha que costumava cuidar de Sofia precisou viajar às pressas para acompanhar a mãe hospitalizada, Marina ficou sem alternativa.

Naquela manhã, levou a menina escondida para o trabalho.

"Você vai ficar quietinha, combinado?"

Sofia assentiu.

"Quietinha igual uma princesa?"

"Igual uma princesa."

"E princesa pode comer bolacha?"

Marina sorriu, apesar do nervosismo.

"Pode. Mas sem fazer bagunça."

A governanta Teresa Almeida encontrou as duas na lavanderia.

"Marina, pelo amor de Deus!"

Marina ficou pálida.

"Dona Teresa, eu sei que não podia. Mas não tinha com quem deixar minha filha."

Teresa olhou para a criança.

Sofia segurava um ursinho de pelúcia pela orelha.

"Quantos anos?"

"Três."

A governanta suspirou.

"Hoje ela fica. Mas você precisa entender uma coisa."

Marina assentiu imediatamente.

"Eu entendo."

"Não. Você ainda não entende."

Teresa olhou para o relógio.

"Às quatro da tarde, o senhor Montenegro atravessa o corredor principal."

"E daí?"

"Ninguém fala com ele. Ninguém fica no caminho. E ninguém se aproxima daquela porta."

Ela apontou para uma porta dupla de madeira escura, no final do corredor.

"O que tem lá?"

Teresa demorou a responder.

"O passado dele."

Às quatro horas em ponto, a mansão mudou.

O aspirador foi desligado.

Os carrinhos de limpeza desapareceram.

Até os seguranças ficaram mais rígidos.

Então Dante surgiu.

Passou pelo corredor sem olhar para ninguém.

As mãos cruzadas atrás das costas.

O olhar fixo na porta fechada.

Sofia observava tudo de trás de uma coluna.

Quando ele desapareceu, ela saiu do esconderijo.

Cruzou as mãos atrás das costas.

Endireitou os ombros.

E começou a caminhar.

Marina quase derrubou o balde.

"Sofia!"

A menina franziu a testa.

"Mamãe, olha!"

"Para com isso!"

"Eu sou o moço bravo!"

Naquele dia, Marina acreditou que fosse uma brincadeira passageira.

Não foi.

No segundo dia, Sofia esperou Dante passar.

No terceiro, copiou o movimento de sua cabeça.

No quarto, começou a imitar até o modo como ele parava diante da porta.

No sexto, uma cozinheira precisou entrar na despensa para rir.

No oitavo, Bruno Carvalho, o segurança mais antigo de Dante, encontrou Sofia marchando atrás do patrão.

Ficou tão assustado que derrubou o próprio rádio.

No décimo, praticamente todos os funcionários já conheciam o segredo.

E ninguém tinha coragem de avisar.

"Essa menina ainda vai matar todo mundo do coração", murmurou Teresa.

Marina tentou impedir a filha.

Mas Sofia sempre encontrava um jeito de escapar por alguns segundos.

E havia algo que deixava Marina intrigada.

Todos os dias, pouco antes das quatro, Sofia olhava para o final do corredor.

Como se estivesse esperando alguém.

Às vezes, sorria para a porta fechada.

Outras vezes, parecia escutar uma voz.

"Com quem você está falando, filha?"

"Com a moça."

"Que moça?"

"A bonita."

正文2

Marina imaginou que fosse alguma funcionária.

Nunca deu importância.

Até o décimo quarto dia.

Agora, diante de Dante, Sofia continuava explicando sua brincadeira.

"Você sempre fica triste quando chega naquela porta."

Dante respirou fundo.

"Quem disse isso?"

"Ninguém."

"Então como você sabe?"

"Porque eu vejo."

A resposta atingiu Dante de uma maneira inesperada.

Havia dezoito meses, exatamente às quatro horas da tarde, sua esposa Camila Montenegro morrera durante uma emboscada no Morumbi.

Ela havia sido atingida ao tentar protegê-lo.

Desde então, Dante repetia o mesmo ritual.

Atravessava o corredor.

Parava diante do antigo quarto de Camila.

E permanecia ali, em silêncio.

Nunca entrava.

Nunca chorava diante dos funcionários.

Nunca sorria.

Até aquela tarde.

Sofia ergueu uma das mãos e tocou os dedos enormes de Dante.

"Você pode sorrir, sabia?"

Dante soltou uma respiração curta.

"Posso?"

"Pode."

"E quem mandou?"

"Eu."

Pela primeira vez, o canto da boca dele se moveu.

Sofia arregalou os olhos.

"Olha!"

Dante franziu a testa.

"O quê?"

"Você conseguiu!"

Um som inesperado escapou do peito dele.

Uma risada.

Baixa.

Rouca.

Mas verdadeira.

Teresa levou a mão à boca.

Bruno ficou imóvel.

Marina sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

Ninguém naquela mansão ouvia Dante Montenegro rir desde a morte de Camila.

Sofia pareceu satisfeita.

Então levantou os dois braços.

"Colo?"

Dante olhou para Marina.

Ela estava prestes a pedir desculpas novamente.

Mas ele se abaixou.

Devagar.

Como se tivesse esquecido a maneira correta de se aproximar de alguém.

Sofia tocou seu rosto.

A mãozinha quente encostou na barba curta.

"Você precisa de abraço."

Dante engoliu em seco.

"Quem disse?"

A menina sorriu.

"Ela."

O corpo dele enrijeceu.

"Ela quem?"

Sofia apontou para a porta dupla no final do corredor.

"A moça bonita."

Marina sentiu um arrepio.

Dante permaneceu imóvel.

Sofia aproximou a boca de seu ouvido e sussurrou:

"Ela falou que você chora quando ninguém está olhando."

O rosto de Dante perdeu completamente a cor.

Ninguém sabia disso.

Ninguém.

Ele segurou delicadamente os ombros da menina.

"Que moça, Sofia?"

A criança apontou outra vez.

"Aquela do vestido branco."

Dante virou lentamente a cabeça.

A porta do antigo quarto de Camila estava fechada.

Trancada havia dezoito meses.

Sofia acrescentou, com absoluta inocência:

"Ela fica ali esperando você."

Dante se levantou de repente.

"Bruno."

O segurança avançou.

"Senhor?"

"Quem entrou naquele quarto?"

"Ninguém, senhor."

Dante olhou para Sofia.

A menina ainda sorria.

Então ela disse algo que fez o homem mais temido de São Paulo esquecer como respirar.

"A moça falou que você não precisa mais pedir desculpa."

Dante deu um passo para trás.

Na noite em que Camila morreu, ele havia sussurrado exatamente aquelas palavras ao lado do corpo dela.

E nunca mais as repetira diante de ninguém.

"Camila... me desculpa."

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