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"O Apocalipse Despertou Minhas Tatuagens. Carrego Todos os Deuses nas Costas." Capítulo 10

正文开头

Meu assistente tentou tomar meu lugar

O líder do Dragão Negro abriu as garras e mandou os homens me cercarem.

Não se apresentou.

Não precisava.

A tatuagem negra cobria seu peito, e o segundo nível sustentava uma transformação maior do que a dos companheiros. Ele confiava na quantidade de gente, nas armas e na distância entre o quartel e qualquer autoridade que ainda existisse.

Eu confiava no que já tinha vencido para chegar ali.

Cérbero foi pelos dois homens da esquerda.

Eu fui direto ao líder.

Ele tentou me acertar com a cauda. Saltei sobre o movimento e alcancei seu braço. A defesa de escamas resistiu ao primeiro golpe, mas não resistiu à pressão mantida no mesmo ponto.

A mão abriu.

A arma caiu.

O homem recuou para deixar os outros atacarem.

Cérbero atravessou a linha com as três cabeças e rompeu o grupo antes que completassem o cerco.

O líder tentou me usar como escudo.

Pegou apenas o casaco.

Saí do tecido, girei e o atingi onde a transformação precisava manter contato com o corpo. A marca brilhou com força, tentando recuperar a forma.

Não deixei.

Quando caiu, o dragão negro perdeu o desenho.

Os fragmentos luminosos vieram para o meu braço.

O Rei Dragão respondeu.

Toda a chuva ao redor parou por um segundo.

Bianca ergueu o rosto. Os homens que ainda seguravam armas ficaram olhando os espaços vazios entre as gotas, incapazes de entender por que a água esperava.

Então o dragão saiu.

Branco, cercado de ouro, com garras que pareciam segurar a tempestade pelo avesso.

Sua cabeça atravessou o espaço acima do quartel. As escamas refletiram uma luz que não existia no céu.

Cérbero abaixou as três cabeças.

Eu quase caí.

Uma força maior do que meu corpo tentou tomar o lugar dos meus pensamentos. Ordenei que o dragão parasse de crescer, mas a ordem veio fraca.

Bianca me alcançou antes que os joelhos tocassem o chão.

"Rafael. Olha para mim."

Segurou meu rosto.

Atrás dela, uma correnteza se erguia em forma de outra criatura, feita apenas de água. Eu podia sentir cada gota e não conseguia separar minha vontade daquele oceano de informação.

"Você está no quartel", disse. "O cachorro está aqui. Eu estou aqui. Não vai sair do corpo para me irritar depois."

A última frase me trouxe de volta o suficiente para rir.

Agarrei sua mão.

Contive a expansão, respirei com ela e obriguei o vínculo a reconhecer limites. O Rei Dragão se aproximou, observando sem disputar.

Meu primeiro pacto encontrara sua forma.

Não me tornara o décimo nível de um deus.

Ganhara uma força imensa que precisava aprender a conduzir.

Quando a pressão cedeu, Bianca estava ajoelhada ao meu lado, molhada de chuva e sem intenção de me soltar.

"Obrigado."

Ela piscou.

"Vou registrar. Nunca sei quando acontece de novo."

Cérbero encostou uma cabeça em cada um de nós e deixou a terceira vigiar o depósito.

正文1

O quartel era nosso por tempo suficiente para retirar as ameaças e abrir as portas.

Bianca entregou armas às mulheres libertadas. Organizamos mantimentos, explicamos o que conseguíamos explicar e lhes deixamos a escolha de permanecer no terreno elevado ou procurar outros grupos.

Uma representante perguntou qual seria o pagamento.

"Vocês não trabalham para mim", respondi.

Bianca olhou para a caixa de Renata guardada no barco.

Pela primeira vez naquele dia, sua expressão perdeu a dureza.

Levamos equipamento, munição e reservas. Cérbero ampliara o espaço interno com os avanços e guardou parte do material sem que precisássemos lotar o barco.

Na volta, a tempestade já não dificultava meus movimentos como antes.

A água podia me carregar.

O dragão podia abrir caminho.

E alguém tinha aproveitado nossa ausência para incendiar minha casa.

Vi o fogo antes de alcançar o condomínio.

Bianca tomou o binóculo.

"É a cobertura."

"É."

Na torre vizinha, Marcelo assistia com um rádio e um recipiente vazio de combustível.

Tinha descoberto que eu saíra.

Sabia onde estavam os equipamentos.

Só não sabia o que eu trazia de volta.

Sua serpente alada apareceu atrás do telhado e golpeou minha torre.

O edifício cedeu na região já destruída pelo fogo.

Meu quarto desapareceu.

As cortinas, o sofá, a cozinha onde Bianca começara a fazer o bolo direito, tudo caiu num ruído de concreto e água.

Ela apertou a borda do barco.

"Você tem outra casa."

Olhei para ela.

Não tentava me lembrar dos recursos. Tentava impedir que eu esquecesse a saída.

Toquei sua mão.

"E vou continuar tendo."

Deixei-a numa área protegida e entrei na água com Cérbero.

O dragão me levou até o telhado sem que eu precisasse disputar a correnteza.

Marcelo percebeu a presença e virou.

Seu sorriso perdeu um pouco da força quando me viu sair da água.

"Demorou."

"Você construiu a casa. Achei que ia cuidar melhor dela."

Ele ergueu o rádio.

"Também construí as outras. Sei onde vai se esconder."

"Então devia lembrar que troquei os códigos."

O rosto dele endureceu.

A serpente alada abriu as asas atrás de seu corpo. Tengshe. Uma marca de grande linhagem, escolhida por quem não pretendia continuar pequeno.

"Eu trabalhei para você durante anos. Quando a lua veio, percebi o que aqueles pedidos significavam. Você ia me deixar morrer."

"Você já desviava dinheiro antes da lua. Não usa o desastre para reescrever sua parte."

Ele lançou o recipiente vazio na minha direção.

A água o interceptou.

Marcelo olhou a parede líquida.

Olhou meu braço.

Pela primeira vez, entendeu que a diferença não estava apenas em termos três cabeças contra uma serpente.

Mesmo assim, avançou.

Asas escuras surgiram de uma segunda tatuagem. Seu corpo ganhou velocidade, e o primeiro golpe rompeu parte da água que eu levantara.

Ele tinha aprendido.

Eu também.

Concentrei a correnteza em vez de espalhá-la. A próxima investida encontrou uma defesa menor, mais densa. Desviei o impacto e o mandei de volta contra a laje.

正文2

Cérbero levou a serpente para o lado oposto do telhado.

Marcelo tentou alcançar meu pescoço por cima.

O dragão me ergueu antes que suas garras fechassem.

"Você sempre olha para mim de baixo", falei. "Hoje nem precisava insistir."

Ele gritou e abriu a terceira marca.

Xuanwu surgiu como uma muralha, tartaruga e serpente reunidas, esmagando parte da estrutura entre nós.

Era seu último recurso.

Eu o reconheci antes de atacar.

Não mirei onde a defesa era mais forte. Esperei o vínculo precisar reorganizar o corpo do portador e concentrei a água na junção.

A proteção se abriu.

O Rei Dragão atravessou.

Cérbero derrubou Tengshe no mesmo instante.

Marcelo caiu.

Cheguei antes que deslizasse da borda. Agarrei seu casaco e o deixei sobre a parte intacta do telhado.

Ele tentava respirar.

"Você não podia ter evoluído tão depressa."

Ajoelhei diante dele.

"Podia, porque não comecei hoje."

Mostrei a mão inteira.

"Essa já foi arrancada. Já perdi a casa, o dinheiro e a liberdade. Morri oito meses depois da primeira lua."

Seus olhos pararam.

"Você voltou."

"Voltei."

Não havia outra pessoa ouvindo. Bianca estava longe, protegida. O segredo acabaria naquela laje.

Marcelo perdeu a força de me insultar.

Olhou para a serpente destruída, a defesa rompida e a torre que derrubara para tomar meu lugar.

Eu não precisei mostrar outra tatuagem.

Tudo que preparara terminava diante da vantagem que não tinha conseguido copiar.

Morreu antes de a chuva apagar o incêndio.

Cérbero guardou a força residual de Tengshe e moldou parte da proteção de Xuanwu num revestimento para Bianca.

Quando voltei ao barco, ele apresentou o presente antes que eu falasse.

"Você está ficando muito exibido", disse.

Minha companheira abraçou uma de suas cabeças.

"Alguém precisa."

O Rei Dragão nos levou pelo céu até a casa do sul.

A cobertura estava perdida.

Os documentos, os cristais e as reservas essenciais tinham viajado dentro de Cérbero.

Abri a nova porta, acendi a luz e ouvi Bianca respirar aliviada.

Marcelo destruíra um endereço.

Não destruíra minha saída.

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