"A Filha da Empregada Levou o Chefe da Máfia Até a Porta… E Ele Descobriu Quem Era Sua Noiva" Capítulo 5 — O Chefe da Máfia Expulsou a Própria Noiva
“Você vai mesmo acreditar naquela empregadinha?”
A pergunta de Viviane Vasconcelos atravessou o salão como uma bofetada. Os policiais ainda examinavam a gravação em que ela mandava esconder uma joia no quarto de Helena Batista. Lígia, a assistente que cumprira a ordem, chorava perto da porta. Os funcionários da mansão Montenegro permaneciam imóveis.
Dante não levantou a voz.
“Você ouviu o áudio, Viviane.”
“Áudios podem ser montados. Essa mulher está tentando tomar meu lugar!”
Helena segurou a mão de Sofia, que havia sido trazida por Teresa depois da chegada da polícia. A menina escondia o rosto na saia da mãe.
“Eu nunca quis seu lugar”, Helena respondeu. “Só quero trabalhar sem ter medo de você.”
Viviane soltou uma risada curta.
“Trabalhar? Você se aproxima do meu noivo, deixa sua filha correr atrás dele e ainda quer posar de vítima. Acha que ninguém percebe?”
Dante se colocou entre as duas.
“Chega.”
“Não! Eu tenho direito de defender meu casamento.”
“Você não está defendendo nada. Está tentando destruir uma mulher que não lhe fez mal.”
Um policial informou que os depoimentos seriam colhidos separadamente e que o material seria encaminhado para perícia. Viviane quis discutir, mas o agente pediu que ela se acalmasse. Quando os policiais se retiraram com as informações necessárias, Dante chamou Teresa e Bruno.
“Reúnam os pertences pessoais de Viviane. Ela não dorme mais aqui.”
O silêncio foi tão profundo que se ouviu o relógio do corredor.
Viviane encarou Dante, certa de que tinha entendido errado.
“Você está me expulsando?”
“Estou encerrando sua permanência nesta casa.”
Ela levantou a mão esquerda. O diamante do anel refletiu a luz do lustre.
“Daqui a seis semanas vamos nos casar. Minha família já anunciou a cerimônia. Você sabe quanto dinheiro existe envolvido?”
“Sei quanto custa uma mentira. Acabei de descobrir.”
“Você vai destruir nosso futuro por causa de uma faxineira?”
Dante se aproximou apenas o suficiente para que todos ouvissem.
“Você pode continuar usando esse anel. Mas não vai mais usar meu nome para humilhar ninguém.”
Viviane ficou vermelha. Olhou em volta procurando aliados, mas ninguém se moveu. Nem mesmo o motorista que costumava abrir a porta do carro para ela.
“Eu não saio.”
“Bruno, acompanhe a senhora até a suíte. Ela poderá recolher seus objetos, na presença de Teresa. Depois, o motorista a levará aonde desejar.”
“Está me tratando como criminosa!”
“Estou impedindo que você continue ameaçando as pessoas sob meu teto. A investigação dirá o resto.”
Viviane virou-se para Helena.
“Está satisfeita? Você conseguiu.”
Helena sustentou o olhar da mulher que a fizera tremer durante meses.
“Eu queria que a senhora tivesse parado quando pedi. Foi só isso.”
A resposta simples pareceu irritar Viviane ainda mais. Ela subiu a escada sem aceitar a mão de ninguém. Seus saltos batiam no mármore como pequenos golpes.
Sofia soltou a saia da mãe.
“A mulher má foi embora?”
Dante se agachou.
“Vai embora hoje.”
“Ela pode voltar?”
Ele hesitou. Não queria prometer o que não podia garantir.
“Se alguém tentar assustar você, me conte. E conte para sua mãe. Vocês não precisam guardar segredo.”
Sofia tocou a lapela do paletó dele.
“Você também fica com medo?”
“Às vezes.”
A menina pareceu considerar a resposta com grande seriedade.
“Então pode pegar meu coelho.”
Dante recebeu o brinquedo de pano como se fosse um objeto precioso. Helena desviou os olhos para esconder a emoção.
Mais tarde, Teresa mostrou às duas um quarto de hóspedes próximo à ala de Dante. Havia duas camas, uma janela para o jardim e uma fechadura nova. Helena observou tudo sem tocar em nada.
“Não posso aceitar um favor tão grande”, disse a Dante quando ele apareceu à porta.
“Não é favor. A segurança da casa falhou com vocês.”
“Eu preciso do emprego. Não quero que pense que estou esperando mais alguma coisa.”
“Eu sei.”
Dante ficou um instante em silêncio.
“Eu ouvi Viviane ameaçar sua filha. Deveria ter percebido antes. Sinto muito.”
Helena nunca imaginara ouvir um pedido de desculpas daquele homem.
“Ela sabia se comportar quando o senhor estava por perto.”
“E eu confundi aparência com caráter.”
Sofia apareceu carregando um copo de água com as duas mãos. Entregou-o a Dante e anunciou:
“Pra você não ficar bravo.”
Pela primeira vez naquela semana, ele sorriu de verdade.
Antes da saída de Viviane, Bruno verificou a lista de chaves e credenciais eletrônicas. Havia dois cartões emitidos para a suíte principal, um deles registrado em nome de um antigo assessor que já não trabalhava na mansão. Dante mandou bloquear os acessos e registrar a alteração. Não queria transformar a casa numa prisão; queria que Helena soubesse quem podia entrar.
Na cozinha, os empregados discutiam o ocorrido em voz baixa. Uma copeira pediu desculpas a Helena por ter acreditado na acusação de roubo. Helena aceitou, mas não fingiu que nada acontecera.
“Quando ela me chamou de ladra, ninguém perguntou se eu precisava de ajuda”, disse. “Não quero vingança de vocês. Só peço que, da próxima vez, não se calem diante de uma injustiça.”
Teresa ouviu a conversa e decidiu organizar uma reunião sobre as regras de tratamento dos funcionários. Não bastava a saída de Viviane: era preciso impedir que outra pessoa ocupasse o mesmo lugar e repetisse os abusos.
Na varanda, Dante telefonou ao advogado e pediu a suspensão dos preparativos da cerimônia. As empresas responsáveis por flores, buffet e decoração seriam indenizadas conforme os contratos. Ele sabia que a decisão custaria caro, mas se recusava a permitir que Viviane usasse o dinheiro investido como argumento para permanecer.
Helena o encontrou depois, olhando o jardim onde Sofia brincava com Teresa.
“Ela vai tentar nos atingir de novo”, disse.
“Eu sei.”
“Então não me esconda o perigo só para me deixar tranquila.”
Dante encarou Helena com respeito renovado.
“Combinado. Vou contar o que puder sem comprometer a investigação. E você me diz se preferir sair daqui.”
Helena assentiu. Pela primeira vez, aquela conversa parecia acontecer entre duas pessoas que podiam estabelecer limites, não entre patrão e empregada.
Enquanto isso, no quarto principal, Viviane fechava malas com movimentos violentos. Teresa aguardava junto à porta. Quando a ex-noiva tentou levar uma pasta do escritório de Dante, a governanta interveio.
“Documentos da empresa não são pertences pessoais, senhora.”
Viviane largou a pasta.
“Você também mudou de lado, Teresa?”
“Eu continuo do lado de quem não ameaça criança.”
Viviane saiu da mansão sem olhar para trás. No banco traseiro do carro, arrancou o anel do dedo e o apertou na palma até sentir dor.
Em Guarujá, Ricardo Vasconcelos a recebeu numa varanda voltada para o mar. Não ofereceu abraço. Apenas perguntou:
“Conseguiu entrar no escritório?”
“Dante me expulsou. Aquela empregada arruinou tudo.”
Ricardo fechou lentamente o jornal que lia.
“Você deixou a raiva atrapalhar o plano.”
“Ele tem gravações. A polícia está envolvida.”
“Então precisamos de algo que ele não possa ignorar.”
Ricardo abriu uma gaveta e retirou uma fotografia antiga. Nela, Beatriz Montenegro aparecia diante de um armazém no Porto de Santos, ao lado de um homem de terno claro.
Viviane reconheceu a própria tia-avó ao fundo, quase escondida pela sombra.
“Quem é esse homem?”
“Alguém que desapareceu depois de descobrir o que os Montenegro fizeram em 1998.”
“Você sempre disse que meu pai foi arruinado naquele ano.”
“E foi. Mas a ruína não terminou com ele.”
Ricardo colocou sobre a mesa uma cópia de um registro comercial marcado com tinta vermelha.
“Existe um livro de contas. Beatriz o guardou antes de adoecer. Se Dante descobrir o que está escrito nele, vai perceber que o sobrenome Montenegro pode custar muito mais do que um casamento.”
Viviane observou a fotografia. Pela primeira vez, a vingança que lhe haviam ensinado desde menina pareceu ter um rosto concreto.
“E como vamos encontrar esse livro?”
Ricardo sorriu sem alegria.
“Vamos começar fazendo Dante se arrepender de proteger Helena Batista.”
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