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"Os Trigêmeos do Chefe da Máfia Humilharam a Babá Errada" Capítulo 1 — A Sétima Babá

正文开头

A água gelada caiu sobre Marina Oliveira antes que ela conseguisse dizer bom-dia.

Um balde inteiro despencou do alto da escadaria de mármore, encharcando seu blazer emprestado, a blusa branca e os sapatos gastos. O impacto fez sua mala tombar. Do outro lado do hall, três meninos explodiram em gargalhadas.

“Acertou em cheio!”, gritou o que segurava o balde vazio.

“Olha a cara dela!”, comemorou outro, filmando com o celular.

O terceiro não riu. Observou Marina como se aguardasse uma reação que já conhecia de cor.

Ela ficou imóvel por um instante. Tinha atravessado São Paulo de ônibus naquela manhã chuvosa, depois que seu carro parara de funcionar a três ruas dali. Restavam trinta e sete reais em sua conta. O aluguel da casa em Vila Mariana venceria na sexta-feira.

E Sofia, sua filha de oito anos, estava sob os cuidados de dona Lúcia, a vizinha que já fazia muito mais do que podia.

Marina fechou os olhos. A água escorria pela nuca. O frio queimava sua pele, mas o pior era perceber que alguém tinha planejado aquela humilhação com cuidado.

“Você é a babá número sete?”, perguntou o menino com o celular.

“Meu nome é Marina.”

“Não vai precisar dele por muito tempo”, respondeu o outro.

Os três tinham cabelos escuros, olhos castanhos e rostos tão parecidos que poderiam confundir qualquer pessoa. A diferença estava nos gestos: um comandava, outro executava, o último examinava tudo em silêncio.

Marina tirou os sapatos molhados. Depois, removeu o blazer e o estendeu sobre a mala. O menino do balde parou de rir.

“Ela vai bater na gente?”, sussurrou.

“Ela não pode”, respondeu o irmão que filmava, embora tivesse abaixado o telefone.

Marina pegou o balde. Os três recuaram.

“Vocês têm razão. Eu não vou encostar em ninguém.”

Virou o balde de cabeça para baixo e se sentou sobre ele.

“Agora, qual dos três gênios vai me mostrar onde ficam as toalhas?”

O silêncio foi tão completo que ela ouviu a chuva batendo nas janelas altas.

“Eu acredito que eles esperavam um grito.”

A voz masculina veio da escadaria.

Marina ergueu a cabeça. Dante Montenegro descia os degraus com a calma de quem nunca precisava pedir passagem. Usava um terno grafite impecável. Tinha o rosto anguloso, os cabelos negros e um olhar que parecia medir o preço de tudo ao redor.

Marina reconheceu o nome antes mesmo de ouvir a apresentação. O Grupo Montenegro possuía empresas de transporte, hotéis e segurança privada. Nos jornais, Dante era um empresário influente. Nas conversas baixas, diziam que comandava negócios que jamais apareciam nos balanços oficiais.

Ele parou diante dos meninos.

“Gabriel.”

O menino do celular endireitou a postura.

“Rafael.”

O dono do balde olhou para o chão.

“Miguel.”

O mais quieto sustentou o olhar do pai.

“Peçam desculpas.”

“Não”, respondeu Gabriel.

O maxilar de Dante se contraiu.

“Eu não fiz uma pergunta.”

“Não precisa obrigá-los”, Marina interrompeu.

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Uma mulher de uniforme escuro, parada perto do corredor, levou a mão ao peito. Dante virou o rosto lentamente.

“Como disse?”

“Uma desculpa sem arrependimento é só barulho. Eles queriam me ver perder a cabeça. Não vou dar esse presente.”

“Você está na minha casa há menos de dois minutos.”

“E já descobri que a recepção precisa melhorar.”

Rafael abriu a boca. Miguel baixou os olhos para esconder um sorriso.

Dante examinou as roupas ensopadas de Marina.

“Teresa, providencie toalhas e roupas secas.”

A governanta se apressou. Marina se levantou, segurando a alça da mala.

“Antes, preciso saber uma coisa. Quantas babás eles expulsaram?”

“Seis!”, Gabriel anunciou com orgulho.

“Seis e meia”, corrigiu Rafael. “A francesa chorou antes de pedir demissão.”

“E vocês acham que vou ser a próxima?”

“Até amanhã”, respondeu Gabriel.

“Talvez.” Marina se inclinou até ficar na altura deles. “Mas cresci com quatro irmãos. E nenhum era tão previsível quanto vocês.”

Rafael franziu a testa. Miguel finalmente sorriu.

Dante conduziu Marina ao escritório depois que ela se trocou. A sala tinha estantes de madeira escura, janelas voltadas para um jardim e um silêncio que a deixou desconfortável.

“Sei que você tem uma filha”, ele começou.

“Sofia. Oito anos.”

“Meu departamento de segurança verifica todos os funcionários que entram nesta casa.”

Marina apertou as mãos no colo.

“Então sabe que meu marido morreu há quatro anos. Sabe que perdi nossa casa e que trabalho desde então para sustentar minha filha.”

“Sei que você precisa do emprego.”

“Isso não lhe dá o direito de usar minha vida contra mim.”

Dante ficou calado por um momento.

“Não pretendo fazer isso. Pretendo oferecer uma escolha.”

Ele colocou um contrato sobre a mesa.

“Quarenta e oito horas. Se permanecer aqui e cuidar dos meus filhos durante esse período, receberá cem mil reais.”

Marina pensou que tinha ouvido errado.

“Cem mil?”

“Mesmo que depois decida não continuar.”

“Por que pagaria tudo isso?”

“Porque nenhuma agência aceita mais enviar profissionais para esta casa. E porque meus filhos precisam de alguém que não tenha medo deles.”

Marina encarou o contrato. Cem mil reais pagariam suas dívidas, garantiriam a escola de Sofia e devolveriam à menina a tranquilidade que perdera desde a morte de André.

“Eu posso falar com minha filha todos os dias?”

“Naturalmente.”

“E ninguém vai usar meu passado para me humilhar de novo?”

Dante hesitou.

“Não por minha ordem.”

Ela não gostou da resposta, mas apreciou a franqueza.

“Então aceito o desafio. Só não confunda necessidade com obediência cega.”

Pela primeira vez, o canto da boca dele se moveu.

Naquela tarde, Teresa mostrou a Marina a cozinha, a biblioteca e o quarto reservado aos funcionários. O corredor oeste estava fechado por uma porta de madeira com fechadura antiga.

“Não entre ali”, a governanta pediu.

“Por quê?”

“É uma parte da casa que o senhor Dante prefere manter trancada.”

Marina não insistiu. Havia aprendido que famílias ricas também escondiam tristezas, apenas atrás de portas mais caras.

Durante o jantar, Gabriel derramou suco perto do prato dela. Rafael colocou pimenta demais na sopa. Miguel observou tudo, quieto.

Marina limpou a mesa e pediu que Rafael experimentasse a própria sopa antes de servir qualquer pessoa. O menino fez uma careta e correu para beber água.

Gabriel esperou uma bronca. Não veio.

“Você não fica brava?”, perguntou.

“Fico. Só escolho o que fazer com a raiva.”

Mais tarde, quando Marina entrou em seu quarto, encontrou a cama arrumada e a janela aberta. Uma corrente de ar movimentava a cortina.

Sobre o travesseiro havia uma fotografia queimada nas bordas.

Uma mulher sorridente segurava três bebês no colo.

Na cozinha, ainda pela manhã, Teresa havia lhe oferecido um café forte e uma toalha limpa. Marina notara que a governanta evitava olhar diretamente para os meninos quando eles entravam. Não era falta de carinho. Era cansaço. Havia marcas de fita adesiva nas paredes e um vaso recém-colado sobre o aparador. Aquela casa parecia uma fortaleza que perdera uma guerra silenciosa para três crianças pequenas.

Marina virou a foto. No verso, uma frase fora escrita com letras infantis, pressionadas com força contra o papel.

“ELA TAMBÉM PROMETEU QUE NÃO IRIA EMBORA.”

Marina sentiu o peito apertar.

Do outro lado da porta, alguém correu pelo corredor.

Ela abriu imediatamente, mas não viu ninguém. Apenas um ursinho de pelúcia, abandonado perto da escada.

Ao pegá-lo, percebeu um cheiro fraco e estranho.

Cheiro de fumaça.

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