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"O Milionário Que Escolheu a Gordinha" Capítulo 4 — A Primeira Mentira da Família Montenegro

正文开头

"Repita o que acabou de dizer."

Dante estava no escritório da mansão, com o telefone apertado contra o ouvido. Do lado de fora, a chuva atingia os vidros enormes que davam para o jardim.

Henrique permaneceu em silêncio por um segundo.

"Seu tio mandou retirar uma candidata da lista há dezenove meses. O resultado dela era praticamente idêntico ao de Marina."

"Nome."

"Beatriz Ferreira."

"E por que nunca me contou?"

"Porque assinei o documento."

Dante sentiu o sangue ferver.

"Venha aqui. Agora."

Quarenta minutos depois, Henrique entrou pela porta lateral, carregando uma pasta antiga. Bruno o acompanhou até o escritório e permaneceu do lado de fora.

O médico parecia ter envelhecido dez anos desde a cerimônia.

"Antes de mostrar os papéis", começou, "preciso admitir que falhei com você. E com as mulheres que passaram por aquela seleção."

Dante apontou para a cadeira.

"Mostre."

Henrique espalhou folhas sobre a mesa. Havia gráficos, formulários e relatórios de calibração do aparelho. Uma ficha trazia a fotografia de uma mulher de cabelos pretos, olhar sério e sorriso discreto.

"Beatriz Ferreira. Trinta anos atualmente. Na época, trabalhava como recepcionista de clínica."

Dante examinou os números.

"As leituras são quase iguais às de Marina."

"Sim. O sistema sinalizou uma combinação semelhante."

"Então por que meu relatório dizia que ninguém havia passado?"

Henrique retirou uma folha com o timbre do conselho.

"Porque esta ordem determinou a exclusão dela antes que o resultado chegasse às suas mãos."

Dante leu a justificativa: inconsistência documental e incompatibilidade com os critérios de representação institucional da família.

"Que critérios?"

Henrique baixou a cabeça.

"Ela era pobre. Não tinha sobrenome conhecido, nem relações com investidores. Ricardo disse que a escolha poderia prejudicar a reputação do grupo."

"E você aceitou?"

"Eu deveria ter denunciado. Tive medo de perder meu trabalho, de enfrentar o conselho. Não é desculpa."

Dante deu um passo para trás.

Durante quatro anos, acreditara que o aparelho era uma proteção para seus futuros filhos. Agora descobria que os resultados haviam sido filtrados segundo o saldo bancário das candidatas.

"O teste já era errado", disse, com a voz rouca. "E vocês ainda transformaram isso num negócio."

"Há outra coisa", confessou Henrique. "A hipótese original sobre postura e risco hereditário nunca teve validação clínica suficiente. Era uma observação limitada, não uma forma de prever a saúde de crianças."

Dante apoiou as mãos na mesa.

"Por que ninguém me disse isso com todas as letras?"

"Eu disse em relatórios técnicos. Mas deveria ter impedido que a interpretação errada continuasse. Ricardo usou sua preocupação para manter a seleção sob controle."

Dante fechou os olhos. Lembrou-se de cada mulher que aguardara diante da máquina. Das candidatas que choraram. Das que se esforçaram para mudar o corpo. E da expressão de Marina quando lhe dissera que não era uma mercadoria.

"Quero os registros completos", ordenou. "Sem filtros. Sem resumos preparados pelo conselho."

Henrique assentiu.

"E quero uma avaliação médica independente. Não vou continuar repetindo uma mentira só porque fui eu quem a anunciou."

正文1

A porta se abriu sem aviso.

Ricardo entrou com um copo de uísque na mão.

"Que reunião dramática. O que houve?"

Dante ergueu a ficha de Beatriz.

"Você conhece esta mulher?"

O sorriso do tio desapareceu por uma fração de segundo.

"Não lembro de todas as candidatas."

"Curioso. Porque assinou a ordem que eliminou esta."

Ricardo colocou o copo sobre a mesa.

"Ah. Aquela moça. Foi uma decisão administrativa."

"Ela passou no teste."

"E daí? Você realmente imagina uma recepcionista representando uma família com negócios internacionais?"

Dante deu um passo em sua direção.

"Não estamos discutindo um cargo de relações públicas. Estamos falando de uma pessoa."

"Estamos falando da sucessão de bilhões de reais!", rebateu Ricardo. "Seu pai teria entendido."

"Não use meu pai para justificar sua crueldade."

Ricardo apertou os lábios.

"Você está encantado por Marina Oliveira. É isso que está acontecendo. Uma mulher aparece com um vestido barato, faz um discurso bonito, e você esquece tudo o que construímos."

"Não foi Marina quem falsificou a verdade."

"A verdade não sustenta uma empresa. Decisões difíceis sustentam."

Dante apontou para a porta.

"Saia. Amanhã quero acesso integral aos arquivos do conselho."

Ricardo não se moveu.

"Você pode ter herdado o nome, Dante. Mas não controla tudo sozinho."

"Veremos."

Quando o tio saiu, Henrique recolheu os documentos com mãos trêmulas.

"Ele não vai desistir facilmente."

"Nem eu."

Na manhã seguinte, Marina encontrou um envelope branco sob a porta de casa. Não havia remetente.

Dentro, uma fotografia mostrava ela e Dante conversando no portão, na visita do dia anterior. No verso, uma frase escrita em letras maiúsculas:

FIQUE LONGE DE DANTE MONTENEGRO.

Marina sentiu um frio na nuca.

Dona Rosa percebeu sua expressão.

"O que aconteceu, filha?"

"Nada. Uma brincadeira sem graça."

Mas não era uma brincadeira. O fotógrafo estivera perto o suficiente para registrar o rosto de Gabriel pela janela.

Marina rasgou a fotografia antes que o irmão a visse.

Mais tarde, Dante telefonou.

"Posso encontrar você hoje?"

Ela quis contar sobre a ameaça. Porém, ao ouvir Gabriel rindo no quarto, decidiu não assustar a família antes de entender o que estava acontecendo.

"Hoje não", respondeu. "Preciso pensar."

Dante percebeu a mudança na voz dela.

"Alguém fez alguma coisa?"

"Eu só preciso de um pouco de silêncio."

"Tudo bem. Não vou pressionar."

Depois de desligar, Marina ficou olhando o telefone. Parte dela queria confiar nele. Outra parte temia que aquela família tivesse poder para destruir a vida que ela e a mãe haviam construído com tanto esforço.

Na sede do Grupo Montenegro, Dante encontrou Bruno junto ao elevador privativo.

"Localizou Beatriz Ferreira?"

"Ainda não. Mas descobri que o endereço registrado na ficha é falso."

"Falso como?"

"O prédio foi demolido antes da data em que ela supostamente morava lá. Alguém substituiu os dados."

Dante entrou no elevador, furioso.

"Procure pelos registros anteriores. Quero falar com ela pessoalmente."

Bruno hesitou.

"Tem mais uma coisa, senhor. A segurança da casa de Marina identificou um carro parado na rua dela ontem à noite."

Dante se virou.

"Que carro?"

"Um sedã cinza, sem identificação. Ficou ali por quase uma hora."

O elevador chegou ao último andar.

Dante não saiu imediatamente.

"Descubra a placa. E mantenha distância da família dela. Não quero que se sintam vigiados por nós também."

No mesmo instante, no escritório de Ricardo, Valentina Albuquerque entrou sem ser anunciada.

"Você prometeu que aquela mulher desapareceria", disse ela.

Ricardo fechou a persiana.

"Fale baixo."

"Dante está procurando Beatriz. Se encontrar aquela mulher, tudo vem à tona."

Ricardo abriu uma gaveta e retirou uma segunda cópia da ordem de exclusão. Na parte inferior havia duas assinaturas.

A primeira era a dele.

A segunda, de Henrique Sampaio.

"O médico está assustado", observou Valentina.

"Então vamos dar a ele um motivo para ficar calado."

Ricardo pegou o telefone.

"E quanto à Marina?"

Ele olhou para uma fotografia recente de Gabriel saindo de uma clínica de reabilitação.

"Todo mundo tem alguma coisa que não suporta perder. Precisamos descobrir até onde ela iria para proteger o irmão."

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