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"O Apocalipse Despertou Minhas Tatuagens. Carrego Todos os Deuses nas Costas." Capítulo 3

正文开头

Eles vieram buscar meu estoque

Quando o relógio marcou sete, o céu rasgou.

Os primeiros relâmpagos atravessaram Porto Sereno sem chuva. Na televisão, o apresentador interrompeu uma reportagem e ficou ouvindo a direção pelo ponto eletrônico. Nas câmeras da cobertura, as pessoas do condomínio correram para as janelas.

Eu já estava longe da minha.

Conferi as portas e os filtros. Os sistemas permaneceram funcionando.

Marcelo ligou.

"Chefe, isso é no país inteiro."

"Fecha as janelas."

"Você sabia?"

"Estou ocupado garantindo que amanhã ainda exista para mim. Faz o mesmo."

Desliguei.

A lua vermelha apareceu meia hora depois.

Ninguém no grupo do condomínio conseguiu explicar por que parecia maior. Um vizinho disse que tinha bebido pouco para aquilo. Outro escreveu que sairia para filmar.

Mandei uma mensagem pedindo que permanecessem dentro de casa.

O homem respondeu com uma gargalhada.

A névoa engoliu o jardim antes que eu terminasse de ler.

Fechei a comunicação com o grupo e acompanhei as câmeras. Um porteiro vomitou. Uma mulher caiu ao lado da piscina. A água refletia vermelho onde a névoa deixava passar a luz.

Meu estoque não era mais extravagância.

Era vantagem.

Quando o ar clareou, abri uma transmissão no telefone. Nanda, uma influenciadora hospedada no centro, mostrava pessoas reunidas na frente do hotel.

Vi a senhora machucada antes de ela virar a câmera para o ferimento.

Uma mordida de gato. Pele escurecendo. Mandíbula rígida.

Digitei: "Afasta dela. A mordida não é o único problema."

Nanda leu e fez uma careta.

"Tem gente que só sabe espalhar medo."

Ajoelhou junto à mulher.

Um usuário chamado Bonitão do Mirante começou a me insultar. Pediu meu endereço. Prometeu me ensinar a ter coragem.

Eu reconheci a torre na fotografia dele.

A senhora agarrou Nanda.

O grito da influenciadora atravessou o telefone no instante em que minha coxa começou a queimar.

Larguei o aparelho.

A dor subiu pelo corpo e me derrubou junto à cadeira. Cérbero estava abrindo uma passagem que não existia em nenhuma aula de anatomia.

Clara avisara sobre a resistência.

Eu tinha treinado durante um mês. Tinha comido, dormido e preparado tudo que conseguia preparar. Agora só faltava a parte que ninguém podia fazer por mim.

Segurei a base da cadeira.

Ela quebrou.

Minha respiração virou um ruído baixo. A mandíbula doeu. Os olhos enxergaram mais do que cabia numa sala.

Não desisti.

Quando consegui me levantar, o mundo estava mais próximo. Ouvi a discussão no andar de baixo, o elevador descendo e o barulho de unhas raspando uma porta a duas torres dali.

A marca de Cérbero queimou de novo.

"Sai."

A criatura surgiu ao meu lado, enorme, negra, com uma única cabeça e dentes capazes de fazer qualquer ameaça humana parecer ridícula.

Olhou para mim.

Estendi a mão.

Os pelos endurecidos amoleceram sob meus dedos.

"Demorou, parceiro."

Ele encostou a testa na minha palma.

Uma ligação se abriu no peito, firme e sem dúvidas. Não precisei ensinar meu nome. Não precisei perguntar se ficaria.

正文1

No telefone, o Bonitão continuava escrevendo. Agora estava em uma chamada com três homens armados. Eu tinha recebido uma fotografia da minha porta, compartilhada por alguém do grupo.

"Aquele herdeiro vendeu a empresa e encheu a casa de comida. Vamos buscar."

Não vinha mais sozinho.

Ativei a gravação das câmeras e guardei os trechos da chamada. Se alguém ainda quisesse fingir que eles eram vizinhos inocentes, não teria muito espaço.

Antes que organizassem a subida, fui até o apartamento do Bonitão.

Ele me recebeu com um taco e uma faca.

Cérbero ocupou a porta.

"Você avisou que vinha", falei. "Preferi adiantar."

O taco quebrou na minha mão. A faca caiu no chão. Ele caiu logo depois, quando tentou alcançar uma arma atrás do sofá.

Os companheiros chegaram minutos mais tarde, carregando material roubado e falando de mulheres que pretendiam procurar naquela noite.

Viram o corpo e levantaram as armas.

Cérbero respondeu à minha ordem.

A conversa acabou.

Voltei ao pátio enquanto meu cachorro apagava os vestígios com uma chama que não queimava paredes. Na entrada da torre dezoito, Luana segurou meu braço.

O namorado mais velho já a havia abandonado.

"Você mora na cobertura?"

"Moro."

"Tem espaço?"

"Não estou alugando."

Ela olhou para um ponto atrás de mim, onde Cérbero ainda não aparecia.

"Talvez eu possa ser útil."

Guardei o detalhe.

"Talvez. Hoje não."

Na primeira vida, eu teria oferecido uma solução imediata. Agora preferia conhecer a pergunta inteira.

Às onze, Cérbero farejou o tigre que saíra do zoológico. A criatura estava evoluindo depois de atacar um grupo de animais e pessoas nas ruas do campus técnico.

Chegamos antes que rompesse o portão do alojamento.

Eu sabia onde atacar. Cérbero sabia como segurar.

Mesmo assim, Apolo me lançou contra uma grade com uma força que quase arrancou o ar dos pulmões. A diferença entre conhecer uma luta e vencê-la me custou o sangue da boca.

Levantei.

Quando o tigre abriu a mandíbula para lançar fogo, recuei com meu parceiro. Esperamos o jato terminar e entramos pela lateral exposta.

Apolo morreu diante do portão que não conseguiu atravessar.

Retirei o cristal azul e mostrei a Cérbero.

"Agora começa a parte boa."

Absorvi a esfera na cobertura. A dor era diferente, acompanhada por frio, calor e uma pressão que aumentou meus sentidos quando terminou.

Primeiro nível.

Cérbero abriu a boca e produziu uma chama mais densa.

Eu ainda estava sorrindo quando o interfone tocou.

Na tela, um homem de jaqueta preta olhava para a câmera. Tinha uma tatuagem de touro no pescoço e quatro acompanhantes com armas.

Mauro.

Reconheci o segurança do clube de Débora.

"Ela mandou buscar o material que você comprou usando o nome do clube", disse.

Não era verdade. Não precisava ser.

"Então manda ela mostrar a nota."

Ele apontou para a porta.

"Abre e a gente resolve."

Cérbero se levantou.

Ouvi uma explosão no corredor. Os homens haviam arrebentado o acesso técnico, tentando contornar a entrada principal. Mauro avançou primeiro, coberto por uma força maior do que a que eu encontrara naquela noite.

O touro tinha outra marca escondida, uma armadura capaz de proteger seu corpo.

Ele viu Cérbero e riu.

"Uma tatuagem só? Ela achou que você tinha se preparado melhor."

Deixei o cachorro recuar para que os tiros não o atingissem durante a materialização.

Mauro colocou a bota dentro da minha sala.

Os símbolos do antebraço acenderam.

Nas costas, alguma coisa ergueu uma arma.

Olhei para o invasor e puxei a camiseta acima do peito.

As risadas pararam.

Atrás de mim, uma sombra sem cabeça se levantou até tocar o teto.

Mauro recuou, tarde demais.

"Quem colocou todos esses deuses em você?"

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