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"Os Trigêmeos do Chefe da Máfia Humilharam a Babá Errada" Capítulo 5 — Não Toquem na Minha Filha

正文开头

“Eles sabem quem é a minha filha.”

Marina repetiu a frase sem perceber que apertava o telefone com tanta força que os dedos haviam perdido a cor. Dante Montenegro não perguntou se ela tinha certeza. Virou-se para Bruno Carvalho, que acabara de entrar no escritório, e falou em voz baixa:

“Encontre Sofia Oliveira. Agora.”

“Ela estava com dona Lúcia”, Marina conseguiu explicar. “Na Vila Mariana. Eu liguei há vinte minutos.”

Bruno já discava para a equipe de segurança. Dante pegou as chaves do carro.

“Você vem comigo.”

Marina o seguiu pelo corredor, mas parou diante da escada. Gabriel, Rafael e Miguel estavam ali, de pijamas, imóveis como três pequenas estátuas. Gabriel olhou primeiro para o telefone dela, depois para o rosto do pai.

“Quem desapareceu?”, perguntou.

“Uma menina”, respondeu Marina. “Minha filha.”

Rafael abriu a boca, mas não encontrou nenhuma brincadeira. Miguel segurou a manga do irmão. Dante chamou Teresa e pediu que ficasse com os meninos. Não houve discussão. O silêncio deles acompanhou Marina até a porta.

A chuva transformara as ruas de São Paulo em rios de luz vermelha e branca. Marina mal enxergava pela janela. Ligou para dona Lúcia outra vez. Na terceira tentativa, a vizinha atendeu, chorando.

“Marina, me perdoa! Um homem apareceu dizendo que vinha buscar a Sofia. Tinha um crachá, falou que era da escola. Eu disse que não conhecia ninguém…”

“Ela foi com ele?”

“Não sei! Ela correu para fora quando eu fui pegar os óculos. Procurei na calçada, na farmácia… não encontrei!”

Marina sentiu o ar desaparecer.

“Escute minha voz”, Dante disse, sem levantar o tom. “Ainda não sabemos o que aconteceu.”

“Você não sabe o que é perder alguém.”

Ele manteve os olhos na rua.

“Sei mais do que gostaria.”

Marina virou o rosto. Não tinha forças para discutir sobre a mãe dos meninos, sobre as fotografias escondidas ou sobre o cheiro de fumaça que ainda parecia preso à sua roupa. Só conseguia pensar em Sofia saindo de casa com a mochila rosa, acreditando que a mãe voltaria logo.

Durante o trajeto, Marina tentou ligar também para a escola de Sofia. A secretária confirmou que ninguém da instituição havia autorizado qualquer funcionário a buscar a menina naquela noite. O nome usado pelo desconhecido não constava dos registros. A certeza de que alguém planejara aquela aproximação fez Marina sentir náusea. Não se tratava de um mal-entendido.

“Não quero que assustem minha filha quando a encontrarem”, pediu.

“Ela vai ver você primeiro”, Dante respondeu.

Na Vila Mariana, Bruno já conversava com um porteiro. Dona Lúcia esperava na calçada, protegida por um guarda-chuva torto. Parecia dez anos mais velha.

“Ela percebeu que o homem mentia”, explicou, trêmula. “Ele disse que você mandou buscar. Mas a Sofia perguntou o nome da professora. Ele não soube responder.”

Marina quase caiu de alívio. A filha não confiara no desconhecido. Ainda assim, onde estava?

Um rapaz da padaria da esquina aproximou-se correndo.

正文1

“É a mãe da menina do desenho?”

Marina agarrou a pergunta.

“Que desenho?”

“Ela está comigo. Ficou escondida atrás do balcão. Pediu que eu não deixasse ninguém levar ela.”

Marina atravessou a rua antes que o rapaz terminasse. Encontrou Sofia sentada sobre uma caixa de refrigerantes, com os joelhos abraçados e um lápis azul entre os dedos. A menina levantou a cabeça.

“Mãe?”

Marina se ajoelhou e a apertou contra o peito.

“Eu estou aqui. Eu estou aqui.”

“Eu fiz certo? O homem falou que você tinha mandado.”

“Fez tudo certo, meu amor.”

Sofia começou a chorar só então. Marina beijou seus cabelos, suas bochechas, as mãos frias. Dante permaneceu junto à porta, deixando que aquele abraço tivesse todo o espaço necessário. Depois agradeceu ao padeiro e pediu a Bruno que preservasse as imagens das câmeras para a polícia.

Quando Marina conseguiu se levantar, Dante ofereceu um casaco para Sofia. A menina examinou o homem de terno escuro com desconfiança.

“Você é o patrão da minha mãe?”

“Sou.”

“Então por que ela está chorando?”

A pergunta atingiu Dante com mais força do que qualquer ameaça.

“Porque alguém tentou assustar vocês. E nós vamos descobrir quem.”

Na delegacia, Marina prestou depoimento. A tentativa de aliciamento, o telefonema e o crachá falso foram registrados. Bruno entregou as gravações da padaria. O rosto do homem aparecia por alguns segundos; ele usava boné e não olhava diretamente para a câmera.

De madrugada, de volta à rua da vizinha, Marina tomou uma decisão.

“Eu vou pedir demissão.”

Dante não tentou convencê-la imediatamente.

“Você acha que a ameaça termina se sair da minha casa?”

“Não sei. Mas não posso transformar a infância da Sofia numa guerra que não é nossa.”

“Você tem razão em protegê-la.”

A resposta a surpreendeu. Marina esperava ordens, dinheiro, talvez uma proposta que a fizesse sentir comprada. Dante apenas continuou:

“Quero oferecer proteção temporária, independentemente do emprego. Você pode recusar. E pode chamar a polícia sempre que achar necessário.”

“Por que faria isso?”

“Porque alguém usou o nome da minha família para ameaçar uma criança.”

Marina olhou para Sofia, adormecida no banco traseiro. Depois encarou Dante.

“Se eu voltar, minha filha vai comigo. E não será escondida num quarto de hóspedes como um problema.”

“Ela terá um quarto, poderá continuar estudando e ficará perto de você. As condições serão escritas.”

“E seus filhos?”

“Eu vou conversar com eles.”

Mas os meninos já tinham decidido por conta própria. Quando Marina chegou à mansão para buscar suas coisas, encontrou três pequenos vultos esperando no hall. Gabriel segurava um envelope amassado. Rafael trazia uma caixa de biscoitos. Miguel carregava um ursinho.

“Isso é pra sua filha”, disse Miguel, oferecendo o brinquedo. “Pra ela não ficar com medo.”

Gabriel estendeu o envelope. Dentro havia uma folha com letras grandes: NÃO VAMOS FAZER BRINCADEIRAS COM A SOFIA.

Rafael acrescentou, contrariado:

“Nem com você. Pelo menos as perigosas.”

Marina sentiu os olhos arderem.

“Não é uma promessa pequena”, respondeu.

“Eu sei”, disse Gabriel. “Por isso escrevi.”

Antes de dormir, Marina sentou-se ao lado da cama de Sofia e contou o que aconteceria nos próximos dias. Não falou de homens perigosos nem de ameaças que uma criança não poderia resolver. Explicou que havia adultos investigando uma mentira e que a menina nunca deveria acompanhar alguém sem confirmar diretamente com a mãe ou com dona Lúcia.

“Mesmo se a pessoa disser que conhece você?”, Sofia perguntou.

“Principalmente nesse caso.”

A menina ficou pensativa. Depois retirou do bolso um papel dobrado: o desenho da fachada da padaria, feito enquanto esperava pela mãe. Marina reconheceu a porta vermelha e a pequena placa de pães. Guardou a folha junto aos documentos da filha. Queria lembrar não apenas do medo daquela noite, mas da coragem com que Sofia procurara ajuda.

Na manhã seguinte, Sofia entrou na mansão segurando a mão da mãe. Observou o lustre, a escadaria e as paredes altas. Não parecia impressionada com o luxo. Parecia procurar saídas.

Perto da biblioteca, parou diante de um retrato antigo de Helena Montenegro. O rosto da mulher estava parcialmente iluminado pelo sol.

Sofia soltou a mão de Marina.

“Mãe… essa mulher estava na foto do papai.”

Marina sentiu o coração bater mais depressa.

“Que foto, Sofia?”

“A que ele guardava na caixa azul. Antes do incêndio.”

Atrás delas, uma porta se fechou suavemente. Dante ouvira cada palavra.

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