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"A Garçonete Que Conquistou o Filho do Mafioso" Capítulo 2 — A Garçonete Que Disse Não ao Mafioso

正文开头

“Repita.”

A voz de Dante saiu tão baixa que Marcelo deu um passo para trás.

Marina manteve a postura, embora suas mãos estivessem geladas.

“Eu disse que não estou à venda.”

“Ofereci um emprego.”

“Não. O senhor decidiu que eu iria com você sem perguntar se eu queria.”

Alguns clientes fingiram voltar ao jantar. Ninguém deixou de prestar atenção.

Marcelo se aproximou com um sorriso nervoso.

“Senhor Montenegro, a Marina está cansada. Posso conversar com ela em particular.”

“Não fale por mim”, Marina respondeu.

O gerente cerrou os dentes.

Dante estudou a jovem. Não havia joias, roupas caras ou sobrenome influente. Só um avental amassado e uma coragem que parecia contrariar qualquer cálculo.

“Meu filho precisa de alguém”, disse ele.

“Seu filho precisa de segurança. Não de mais uma pessoa que vai embora sem explicação.”

A frase atingiu Dante de maneira inesperada.

“Você não sabe nada sobre minha família.”

“Sei que ele está assustado. E sei que gritar com uma criança assustada não ajuda.”

Bruno desviou o olhar para esconder a surpresa.

Dante passou a mão pelo rosto. Atrás da frieza, Marina enxergou cansaço. Não era desculpa para a grosseria, mas explicava parte dela.

“Então me diga o que quer.”

“Quero terminar meu turno.”

Lucas, sentado na poltrona, ergueu a cabeça.

“Marina?”

Ela se ajoelhou perto dele.

“Estou aqui.”

“Você volta?”

“Eu posso voltar para conversar, se seu pai concordar. Mas preciso ir para casa depois.”

“Promete?”

Marina hesitou. Promessas feitas a crianças importavam demais.

“Prometo que vou avisar antes de sair. Nunca vou sumir escondida de você.”

Lucas pareceu considerar a resposta. Então estendeu os braços na direção dela.

Dante observou enquanto Marina esperava um instante, dando ao menino a chance de mudar de ideia, antes de abraçá-lo.

Foi nesse momento que entendeu: dinheiro não produziria aquilo.

“Por favor”, ele disse.

Marina levantou os olhos.

“Fique com ele esta noite. Só até conseguirmos organizar as coisas.”

Marcelo quase deixou cair a prancheta. Dante Montenegro acabara de pedir, não ordenar.

Marina pensou na mãe, que provavelmente estaria esperando uma ligação. Pensou no ônibus que pegaria depois do turno.

“Eu preciso telefonar para casa.”

“Use meu carro.”

“Primeiro vou ligar. Depois conversamos.”

Dante assentiu.

Antes de deixar o salão, Marina pediu a Marcelo que registrasse o fim do seu turno normalmente. O gerente pareceu ofendido.

“Você devia agradecer por essa oportunidade.”

“Vou agradecer quando souber exatamente o que estou aceitando”, ela respondeu.

Ele virou as costas, mas Marina notou que sua mão tremia ao guardar a caneta. Não era só ela quem tinha medo de Dante Montenegro.

Na copa, Juliana segurou Marina pelos ombros.

“Você tem noção do que acabou de fazer?”

“Talvez eu esteja prestes a descobrir.”

“Ele pode destruir sua vida.”

“E aquele menino já está vivendo uma coisa horrível.”

Marina ligou para Rosa Oliveira. A mãe atendeu depois de três chamadas, com a voz cansada.

“Filha, aconteceu alguma coisa?”

正文1

“Estou bem. Talvez eu fique trabalhando até mais tarde.”

“Você comeu?”

Marina olhou para o relógio. Não comia desde o almoço.

“Vou comer agora.”

Rosa percebeu a mentira, mas não insistiu. Perguntou apenas se a filha voltaria em segurança.

“Volto, mãe. E aviso qualquer mudança.”

Quando Marina desligou, encontrou Dante esperando do lado de fora da copa.

“Minha equipe preparará um contrato”, disse ele.

“Não assino nada sem ler.”

“Naturalmente.”

“E não sou psicóloga nem enfermeira. Não vou fingir que sou.”

Dante ficou em silêncio.

“Posso acompanhar Lucas enquanto o senhor procura profissionais adequados. Quero horário definido, folgas, pagamento registrado e liberdade para sair.”

“Você negocia como uma advogada.”

“Negocio como alguém que precisa continuar sendo dona da própria vida.”

Um canto da boca dele quase se moveu.

O restante da noite transcorreu em uma sala reservada. Marina sentou no tapete com Lucas, que lhe mostrou um carrinho vermelho e um dinossauro sem uma das patas.

Quando ele perguntou pela mãe, ela não mudou de assunto.

“Você quer me contar uma coisa de que gostava nela?”

“Ela cantava.”

“Que bonito.”

“Papai não canta.”

Marina olhou para Dante, parado junto à porta.

“Talvez ele possa aprender.”

Dante ergueu as sobrancelhas.

“Não conte com isso.”

Lucas soltou uma risadinha tão breve que os dois adultos ficaram imóveis.

Era um som pequeno. Para Dante, pareceu preencher o mundo.

Perto das onze, Lucas adormeceu segurando a manga de Marina. Dante mandou trazer o carro. Ela se acomodou no banco de trás, ao lado do menino, enquanto Bruno dirigia.

A cidade passava pelas janelas em manchas de luz. Marina pensava no que tinha aceitado. Uma noite poderia se transformar em algo muito maior.

“Por que ele não gosta que toquem nele?”, perguntou.

Dante olhou para a rua.

“Depois que Beatriz morreu, tudo mudou. Antes ele corria para meus braços.”

“Ele ainda pode voltar a fazer isso. Mas precisa confiar que será ouvido.”

“Você fala como se fosse simples.”

“Não é simples. Por isso precisa de paciência.”

O portão da mansão no Morumbi se abriu. Havia câmeras, jardins iluminados e homens de segurança em cada acesso.

Marina ficou impressionada com o tamanho da casa. Ainda assim, a primeira coisa que notou foi o silêncio.

Uma governanta recebeu Lucas e indicou o quarto no andar superior. As paredes eram claras, os brinquedos caros e as cortinas perfeitamente alinhadas.

Nenhuma fotografia da mãe.

“Cadê as fotos da Beatriz?”, Marina perguntou.

Dante endureceu.

“Guardadas.”

“Ele pede para vê-las?”

“Às vezes.”

“E vocês mostram?”

“Não quero que ele sofra mais.”

Marina olhou para Lucas, que acordara ao ouvir as vozes.

“Talvez sentir saudade não seja a parte que mais machuca. Talvez seja achar que ninguém quer ouvir.”

Dante não respondeu.

Mais tarde, uma mulher elegante entrou sem bater. Tinha cabelos escuros presos num coque impecável e uma expressão de desaprovação.

“Dante, que história é essa de trazer uma desconhecida para dentro da nossa casa?”

“Boa noite, tia Verônica.”

Verônica Montenegro avaliou Marina dos sapatos ao rosto.

“Uma garçonete?”

“Ela ajudou Lucas.”

“E agora ganhou acesso aos nossos quartos?”

“Por esta noite, sim.”

“Você perdeu completamente o juízo.”

Lucas se escondeu atrás de Marina.

Verônica estendeu a mão.

“Venha cá, menino.”

“Não”, ele sussurrou.

“Não seja malcriado.”

Marina colocou-se de lado, sem bloquear a passagem, mas permitindo que Lucas permanecesse onde queria.

“Ele disse que não quer, senhora.”

Verônica lançou um olhar gelado.

“Não pedi sua opinião.”

Dante interrompeu antes que a discussão aumentasse.

“Tia, amanhã conversamos.”

Verônica saiu com passos duros. Lucas continuou agarrado à blusa de Marina.

Quando a casa finalmente sossegou, Marina o ajudou a vestir o pijama. O menino apontou para a porta.

“Fecha.”

“Quer deixar uma luz acesa?”

Ele assentiu.

Marina ligou o abajur. Lucas se deitou, mas segurou sua mão com força.

“Não deixa a tia Verônica entrar.”

Marina sentiu um arrepio.

“Ela te assustou?”

Lucas apertou os lábios. Depois falou quase sem voz.

“Ela disse que a mamãe nunca mais ia voltar.”

Marina ficou em silêncio, procurando uma resposta que não prometesse o impossível.

“Você ficou muito triste quando ouviu isso, não ficou?”

O menino assentiu, chorando.

Do lado de fora, Dante parou ao ouvir a voz do filho.

E, pela primeira vez, começou a se perguntar o que acontecia naquela casa quando ele não estava presente.

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