"A Garçonete Que Conquistou o Filho do Mafioso" Capítulo 5 — A Garçonete Humilhada Diante de Todos
“Quem contou a Ricardo o que Lucas disse?”
Dante fez a pergunta sem levantar a voz. Bruno Almeida permaneceu diante da mesa do escritório, com o telefone do patrão entre os dois.
“Vou conferir os acessos à casa e os registros dos funcionários”, respondeu o segurança. “Mas não podemos concluir que alguém ouviu a conversa.”
“Então descubra o que podemos concluir.”
Na porta, Marina segurava uma pasta de desenhos de Lucas. O menino esperava no corredor, abraçado ao carrinho vermelho.
“Você está assustando as pessoas de novo”, ela disse.
Dante ergueu os olhos.
“Ricardo mentiu sobre minha esposa.”
“E Lucas não pode pagar pelo que os adultos esconderam.”
Ele ficou em silêncio. Marina colocou a pasta na estante e saiu antes que a discussão chegasse ao menino.
Na manhã seguinte, Verônica Montenegro apareceu com um convite impresso em papel dourado. O Bellavista receberia um jantar beneficente para a reforma de uma ala infantil. Haveria empresários, fotógrafos e famílias influentes dos Jardins.
“Valentina está cuidando de tudo”, anunciou Verônica. “Dante precisa voltar a ser visto em público.”
“Lucas não gosta de multidões”, Marina observou.
Verônica lançou-lhe um olhar gelado.
“Não perguntei à funcionária.”
Dante, que acabava de entrar, pegou o convite.
“Se Lucas não quiser ir, não vai.”
“Ele pode ficar numa sala reservada com Marina”, sugeriu Valentina Albuquerque, surgindo atrás da tia. Usava um vestido claro e um sorriso cuidadosamente ensaiado. “É uma noite importante para nossa família.”
Dante franziu a testa diante daquele “nossa”, mas Lucas correu até ele com o carrinho nas mãos, interrompendo a conversa.
Nos dias seguintes, Marina ajudou o menino a escolher uma roupa confortável. Explicou que poderiam ir embora a qualquer momento. A doutora Helena recomendou manter a rotina e evitar flashes, mas Lucas insistiu que queria ver o restaurante onde conhecera Marina.
“Eu vou segurar sua mão se você quiser”, ela prometeu.
“E a do papai também?”
“Se ele deixar”, respondeu, sorrindo.
Antes de sair da mansão, Marina encontrou Lucas escondido atrás da cortina do quarto. Ele segurava a fotografia da mãe e perguntava se as pessoas também gritariam naquela festa. Marina explicou que poderiam fazer uma pausa sempre que precisasse. Dante ouviu a conversa e prometeu que não permitiria fotógrafos perto do menino sem consentimento. Lucas pediu que o pai usasse a gravata azul, a que Beatriz costumava escolher. Dante ficou parado diante do armário por um instante, depois trocou a gravata preta pela azul. Marina percebeu que, para aquela família, até um gesto pequeno exigia coragem.
Na sexta-feira, o Bellavista parecia outro lugar. Arranjos de flores brancas cobriam as mesas; câmeras esperavam diante do painel da instituição beneficente. Marina chegou com Lucas pela entrada lateral, usando um vestido azul simples que comprara para o aniversário de Pedro.
Marcelo Ferraz a interceptou.
“Ordem da organização. Funcionários de apoio usam uniforme.”
“Não estou escalada para servir mesas hoje.”
“Você entrou aqui como garçonete, não como convidada.”
Ele lhe estendeu um uniforme preto do restaurante. Lucas apertou a mão dela.
“Não precisa”, disse Marina.
Marcelo apontou para a porta.
“Então podem esperar lá fora.”
Marina se agachou diante do menino.
“Vou falar com seu pai, está bem?”
Antes que conseguisse ligar, Valentina apareceu.
“Que bom que vieram. O uniforme vai ajudar os fotógrafos a entenderem quem trabalha aqui.”
Marina compreendeu a armadilha. Recusou-se a trocar de roupa, mas aceitou acompanhar Lucas até a sala tranquila que haviam preparado. Quando chegaram, descobriram que a sala fora transformada em depósito de flores.
“Eu quero ir embora”, Lucas murmurou.
“Vamos ligar para o papai.”
No salão, Verônica subiu ao pequeno palco. Agradeceu patrocinadores, falou de responsabilidade social e chamou Valentina para perto. Uma fotografia enorme de Dante apareceu no telão, ao lado de uma imagem de Valentina.
“Há alianças que unem empresas”, disse Verônica, “e outras que unem destinos.”
Marina, tentando alcançar a saída com Lucas, parou ao ouvir os aplausos.
Valentina aproximou-se deles acompanhada por um fotógrafo.
“Lucas, venha tirar uma foto com sua futura família.”
O menino escondeu o rosto na saia de Marina.
“Não quero.”
Valentina tentou puxá-lo pela mão. Lucas gritou e se soltou.
“Não toque nele”, Marina pediu, afastando-se.
Valentina tropeçou no próprio salto, segurou-se numa cadeira e imediatamente levou a mão ao braço.
“Ela me empurrou!”
Os convidados se viraram. Marcelo avançou, seguido por dois seguranças.
“Eu vi”, declarou ele, embora estivesse do outro lado do salão.
Verônica desceu do palco.
“Essa garota perdeu completamente a noção. Tire-a daqui.”
Marina manteve Lucas atrás de si.
“Eu não empurrei ninguém. Ela tentou puxar o menino depois que ele disse não.”
Valentina ergueu o queixo.
“Algumas mulheres nasceram para servir. Outras sabem ocupar o lugar de dona da casa.”
Um murmúrio percorreu as mesas. Marina sentiu o rosto arder, mas não desviou os olhos.
“Uma dona da casa deveria começar aprendendo a respeitar uma criança.”
“Seguranças!”, Verônica gritou.
“Parem.”
A voz de Dante atravessou o salão. Ele vinha da entrada principal, com Bruno dois passos atrás. Viu o filho chorando, Marina cercada e a mão de Valentina ainda estendida em direção ao menino.
“O que aconteceu?”
Valentina correu até ele.
“Ela me agrediu, Dante. E assustou Lucas.”
“Eu estava aqui”, disse Lucas, entre soluços. “Eu falei não.”
Dante se abaixou diante do filho.
“Eu ouvi você.”
O menino se agarrou ao seu pescoço. Dante o tomou nos braços e se voltou para Valentina.
“Por que insistiu depois que ele recusou?”
Valentina perdeu o sorriso.
Verônica tentou intervir.
“Não vamos discutir detalhes diante dos convidados. Há um anúncio a fazer.”
“Que anúncio?”
“Seu futuro com Valentina”, respondeu a tia.
O silêncio foi imediato.
Valentina enlaçou o braço de Dante.
“Diga a todos quem será sua esposa.”
Dante soltou o braço com firmeza.
“Não existe casamento nenhum.”
O fotógrafo abaixou a câmera. Alguém deixou cair uma taça.
“E ninguém vai expulsar a mulher que meu filho escolheu para estar ao lado dele”, Dante acrescentou. “Muito menos para proteger uma mentira.”
Marina sentiu todos os olhares sobre si. Não queria ser transformada em espetáculo, nem em troféu de uma disputa entre famílias. Aproximou-se de Dante apenas para perguntar a Lucas se queria sair.
“Quero ir para casa”, respondeu o menino.
“Então vamos”, disse o pai.
Dante atravessou o salão com Lucas no colo. Marina os acompanhou, sem olhar para Verônica.
No estacionamento, enquanto Bruno buscava o carro, Marina voltou para apanhar a bolsa esquecida na recepção. Valentina a esperava entre duas colunas.
“Você gostou de me humilhar?”
“Eu só protegi Lucas.”
“Dante sempre protege aquilo que acha que precisa salvar. Depois se cansa.”
Marina tentou passar, mas Valentina bloqueou seu caminho.
“Pergunte a ele por que Beatriz morreu.”
Marina parou.
“Você sabe alguma coisa?”
Valentina se aproximou até falar quase num sussurro.
“Se eu fosse você, teria medo de descobrir.”
Atrás delas, uma porta se fechou. Marina se virou, mas o corredor estava vazio.
Quando voltou ao carro, Dante percebeu sua expressão.
“O que houve?”
Marina olhou para Lucas, adormecido no banco infantil.
“Valentina falou sobre Beatriz.”
Dante ficou imóvel.
“Exatamente o quê?”
Marina repetiu as palavras. O telefone de Dante vibrou antes que ele respondesse. Era uma mensagem de Ricardo:
“Seu espetáculo no Bellavista custou caro. Agora precisamos falar sobre o que Beatriz deixou para trás.”
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