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"Os Trigêmeos do Chefe da Máfia Humilharam a Babá Errada" Capítulo 2 — O Quarto Trancado

正文开头

“Você não deveria estar com essa fotografia.”

Teresa apareceu na porta do quarto de Marina antes das sete da manhã. Seus olhos se fixaram na imagem queimada, e a cor desapareceu de seu rosto.

“Quem é ela?”, Marina perguntou.

A governanta estendeu a mão.

“Por favor. Entregue isso para mim.”

“É a mãe dos meninos?”

Teresa assentiu com relutância.

“Helena Montenegro. E essa é uma história que não me pertence.”

Marina entregou a fotografia. Não queria invadir a intimidade de ninguém, mas a frase escrita no verso continuava martelando em sua cabeça.

“Eles acham que ela os abandonou?”

“Eles sabem que ela não está aqui.” Teresa dobrou a foto dentro de um envelope. “Às vezes, essa diferença é grande demais para uma criança.”

Na cozinha, Gabriel e Rafael discutiam em voz baixa. Miguel mexia o leite sem beber.

Marina colocou uma tigela de frutas sobre a mesa.

“Bom dia.”

“Você ainda está aqui?”, Rafael perguntou.

“Eu também fiquei surpresa ao acordar e descobrir que não tinha desaparecido.”

Gabriel trocou um olhar com o irmão.

“Hoje vai ser diferente.”

“Espero que sim. Ontem vocês desperdiçaram um balde inteiro de água.”

Miguel soltou uma risada curta. Gabriel lhe deu uma cotovelada discreta.

Depois do café, Marina encontrou uma folha de papel sob a porta. Era um desenho de três meninos diante de uma casa vermelha. Acima deles, uma nuvem preta cobria o telhado.

No canto inferior, alguém escrevera: NÃO ABRA.

Ela guardou o papel, decidida a perguntar sobre ele quando surgisse um momento seguro.

Dante saiu cedo para uma reunião no centro de São Paulo. Antes de partir, pediu que Bruno, chefe da segurança, permanecesse por perto.

“Eles já passaram dos limites uma vez”, disse.

“Se o senhor acredita nisso, precisa conversar com eles”, Marina respondeu.

“Estou contratando você justamente para lidar com os meninos.”

“Cuidar deles não significa substituir o pai.”

Dante a observou, surpreso, mas não discutiu.

No início da tarde, Gabriel apareceu correndo na sala de leitura.

“Marina! O Miguel sumiu!”

Ela fechou o livro.

“Quando você o viu pela última vez?”

“Perto do corredor oeste. Ele estava chorando.”

Rafael surgiu atrás do irmão, ofegante demais para alguém que não parecia assustado.

“Ele entrou no quarto antigo. A porta fechou!”

Marina se levantou imediatamente. O corredor oeste estava vazio. Uma porta que deveria permanecer trancada encontrava-se entreaberta.

“Miguel?”, ela chamou.

Do interior veio um choro abafado.

“Estou aqui”, respondeu uma voz infantil.

Marina entrou. O quarto tinha móveis cobertos por lençóis, brinquedos antigos e uma pequena cama encostada na parede. Havia desenhos de estrelas no teto.

A porta bateu atrás dela.

O clique da fechadura ecoou no cômodo.

“Gabriel? Rafael? Abram agora.”

Uma gargalhada veio do corredor.

“Babá número sete!”, Rafael gritou.

Marina respirou fundo. Procurou o interruptor, mas as luzes se apagaram antes que o alcançasse.

Em seguida, um alarme começou a tocar.

O som atravessou seu corpo como uma lembrança enterrada. Uma névoa branca escapou de uma pequena máquina escondida perto do armário.

正文1

Marina não sabia que era apenas um equipamento de efeito cenográfico, encontrado pelos meninos entre objetos antigos de uma festa.

Para ela, o cheiro e o ruído significavam outra coisa.

Quatro anos antes, André tinha ligado de um armazém em Santos. Havia fumaça ao fundo da chamada. Ele dissera que precisava ajudar dois colegas presos na área de carga.

Marina nunca esquecera a última frase do marido.

“Cuida da Sofia. Eu já volto.”

Ele não voltou.

Agora, naquele quarto escuro, Marina levou a mão à boca. O coração disparou. Mesmo assim, forçou-se a procurar o suposto menino.

“Miguel! Fale comigo!”

O choro continuava. Ela seguiu o som até o armário, abriu a porta e encontrou um gravador pequeno ao lado de uma boneca embrulhada em um cobertor.

Não havia criança alguma.

Marina caiu de joelhos, tentando controlar a respiração.

Do lado de fora, Gabriel parou de rir.

“Ela não está gritando”, observou.

Rafael encostou o ouvido na porta.

“Marina?”

Nenhuma resposta.

Miguel, que esperava escondido atrás de uma cortina no corredor, apareceu de repente.

“Desliga isso”, pediu aos irmãos.

“É só brincadeira”, Gabriel respondeu, embora sua voz já não tivesse certeza.

Miguel começou a bater na porta.

“Marina, sou eu! Estou aqui!”

O alarme disparou no sistema de segurança. Bruno correu pelo corredor, seguido de Dante, que havia retornado para buscar documentos esquecidos.

“O que está acontecendo?”, Dante exigiu.

Miguel apontou para a porta, chorando.

“Ela está lá dentro.”

Bruno abriu a fechadura com a chave de emergência. Dante entrou primeiro.

Encontrou Marina sentada no chão, abraçada à boneca, os olhos perdidos na fumaça artificial que começava a se dissipar.

“Marina.”

Ela ergueu o rosto lentamente.

“Eu achei que tinha uma criança aqui.”

“Não há fogo. Você está segura.”

Dante desligou o aparelho. Bruno abriu as janelas e confirmou que ninguém havia se ferido.

Marina tentou ficar de pé, mas as pernas vacilaram. Dante ofereceu o braço sem tocá-la antes que ela aceitasse.

No corredor, os três meninos estavam alinhados diante da parede.

“Vocês podiam ter provocado um acidente!”, Dante disse, com a voz baixa e perigosa.

Gabriel olhou para o chão. Rafael começou a chorar. Miguel apertou o ursinho contra o peito.

“Eu avisei”, ele murmurou.

Dante ordenou que Bruno recolhesse os equipamentos e retirou os celulares dos filhos até que pudesse conversar com cada um.

Marina, ainda pálida, pediu um copo de água.

“Eles precisam entender o que fizeram”, ela disse. “Mas não quero que aprendam apenas a ter medo do senhor.”

“Minha preocupação agora é você.”

“Então me escute. Eles acharam divertido simular uma emergência. Não perceberam que alguém poderia acreditar.”

Dante se virou para os filhos.

“Vocês vão explicar tudo. Sem mentiras. E vão ajudar a reparar o que fizeram.”

Gabriel finalmente levantou a cabeça.

“Ela vai embora?”

Marina não respondeu imediatamente. Não queria prometer algo que talvez não pudesse cumprir.

“Hoje, vou ficar. Amanhã, vamos conversar.”

O menino pareceu ainda mais assustado com aquela resposta honesta.

À noite, Teresa levou chá ao quarto de Marina. Contou apenas que o cômodo fechado fora usado por Helena quando os filhos eram pequenos. Depois do desaparecimento dela, Dante mandara trancar tudo.

“Eles nunca receberam uma explicação que conseguissem entender”, Teresa admitiu.

Marina observou o desenho encontrado pela manhã. A casa vermelha, a nuvem preta e os três meninos pareciam menos uma ameaça do que um pedido de ajuda.

Perto da meia-noite, ouviu três batidas discretas.

Miguel estava sozinho no corredor, abraçado ao ursinho.

“Desculpa”, ele sussurrou.

Marina se ajoelhou diante dele.

“Obrigada por me dizer isso.”

Dante permaneceu algum tempo ao lado da porta aberta. A raiva não desaparecera de seu rosto, mas Marina percebeu que ele também estava assustado. Um homem acostumado a controlar empresas e empregados não sabia como proteger os próprios filhos de um sofrimento que ninguém conseguia nomear. Quando ele perguntou se ela precisava de um médico, Marina respondeu que precisava primeiro de silêncio. Dante mandou desligar todos os alarmes de teste da casa.

O menino esfregou os olhos.

“Você ficou com medo do fogo?”

“Fiquei.”

“Meu pai também fica diferente quando alguém fala de incêndio.”

Marina sentiu um arrepio.

Miguel aproximou os lábios de seu ouvido.

“Você também vai morrer num incêndio… igual à nossa mãe?”

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