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"A Empregada Foi Presa Pelo Crime da Irmã do Chefe da Máfia" Capítulo 2 — O Colar no Bolso da Empregada

正文开头

O colar de diamantes caiu do bolso de Lorena diante de todos.

As pedras bateram no piso da sala de música e espalharam reflexos pelas pernas dos convidados. Verônica soltou um grito calculado, levou a mão ao pescoço vazio e apontou para a empregada.

“Ela roubou meu colar.”

Lorena olhou para a joia no chão sem se abaixar.

Fazia menos de uma hora que Dante trancara os portões da mansão. Os convidados haviam sido conduzidos à sala de música enquanto Rafael examinava o envelope com a ameaça contra Theo.

Agora, como se a noite tivesse sido ensaiada, a ex-presidiária também era uma ladra.

“Revistem o quarto dela”, exigiu Verônica.

“Ninguém vai tocar nas minhas coisas”, respondeu Lorena.

“Você não está em posição de exigir nada.”

“Foi exatamente isso que me disseram antes de colocar uma confissão falsa na minha frente.”

Dante se aproximou do colar, mas não o tocou.

“Quando percebeu que ele havia sumido?”

“Agora. Eu estava usando durante o jantar.”

“Quem ficou perto de você?”

Verônica indicou Lorena.

“Ela serviu o vinho. Esbarrou em mim quando a manga rasgou.”

“Você puxou o braço dela”, corrigiu Dante.

“Está defendendo essa mulher?”

“Estou fazendo perguntas.”

Bianca permanecia junto à janela. Evitava olhar para o colar, para Lorena e principalmente para o irmão.

Álvaro ergueu a voz com a calma de quem já decidira qual verdade seria aceita.

“Dante, chame a polícia. Se Lorena é inocente, uma investigação vai provar.”

Lorena riu sem humor.

“Como provou da outra vez?”

Álvaro não respondeu.

Dante fez um gesto para Rafael.

“Feche as cortinas e recolha os celulares.”

Os convidados protestaram.

“Isto é um absurdo”, disse a tia de Dante. “Somos sua família.”

“Então não terão dificuldade em colaborar.”

Rafael começou por Verônica. Ela apertou o telefone contra o peito.

“Você não pode me tratar como criminosa.”

“Lorena também não deveria ter sido tratada como criminosa sem prova”, disse Dante.

A frase atingiu Bianca. Ela fechou os dedos sobre o parapeito.

Lorena percebeu, mas não sentiu vitória. Acreditar nela por uma noite não devolveria cinco anos.

Rafael recolheu os aparelhos e pediu que cada pessoa informasse onde estivera desde o fim do jantar. Quando chegou a Lorena, ela cruzou os braços.

“Eu estava na copa, depois fui ao corredor buscar toalhas. Teresa pode confirmar.”

“Seu uniforme tem bolsos largos”, comentou Verônica.

“O suficiente para carregar guardanapos, não o seu caráter.”

Alguns convidados prenderam a respiração. Dante desviou o rosto por um instante, escondendo algo próximo de um sorriso.

Verônica avançou, mas Rafael ficou entre as duas.

“Quero as câmeras”, ordenou Dante.

O grupo seguiu até a biblioteca, onde uma tela ocupava parte da parede. Rafael acessou o sistema e selecionou os horários.

As imagens mostraram Verônica entrando na sala de jantar com o colar. Mostraram Lorena servindo vinho. Mostraram a manga sendo rasgada.

Depois, a gravação saltou sete minutos.

“Volte”, disse Dante.

Rafael tentou. O mesmo intervalo desapareceu outra vez.

正文1

“O arquivo foi apagado.”

“Por quem?”

“Preciso verificar o registro administrativo.”

Álvaro soltou um suspiro.

“Ou a câmera falhou. Não invente uma conspiração para proteger uma funcionária.”

Lorena olhou para o relógio sobre a lareira.

“A câmera do corredor de serviço também falhou?”

Rafael abriu outra janela. O corredor aparecia vazio. Às vinte e duas horas e quatorze minutos, uma figura de vestido claro atravessou o quadro, mas o rosto ficou encoberto por uma bandeja de prata.

Bianca recuou um passo.

Verônica apontou para a tela.

“É uma das empregadas.”

“Empregadas usam preto”, disse Teresa. “Esse vestido é bege.”

Bianca vestia bege.

Dante virou-se para a irmã.

“Onde você estava?”

“No lavabo.”

“Sozinha?”

“Sim.”

“Então não há quem confirme.”

Bianca apertou os braços contra o corpo.

“Você acha que eu coloquei um colar no bolso dela?”

“Acho que alguém fez isso.”

Rafael chamou Dante para perto da tela.

“O registro mostra que a exclusão foi feita por uma credencial da família.”

“Qual?”

Rafael hesitou apenas um segundo.

“Bianca Montenegro.”

O nome pareceu esvaziar o ar da biblioteca.

Bianca correu até a mesa e encarou a tela.

“Não fui eu. Meu cartão ficou na bolsa durante todo o jantar.”

“Onde está a bolsa?”, perguntou Lorena.

Bianca apontou para o aparador. A bolsa estava aberta.

Rafael calçou luvas, retirou o cartão e examinou o chip.

“Pode ter sido clonado.”

“Por quem?”, perguntou Dante.

“Alguém com acesso ao sistema.”

Álvaro fechou o paletó.

“Isto está indo longe demais. O colar foi encontrado com Lorena. O resto é distração.”

Dante o encarou.

“Por que está tão interessado em encerrar o assunto?”

“Porque sou o advogado desta família.”

“Talvez esse seja exatamente o problema.”

Lorena se abaixou pela primeira vez e observou o colar. Não tocou nas pedras. Em vez disso, aproximou o rosto do fecho.

“Verônica, há quanto tempo tem esta joia?”

“Desde os meus vinte e cinco anos.”

“Então ela deveria estar morna.”

“O quê?”

“Você disse que a usou durante todo o jantar. Mas o fecho está coberto de condensação.”

Rafael se ajoelhou. Uma fina umidade brilhava no metal.

Teresa franziu a testa.

“A prataria e as joias da família ficam no cofre refrigerado da adega.”

Lorena levantou-se.

“Alguém retirou o colar pouco antes de colocá-lo no meu bolso. Verônica não estava usando essa peça durante o jantar.”

Verônica ficou vermelha.

“Está mentindo.”

“As câmeras do salão mostram apenas a frente das pedras. Pode ter usado uma réplica.”

Dante estendeu a mão.

“O outro colar.”

“Não existe outro.”

“Rafael, verifique o carro dela.”

Verônica tentou alcançar o telefone já recolhido. Dois seguranças saíram.

Minutos depois, Rafael recebeu uma mensagem e mostrou a fotografia a Dante. Dentro do porta-luvas do carro de Verônica havia uma caixa de veludo. Nela repousava outro colar visualmente idêntico.

Dante ergueu os olhos.

“Qual deles é falso?”

Verônica perdeu o sorriso.

“Bianca me pediu para assustá-la”, confessou. “Só isso. Queria que Lorena desistisse e fosse embora.”

正文2

Bianca encarou a amiga.

“Eu não pedi nada.”

“Não seja covarde agora.”

“Você está mentindo.”

As duas começaram a discutir, uma acusando a outra. Dante não interrompeu. Observava como quem deixava uma corda se enrolar sozinha.

Rafael voltou ao computador.

“Há mais uma coisa. O cartão de Bianca apagou o vídeo, mas alguém acessou o sistema de fora para autorizar a exclusão.”

“Localize o acesso.”

“Foi feito de um escritório na Avenida Paulista.”

Álvaro ficou imóvel.

Rafael ampliou os dados.

“O endereço pertence ao escritório Siqueira & Associados.”

Todos olharam para o advogado.

O silêncio durou tempo suficiente para Lorena perceber um detalhe. Verônica já não parecia ofendida com a suspeita sobre a joia. Parecia assustada com o nome do escritório. Ela procurou Bianca com os olhos, recebeu um movimento quase invisível de cabeça e imediatamente guardou o celular na bolsa.

Lorena apontou para ela.

“Quero ver a última mensagem que recebeu.”

Verônica riu sem humor.

“Você agora também é policial?”

“Não. Só aprendi na prisão como uma pessoa se comporta quando está esperando instruções.”

Dante estendeu a mão. Verônica não entregou o aparelho. Rafael se aproximou, e ela recuou até bater no aparador.

“Isto é abuso.”

“Acusar uma inocente pela segunda vez também”, disse Dante.

Antes que Rafael alcançasse o telefone, Verônica o lançou dentro de uma jarra de água. A tela apagou com um estalo. Bianca levou a mão à boca. Lorena compreendeu então que o colar nunca fora apenas uma humilhação improvisada. Alguém tinha preparado uma nova prisão para ela.

Álvaro pegou o próprio casaco.

“Não vou participar deste espetáculo.”

Dante colocou-se diante da porta.

“Você vai participar até o fim.”

Nesse momento, o telefone de Rafael tocou. Ele ouviu por alguns segundos, e sua expressão mudou.

“Os homens chegaram à casa da mãe de Lorena.”

Lorena deu um passo à frente.

“Theo está bem?”

Rafael demorou a responder.

“A porta estava aberta. A mãe dela foi encontrada desacordada.”

“E meu filho?”

“Theo desapareceu.”

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