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"Os Trigêmeos do Chefe da Máfia Humilharam a Babá Errada" Capítulo 3 — A Mulher Que Não Fugiu

正文开头

“Quem disse que sua mãe morreu num incêndio?”

Marina fez a pergunta com cuidado. Miguel estava sentado no tapete do corredor, apertando o ursinho com tanta força que os dedos ficaram brancos.

“Eu ouvi”, respondeu ele.

“Ouviu quem?”

“O tio Ricardo falando no telefone. Ele disse que o fogo levou tudo.”

Marina sentiu um peso no estômago. Teresa falara em desaparecimento, não em morte. Talvez a criança tivesse entendido errado. Talvez os adultos estivessem escondendo algo.

“Eu não sei o que aconteceu com sua mãe, Miguel. Não vou inventar uma resposta.”

Ele ergueu os olhos.

“Todo mundo inventa.”

“Eu não quero fazer isso com você.”

Miguel ficou quieto por um longo tempo. Depois, estendeu o ursinho.

“Ele se chama Tobias. Pode dormir com ele hoje.”

Marina aceitou o presente como quem recebe algo precioso.

Na manhã seguinte, encontrou Gabriel esperando na cozinha. O menino fingia escolher uma maçã, mas olhava constantemente para a porta.

“Você chorou ontem?”, perguntou sem rodeios.

“Chorei.”

“Então perdeu.”

“Isso era uma competição?”

“É claro.”

“Engraçado. Ninguém me avisou das regras.”

Gabriel cruzou os braços.

“Todas as outras choraram e foram embora.”

“Eu chorei e ainda estou aqui.”

O menino não soube responder.

Marina reuniu os três na sala de brinquedos depois do café. Sobre a mesa colocou papel, lápis de cor e três cartões em branco.

“Vamos combinar algumas coisas.”

“Você vai mandar na gente?”, Rafael perguntou.

“Vou cuidar de vocês. É diferente.”

Escreveu a primeira regra: ninguém machuca outra pessoa.

A segunda: ninguém inventa perigos ou emergências.

A terceira: quem causa um problema ajuda a resolvê-lo.

“E as regras para você?”, Miguel perguntou.

Marina sorriu.

“Boa pergunta. Eu não vou bater, humilhar ou mentir para vocês. E, se eu errar, vou pedir desculpas.”

Gabriel examinou o papel.

“Você não prometeu nunca ir embora.”

“Porque promessas assim não devem ser feitas para agradar alguém. Mas prometo que não vou desaparecer sem conversar.”

Miguel colocou a mão sobre o cartão. Rafael pediu um lápis vermelho e desenhou um sinal de proibido sobre um balde.

Durante o almoço, Rafael decidiu testar a primeira regra. Colocou uma colher cheia de sal no café de Marina e ficou esperando.

Ela tomou um gole e fez uma careta.

“Interessante. Quem abriu uma salina na cozinha?”

Rafael começou a rir. Marina colocou a xícara diante dele.

“Você vai preparar outro café comigo. Depois, vamos limpar a mesa.”

“Isso é castigo?”

“É consertar o que você estragou.”

O menino reclamou, mas acompanhou Marina até a bancada. Quando derramou pó no chão, ela entregou uma vassourinha em vez de gritar.

Gabriel observava tudo pela porta. Parecia incomodado por cada armadilha terminar sem o espetáculo que esperava.

À tarde, ele escondeu o celular de Marina dentro de uma caixa de jogos. Ela procurou o aparelho porque precisava ligar para Sofia.

“Você não pode falar com sua filha hoje”, Gabriel anunciou.

Marina parou imediatamente.

“Isso não é brincadeira.”

正文1

O tom firme surpreendeu o menino.

“Você disse que não ia ficar brava.”

“Eu disse que escolheria o que fazer com minha raiva. Minha filha precisa saber que estou bem.”

Gabriel apontou para a caixa. Marina recuperou o telefone e ligou para Sofia diante deles.

“Oi, meu amor. Já fez a lição?”

Do outro lado, Sofia contou que desenhara uma casa com quatro janelas. Perguntou quando a mãe voltaria. Marina prometeu conversar com ela no dia seguinte, assim que terminasse o período de experiência.

Quando desligou, Miguel perguntou baixinho:

“Ela sente saudade de você?”

“Todos os dias. E eu sinto dela.”

“Então por que veio?”

“Porque preciso trabalhar para cuidar dela. Mas isso não faz a saudade desaparecer.”

Os três ficaram pensativos.

No fim da tarde, Dante voltou mais cedo. Encontrou Rafael varrendo migalhas, Miguel desenhando e Gabriel sentado ao lado de Marina, sem tentar roubar seu celular.

“Devo me preocupar?”, perguntou.

“Só se tiver medo de crianças aprendendo a usar uma vassoura”, Marina respondeu.

Dante quase sorriu. Rafael ergueu a vassoura como se fosse um troféu.

Durante o jantar, porém, o clima mudou quando Ricardo Montenegro apareceu sem avisar. Era um homem elegante, de cabelos grisalhos nas têmporas e sorriso excessivamente fácil.

“Então esta é a famosa sétima babá”, disse ele.

Marina se levantou para cumprimentá-lo.

“Marina Oliveira.”

Ricardo segurou sua mão por tempo demais.

“Oliveira? De Santos?”

“Morei lá quando era casada.”

O sorriso dele diminuiu por um instante.

“Que coincidência.”

Dante interrompeu a conversa.

“Ricardo, meu escritório. Agora.”

Os dois saíram. Gabriel acompanhou o tio com os olhos, visivelmente desconfortável.

“Vocês gostam dele?”, Marina perguntou.

Rafael deu de ombros. Miguel se aproximou dela.

“Ele traz presentes”, Gabriel respondeu. “Mas não gosta quando fazemos perguntas sobre a mamãe.”

Mais tarde, Teresa pediu ajuda para separar brinquedos antigos destinados a uma campanha de doação. Marina aceitou, desde que os meninos escolhessem o que desejavam entregar.

No fundo de um baú, Miguel encontrou um álbum de fotografias. Gabriel tentou arrancá-lo de suas mãos.

“Esse não!”

O álbum caiu. Uma fotografia deslizou para o chão.

Marina se abaixou para recolhê-la e ficou imóvel.

Helena Montenegro aparecia segurando três bebês. Atrás dela, com uma das mãos apoiada no carrinho, estava Ricardo.

A imagem poderia ser inocente. Parentes tiravam fotos juntos o tempo todo. Mas havia algo escrito no verso, em letra adulta.

“Ricardo prometeu cuidar de tudo. Não conte a Dante ainda.”

No começo da tarde, Marina pediu aos meninos que escolhessem uma atividade que não envolvesse aparelhos eletrônicos. Rafael sugeriu uma corrida no jardim. Gabriel reclamou que aquilo era coisa de criança pequena. Miguel quis plantar sementes. Acabaram fazendo as duas coisas: correram até o canteiro e depois enterraram sementes de girassol em quatro vasos. Marina escreveu os nomes em etiquetas. No quarto vaso colocou Sofia.

“Ela nem está aqui”, Gabriel observou.

“Mas pode vir conhecer vocês algum dia, se todos concordarem.”

Rafael examinou o nome da menina.

“Ela gosta de videogame?”

“Gosta de desenhar mais do que qualquer coisa.”

“Então vai perder de mim”, ele anunciou.

Marina não respondeu. Guardou aquele comentário como o primeiro sinal de curiosidade verdadeira. Até então, os meninos só perguntavam quanto tempo ela demoraria para fugir. Agora, pela primeira vez, imaginavam alguém chegando.

Quando Teresa levou biscoitos para o jardim, ficou surpresa ao encontrar os três ajoelhados na terra. Disse que Helena gostava de flores amarelas. Gabriel imediatamente se levantou e pediu para entrar. Marina não o segurou. Apenas o acompanhou com os olhos até a porta, percebendo que a saudade ainda era um assunto perigoso naquela família.

Mais tarde, ao recolher as ferramentas, Miguel mostrou um pequeno corte antigo na madeira do banco. Havia três iniciais gravadas, uma ao lado da outra. Ele contou que a mãe fizera aquilo no aniversário deles. Marina passou os dedos pela superfície e entendeu por que nenhum funcionário ousava trocar aquele banco, mesmo estando gasto. Alguns objetos continuavam na casa porque guardavam a última lembrança de um tempo feliz.

Marina olhou para Miguel. O menino parecia conhecer aquela frase.

“Foi a mamãe que escreveu”, ele disse.

Antes que Marina pudesse perguntar mais, Gabriel fechou o álbum com força.

“Você não pode mostrar isso para o papai.”

“Por quê?”

O menino olhou para a porta, assustado.

“Porque foi depois dessa foto que eles começaram a brigar.”

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