"O Filho do Milionário Ignorou Toda a Família e Chamou a Empregada de “Mamãe”" Capítulo 4 — O Rosto Que Não Deveria Existir
“De onde veio esta fotografia?”
Dante Montenegro segurava a imagem com tanta força que o papel começou a dobrar.
Helena permaneceu perto da janela do quarto infantil.
Lucas observava os dois, sem entender a tensão.
“Estava na minha caixa, papai.”
Dante olhou para o filho.
“Quem colocou lá?”
“Não sei.”
“Você encontrou quando?”
“Faz muito tempo.”
Helena sentiu o coração bater violentamente.
A fotografia mostrava Mariana Duarte diante de uma casa simples no interior paulista.
Mas havia algo que Dante nunca percebera antes.
A jovem da imagem tinha o mesmo formato de olhos de Helena.
A mesma inclinação discreta do sorriso.
Até a maneira de segurar as mãos parecia familiar.
“Helena.”
Ela ergueu o rosto.
“Senhor?”
“Você conheceu minha esposa?”
O quarto ficou silencioso.
Lucas olhou para a empregada.
Helena respirou fundo.
“Eu conheci uma mulher chamada Mariana.”
Dante deu um passo à frente.
“Mariana Duarte?”
“Sim.”
“Quando?”
“Há muitos anos.”
“Antes de ela desaparecer?”
Helena hesitou.
“Sim.”
Dante sentiu o peito apertar.
“Por que nunca me disse?”
“Porque o senhor nunca perguntou.”
A resposta o atingiu.
Era verdade.
Durante oito meses, ele mal sabia o nome completo daquela funcionária.
Não sabia onde morava.
Não sabia quem eram seus familiares.
Não sabia nada.
Mas seu filho sabia.
Lucas puxou a manga do pai.
“Papai, você está bravo?”
Dante respirou fundo.
“Não, meu filho.”
“Então por que está falando alto?”
O empresário se ajoelhou.
“Desculpe.”
Beijou a testa do menino.
“Vá brincar com a Teresa por alguns minutos.”
Lucas olhou para Helena.
“Ela vai ficar?”
Dante hesitou.
“Vai.”
O menino saiu lentamente.
Quando a porta se fechou, Dante voltou-se para a empregada.
“Quero a verdade.”
Helena cruzou as mãos diante do corpo.
“Eu conheci Mariana quando éramos jovens.”
“Onde?”
“No interior de São Paulo.”
“Em qual cidade?”
“Campinas.”
Dante franziu a testa.
Mariana havia passado parte da juventude em Campinas.
Mas raramente falava daquele período.
“Vocês eram amigas?”
Helena olhou para o chão.
“Éramos próximas.”
“Quanto?”
Ela demorou a responder.
“O suficiente para conhecer aquela canção.”
Dante sentiu um arrepio.
“A música que Lucas cantou?”
“Sim.”
“E a pulseira?”
Helena tocou instintivamente o pulso.
“Também fazia parte daquela época.”
Dante aproximou-se.
“Minha mãe disse que a pulseira foi enterrada com Mariana.”
Helena ergueu os olhos.
“Talvez sua mãe esteja enganada.”
“Beatriz Montenegro raramente se engana sobre objetos de família.”
“Pessoas poderosas também podem mentir, senhor Dante.”
A frase ficou suspensa entre os dois.
Dante estreitou os olhos.
“Está acusando minha mãe?”
“Estou dizendo que o senhor deveria fazer perguntas.”
“Que perguntas?”
Helena respirou fundo.
“Por exemplo, quem realmente confirmou a morte de Mariana?”
Dante ficou imóvel.
Durante sete anos, acreditara na versão apresentada pela família.
Mariana teria sofrido complicações médicas após uma internação inesperada.
Ele estava fora do país.
Quando retornou, o funeral já havia sido organizado.
A mãe dissera que o corpo não podia ser exposto devido às condições em que fora encontrado.
Dante aceitara.
Estava destruído demais para questionar.
Agora, pela primeira vez, aquela lembrança parecia absurda.
“Você sabe alguma coisa sobre a morte dela?”
Helena desviou o olhar.
“Sei que nem tudo aconteceu como contaram.”
“Então fale!”
Ela se assustou.
Dante percebeu e recuou.
Passou a mão pelo rosto.
“Desculpe.”
Helena respirava rapidamente.
“Eu não posso contar tudo.”
“Por quê?”
“Porque algumas pessoas ainda podem se machucar.”
“Quem?”
Ela olhou para a porta.
“Lucas.”
Dante sentiu o sangue gelar.
Naquela tarde, ele cancelou todos os compromissos.
Chamou Bruno Almeida ao escritório.
O chefe de segurança chegou carregando um tablet e uma pasta preta.
“Encontrei algumas informações, senhor.”
Dante apontou para a cadeira.
“Fale.”
“Helena Batista começou a usar esse nome há aproximadamente sete anos.”
Dante ficou imóvel.
“Começou?”
“Os registros anteriores são incompletos.”
“Como assim?”
“Não encontrei histórico escolar, vínculos de trabalho ou documentos antigos consistentes.”
Dante apertou a mandíbula.
“E a mãe dela?”
“Rosa Batista. Cinquenta e cinco anos. Mora na Vila Mariana.”
“É mãe biológica?”
Bruno hesitou.
“Não encontrei registro de nascimento que comprove isso.”
Dante levantou-se lentamente.
“Continue.”
“Rosa trabalhou durante muitos anos como auxiliar de enfermagem.”
“Onde?”
“Em uma clínica particular de Campinas.”
Dante sentiu o coração acelerar.
“Qual clínica?”
Bruno abriu a pasta.
“Clínica Santa Cecília.”
O nome parecia familiar.
Dante tentou lembrar onde o ouvira.
Então percebeu.
Era a mesma instituição mencionada nos últimos documentos médicos de Mariana.
“Meu Deus…”
Bruno observou a reação do patrão.
“Senhor?”
Dante pegou a pasta.
“Quero tudo sobre essa clínica.”
“Já comecei.”
“E o médico responsável?”
“Dr. Augusto Ferraz.”
Dante fechou os olhos.
Augusto era o médico particular da família Montenegro havia décadas.
Fora ele quem assinara os documentos relacionados à morte de Mariana.
Dante pegou o telefone.
Ligou diretamente para a mãe.
Beatriz atendeu na terceira chamada.
“Dante?”
“Preciso saber uma coisa.”
“O que houve?”
“Quem identificou o corpo de Mariana?”
Silêncio.
“Mãe?”
“Por que está perguntando isso agora?”
“Responda.”
Beatriz respirou fundo.
“Augusto cuidou de tudo.”
“Você viu o corpo?”
Outra pausa.
“Dante, isso aconteceu há sete anos.”
“Você viu?”
“Não havia necessidade.”
Dante sentiu o estômago afundar.
“Então quem viu?”
“Augusto confirmou.”
“Um médico?”
“Sim.”
“E você acreditou?”
“Ele era nosso amigo!”
Dante fechou os olhos.
“Vou investigar.”
A voz de Beatriz mudou imediatamente.
“Não faça isso.”
Dante ficou imóvel.
“Por quê?”
“Porque você vai abrir feridas que deveriam permanecer fechadas.”
“Minha esposa morreu, mãe.”
“Eu sei.”
“Meu filho cresceu sem ela.”
“Eu sei!”
“Então por que está com medo de uma investigação?”
Beatriz não respondeu.
Dante desligou.
Naquela mesma noite, Bruno conseguiu acesso legal a parte dos registros administrativos antigos da clínica.
Havia inconsistências.
Datas alteradas.
Assinaturas divergentes.
Um relatório de transferência que não correspondia ao horário registrado na certidão de óbito.
E uma informação ainda mais estranha.
Não existia documentação completa de reconhecimento do corpo por um familiar.
Bruno levou tudo ao escritório de Dante.
“Senhor, precisamos considerar uma possibilidade.”
Dante olhou para ele.
“Qual?”
Bruno colocou os documentos sobre a mesa.
“A morte de Mariana pode ter sido registrada sem a confirmação adequada da identidade.”
Dante permaneceu em silêncio.
“Você está dizendo que minha esposa pode estar viva?”
“Estou dizendo que os documentos não comprovam, de forma confiável, que ela morreu.”
O empresário sentou-se lentamente.
Durante sete anos, visitara um túmulo.
Durante sete anos, acreditara ter perdido a mulher que amava.
Durante sete anos, criara o filho sem jamais imaginar que pudesse existir outra explicação.
Agora tudo parecia desmoronar.
Na cozinha da mansão, Helena lavava uma xícara quando ouviu passos.
Virou-se.
Beatriz estava parada na porta.
A matriarca segurava um telefone.
Seu rosto estava pálido.
“Você não devia ter voltado.”
Helena desligou a torneira.
“Eu precisava.”
“Dante está investigando.”
“Eu sei.”
“Ele vai descobrir coisas que não consegue suportar.”
Helena encarou a mulher.
“Então talvez devesse ter pensado nisso sete anos atrás.”
Beatriz deu um passo à frente.
“Você não sabe tudo o que aconteceu.”
Helena sentiu as mãos tremerem.
“Sei o suficiente.”
“Não.”
A voz da matriarca falhou.
“Você não sabe o que fizeram depois.”
Helena ficou imóvel.
“Depois de quê?”
Beatriz abriu a boca.
Mas não respondeu.
Naquele momento, Dante surgiu no corredor.
“Mãe?”
As duas mulheres se viraram.
Ele segurava uma pasta preta.
“Preciso conversar com vocês.”
Beatriz empalideceu.
Dante colocou os documentos sobre a mesa da cozinha.
“Acabei de descobrir que o corpo de Mariana nunca foi identificado formalmente por alguém da família.”
Helena levou a mão à boca.
Beatriz permaneceu imóvel.
Dante continuou.
“Também descobri que os registros da clínica foram alterados.”
A voz dele ficou mais baixa.
“E que o médico responsável era Augusto Ferraz.”
Beatriz fechou os olhos.
Dante olhou diretamente para a mãe.
“Você sabia?”
Ela não respondeu.
“Mãe!”
Uma lágrima escorreu pelo rosto da matriarca.
Dante sentiu o coração disparar.
“Diga que não sabia.”
Beatriz abriu os olhos.
Mas antes que pudesse falar, Bruno apareceu à porta.
“Senhor Montenegro.”
Dante virou-se.
“O que foi?”
O segurança segurava outro envelope.
“Encontramos um documento que não estava no arquivo principal.”
“Que documento?”
Bruno hesitou.
“Uma cópia do registro de nascimento de Lucas.”
Dante franziu a testa.
“O que isso tem a ver com a morte de Mariana?”
Bruno colocou a folha sobre a mesa.
“Houve uma alteração no nome da mãe.”
Helena ficou completamente imóvel.
Dante pegou o documento.
Leu a primeira linha.
Depois a segunda.
Seu rosto perdeu toda a cor.
“O que significa isso?”
Bruno respirou fundo.
“Senhor…”
Fez uma pausa.
“Talvez sua esposa nunca tenha morrido.”
Dante ergueu lentamente os olhos.
Bruno terminou:
“E alguém pode ter falsificado os documentos do seu filho para esconder o que realmente aconteceu naquela maternidade.”
Atrás deles, Beatriz começou a chorar.
Helena segurou a borda da pia.
E Dante percebeu que as duas mulheres sabiam exatamente o que aquele documento significava.
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