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"O Apocalipse Despertou Minhas Tatuagens. Carrego Todos os Deuses nas Costas." Capítulo 2

正文开头

A mulher que colocou um exército na minha pele

Clara não ligou a máquina imediatamente.

"Não vou fazer isso porque você joga dinheiro na mesa. Preciso saber se entende o que está pedindo."

"Uma vantagem."

"Você quer uma guerra dentro do corpo."

Puxei a cadeira e sentei diante dela.

"Explica. Eu presto atenção enquanto você prepara o material."

Minha disposição para ouvir pareceu surpreendê-la mais do que a lista.

Clara abriu a mala.

Sua família tinha uma técnica que fazia mais do que prender tinta sob a pele. As imagens mantinham uma ligação com aquilo que representavam. Um desenho comum podia decorar um braço. O dela precisava ser suportado por alguém.

"O primeiro tem uma proteção", explicou. "Um pacto antigo. Os outros dependem do portador."

"Então o primeiro continua sendo o dragão."

"Por que ele?"

"Porque vou precisar atravessar muita água."

Ela me olhou, esperando a brincadeira.

Não encontrou.

O Rei Dragão nasceu no meu braço esquerdo naquela noite. Cada escama tinha uma posição. As garras pareciam agarrar o ar. Quando Clara terminou os olhos, o desenho me devolveu um calor que chegou até o peito.

Um segundo depois, era tinta outra vez.

A tatuadora afastou a mão.

"Você sentiu?"

"Senti. Agora sabemos que escolhi a pessoa certa."

Ela não pareceu satisfeita com o elogio. Estava examinando a própria agulha.

"Esse tipo de resposta não deveria acontecer agora."

"Você também pode aprender alguma coisa comigo."

Clara ergueu uma sobrancelha.

"Até aqui, aprendi que você fala demais quando está nervoso."

Ri.

Fazia meses, contando a primeira vida, que ninguém me respondia sem querer alguma coisa em troca.

Combinamos uma semana de trabalho intensivo, com pausas determinadas por ela. Paguei a reserva da agenda inteira, o material e um valor que eliminava qualquer dúvida sobre o tamanho da encomenda.

Clara recusou um quarto dentro da minha suíte e escolheu o mais distante.

"Meu trabalho está na sua pele. Minha vida continua sendo minha."

"Ótimo. Cuida das duas até terminar."

No dia seguinte, Cérbero apareceu na minha coxa direita. Clara desenhou uma cabeça e deixou as outras sugeridas no contorno, como portas esperando abertura.

"Por que não três de uma vez?"

"Porque a imagem também precisa reconhecer o caminho. Essa é a forma inteira, mas você não vai conseguir sustentar tudo no começo."

Era exatamente o que eu lembrava dos despertares.

Não lhe disse.

A fênix abriu as asas no peito. O dragão de gelo percorreu a coluna. Pangu ocupou as costas com uma força que parecia maior que o espaço disponível. Nüwa veio ao lado, olhando para cima. Xingtian carregava sua arma sem precisar de uma cabeça para continuar lutando.

Clara percebia quando a dor começava a atrapalhar minha respiração.

"Pausa."

"Continua."

Ela desligava a máquina.

"Não estou discutindo."

Eu precisava daquele resultado mais do que precisava vencer a conversa. Comia, bebia, caminhava e voltava.

No quarto dia, meu telefone tocou.

Débora.

正文1

Deixei chamar.

Ela mandou uma fotografia minha entrando no hotel onde eu ficaria durante as obras. Depois uma mensagem:

"Seu pai teria vergonha do que você está fazendo."

Clara viu meu maxilar apertar.

"Não se mexe."

Respirei.

Respondi à mensagem com uma fotografia do comprovante de pagamento pela minha saída do grupo.

"Seu pai parece bem satisfeito."

Débora ligou outra vez.

Bloqueei o número.

Clara voltou à pele.

"Ex?"

"Uma pessoa que confunde recusa com ofensa."

"Entendo."

Não perguntou mais.

Na última sessão, sua mão mudou de direção e registrou quatro símbolos no antebraço. Abaixo deles, uma sequência menor, como uma ligação entre marcas.

"Isso não estava na lista."

Clara parou.

Examinou os sinais e anotou tudo num papel.

"Eu sei ler. Mas não planejei escrever."

Pela primeira vez, vi medo em seu rosto.

"O que significam?"

"Os elementos. E uma convocação. Vou procurar a origem exata. Não vou inventar uma resposta para você."

Guardei aquela honestidade.

Quando me levantei diante do espelho, não vi apenas um corpo tatuado. Vi recursos que não poderiam ser congelados num banco, tomados numa assembleia ou arrancados de mim por uma fechadura.

Clara apareceu atrás.

"Não tente acordar todas juntas."

"Nem mesmo se estiver cercado?"

"Você pode abrir uma força maior por um instante, se tiver o vínculo. Mas o preço vai sair do seu corpo. Abrir todas é oferecer tudo."

Toquei os símbolos.

Não precisava de tudo naquele momento.

Precisava chegar vivo a setembro.

Clara foi embora na manhã seguinte. Quando levantou a mala, vi parte das duas serpentes tatuadas em suas costas. Uma branca, outra verde. A pele ao redor estava vermelha.

Ela puxou a gola.

"Da minha mãe."

"Também vão responder?"

"Já respondem a coisas que você não conhece."

Deixei que mantivesse seu segredo. Ela deixara que eu mantivesse o meu.

Marcelo tomou conta das obras enquanto eu me instalava no hotel. Os depósitos recebiam mantimentos. As casas ganhavam sistemas independentes. Eu conferia cada etapa e treinava até meus braços não conseguirem fingir que dinheiro resolvia cansaço.

Então fui ao clube de tiro de Débora.

Reservei sessões, materiais e horários por um valor que nenhum gerente recusaria. Queria consumir o estoque imediato que ela usaria para organizar sua primeira tropa. Não precisava destruir o clube; precisava obrigá-lo a passar semanas dependendo de reposição.

Débora apareceu no segundo dia.

"Você me bloqueia e vem para cá?"

"Seu clube aceita clientes ou só pretendentes?"

O gerente olhou para o chão.

Ela chegou perto demais.

"Está querendo me provocar."

"Estou querendo terminar o que paguei."

Débora tentou cancelar os horários. Mostrei a confirmação assinada e pedi ao gerente que ligasse para Augusto. O dinheiro da reserva já tinha sido distribuído entre fornecedores.

A expressão dela mudou quando percebeu que desfazer aquilo custaria mais do que aceitar.

"Vai se arrepender."

"Você anda dizendo isso com frequência."

Fui embora no último dia com a certeza de que seu poder de fogo começaria menor.

Na primeira vistoria da cobertura, encontrei caixas que não correspondiam às notas. Pedi que Marcelo abrisse tudo diante de mim.

Havia substituído equipamento caro por versões inferiores e guardado a diferença.

Ele tentou explicar que seria temporário.

Coloquei os comprovantes sobre a bancada.

"Devolve o dinheiro, troca o material e termina. A segunda conversa vai ser com meu advogado."

O homem perdeu a cor.

Corrigiu antes do prazo.

Na vistoria final, mudei os códigos principais pessoalmente. Passei a guardar cópias das entregas em outro lugar. Ter um assistente competente não me obrigava a ter um inimigo informado.

Na noite de trinta e um de agosto, sentei na cobertura reforçada.

As três reservas estavam prontas.

Os diretores que me chamavam de louco tinham ações. Eu tinha água, comida, energia e uma pele que começava a aquecer.

Cérbero ardeu primeiro.

Através da janela, vi um cachorro do condomínio parar diante do portão e rosnar para o céu vazio.

Minha preparação tinha terminado.

A deles nem começara.

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