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"A Promessa do Mafioso" Capítulo 5 — O Segredo Que Lucas Guardava Debaixo da Cama

正文开头

“Marina, o que você ouviu?”

Dante Montenegro estava parado no corredor, a poucos passos dela.

Atrás dele, Ricardo mantinha um sorriso que não combinava com seus olhos.

Marina sentiu o coração disparar.

“Eu estava procurando meu quarto”, respondeu.

Ricardo soltou uma risada.

“Essa mansão parece um labirinto para quem não está acostumado.”

Dante não sorriu.

“Perguntei o que aconteceu.”

Marina olhou discretamente para Ricardo.

Ele permanecia imóvel, mas seus dedos apertavam o celular.

“Ouvi alguém falando no escritório”, ela admitiu.

Ricardo ergueu as sobrancelhas.

“E desde quando uma conversa particular é motivo para ficar escondida no corredor?”

“Eu não estava escondida.”

“Claro que não.”

“Ricardo.”

A voz de Dante interrompeu a conversa.

O primo ergueu as mãos.

“Calma. Só estou brincando.”

Dante voltou a olhar para Marina.

“Você está bem?”

Ela assentiu.

“Estou cansada. Acho que vou descansar.”

Dante percebeu que havia algo errado.

Mas não insistiu diante do primo.

“Teresa pode acompanhar você.”

“Não precisa.”

Marina se afastou lentamente.

Quando chegou à escada, ouviu Ricardo comentar:

“Você anda trazendo muita gente estranha para dentro de casa.”

A resposta de Dante veio imediatamente.

“Cuidado com a maneira como fala dos meus convidados.”

Marina continuou andando.

Mas aquelas palavras não apagaram o medo.

Na manhã seguinte, Lucas apareceu diante de seu quarto carregando uma bandeja.

Sobre ela havia um copo de leite, duas torradas e uma banana.

Marina abriu a porta e arregalou os olhos.

“O que é isso?”

“Seu café da manhã.”

“Você preparou tudo sozinho?”

“Teresa ajudou.”

O menino entrou cuidadosamente.

“Papai disse que você precisa descansar.”

Marina sorriu.

“Seu pai tem razão.”

Lucas colocou a bandeja sobre a mesinha.

Depois subiu na poltrona.

“Você tá com medo de alguma coisa?”

A pergunta surpreendeu Marina.

“Por que está perguntando?”

“Ontem você tava triste.”

Ela sentou-se na beirada da cama.

“Às vezes os adultos ficam preocupados.”

“Com monstros?”

Marina quase riu.

“Com coisas parecidas.”

Lucas ficou pensativo.

“Eu também tenho medo de um homem.”

O sorriso desapareceu do rosto dela.

“Que homem, Lucas?”

O menino abaixou os olhos.

“Não posso falar.”

Marina sentiu um aperto no peito.

“Quem disse isso?”

“Ninguém.”

Ele apertou a barra da camiseta.

“Só não quero que o papai fique bravo.”

Marina se aproximou.

“Seu pai não vai ficar bravo porque você contou alguma coisa que assustou você.”

Lucas permaneceu em silêncio.

Ela não insistiu.

“Quando quiser conversar, eu vou escutar.”

O menino assentiu.

Depois apontou para as torradas.

“Agora come. Senão o papai vai brigar comigo.”

Marina riu.

“Então é melhor obedecer.”

Naquela tarde, Dante recebeu Bruno em seu escritório.

O segurança colocou uma pasta sobre a mesa.

“Conseguimos recuperar parte das imagens do Bellavista.”

Dante se inclinou.

“Mostre.”

Bruno abriu o computador.

A gravação mostrava o corredor do segundo andar pouco antes do ataque.

Funcionários passavam carregando bandejas.

Um homem de uniforme escuro atravessava a imagem.

Seu rosto estava parcialmente escondido.

“Quem é?”

“Ainda estamos identificando.”

正文1

Dante observou a tela.

“Volte.”

Bruno repetiu a gravação.

O homem parou perto da porta de serviço.

Olhou para trás.

Depois desapareceu.

“Ele sabia onde estavam as câmeras”, Dante comentou.

“Parece que sim.”

“E quem autorizou a entrada dele?”

Bruno hesitou.

“A credencial foi emitida pelo setor de logística do evento.”

“Quem supervisionava esse setor?”

“Ricardo.”

Dante permaneceu imóvel.

Bruno continuou:

“Isso não prova que ele tenha participado. A equipe dele coordenou várias entregas naquela noite.”

“Eu sei.”

Mas a expressão de Dante havia mudado.

“Quero tudo sobre aquela credencial.”

“Já estou verificando.”

“E Bruno…”

“Sim?”

“Não comente essa investigação com ninguém da família.”

Depois do almoço, Lucas convidou Marina para brincar em seu quarto.

Ela ainda precisava evitar esforços, mas podia caminhar pequenas distâncias.

O menino espalhou dinossauros pelo tapete.

“Esse aqui é o rei.”

Marina apontou para um boneco enorme.

“Porque é o maior?”

“Não. Porque manda em todo mundo.”

Ela sorriu.

“Parece alguém que eu conheço.”

Lucas gargalhou.

“O papai!”

Marina riu com ele.

De repente, o menino ficou sério.

“Marina, posso te mostrar uma coisa?”

“Claro.”

Lucas se ajoelhou ao lado da cama.

Enfiou a mão debaixo dela e puxou uma pequena caixa de madeira.

Dentro havia figurinhas, moedas antigas, uma fotografia e um objeto dourado.

“Eu achei isso na festa.”

Marina pegou o objeto com cuidado.

Era uma abotoadura.

Pesada, brilhante, com uma letra gravada.

R.

“Onde você encontrou?”

“Perto da escada.”

“Que escada?”

“Aquela onde tinha um homem bravo.”

Marina sentiu o corpo ficar rígido.

“Você viu alguém brigando?”

Lucas assentiu.

“Um homem falou que não ia fazer.”

“Fazer o quê?”

“Não sei.”

“E o outro homem?”

“Ficou bravo.”

Marina respirou lentamente.

“Você lembra como ele era?”

Lucas franziu a testa.

“Tinha roupa preta.”

“Mais alguma coisa?”

O menino pensou.

“Um relógio grande.”

Marina olhou para a abotoadura.

“E isso?”

“Caiu no chão. Eu peguei.”

“Você mostrou para alguém?”

“Não.”

“Por quê?”

Lucas apertou o dinossauro verde.

“Porque o homem olhou pra mim.”

Marina sentiu um arrepio.

“Ele viu você?”

“Eu acho.”

O menino começou a ficar inquieto.

Ela colocou a abotoadura na caixa.

“Tudo bem, Lucas. Não precisa lembrar de mais nada agora.”

“Eu fiz alguma coisa errada?”

“Não, meu amor.”

Marina segurou sua mão.

“Você fez muito bem em me contar.”

Naquela noite, Dante encontrou Marina sentada no jardim de inverno.

Ela segurava a pequena caixa de Lucas.

“Precisamos conversar”, disse.

Dante percebeu a seriedade de sua voz.

“Sobre o quê?”

“Sobre a noite da festa.”

Ele se sentou diante dela.

Marina explicou o que Lucas havia contado.

Não acrescentou suposições.

Não mencionou Ricardo até mostrar a abotoadura.

Dante pegou o objeto.

Seu rosto ficou imóvel.

“Você reconhece?”, Marina perguntou.

“Já vi uma parecida.”

“De quem é?”

Dante demorou a responder.

“Ricardo tem um par com essa inicial.”

Marina sentiu o estômago afundar.

“Então…”

“Isso não significa que seja dele.”

“Eu sei.”

正文2

Dante ergueu os olhos.

“Você está acusando meu primo?”

“Não estou acusando ninguém.”

Ela respirou fundo.

“Estou contando o que Lucas encontrou.”

Dante examinou a abotoadura.

Marina continuou:

“Ontem à noite, ouvi Ricardo falando no escritório.”

“O que ele disse?”

“Que a garçonete estava dentro da casa e que agora havia outro problema.”

O silêncio ficou pesado.

Dante apertou o objeto entre os dedos.

“Tem certeza dessas palavras?”

“Tenho.”

“Por que não me contou ontem?”

Marina desviou o olhar.

“Porque ele estava atrás de você.”

Dante se levantou.

“Marina, se alguma coisa deixar você com medo nesta casa, quero saber.”

Ela também se levantou, devagar.

“Eu não quero causar uma guerra na sua família.”

“Se houver uma guerra, não será culpa sua.”

Por alguns segundos, os dois permaneceram próximos.

Dante percebeu que Marina apoiava discretamente a mão na lateral do corpo.

“Seu ferimento está doendo?”

“Um pouco.”

“Você deveria estar descansando.”

“E você deveria parar de mandar em todo mundo.”

Ele ergueu uma sobrancelha.

“É um hábito antigo.”

Marina sorriu.

“Percebi.”

Dante ofereceu o braço.

“Vamos. Vou acompanhar você até o quarto.”

Ela hesitou.

Depois aceitou.

Mais tarde, Bruno entrou no escritório de Dante com o computador nas mãos.

“Chefe, consegui outra gravação.”

Dante se aproximou.

A imagem mostrava Lucas caminhando perto da escada do Bellavista.

Ricardo apareceu no corredor.

Abaixou-se diante do menino e falou alguma coisa.

Lucas recuou.

Ricardo segurou seu braço por um instante.

Depois o soltou.

A gravação não tinha áudio.

Dante assistiu duas vezes.

Na terceira, percebeu que Ricardo olhava repetidamente para a porta da sacada.

“Que horas são essas imagens?”

“Sete minutos antes das taças serem lançadas.”

Dante sentiu o sangue ferver.

Bruno permaneceu em silêncio.

“Quero falar com Ricardo”, Dante disse.

“Agora?”

“Agora.”

Bruno assentiu.

Antes que saísse, Dante acrescentou:

“Mas primeiro descubra por que meu filho parecia ter medo dele.”

Na tela, Lucas aparecia se afastando do primo.

E Dante compreendeu que talvez tivesse ignorado sinais dentro da própria casa por tempo demais.

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