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"A Empregada Foi Presa Pelo Crime da Irmã do Chefe da Máfia" Capítulo 4 — O Filho da Assassina

正文开头

Theo encontrou as palavras escritas no muro antes que Lorena pudesse escondê-las.

FILHO DA ASSASSINA.

As letras vermelhas ocupavam a parede ao lado do portão da Escola Estadual Professora Lídia Ramos. Embaixo, alguém desenhara uma mulher atrás de grades e um carro atropelando uma figura de barriga grande.

Theo ficou imóvel na calçada.

Lorena tentou conduzi-lo para dentro.

“Não olha.”

“Todo mundo já olhou.”

Alunos se amontoavam perto das janelas. Alguns seguravam celulares. Outros riam, sem coragem de fazê-lo quando Lorena os encarava.

A diretora apareceu acompanhada de dois funcionários.

“Senhora Batista, precisamos conversar.”

“Depois que apagarem isso.”

“Já chamamos a manutenção.”

“Chamou os responsáveis pelos alunos que fizeram?”

A diretora abaixou a voz.

“A situação está causando muita agitação. Talvez Theo devesse ficar em casa por alguns dias.”

“Meu filho foi atacado e a solução da senhora é expulsá-lo?”

“Não falei em expulsão.”

“Falou para ele desaparecer até os outros se cansarem.”

Theo puxou a manga da mãe.

“Eu posso estudar em casa.”

Lorena olhou para o filho. Cinco anos antes, ele aprendera a não pedir brinquedos, passeios ou aniversários. Agora estava disposto a abrir mão da escola para não dar trabalho.

“Você vai entrar”, disse ela. “Quem fez isso é que vai responder.”

Theo observou o portão aberto. Crianças reunidas no pátio fingiam não olhar para ele. Algumas seguravam celulares; outras repetiam em voz baixa a palavra escrita no muro. Lorena conhecia aquela forma de julgamento. Na prisão, também bastava uma acusação para apagar todo o resto de uma pessoa.

“Se eu entrar, eles vão rir.”

“Talvez.”

“E se me empurrarem?”

“Você chama um adulto. Se o adulto não ouvir, chama outro. E volta para casa sabendo que a vergonha pertence a quem fez isso, não a você.”

Theo respirou fundo, mas não avançou. Lorena lhe ofereceu a mão. Ele recusou primeiro, preocupado em parecer pequeno diante dos colegas, e depois segurou apenas dois dedos dela.

Foi assim que caminharam até o portão: não como uma criminosa e o filho dela, mas como duas pessoas cansadas de carregar uma culpa fabricada.

Um carro preto parou do outro lado da rua. Dante desceu sozinho, embora Lorena soubesse que Rafael e dois homens observavam de outro veículo.

O pátio silenciou.

A diretora ajeitou o blazer.

“Senhor Montenegro, não era necessário vir pessoalmente.”

“Foi necessário quando a escola não protegeu um aluno.”

Lorena colocou-se entre ele e a diretora.

“Não ameace ninguém.”

Dante ergueu uma sobrancelha.

“Ainda não ameacei.”

“Eu conheço o tom.”

“E qual seria sua solução?”

“Aplicar o regimento. Identificar quem pintou, chamar os responsáveis, preservar as imagens e garantir que Theo assista à aula.”

“Demora.”

“Justiça costuma demorar. Atalho foi o que sua família usou comigo.”

A diretora desviou os olhos, desconfortável.

Dante guardou as mãos nos bolsos.

“Ouviu a mãe do aluno. Faça exatamente o que ela pediu.”

“Claro.”

“E ninguém será demitido, ameaçado ou comprado”, acrescentou Lorena.

正文1

“A senhora está dando ordens a quem?”, perguntou a diretora.

“A mim”, respondeu Dante. “E eu aceitei.”

Theo olhou para ele com uma mistura de desconfiança e curiosidade.

Na sala da direção, as câmeras mostraram três adolescentes entrando na escola antes do horário. Um deles era filho de um empresário que participara do jantar na mansão.

O pai chegou quarenta minutos depois e tentou resolver tudo com uma doação para a quadra esportiva.

Lorena recusou.

“Seu filho vai limpar o muro, pedir desculpas ao Theo e participar das medidas educativas da escola.”

“Você sabe com quem está falando?”

“Sei. Com o pai de um menino que precisa aprender antes de virar um adulto igual ao senhor.”

O homem avançou, mas Dante se levantou.

Não levantou a voz. Não precisou.

“Peça desculpas à senhora Batista.”

“Dante, isto não diz respeito a você.”

“Você usou a história da minha família para atingir uma criança. Agora diz respeito.”

O empresário murmurou um pedido de desculpas. Seu filho foi chamado e, diante de Theo, admitiu ter recebido a notícia por um grupo de mensagens criado por Verônica.

Lorena sentiu a raiva subir.

A humilhação não fora espontânea. Era uma campanha para expulsá-la da mansão.

Quando saíram da direção, Theo pediu para falar com a mãe sozinho. Levou-a até a biblioteca e retirou uma fotografia de dentro do livro de matemática.

“A vó disse para eu nunca mostrar.”

A imagem estava gasta nas bordas. Mostrava a entrada lateral do clube onde ocorrera a festa cinco anos antes. Ao fundo, o BMW preto esperava junto à calçada.

No banco do motorista havia uma mulher loira usando vestido prateado.

Bianca.

“Onde conseguiu isso?”

“Estava dentro de uma carta que chegou quando você ainda estava presa. A vó queria jogar fora, mas eu guardei.”

Lorena virou a fotografia.

No verso havia apenas uma frase:

A CÂMERA MENTIU. ESTA FOTO NÃO.

Dante entrou na biblioteca e parou ao perceber o que ela segurava.

Lorena não escondeu a imagem.

“Ainda acha que voltei para extorquir sua família?”

Ele pegou a fotografia pelas bordas. O rosto de Bianca era pequeno, porém reconhecível. No pulso dela brilhava a mesma pulseira usada nas fotografias do jantar daquela noite.

“Quem enviou?”

“Não tem remetente.”

“Por que nunca entregou isso à polícia?”

“Porque chegou depois da minha condenação. Minha mãe procurou Álvaro. Ele disse que a foto era falsa e que, se insistíssemos, pediria a guarda definitiva de Theo.”

Dante fechou os dedos, amassando levemente a borda.

“Ele ameaçou uma criança em nome da minha família.”

“Não use indignação como se o nome Montenegro não tivesse aberto todas as portas para ele.”

Theo observava os dois.

“Minha mãe vai voltar para a prisão?”

Dante se agachou para ficar na altura do menino.

“Não se eu puder impedir.”

Theo apertou os lábios.

“Você não impediu da primeira vez.”

“Eu não sabia.”

“Adultos sempre falam isso depois.”

正文2

Dante não encontrou resposta.

Levantou-se devagar, ainda sob o olhar do menino. Pela primeira vez, Lorena viu que a autoridade de Dante não lhe servia para nada. Ele podia fechar estradas, comprar empresas e convocar homens armados, mas não podia devolver os cinco aniversários em que Theo esperara a mãe atrás de um vidro grosso.

“Eu deveria ter procurado você”, Dante disse.

Lorena endureceu.

“Não transforme isso em confissão bonita.”

“Não estou pedindo absolvição.”

“Ótimo. Porque eu não tenho nenhuma para dar.”

Theo guardou o livro na mochila. Antes de sair, encarou Dante mais uma vez.

“Se quer ajudar, descubra quem escreveu a mentira primeiro.”

Dante assentiu como se tivesse acabado de receber uma ordem que merecia obedecer.

Na saída da escola, Rafael os esperava com uma notícia. A transferência para a clínica de Cotia havia sido feita por uma empresa de fachada. O responsável legal era Álvaro.

“Carolina pode estar viva”, disse Dante.

Lorena sentiu as pernas perderem força.

Durante cinco anos, acordara ouvindo o som do impacto de um acidente que não causara. Durante cinco anos, imaginara uma mulher morta e uma criança que jamais nascera.

“Eu preciso vê-la.”

“Ainda não. Se Álvaro souber que encontramos a clínica, pode transferi-la.”

“Não vou esperar enquanto ele decide o que fazer com mais uma mulher.”

Dante entregou a fotografia a Rafael.

“Primeiro, confirme a autenticidade. Depois iremos à clínica.”

Rafael examinou a imagem sob a luz.

“Há uma coisa estranha.”

Ele apontou para o reflexo no vidro traseiro do BMW. Uma segunda pessoa aparecia ao lado do carro, parcialmente escondida pela porta aberta.

Dante aproximou a fotografia.

O homem usava terno cinza e segurava a chave do veículo.

Era Álvaro Siqueira.

No mesmo instante, o celular de Lorena vibrou.

Uma mensagem de número desconhecido ocupou a tela:

VOCÊ ENCONTROU A FOTO. AGORA PERGUNTE A DANTE POR QUE ELE VOLTOU DA EUROPA NA MANHÃ SEGUINTE AO ACIDENTE.

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