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"O Filho do Milionário Ignorou Toda a Família e Chamou a Empregada de “Mamãe”" Capítulo 5 — O Certificado de Óbito Falso

正文开头

“Quem colocou o nome de outra mulher na certidão do meu filho?”

Dante Montenegro atirou a cópia do documento sobre a mesa da cozinha. A folha deslizou até parar diante de Beatriz. Helena, ao lado da pia, não conseguia desviar os olhos daquele papel.

“Responda, mãe.”

Beatriz manteve o queixo erguido, embora as mãos tremessem.

“Você está tirando conclusões precipitadas.”

“Então me explique por que o registro original menciona Mariana Duarte e uma segunda via foi emitida com dados diferentes.”

Bruno Almeida abriu outra pasta.

“A alteração foi solicitada pela Clínica Santa Cecília, em Campinas. O pedido leva a assinatura do doutor Augusto Ferraz.”

Dante sentiu uma raiva fria subir pelo peito.

“O mesmo homem que assinou a certidão de óbito.”

Helena segurou a bancada. A palavra óbito ainda era uma faca. Sete anos antes, ela também recebera um documento oficial que dizia que seu bebê não sobrevivera.

Beatriz finalmente falou:

“Augusto estava tentando proteger a família.”

“De quê?”

A matriarca se levantou.

“Não vou discutir isso na frente de uma funcionária.”

Dante não saiu do lugar.

“Helena fica. Você vai responder.”

“Você está escolhendo uma desconhecida em vez da sua mãe?”

“Estou escolhendo a verdade em vez do silêncio.”

Beatriz saiu sem olhar para ninguém.

Na manhã seguinte, Dante viajou a Campinas com Bruno. O edifício da antiga clínica havia sido reformado, mas a recepção ainda conservava o mesmo piso bege das fotografias arquivadas. Uma funcionária os conduziu ao setor administrativo.

A diretora, doutora Lúcia Nogueira, examinou a autorização judicial apresentada pelos advogados de Dante.

“Podemos disponibilizar os registros preservados. Mas muitos documentos daquela época estão incompletos.”

“Por que?”

“Houve uma transferência de arquivos para uma empresa terceirizada. Parte do material não retornou.”

Bruno perguntou:

“E as gravações de segurança?”

“Foram descartadas conforme o prazo de retenção. Há, porém, um relatório de falha do sistema na noite da internação.”

Dante levantou os olhos.

“Que falha?”

“Quatro câmeras desligadas por ordem da administração.”

A diretora deslizou uma cópia sobre a mesa. No campo responsável aparecia novamente o nome de Augusto Ferraz.

Dante fechou os punhos.

“Quero falar com ele.”

“Ele não trabalha aqui há anos.”

“Eu sei onde encontrá-lo.”

Antes de sair, Bruno pediu acesso ao livro de movimentação de pacientes. Havia uma anotação quase apagada: uma mulher transferida na madrugada seguinte, sem nome completo, acompanhada por dois funcionários particulares.

O destino indicado era uma instituição no interior de São Paulo.

Dante fotografou a página.

“Procure essa instituição. E descubra quem pagou pela transferência.”

Enquanto isso, na mansão, Helena tentava manter a rotina. Arrumou a mesa do café, separou o uniforme escolar de Lucas e fingiu não notar Viviane observando-a do corredor.

“Você está muito tranquila para alguém que causou um escândalo.”

Helena continuou dobrando uma toalha.

“Tenho trabalho a fazer.”

“Seu trabalho não inclui brincar de mãe.”

“Eu nunca brinquei com os sentimentos de Lucas.”

Viviane aproximou-se.

“Cuidado. Dante está confuso, mas não ficará assim para sempre.”

正文1

Helena olhou diretamente para ela.

“É o que eu espero.”

O sorriso de Viviane desapareceu.

Naquela tarde, Helena saiu durante seu intervalo para encontrar Rosa Batista. A mulher a aguardava num apartamento modesto da Vila Mariana, com café recém-passado e os olhos cheios de preocupação.

“Ele encontrou os papéis?”, perguntou Rosa.

“Parte deles.”

“Então Augusto sabe que você está perto.”

Helena assentiu.

Rosa apertou suas mãos.

“Eu prometi que ajudaria você a recuperar sua vida. Mas não quero perder você também.”

“Eu vi Lucas me chamar de mãe diante de todo mundo. Não consigo ir embora agora.”

“Você precisa contar a Dante.”

“E se ele acreditar neles outra vez?”

Rosa não respondeu. Lembrava-se de uma jovem que chegara à sua porta anos antes, desorientada, com cicatrizes recentes e uma única pergunta repetida sem parar: onde estava seu filho?

Helena retirou da bolsa um caderno de capa azul.

“Encontrei isto entre minhas coisas antigas.”

Rosa empalideceu.

“Não leve esse caderno para a mansão.”

“É a única coisa que escrevi antes de perder quase tudo.”

“Justamente por isso.”

Helena passou o dedo sobre a capa. Nas primeiras páginas havia anotações sobre a gravidez: consultas, desejos estranhos, nomes possíveis, pequenos desenhos de estrelas. Depois, páginas de escrita irregular, feitas durante sua recuperação.

“Preciso lembrar de tudo”, murmurou.

Quando voltou à mansão, Lucas a esperava na escada.

“Você voltou!”

Ela se ajoelhou para recebê-lo.

“Eu disse que faria o possível.”

O menino abraçou seu pescoço.

“Hoje sonhei que você estava numa sala branca.”

Helena gelou.

“Que sala?”

“Não sei. Tinha uma porta que não abria.”

Ela beijou os cabelos dele.

“Foi só um sonho, querido.”

Mas a descrição a perseguiu pelo resto do dia.

À noite, Viviane entrou no quarto de serviço aproveitando que Helena acompanhava Lucas. Procurou entre as roupas, abriu uma gaveta e encontrou o caderno azul escondido sob uma pilha de lençóis.

Folheou rapidamente.

Leu o nome de Mariana, a data do parto e o peso do recém-nascido. Uma página continha a descrição de uma pulseira com uma estrela.

Viviane parou de respirar.

“Não pode ser.”

Mais adiante encontrou uma anotação feita com letra trêmula:

“Meu filho nasceu vivo. Eles disseram que estava morto.”

Viviane fotografou a página. Em seguida, ligou para um número que não usava havia anos.

A ligação foi atendida depois de quatro toques.

“Alô?”, disse uma voz masculina.

“Doutor Augusto? Temos um problema.”

“Que problema, Viviane?”

Ela olhou para o caderno aberto.

“A mulher que vocês esconderam voltou. E está trabalhando na casa de Dante.”

Do outro lado da linha, o médico ficou em silêncio.

Então perguntou:

“Ela ainda se lembra do nome Mariana?”

Viviane olhou novamente para a frase escrita no papel.

“Lembra muito mais do que deveria.”

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