"O Milionário Que Escolheu a Gordinha" Capítulo 5 — A Mulher Que Eles Tentaram Apagar
"Se meu irmão aparecer em mais uma fotografia, eu vou à polícia."
Marina Oliveira pronunciou a ameaça olhando diretamente para o homem parado diante da clínica de reabilitação. O desconhecido segurava o celular junto ao peito e fingia esperar um carro. Mas ela o reconhecera: era o mesmo rosto que aparecera do outro lado da rua na noite anterior.
"A senhora está enganada", respondeu ele.
"Então apague a foto na minha frente."
Gabriel apertou a mão da irmã. As órteses sob a calça faziam um ruído discreto quando ele mudava de posição.
"Mari, vamos embora?"
O homem se afastou sem responder. Marina anotou a placa do sedã cinza e só então chamou um táxi. Não permitiria que o medo transformasse a vida do menino numa prisão.
Na mansão Montenegro, Dante encarava Henrique Sampaio do outro lado da mesa.
"Você assinou a exclusão de Beatriz. Quero a verdade inteira."
O médico, de sessenta e sete anos, tirou os óculos.
"Eu me convenci de que estava protegendo o projeto. Ricardo disse que a moça havia concordado em desistir. Quando descobri que não era verdade, já tinham retirado o nome dela dos registros oficiais."
"E você ficou calado."
"Fiquei."
Dante esperava uma desculpa. O silêncio do médico foi pior.
"Durante quatro anos, mulheres foram medidas e julgadas por uma hipótese que nem sequer estava comprovada. Você sabia disso."
"Eu deveria ter impedido."
"Deveria. Agora vai me ajudar a corrigir."
Henrique entregou uma cópia dos registros originais. Uma assinatura de Beatriz aparecia na ficha de inscrição, mas não na declaração de desistência. A segunda assinatura parecia imitada.
Bruno entrou com uma informação: Beatriz Ferreira trabalhava num pequeno estúdio de beleza em Osasco. Mudara de endereço duas vezes desde a seleção.
Dante pegou o paletó.
"Vamos hoje. Sem imprensa."
Antes de sair, recebeu uma mensagem de Marina: uma fotografia da placa do sedã cinza, acompanhada de quatro palavras.
"Estão seguindo meu irmão."
Dante telefonou imediatamente.
"Marina, onde vocês estão?"
"Em casa. Não quero uma escolta escondida na minha rua. Quero saber quem mandou fotografar uma criança."
"Eu também. Bruno vai entregar a placa às autoridades e preservar as imagens das câmeras."
"E se isso tiver relação com sua família?"
Dante olhou para a porta fechada do escritório do tio.
"Então minha família vai responder por isso."
Ela desligou sem agradecer. A raiva era justa. Dante descobria que proteger alguém exigia muito mais do que prometer segurança.
O estúdio de Beatriz ficava sobre uma farmácia, numa rua movimentada. Não havia luxo: duas cadeiras, espelhos pequenos e um ventilador antigo. Quando Dante entrou, a mulher de cabelos pretos parou de organizar esmaltes.
"Eu conheço você", disse ela.
"Beatriz Ferreira?"
"Demorou dezenove meses para lembrar meu nome?"
A pergunta atingiu Dante antes que ele pudesse se apresentar.
"Eu não sabia que você tinha passado."
Beatriz soltou uma risada amarga.
"Foi exatamente o que disseram que você diria."
Ela mandou a última cliente embora e fechou a porta. Bruno permaneceu do lado de fora.
"Passei por aquela máquina. O médico conferiu duas vezes. Um funcionário me pediu para esperar numa sala. Eu pensei que minha vida fosse mudar."
Beatriz abriu uma gaveta e retirou uma pasta plástica.
"Ricardo Montenegro apareceu com um contrato. Dinheiro suficiente para minha mãe fazer uma cirurgia e para eu nunca mais trabalhar. Em troca, eu diria que desisti por vontade própria."
"Você recusou."
"Eu não queria me casar com um estranho. Queria que ninguém apagasse o resultado só porque eu era pobre."
Ela explicou que, depois da recusa, a clínica onde trabalhava rescindira seu contrato. Uma imobiliária cancelara seu aluguel. Pessoas desconhecidas passaram a dizer que ela tentara extorquir a família Montenegro.
"Minha mãe teve medo até de atender o telefone", concluiu.
Dante examinou o contrato. O documento continha cláusulas de confidencialidade e uma referência explícita à decisão do conselho.
"Posso levar uma cópia?"
"Pode. Mas não vou ser usada numa briga de família para depois ser esquecida de novo."
"Você terá seu próprio advogado. E a decisão sobre falar publicamente será sua."
Beatriz o estudou por alguns segundos.
"É a primeira coisa decente que alguém dessa mansão me oferece."
Quando Dante saiu, encontrou várias chamadas perdidas de Marina.
Ela estava no corredor da clínica de Gabriel, olhando uma mensagem do setor financeiro. Todas as parcelas atrasadas do tratamento haviam sido quitadas naquela manhã, por transferência de um doador anônimo.
Dona Rosa chorava de alívio. Gabriel perguntava se agora poderiam viajar para ver o mar.
Marina, porém, sentia o estômago apertado.
"Você fez isso?", perguntou quando Dante atendeu.
"Fiz o quê?"
"Pagou o tratamento do Gabriel sem me perguntar?"
"Não. Marina, estou em Osasco. Nem sabia dessa transferência."
"Você já quis resolver a minha vida com dinheiro. Por que eu acreditaria?"
"Porque estou dizendo a verdade. Peça à clínica para preservar o comprovante. Não mexa nesse dinheiro até sabermos de onde veio."
Ela ficou em silêncio. O nome de Gabriel, impresso no recibo, parecia uma ameaça disfarçada de generosidade.
Antes de sair da clínica, Marina havia pedido à recepcionista que não fornecesse a ninguém os horários de Gabriel. A funcionária explicou que o cadastro estava protegido, mas admitiu que uma pessoa se apresentara como representante de uma fundação interessada em patrocinar o tratamento.
"Fundação de quê?", perguntou Marina.
"Não deixou cartão. Disse apenas que ligaria novamente."
Marina pensou em quantas vezes uma família necessitada era obrigada a confiar em estranhos para conseguir atendimento. Não queria desconfiar de toda ajuda, mas alguém estava usando justamente aquela vulnerabilidade para assustá-la.
Em casa, Rosa insistiu para que a filha comesse alguma coisa. Havia arroz, feijão e abóbora refogada. Gabriel contou uma história engraçada sobre um colega da escola que tentara esconder um sapo de brinquedo na mochila da professora.
Marina riu. Por um momento, a vida pareceu normal.
Depois que o menino dormiu, ela abriu a pasta de contas médicas. Cada recibo representava uma escolha difícil: uma encomenda aceita de madrugada, um fim de semana sem descanso, um sapato que Rosa deixara de comprar.
Marina não tinha vergonha daquela vida. Tinha orgulho de tudo que haviam construído. O que a enfurecia era ver pessoas poderosas tratando suas dificuldades como uma ferramenta de chantagem.
"Não quero que você perca a confiança em todo mundo", disse Rosa da porta.
"Também não quero, mãe. Mas preciso saber quem está tentando entrar na nossa casa pela porta do medo."
Rosa segurou a mão da filha.
"Então nós vamos descobrir juntas."
Naquela noite, Marina atravessou os portões da mansão com o comprovante amassado na mão. Encontrou Dante no salão onde, dias antes, todos haviam rido dela.
"Se isso for mais uma tentativa de me comprar, acabou."
Dante não tentou tocar nela.
"Eu não paguei nada. E acho que alguém quer fazer você me odiar."
Marina abriu a boca para responder. Antes, porém, o celular vibrou.
Uma mensagem de número desconhecido apareceu na tela.
"Pergunte à sua mãe quem pagou a primeira cirurgia de Gabriel."
Marina sentiu o sangue gelar.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4