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"A Garçonete Que Conquistou o Filho do Mafioso" Capítulo 3 — A Mulher Que Levou Um Tapa na Mansão Montenegro

正文开头

“Uma garçonete dormiu no quarto do herdeiro Montenegro?”

Verônica lançou a pergunta sobre a mesa do café como se anunciasse um escândalo nacional.

Dante pousou a xícara.

“Marina ficou numa poltrona porque Lucas não conseguia dormir.”

“Você está deixando uma desconhecida manipular uma criança traumatizada.”

“Ela conseguiu acalmá-lo.”

“E isso dá a ela o direito de mandar na nossa família?”

Dante respirou fundo. Passara a madrugada revendo a conversa que ouvira no corredor. Lucas tinha medo da própria tia-avó. Precisava descobrir por quê, mas não queria transformar o menino em alvo de interrogatórios.

“Não fale assim perto dele.”

Verônica ergueu o queixo.

“Agora sou eu quem precisa tomar cuidado dentro desta casa?”

Antes que Dante respondesse, Bruno apareceu à porta.

“Senhor, a reunião na Faria Lima foi antecipada.”

Dante se levantou. Seu telefone já vibrava sem parar.

“Voltarei para o almoço.”

Verônica observou o sobrinho sair. Assim que a porta se fechou, pegou o celular.

“Valentina? Venha para cá. Precisamos conversar sobre aquela moça.”

No andar superior, Marina ajudava Lucas a escolher a roupa. O menino rejeitou uma camisa social azul e apontou para uma camiseta com um foguete.

“Essa.”

“Então essa vai ganhar”, Marina respondeu.

A governanta, Teresa, apareceu com uma expressão preocupada.

“Dona Verônica prefere que ele use roupas adequadas para receber visitas.”

“Ele tem três anos, Teresa. A camiseta está limpa e ele gosta dela.”

Teresa sorriu discretamente.

Marina não tinha a intenção de disputar autoridade com ninguém. Mas Lucas parecia mais tranquilo quando podia escolher coisas pequenas.

Na sala de brinquedos, ele mostrou uma caixa de lápis de cor. Desenhou um sol roxo, um cachorro enorme e uma figura de vestido amarelo.

“É a mamãe”, explicou.

“Ela gostava de amarelo?”

“Gostava.”

Marina guardou o desenho numa pasta. Não quis fazer mais perguntas. Lucas voltou aos carrinhos e, pela primeira vez, brincou por quase uma hora sem chorar.

Perto do meio-dia, uma mulher de vestido verde-esmeralda entrou na sala sem pedir licença.

“Então você é a famosa Marina.”

Marina se levantou.

“Sou. E você?”

“Valentina Albuquerque.”

O nome era conhecido. A família Albuquerque aparecia em colunas sociais e eventos beneficentes de São Paulo.

Valentina colocou várias sacolas de grife sobre a mesa.

“Trouxe presentes para o meu querido Lucas.”

O menino se escondeu atrás da poltrona.

“Olhe, amor. Um carrinho importado.”

Lucas não se moveu.

Valentina forçou um sorriso.

“Você precisa aprender a gostar de mim. Seu pai não pode ficar sozinho para sempre.”

Marina sentiu o desconforto do menino.

“Podemos deixar os presentes aqui. Ele olha depois, quando quiser.”

Valentina voltou-se lentamente.

“Eu estava falando com Lucas.”

“Eu sei. Ele parece querer continuar brincando.”

“Você sempre interrompe as pessoas?”

“Só estou tentando respeitar o espaço dele.”

Valentina deu uma risada sem humor.

“Que discurso bonito para quem servia mesas ontem.”

Verônica surgiu na porta.

“Valentina, querida. Não desperdice sua gentileza.”

Ela olhou para Marina.

“Venha conosco. Vamos esclarecer algumas coisas.”

正文1

Na sala de jantar, duas funcionárias organizavam a mesa. Verônica fez questão de falar alto o suficiente para que ambas ouvissem.

“Você acha que vai conquistar uma fortuna usando uma criança?”

Marina sentiu o rosto esquentar.

“Não estou usando Lucas. Estou cuidando dele.”

“Cuidando? Você mal sabe segurar uma bandeja sem derrubar vinho.”

“Trabalho honestamente, senhora.”

Valentina cruzou os braços.

“E já se imagina sentada à mesa como parte da família?”

“Não vim aqui para ocupar o lugar de ninguém.”

Verônica avançou.

“Escute bem, menina. Beatriz era uma mulher educada, de família respeitável. Você não chega aos pés dela.”

Marina engoliu a resposta que lhe veio à boca. Não queria transformar a memória de Beatriz numa arma de discussão.

“Eu nunca tentei substituí-la.”

“Então fique no seu lugar.”

“Meu lugar agora é ao lado de Lucas, enquanto ele precisar de ajuda e o pai concordar.”

O rosto de Verônica se contraiu.

“Você está me desafiando?”

“Estou pedindo que parem de falar do menino como se ele fosse um prêmio.”

A bofetada veio de repente.

O som seco ecoou na sala.

Marina cambaleou um passo. Levou a mão ao rosto, chocada. Uma das funcionárias deixou escapar um grito.

“Aprenda a respeitar esta família!”, Verônica disparou.

Na entrada, Lucas havia visto tudo.

“MARINA!”

O menino correu até ela, chorando, e se agarrou às suas pernas.

Marina se abaixou imediatamente.

“Ei, estou aqui. Olha para mim. Estou bem.”

“Ela bateu!”

“Eu sei, meu amor. Você viu uma coisa muito feia. Mas agora está seguro comigo.”

Verônica apontou para a porta.

“Bruno! Tire essa mulher da minha casa!”

O segurança, que acabara de entrar, permaneceu imóvel.

“Não recebi essa ordem do senhor Dante.”

“Eu sou da família!”

“E eu respondo pela segurança da criança.”

Valentina aproximou-se de Lucas.

“Venha comigo, querido. Essa mulher está deixando você nervoso.”

Lucas recuou ainda mais.

“Não quero!”

Foi nesse instante que uma voz masculina cortou a discussão.

“O que está acontecendo aqui?”

Dante estava à porta. Tinha voltado mais cedo após cancelar uma reunião. Seus olhos passaram pelo filho chorando, por Marina ajoelhada e pela marca vermelha no rosto dela.

A expressão dele mudou.

“Quem fez isso?”

Ninguém respondeu.

“Eu fiz”, Verônica declarou. “E faria de novo. Essa garota precisa aprender a respeitar os Montenegro.”

Dante atravessou a sala.

“Levante-se, Marina.”

Ela se levantou devagar, mantendo Lucas perto de si.

“Foi só um tapa”, Verônica disse. “Não faça um espetáculo.”

Dante olhou diretamente para a tia.

“Se encostar nela outra vez, nunca mais entra nesta casa.”

Valentina levou a mão ao peito.

“Dante, você está ameaçando sua própria tia por causa de uma empregada?”

“Estou deixando claro que ninguém agride uma pessoa sob meu teto.”

“Ela está virando Lucas contra nós”, Verônica insistiu.

Dante olhou para o filho, que tremia.

“Lucas, quer vir comigo?”

O menino hesitou. Depois estendeu uma mão para o pai sem soltar a de Marina.

Dante se ajoelhou e recebeu aquela mão pequena como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.

“Você não precisa ter medo”, ele disse.

Verônica soltou uma risada amarga.

“Está destruindo sua família.”

“Não. Estou tentando proteger o que restou dela.”

Dante pediu a Bruno que acompanhasse as visitantes até a saída. Valentina tentou protestar, mas o olhar dele encerrou a discussão.

Quando ficaram a sós, Marina finalmente deixou as lágrimas aparecerem.

“Eu não posso trabalhar num lugar onde apanhar faz parte do serviço.”

“Não faz”, Dante respondeu. “E nunca mais vai acontecer.”

“Você não pode garantir o comportamento de todo mundo.”

“Posso garantir que haverá consequências.”

Marina olhou para Lucas. O menino ainda apertava a mão do pai.

“Ele viu tudo. Isso é o que mais me preocupa.”

Dante baixou os olhos, envergonhado.

Naquela noite, Verônica entrou em seu apartamento e trancou a porta do escritório. Discou um número que conhecia de memória.

Ricardo Vasconcelos atendeu na segunda chamada.

“A garçonete está se aproximando demais do menino”, Verônica disse.

“Dante continua permitindo?”

“Ele a defendeu na minha frente.”

Houve uma pausa.

“Então precisamos descobrir o que o garoto contou a ela.”

Verônica olhou para uma fotografia antiga de Beatriz sobre a estante.

“E se ele lembrar daquela noite?”

A voz de Ricardo perdeu toda a cordialidade.

“Então vamos ter um problema muito maior do que uma garçonete.”

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