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"O Apocalipse Despertou Minhas Tatuagens. Carrego Todos os Deuses nas Costas." Capítulo 7

正文开头

Ninguém tocou nela outra vez

Teresa olhou para Cérbero.

Foi o erro.

Percorri a distância antes que seus olhos voltassem a mim. Segurei a lâmina, afastando o corte da garganta de Bianca, e quebrei o pulso que a sustentava.

Minha mão sangrou.

A dela soltou a arma.

Puxei Bianca para trás e a entreguei à proteção do cachorro. Teresa tentou alcançar outra faca junto ao cinto.

Não chegou.

Caiu contra a parede e perdeu os sentidos.

Na sala, Orlando estava morto. Leandro também. Dois dos homens que haviam subido para me incendiar a casa tentavam se arrastar para a porta, feridos na disputa pelo depósito.

Tirei-lhes as armas.

Separei os mantimentos escondidos e mandei os sobreviventes que não tinham participado da invasão recolherem o que conseguiriam levar.

Não fundei um governo no décimo andar.

Desmontei o de Orlando.

Bianca estava sentada com as mãos agarradas ao pelo de Cérbero. Uma cabeça permanecia junto ao rosto dela; as outras vigiavam o corredor.

Ajoelhei a uma distância que não a obrigasse a recuar.

"Consegue subir?"

Ela olhou minha mão.

"Você se machucou."

"Vai fechar."

"Minha garganta podia ter aberto."

"Não abriu."

Bianca respirou. O ar saiu aos pedaços.

"Meus animais..."

Não lhe dei uma promessa impossível.

Sentei ao lado até conseguir falar de novo.

Quando levantou, veio comigo.

Na cobertura, pediu primeiro um banheiro. Não comida, não perguntas. Um espaço onde ninguém pudesse segurá-la pela nuca.

Mostrei o quarto e a chave.

"Eu vou estar na cozinha."

Ela entrou, trancou e ficou mais de uma hora longe de mim.

Nesse tempo, guardei as armas, lavei o ferimento e terminei uma refeição simples. Cérbero permaneceu diante do quarto, sem exigir que a porta abrisse.

Bianca voltou usando uma camiseta minha e uma calça de reserva. Tinha lavado o sangue do pescoço, mas a marca da corda nos pulsos continuava visível.

Sentou diante do prato.

"Você sabia que eles iam fazer isso?"

"Sabia que iam mudar as regras quando a comida acabasse. Não sabia o que escolheriam primeiro."

Ela ficou olhando o arroz.

"Eu achei que você só queria me assustar."

"Queria que guardasse uma saída."

"Você fala como se tivesse visto tudo antes."

Peguei minha caneca.

"Já vi coisa suficiente."

Bianca não aceitou a resposta inteira, mas tinha outras necessidades mais urgentes.

Comeu devagar no começo. Depois parou de tentar parecer uma pessoa que não estava faminta.

Dei água e deixei que terminasse.

"Por que me trouxe?", perguntou.

"Porque você estava amarrada, não armada. E porque ainda pode fazer alguma coisa aqui além de morrer esperando."

"Que coisa?"

"Cuidar da casa enquanto eu saio. Aprender os equipamentos. Cozinhar se quiser. Brigar comigo quando eu errar, pelo visto."

A atriz ergueu uma sobrancelha.

"Não precisa me dar autorização para isso."

Gostei da resposta.

Não lhe disse.

Na manhã seguinte, encontrei café feito e uma panela que ela tinha decidido lavar duas vezes porque desconfiava da água armazenada.

正文1

Expliquei os filtros.

Ela conferiu as etiquetas.

"Você não comprou isso depois da lua."

"Não."

"Nem as portas. Nem os geradores."

"Também não."

Bianca me encarou, entendendo que havia uma parte da história que eu ainda guardava.

Em vez de exigir, apontou para a cozinha.

"Seu cachorro quer alguma coisa."

As três cabeças observavam um frasco de mel.

Mostrei a receita que tentara seguir.

Bianca leu, olhou o forno e me mandou sair da frente.

"Você queimou porque colocou calor demais. Não porque o universo está contra você."

"Uma explicação muito decepcionante."

Ela soltou a primeira risada.

Quando o bolo saiu, Cérbero se deitou com uma atenção que jamais me oferecera durante a cozinha.

"Traidor", murmurei.

Bianca deu o primeiro pedaço a ele e o segundo a mim.

"Ainda tem espaço para você."

Na primeira noite em que assumi a cozinha, o gerador auxiliar parou e uma parte da casa ficou escura. Bianca foi ao depósito antes de eu terminar de procurar a chave.

Tinha decorado onde guardávamos lanternas, baterias e o equipamento de reserva.

Quando alcancei o corredor, ela já havia iluminado a passagem e separado o necessário para a troca.

"Você não estava prestando atenção só na comida", falei.

"Eu presto atenção nas coisas que não quero perder."

A resposta veio acompanhada de um olhar que demorou em mim antes de voltar aos equipamentos.

Cérbero encostou a cabeça no seu joelho.

Na manhã seguinte, entreguei a Bianca uma chave do depósito principal.

Ela girou o metal entre os dedos.

"Está me promovendo?"

"Estou economizando perguntas."

"Claro. Não podia admitir que sou útil."

Guardou a chave no bolso, satisfeita demais para continuar discutindo.

Passei a ensiná-la a usar ferramentas, reconhecer rotas e conservar as armas que trouxera dos invasores. Ela pediu facas antes de pedir uma pistola.

"Usei lâminas falsas em cena. Pelo menos sei onde a mão começa."

Corrigi sua postura.

Ela aprendeu rápido.

A tarde do avanço do mar nos encontrou na sala.

Vi a água ultrapassar a praia e tomar as avenidas como se os quarteirões fossem peças pequenas demais. Bianca ergueu o binóculo, viu a onda chegar ao condomínio e deixou o aparelho cair.

Seu sexto andar desapareceu.

Segurei-a antes que os joelhos falhassem.

"Está aqui agora."

Ela agarrou minha camisa e esperou a água parar de subir naquela primeira investida.

Eu a deixei ficar.

Não fiz brincadeira sobre medo.

À noite, bateu à porta do meu quarto.

"Não consigo dormir sozinha."

Afastei o cobertor.

Bianca deitou mantendo espaço entre nós. Pouco depois, encontrou minha mão no escuro. Seus dedos pararam sobre a palma que Teresa abrira.

"Você se colocou na frente da faca."

"Era o lugar que resolvia."

Ela virou o rosto para mim.

"Você precisa sempre estragar a parte bonita?"

"Depende de quanto tempo ela dura."

Beijou-me para interromper a resposta seguinte.

Naquela noite, deixamos a tempestade do lado de fora. Pela manhã, ela não parecia outra mulher. Parecia a mesma, com uma razão a mais para guardar a chave daquele quarto.

O problema veio da quarta torre.

Três homens tinham começado a invadir apartamentos e ameaçar famílias. Pelo Olho da Morte, Cérbero detectou as armas, os movimentos e a violência antes que chegassem perto de nós.

Bianca viu uma mulher ser arrastada junto à janela e pegou o binóculo.

"A gente vai ficar esperando eles virem?"

Eu observei a passagem entre os prédios.

Aqueles homens precisavam atravessar um espaço aberto para mudar de torre. Não tínhamos de aceitar o terreno que escolheriam.

Entreguei uma das facas a Bianca.

"Não. Vamos deixar que pensem que escolhem."

Cérbero nos levou até um apartamento vazio na torre vizinha. A mulher ameaçada conseguiu fugir por uma escada que abrimos antes de os invasores perceberem. Dois vizinhos saíram com ela, protegidos por uma das cabeças do cachorro.

Quando os três homens chegaram à porta seguinte, me encontraram esperando.

Reconheceram Bianca atrás de mim.

O mais novo sorriu.

"Melhorou o passeio."

Minha companheira não recuou.

Levantou a faca na posição que treináramos.

"Você vai ter um péssimo fim de tarde."

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