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"O Apocalipse Despertou Minhas Tatuagens. Carrego Todos os Deuses nas Costas." Capítulo 8

正文开头

O antigo dono veio pedir comida

O mais novo entrou primeiro.

A faca dele não chegou a Bianca. Prendi seu braço e o derrubei contra o batente. O irmão seguinte tentou atacar por cima do meu ombro.

Minha companheira girou para o lado e o atingiu antes que completasse o movimento.

Não foi uma cena de cinema.

Foi curta, feia e suficiente.

O mais velho viu os dois caírem e puxou uma pistola.

Cérbero tomou a passagem.

Ele não conseguiu disparar.

Retirei as armas, encostei a porta e pedi a Bianca que conferisse a escada. A família ameaçada já estava longe.

Os três homens começaram a falar ao mesmo tempo.

Um dizia que não tinha feito nada. Outro que a mulher inventara. O mais velho pedia um acordo.

Mostrei a gravação que o celular de um deles ainda guardava. Tinham registrado parte das próprias ameaças como troféu.

O acordo desapareceu.

Quando o caçula tentou puxar Bianca pelo tornozelo para recuperar a faca, ela respondeu sem esperar uma ordem minha.

Os outros morreram tentando resistir.

Minha companheira permaneceu em pé até guardarmos as armas. Depois se sentou no chão, com as mãos abertas sobre os joelhos.

"Minha mão não para."

Sentei diante dela.

"Vai parar. Não tenta esconder de mim."

Ela me olhou.

"Você fala isso como se eu fosse uma arma com defeito."

"Falo porque quero que continue inteira."

O silêncio depois daquela frase durou mais do que eu pretendia.

Cérbero encostou uma cabeça no ombro dela.

Bianca segurou meu pulso, respirou e esperou o tremor diminuir.

Voltamos com mantimentos que os homens haviam roubado e os rádios que usavam para procurar alvos. Entregamos parte às pessoas que conseguimos tirar da torre; levamos o resto para reforçar nossa reserva.

Durante os dois dias seguintes, Bianca treinou com insistência.

Eu a fazia parar antes que o cansaço estragasse o movimento. Ela reclamava, tomava água e voltava.

Não confundia mais coragem com atravessar uma porta sem olhar.

Saímos para reconhecer outras torres. Cérbero localizava ameaças; eu abria passagens; Bianca ajudava os grupos que conseguiam mover os próprios mantimentos.

Não cabia todo o condomínio na minha cobertura.

Mas limpar uma rota, entregar uma arma e impedir um saque não exigia que eu carregasse cada vida nas costas.

Na última torre, dois homens esperaram Bianca atrás de uma porta. Eu senti o risco pelo cachorro antes que ela entrasse.

Chamei seu nome.

Ela parou com a mão na maçaneta.

Fiz sinal para que recuasse.

Os homens abriram de repente, frustrados por perder a emboscada. Um tentou agarrá-la. Ela torceu o corpo para o lado certo e o obrigou a tropeçar na própria aproximação.

Eu peguei o segundo.

As armas deles ficaram conosco.

Quando voltamos, Bianca estava irritada por ter quase caído na armadilha.

"Eu não vi."

"Agora sabe onde olhar."

"Você sempre tem o cachorro."

"E você tem a capacidade de me ouvir antes de fazer besteira. Usa enquanto estou perto."

正文1

Ela me empurrou com o ombro.

"Arrogante."

"Vivo."

"As duas coisas."

Cérbero caminhou entre nós, satisfeito com a discussão que terminava sem gritos.

Na terceira manhã, três barcos apareceram vindos do centro.

Vinte e duas pessoas. Armas. Três despertares. Um deles no primeiro nível, perto de consolidar o segundo.

Augusto Ferraz estava sentado no barco da frente.

Eu o reconheci antes que levantasse o rosto.

O homem que comprara minhas ações por uma fração do valor agora vinha atravessando uma cidade afogada para procurar o que eu comprara com o dinheiro.

Bianca colocou o binóculo sobre a bancada.

"Você conhece?"

"Ele está com a empresa que eu vendi."

"Não parece que ela alimentou todo mundo."

Peguei o casaco.

"Vamos ouvir o relatório."

Desci ao décimo andar com minha força contida. Não queria que fugissem antes de explicar quais informações tinham levado até nós.

Augusto abriu os braços.

"Rafa. Eu sabia que ia encontrar você."

Olhei os homens armados.

"Trouxe uma equipe grande para um abraço."

Ele engoliu a resposta.

Lúcio, o antigo chefe da segurança do grupo, apresentou-se como líder. Tinha uma tatuagem de dragão no peito e dois aliados com marcas parecidas.

"Viemos colaborar", disse.

Perguntei o que ofereciam.

"Proteção. Organização. Gente para trabalhar."

"E o que pedem?"

"Metade dos alimentos. Acesso aos geradores. Um andar de hospedagem para a equipe."

Bianca soltou uma risada curta atrás de mim.

Lúcio olhou para ela e a reconheceu.

A intenção em seu rosto me fez dar um passo à frente.

"Ela não está na proposta."

Augusto tentou suavizar a conversa.

"Ninguém quis dizer isso. Somos pessoas que ajudaram seu pai."

"Meu pai ajudou vocês a enriquecer. Depois vocês compraram minha saída. A conta está encerrada."

O velho perdeu a expressão de tio preocupado.

"Você recebeu trezentos milhões. Todo mundo sabe o que comprou."

"E todo mundo pode comprar o próprio almoço."

Lúcio bateu na mesa.

Sua pele mudou. As escamas começaram a subir pelo pescoço. Os companheiros assumiram formas menores, apoiados nas marcas que carregavam.

"Você devia ter aceitado enquanto era conversa."

Eu sorri.

"Você devia ter perguntado quem derrubou Mauro."

O nome mudou o rosto de Augusto.

Lúcio avançou.

Deixei seu golpe passar e o levei para a janela aberta. Ele me seguiu até o telhado porque acreditava que espaço aumentaria a força do dragão.

Aumentaria a minha também.

Cérbero enfrentou os dois acompanhantes. A terceira cabeça apareceu, e o entusiasmo deles desapareceu antes de entenderem a diferença de nível.

Lúcio tentou me atingir com as garras.

Segurei uma delas.

Soltei o poder que havia contido.

Ele caiu de joelhos sem que eu precisasse empurrar.

A água ao redor do telhado parecia escutar a marca do meu primeiro dragão, mas ainda não podia obedecer.

Lúcio viu o desenho no meu braço.

"Um Rei Dragão..."

"Clara fez melhor do que seu tatuador."

Ele tentou fugir.

A luta terminou antes que alcançasse a borda.

Ao morrer, sua marca deixou fragmentos luminosos que foram atraídos pelo meu braço. Cérbero me trouxe os restos de força dos outros dois.

O dragão aqueceu.

Não era suficiente para despertar.

Era suficiente para saber o que faltava.

No décimo andar, Bianca e a proteção que eu deixara com Cérbero haviam impedido os homens comuns de avançar. Alguns jogaram as armas no chão. Os que insistiram foram derrubados.

Ordenei que os sobreviventes fossem embora sem os equipamentos que tinham trazido.

Augusto tentou sair junto.

Um homem ferido apontou para ele.

"Foi esse velho que prometeu. Disse que a comida era nossa."

O grupo se voltou contra quem lhes vendera a cobertura como recompensa. Augusto puxou uma pistola escondida e tentou me atingir no peito.

Peguei seu braço antes do disparo.

A arma caiu.

Augusto se lançou atrás dela enquanto eu afastava Bianca da linha de tiro. Alcancei a pistola primeiro. Ele puxou outra lâmina da cintura e veio contra meu peito.

Disparei.

O homem caiu junto à parede, ferido, perdendo o pouco de autoridade que lhe restava.

"Seu pai...", começou.

"Sua conversa com meu pai acabou há três anos. Agora responde pelo que fez comigo."

Seus olhos procuraram Bianca, as armas perdidas, o acesso que não tomaria.

"Débora", sussurrou. "Não vai atrás dela."

Toquei o telefone que guardava as ordens enviadas a Luana.

"Ela já veio atrás de mim duas vezes. Agora é minha vez."

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