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"O Filho do Milionário Ignorou Toda a Família e Chamou a Empregada de “Mamãe”" Capítulo 2 — A Pulseira da Mulher Desaparecida

正文开头

“Quanto você quer para desaparecer da vida do meu neto?”

A pergunta de Beatriz Montenegro caiu como uma sentença.

Helena estava sentada diante da enorme escrivaninha de madeira escura, na biblioteca particular da mansão.

Do lado de fora, os últimos convidados deixavam a festa.

Já passava da meia-noite.

Beatriz abriu uma gaveta e retirou um envelope branco.

Colocou-o sobre a mesa.

“Cem mil reais.”

Helena não tocou no dinheiro.

“Não estou à venda, dona Beatriz.”

A matriarca soltou uma risada seca.

“Todo mundo tem um preço.”

“Eu não.”

“Uma empregada que mora num apartamento pequeno na Vila Mariana, que anda de ônibus e trabalha doze horas por dia, recusando cem mil reais?”

Beatriz inclinou a cabeça.

“Você espera que eu acredite?”

Helena manteve as mãos sobre o colo.

“Eu só quero continuar trabalhando.”

“Perto de Lucas.”

“Sim.”

“Por quê?”

Helena sentiu a garganta apertar.

“Porque ele precisa de carinho.”

Beatriz bateu a palma da mão na mesa.

“Meu neto tem uma família!”

“Então por que ele chora todas as noites?”

O silêncio foi imediato.

Beatriz estreitou os olhos.

“Cuidado com o que diz.”

Helena respirou fundo.

Havia prometido a si mesma que não perderia o controle.

Não naquela casa.

Não diante daquela mulher.

“Lucas sente falta da mãe. E ninguém permite que ele fale sobre isso.”

A matriarca levantou-se.

“Você não sabe nada sobre a mãe dele.”

Helena sentiu as unhas pressionarem as próprias palmas.

“Talvez eu saiba mais do que a senhora imagina.”

Beatriz ficou imóvel.

Por um segundo, algo parecido com medo atravessou seu rosto.

Mas desapareceu rapidamente.

“Saia desta casa amanhã cedo.”

“Não.”

“Como é?”

“Eu não vou abandonar Lucas sem me despedir.”

Beatriz aproximou-se lentamente.

“Escute bem, Helena Batista. Você não tem família influente, dinheiro ou proteção. Se eu quiser, amanhã ninguém em São Paulo lhe dará emprego.”

Helena ergueu o rosto.

“Pode tirar meu trabalho.”

Sua voz tremeu.

“Mas não vai conseguir apagar o que aquele menino sente.”

Beatriz pareceu prestes a responder.

Então a porta se abriu.

Dante entrou.

“O que está acontecendo aqui?”

As duas mulheres se viraram.

Beatriz recolheu rapidamente o envelope.

“Estou resolvendo um problema doméstico.”

Dante olhou para Helena.

“Minha mãe ofereceu dinheiro para você ir embora?”

A empregada permaneceu em silêncio.

A expressão de Dante endureceu.

“Mãe?”

“Eu estava protegendo Lucas.”

“De quê?”

“Dessa obsessão.”

Dante caminhou até a escrivaninha.

“Meu filho chamou uma empregada de mãe diante de duzentas pessoas. Cantou uma música que eu não ouvia havia sete anos. E você reconheceu uma pulseira que deveria estar enterrada.”

Beatriz desviou o olhar.

“Foi uma coincidência.”

“Três coincidências na mesma noite?”

“Dante, você está cansado.”

“Não me trate como criança.”

Helena observava os dois.

Pela primeira vez, percebeu que Dante talvez não soubesse de tudo.

Talvez tivesse sido enganado.

Mas isso não apagava os anos de ausência.

Dante virou-se para ela.

“Quero ver a pulseira.”

Helena hesitou.

“Senhor…”

正文1

“Por favor.”

O pedido a surpreendeu.

Lentamente, ela retirou o bracelete do pulso.

Dante o recebeu com cuidado.

Era prata envelhecida.

Havia uma pequena estrela perto do fecho.

Na parte interna, duas letras quase apagadas.

M. D.

Mariana Duarte.

Dante sentiu o estômago afundar.

Mariana tinha uma pulseira parecida.

Ele se lembrava dela brincando com o fecho enquanto conversavam.

Lembrava-se da primeira vez em que a vira usando aquele objeto.

Lembrava-se até da maneira como a luz refletia na pequena estrela.

“Onde conseguiu isto?”

Helena engoliu em seco.

“Pertencia à minha família.”

“Quem lhe deu?”

“Minha mãe.”

Beatriz soltou um suspiro de alívio quase imperceptível.

Dante percebeu.

“Qual era o nome dela?”

Helena ergueu os olhos.

“Rosa Batista.”

“Ela está viva?”

“Está.”

“Quero conversar com ela.”

“Minha mãe não tem nada a ver com isso.”

“Então não haverá problema.”

Helena sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

Rosa sabia demais.

E já havia arriscado a própria vida por ela.

“Não envolva minha família, senhor Montenegro.”

Dante ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois devolveu a pulseira.

“Você não está demitida.”

Beatriz virou-se bruscamente.

“Dante!”

“Eu disse que ela fica.”

“Você vai permitir que essa mulher manipule seu filho?”

“Vou permitir que meu filho durma sem medo.”

A resposta encerrou a discussão.

Helena abaixou a cabeça para esconder as lágrimas.

Mas Dante ainda não havia terminado.

“Amanhã conversaremos novamente.”

Ele saiu da biblioteca.

Beatriz esperou até ouvir seus passos desaparecerem.

Então se aproximou de Helena.

“Você não faz ideia do que está provocando.”

Helena encarou a matriarca.

“Tenho uma ideia muito clara.”

“Algumas verdades destroem famílias.”

“E algumas mentiras destroem crianças.”

Beatriz não respondeu.

Helena saiu.

No corredor do segundo andar, encontrou Lucas sentado no chão, abraçado a um ursinho de pelúcia.

O menino levantou imediatamente.

“Helena!”

Ela se ajoelhou.

“Por que você ainda está acordado?”

“Eu estava esperando.”

“Esperando o quê?”

“Você.”

Helena sentiu os olhos arderem.

Lucas segurou sua mão.

“A vovó falou que você ia embora.”

“Eu ainda estou aqui.”

“Mas amanhã?”

Helena hesitou.

Não podia prometer algo que não controlava.

“Vou fazer tudo o que puder para ficar perto de você.”

Lucas pareceu pensar.

Depois perguntou:

“Você pode cantar?”

Helena olhou para o corredor vazio.

“Só um pouquinho.”

Sentou-se diante da porta do quarto.

Lucas se acomodou ao seu lado.

Ela começou a cantar a mesma melodia da festa.

O menino fechou os olhos.

Poucos minutos depois, adormeceu com a cabeça apoiada em seu braço.

Helena permaneceu imóvel.

Queria guardar aquele momento para sempre.

Não percebeu que Dante observava tudo do fim do corredor.

O empresário viu a maneira como Helena segurava o filho.

A delicadeza.

O cuidado.

A tristeza que aparecia em seu rosto quando acreditava estar sozinha.

Aquilo não parecia uma tentativa de conquistar a confiança de uma criança rica.

Parecia algo muito mais profundo.

Na manhã seguinte, Dante entrou em seu escritório antes do amanhecer.

Abriu um armário antigo.

Retirou uma caixa com fotografias de Mariana.

Havia evitado aqueles objetos durante anos.

Mas agora precisava olhar.

Encontrou imagens do casamento.

Da viagem a Paraty.

De Mariana grávida, sorrindo no jardim.

Então uma fotografia caiu sobre a mesa.

Dante a pegou.

Mariana estava sentada perto de uma janela, usando um vestido branco simples.

Seu cabelo escuro caía sobre os ombros.

Uma das mãos repousava sobre a barriga.

No pulso esquerdo havia uma pulseira de prata.

Dante aproximou a fotografia da luz.

A pequena estrela estava ali.

Exatamente no mesmo lugar.

Ele pegou o telefone.

“Bruno.”

A voz do chefe de segurança surgiu imediatamente.

“Sim, senhor.”

“Preciso que investigue uma pessoa.”

“Quem?”

“Helena Batista.”

“Algum motivo específico?”

Dante olhou novamente para a fotografia.

“Quero saber quem ela era antes de entrar nesta casa.”

Fez uma pausa.

“E descubra tudo sobre a pulseira que Mariana usava quando estava grávida.”

Bruno hesitou.

“Senhor… a pulseira que foi colocada no caixão?”

Dante fechou os olhos.

“Exatamente.”

Quando desligou, percebeu algo na parte inferior da fotografia.

Uma pequena inscrição escrita à mão.

Reconheceu imediatamente a letra de Mariana.

Para o nosso bebê. Um dia, você vai conhecer a história desta estrela.

Dante sentiu o coração acelerar.

Virou a fotografia.

No verso havia outra frase.

Se alguma coisa acontecer comigo, procure Rosa.

Ele ficou imóvel.

Rosa.

O mesmo nome que Helena mencionara na noite anterior.

E, pela primeira vez em sete anos, Dante Montenegro começou a suspeitar que a morte da mulher que amara talvez não tivesse sido um acidente.

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