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"Os Trigêmeos do Chefe da Máfia Humilharam a Babá Errada" Capítulo 4 — Cem Mil Reais

正文开头

“Eu não vou assinar isso.”

Marina colocou a caneta sobre a mesa do escritório. O relógio marcava nove horas da manhã. As quarenta e oito horas do desafio tinham terminado, e Dante Montenegro acabara de entregar o contrato definitivo.

Diante dela havia a proposta de emprego, o comprovante de transferência de cem mil reais e uma cláusula de confidencialidade que parecia não ter fim.

Dante ergueu os olhos.

“Qual é o problema?”

“Aqui diz que não posso divulgar nenhum acontecimento envolvendo sua família sem autorização, mesmo quando houver risco para terceiros.”

“É um documento padrão.”

“Não deveria ser. Se uma criança estiver em perigo, vou procurar ajuda. Não vou esperar a assinatura de um advogado.”

Dante encostou na cadeira.

“Você está sugerindo que meus filhos correm perigo nesta casa?”

“Estou dizendo que nenhuma cláusula pode ficar acima da segurança deles.”

Ele fechou a pasta devagar.

“Você veio porque precisava de dinheiro.”

“Vim. E continuo precisando.”

“Então por que dificultar?”

Marina respirou fundo. Pensou nas contas atrasadas, no aluguel, nos cadernos escolares de Sofia e no medo que sentia toda vez que o telefone tocava com uma cobrança.

“Porque precisar de dinheiro não significa vender minha consciência.”

O silêncio entre os dois ficou pesado.

Dante abriu novamente a pasta e riscou a cláusula com a própria caneta.

“Meu jurídico vai redigir outra versão. Com exceções expressas para denúncias, emergências e proteção de crianças.”

Marina não esperava aquela resposta.

“Obrigada.”

“Não agradeça. Você tinha razão.”

Ele empurrou o comprovante para perto dela.

“Os cem mil reais já foram transferidos. Você cumpriu sua parte.”

Marina olhou o documento. Pela primeira vez em anos, imaginou Sofia dormindo sem ouvir discussões sobre aluguel. Sentiu os olhos arderem.

“Não precisa chorar”, Dante disse.

“Eu sei. Mas às vezes a gente chora mesmo quando uma coisa boa acontece.”

Ele desviou o olhar, como se não soubesse o que fazer com aquela sinceridade.

Antes que conversassem sobre o futuro, Teresa bateu à porta.

“A senhora Verônica chegou.”

Dante franziu a testa.

“Não marquei nenhuma visita.”

“Ela disse que veio para o almoço de família.”

Na sala principal, Verônica Albuquerque examinava as flores com expressão de desaprovação. Usava um vestido claro, joias discretas e um perfume que parecia anunciar sua presença antes da voz.

“Dante, querido.”

Ela se aproximou para beijá-lo no rosto. Ele recuou o suficiente para transformar o gesto em um cumprimento formal.

Verônica então reparou em Marina.

“Ah. A nova funcionária.”

“Marina Oliveira”, ela respondeu.

“É claro. A babá que resolveu transformar a casa em um circo.”

Teresa permaneceu imóvel perto da porta. Marina sentiu o rosto esquentar, mas manteve a postura.

“Estou cuidando das crianças, senhora.”

“Cuidando? Ou tentando garantir um lugar confortável ao lado de um homem rico?”

Dante deu um passo à frente.

“Verônica.”

Ela ergueu as mãos, fingindo inocência.

“Só estou preocupada. Uma mulher com tantos problemas financeiros pode confundir gentileza com oportunidade.”

正文1

Marina percebeu que Verônica conhecia detalhes de sua vida que nunca havia compartilhado com ela.

“Meus problemas não são assunto para uma conversa de salão.”

“Não seja sensível. Pessoas como você deveriam agradecer quando recebem uma chance.”

“Eu agradeço por oportunidades. Não por humilhações.”

A voz de Marina saiu firme. Nesse instante, Gabriel apareceu na entrada da sala com Rafael e Miguel.

“Ela não está fazendo nada de errado”, Gabriel disse.

Verônica virou o rosto.

“Os meninos deveriam estar estudando.”

“Você não manda nela”, Rafael respondeu.

“Nem na gente”, Miguel acrescentou.

Dante olhou para os filhos. Naquela casa, os três raramente defendiam alguém que não fosse um dos irmãos.

“Peçam licença e voltem para a sala de estudos”, ele ordenou, sem elevar a voz.

Gabriel não se moveu.

“Se a Marina for embora, a culpa vai ser sua, pai.”

As palavras atingiram Dante mais do que a insolência.

Verônica soltou uma risada nervosa.

“É exatamente por isso que eles precisam de disciplina.”

“E você precisa respeitar as pessoas dentro da minha casa”, Dante respondeu.

O sorriso dela desapareceu.

“Está me constrangendo na frente de uma empregada?”

“Estou encerrando uma visita que não foi convidada.”

Verônica pegou a bolsa com movimentos bruscos.

“Você vai se arrepender dessa escolha.”

Quando a porta se fechou, Marina se voltou para Dante.

“Eu não queria causar um conflito.”

“Você não causou.”

“Seus filhos ouviram tudo.”

“Eu sei.”

Dante se ajoelhou diante dos meninos. Perguntou por que haviam saído da sala de estudos. Gabriel confessou que escutara Verônica pelo corredor e ficara com medo de que Marina fosse demitida.

“Ela é diferente”, Miguel murmurou.

Rafael segurou a manga da blusa de Marina.

“Ela não foi embora nem depois do quarto.”

Dante respirou lentamente.

“Vocês precisam pedir desculpas por tudo o que fizeram. E entender que ninguém é obrigado a ficar porque vocês querem.”

Gabriel baixou a cabeça.

“Desculpa pela água.”

“E pelo alarme”, Rafael completou.

Miguel abraçou a cintura de Marina.

“Desculpa por não ter impedido.”

Marina se agachou diante dos três.

“Obrigada. Agora vamos mostrar que aprenderam.”

Naquela tarde, os meninos prepararam uma surpresa simples: um desenho com quatro figuras de mãos dadas. A quarta figura usava um vestido azul e tinha cabelos parecidos com os de Marina.

No alto, Gabriel escreveu: NOSSA CASA.

Marina ficou emocionada, mas não prometeu que viveria ali para sempre. Precisava conversar com Sofia antes de aceitar o emprego definitivo.

Dante concordou e ofereceu um carro para levá-la até Vila Mariana naquela noite.

Ela estava guardando o desenho na mala quando o celular tocou.

Era dona Lúcia.

“Marina, pelo amor de Deus, atende!”

A voz da vizinha tremia.

“O que aconteceu?”

“Um homem apareceu dizendo que vinha buscar a Sofia. Falou que era da escola. Eu não deixei ela sair, mas ele ficou esperando na rua.”

Marina sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

“Onde está minha filha agora?”

“Eu fui procurar o porteiro e… ela não está mais aqui!”

Marina correu para o corredor. Dante vinha na direção oposta e parou ao ver sua expressão.

“Sofia sumiu”, ela conseguiu dizer.

Antes da visita de Verônica, Marina havia recebido uma mensagem de Sofia perguntando se a casa nova tinha jardim. Respondeu com uma fotografia das flores, sem mostrar os rostos das crianças. A menina mandou um coração e perguntou se a mãe estava comendo direito. Marina sorriu diante da preocupação invertida. Era ela quem deveria cuidar de Sofia, mas nos últimos meses a filha aprendera a vigiar seu cansaço.

Também conversou com Teresa sobre a rotina escolar dos trigêmeos. Descobriu que cada menino tinha um professor particular, mas quase nenhuma oportunidade de brincar com outras crianças. Sugeriu a Dante que avaliasse atividades externas com segurança adequada. Ele não prometeu nada. Ainda assim, anotou a ideia em um bloco, gesto pequeno que Marina não deixou passar despercebido.

Antes que ele respondesse, uma chamada de número desconhecido apareceu na tela.

Marina atendeu com a mão trêmula.

Uma voz masculina, distorcida, falou sem cumprimentá-la.

“Se quiser ver sua filha de novo, fique longe dos Montenegro.”

A ligação caiu.

Marina olhou para Dante. Pela primeira vez desde que entrara naquela mansão, não conseguiu esconder o terror. Ele já havia chamado Bruno e ordenado que ninguém perdesse um segundo.

“Eles sabem quem é a minha filha.”

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