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"O Filho da Empregada Foi Chamado de Ladrão na Mansão" Capítulo 2 — A Mesma Regra Para Todos

正文开头

“Quem mandou?”, Dante perguntou.

Enzo abriu a boca, mas Otávio chegou ao lado dele antes que qualquer som saísse.

“Meu filho está assustado. Não sabe o que está dizendo.”

“Ele acabou de assumir o roubo de doze joias”, disse Dante. “Eu gostaria de saber por que.”

“Porque quer atenção.”

Otávio disse aquilo sem olhar para o menino.

Os convidados continuavam reunidos ao redor da mesa, observando Enzo como se ele fosse mais uma peça exposta entre os diamantes. Alguns ainda seguravam celulares. Outros exigiam a devolução imediata dos objetos.

Helena viu o pânico crescer no rosto do garoto.

“Guardem os telefones”, ela disse.

Ninguém lhe obedeceu.

Dante, porém, virou-se para os convidados.

“Todos os celulares serão recolhidos na saída. Qualquer gravação envolvendo os dois menores será apagada diante da segurança.”

Um empresário protestou.

“Você não pode controlar o que há nos nossos aparelhos.”

“Posso controlar quem volta a entrar nesta casa.”

O homem guardou o telefone.

Helena percebeu que Dante não havia protegido apenas o próprio sobrinho. Theo também desapareceria dos vídeos antes que a humilhação alcançasse as redes sociais.

Rafael começou a fotografar as joias sobre a mesa. Usava luvas e colocava cada peça em um saco transparente numerado.

“A polícia deve ser avisada”, disse Verônica. “A fundação não pode parecer cúmplice.”

“A polícia será avisada”, confirmou Dante. “Depois que entendermos por que a responsável pelo evento abriu a mochila de uma criança sem testemunhas.”

Verônica ficou tensa.

“Eu já expliquei. Vi algo dentro dela.”

“A mochila estava fechada”, Theo falou.

Todos olharam para ele.

O menino se aproximou da mãe, mas não se escondeu.

“Quando deixei na copa, os dois zíperes estavam juntos. Eu sempre fecho assim porque um deles está quebrado.”

Ele mostrou o pequeno dente de metal torto.

“Quando a mulher trouxe a mochila para o salão, os zíperes estavam separados.”

Verônica sorriu com impaciência.

“Você está tentando escapar.”

“Ele está descrevendo um fato”, Helena respondeu. “Rafael pode fotografar o defeito.”

Dante fez um gesto, e o chefe de segurança registrou o zíper.

Otávio puxou Enzo pelo braço.

“Já chega. Vou levar meu filho para casa.”

“Ele já está em casa”, disse Dante.

A frase soou como uma advertência.

Otávio soltou o braço de Enzo.

“Você pretende interrogá-lo sem advogado?”

“Pretendo conversar com meu sobrinho sem uma plateia.”

Dante orientou Teresa a levar os dois meninos para a biblioteca, acompanhados por Helena. Depois pediu aos convidados que permanecessem no salão enquanto Rafael conferia os objetos recuperados.

Otávio tentou seguir o grupo.

“Você fica”, ordenou Dante.

Na biblioteca, o barulho da festa parecia distante. Theo sentou-se em uma poltrona, ainda agarrado à mochila. Enzo permaneceu perto da janela, com os braços cruzados.

Helena colocou um copo de água sobre a mesa diante dele.

“Não quero nada de você”, disse Enzo.

“Então não beba.”

“Você devia me odiar.”

“Estou com raiva.”

Enzo finalmente olhou para ela.

“Não é a mesma coisa?”

正文1

“Não.”

Theo se levantou.

“Ele colocou um relógio na minha mochila. Todo mundo me chamou de ladrão.”

“Eu sei”, Helena respondeu. “E ele vai ter de assumir o que fez. Mas isso não significa que devemos fazer com ele o que fizeram com você.”

Enzo apertou os braços contra o corpo.

“Meu pai estava certo. Vocês querem parecer melhores.”

“Seu pai disse para você colocar o relógio?”, perguntou Theo.

O garoto voltou-se para a janela.

Dante entrou pouco depois, fechando a porta atrás de si. Sem os convidados ao redor, sua presença parecia ainda maior.

Ele sentou-se diante do sobrinho.

“Você não será levado pela polícia esta noite.”

Enzo soltou uma risada amarga.

“Porque sou Montenegro.”

“Porque tem treze anos e preciso entender o que aconteceu. Mas seu sobrenome não vai apagar o que fez.”

“O outro também não vai ser levado?”

“Theo não roubou nada.”

Enzo olhou para Helena.

“Ela fez você acreditar nisso rápido.”

“Sua mochila fez.”

Dante pediu que Theo repetisse tudo desde o momento em que chegara à mansão. O menino contou que ficou na copa fazendo a lição de matemática. Enzo apareceu, zombou dos sapatos dele e disse que havia uma mesa com brigadeiros no corredor principal.

Theo deixou a mochila sobre uma cadeira por poucos minutos. Quando voltou, Enzo estava perto dela.

“Por que não contou isso antes?”, perguntou Dante.

“Porque ele disse que minha mãe seria demitida se eu falasse com alguém.”

Dante fitou o sobrinho.

“Você ameaçou Helena?”

“Eu só repeti o que ouvi.”

“De quem?”

Enzo não respondeu.

A porta se abriu. Rafael pediu licença e entregou a Dante uma lista preliminar. Onze das peças encontradas haviam sido reconhecidas. Uma delas, porém, não pertencia a nenhum convidado presente.

Era um pingente antigo com o símbolo da própria Fundação Montenegro.

Dante conhecia aquela peça. Havia sido entregue a uma benfeitora que morreu seis meses antes.

“Como isso chegou aqui?”, perguntou.

Enzo se encolheu.

“Estava numa caixa no escritório do meu pai.”

“Você entrou no escritório dele?”

“A porta estava aberta.”

“E as outras joias?”

“Eu peguei durante as festas.”

“Por quê?” Theo perguntou, incapaz de conter a indignação. “Você já tem tudo.”

Enzo olhou para o chão.

“Quando eu fazia alguma coisa errada, meu pai precisava falar comigo.”

O silêncio que se seguiu foi diferente. Não absolvia o garoto, mas mudava o peso da culpa.

Helena percebeu que Dante também entendera.

“Ele só olha para mim quando está bravo”, Enzo continuou. “Quando eu tiro nota boa ou faço o que ele manda, ele viaja. Quando alguma coisa some, ele fica em casa.”

Dante apoiou os cotovelos nos joelhos.

“E hoje? Ele mandou você esconder o relógio?”

Enzo pressionou os lábios.

Antes que respondesse, Otávio abriu a porta sem bater.

“A conversa acabou.”

Dante se levantou.

“Eu disse para esperar no salão.”

“E eu disse que meu filho precisa de um médico, não de um interrogatório conduzido por uma empregada.”

Helena se colocou de pé.

“Não fiz uma única pergunta sobre as joias.”

“Sua presença já é pressão suficiente.”

Otávio lançou um olhar para Enzo. O menino imediatamente ficou rígido.

“Venha.”

Quando ele segurou o pulso do filho, a manga do paletó subiu. Helena viu marcas arroxeadas antigas, dispostas como dedos ao redor do braço.

Dante também viu.

“Solte-o.”

Otávio obedeceu devagar.

“Ele caiu durante o treino de equitação.”

“Eu não perguntei o que aconteceu.” Dante se aproximou. “Mandei soltar.”

Pela primeira vez, Otávio pareceu medir o irmão como adversário.

“Tenha cuidado, Dante. Você está desmontando esta família por causa da palavra de uma funcionária e de duas crianças mentirosas.”

Ele saiu sozinho.

Enzo puxou a manga até cobrir o pulso. Helena não tentou tocá-lo.

Mais tarde, quando Rafael acompanhou Theo e Helena até a área de serviço, Dante pediu que ela esperasse.

“Você viu as marcas.”

“Vi.”

“Por que não perguntou?”

“Porque ele já tinha gente demais exigindo respostas.”

Dante ficou alguns segundos em silêncio.

“Você ainda quer que a polícia investigue seu filho e o meu sobrinho da mesma forma?”

“Quero que investiguem os fatos da mesma forma. As crianças não são iguais ao que fizeram.”

Helena se afastou para buscar o casaco de Theo.

Ao passar pelo corredor, Enzo surgiu atrás dela. Olhou para os dois lados e enfiou um papel dobrado no bolso de seu avental.

“Não leia aqui”, sussurrou.

No ônibus de volta para Vila Mariana, Helena abriu o bilhete sob a luz fraca.

A letra tremia.

“Meu pai mandou colocar o relógio. Disse que o menino pobre levaria a culpa.”

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