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"A Promessa do Mafioso" Capítulo 3 — A Garçonete Que Recusou o Dinheiro do Chefe da Máfia

正文开头

“Eu não vou aceitar esse dinheiro.”

Marina Oliveira empurrou o envelope de volta sobre a mesa.

Dante Montenegro permaneceu sentado do outro lado do quarto.

“Você nem abriu.”

“Não preciso.”

“Marina…”

“Senhor Montenegro, eu já disse que não.”

A enfermeira, que organizava alguns medicamentos perto da janela, fingiu não ouvir.

Dante olhou para o envelope.

Depois voltou os olhos para Marina.

“Você tem ideia do que está recusando?”

“Tenho. Uma quantia que provavelmente mudaria a minha vida.”

“Então por que está recusando?”

Marina ajeitou cuidadosamente o travesseiro atrás das costas.

Ainda sentia dor ao respirar fundo.

Haviam se passado três dias desde o ataque no Palácio Bellavista.

Três dias desde que acordara num hospital onde até os talheres pareciam mais caros do que os móveis de seu apartamento.

“Porque eu não coloquei meu corpo na frente daquele menino esperando uma recompensa.”

Dante cruzou as mãos.

“Eu sei.”

“Então por que insiste?”

“Porque você se machucou salvando meu filho. E eu tenho condições de ajudá-la.”

“Ajuda não é a mesma coisa que comprar uma pessoa.”

A expressão dele endureceu.

“Você acha que estou tentando comprar você?”

“Não sei o que o senhor está tentando fazer.”

Dante respirou lentamente.

Não estava acostumado a precisar explicar suas decisões.

Muito menos a ouvir um não.

Mas havia algo na maneira como Marina o enfrentava que tornava impossível simplesmente encerrar a conversa.

“Eu prometi que você nunca mais precisaria se preocupar com dinheiro.”

“Eu ouvi.”

“E costumo cumprir minhas promessas.”

Marina sustentou seu olhar.

“Então me prometa outra coisa.”

Dante se inclinou.

“O quê?”

“Que vai descobrir quem tentou machucar Lucas.”

O silêncio tomou conta do quarto.

“Isso eu já estou fazendo.”

“Então estamos entendidos.”

Ela empurrou o envelope mais uma vez.

“Pode guardar.”

Naquela tarde, Patrícia chegou com uma sacola de roupas.

Encontrou a filha sentada na cama, olhando pela janela.

“Você brigou com aquele homem?”

Marina virou o rosto.

“Quem contou?”

“Uma enfermeira disse que ele saiu daqui com uma cara de poucos amigos.”

Marina suspirou.

“Ele quer me dar dinheiro.”

Patrícia colocou a sacola na cadeira.

“E você recusou?”

“Recusei.”

“Quanto?”

“Não perguntei.”

Patrícia ficou imóvel.

“Marina!”

“Mãe…”

“Você não perguntou quanto?”

“Eu não quero ser comprada.”

Patrícia puxou uma cadeira.

“Minha filha, ninguém está dizendo que você precisa aceitar qualquer coisa. Mas talvez seja uma indenização justa pelo que aconteceu.”

Marina baixou os olhos para os curativos.

A mãe tinha razão em parte.

Ela havia perdido dias de trabalho.

Talvez demorasse semanas até conseguir carregar uma bandeja novamente.

O aluguel continuava vencendo.

As contas não desapareceriam porque ela fizera uma boa ação.

“Eu sei”, respondeu. “Mas quero decidir isso com calma. Sem dever obediência a ninguém.”

Patrícia acariciou seus cabelos.

“Você é igualzinha ao seu pai.”

Marina sorriu tristemente.

“Teimoso?”

“Teimoso demais.”

As duas riram.

Depois Patrícia ficou séria.

“Só me promete que não vai tentar voltar ao trabalho antes de ficar boa.”

正文1

Marina segurou sua mão.

“Prometo.”

Enquanto isso, no escritório do Edifício Montenegro, em Itaim Bibi, Bruno Almeida examinava imagens do sistema de segurança.

Dante estava diante da janela.

“Alguma coisa?”

“Encontramos uma falha de sete minutos nas câmeras do corredor de serviço.”

“Falha?”

“Alguém desligou o equipamento manualmente.”

Dante virou o rosto.

“Quem tinha acesso?”

“Funcionários da empresa de eventos, manutenção e pessoas autorizadas pela administração do Bellavista.”

“E a luva?”

Bruno colocou uma fotografia sobre a mesa.

“O símbolo é autêntico. Mas o modelo foi substituído há seis meses. Estamos verificando quem ainda tinha peças antigas.”

Dante estudou a imagem.

“Quero nomes.”

“Já pedi a relação completa.”

Bruno hesitou.

“Tem outra coisa.”

“Fale.”

“A imprensa descobriu o nome da Marina.”

Dante pegou o celular.

Uma notícia aparecia na tela:

GARÇONETE SALVA HERDEIRO DA FAMÍLIA MONTENEGRO EM ATAQUE DURANTE FESTA DE LUXO.

Abaixo, uma fotografia de Marina usando uniforme.

Dante franziu a testa.

“Quem divulgou essa foto?”

“Estamos investigando.”

“Ela não pediu para aparecer em jornal nenhum.”

“Eu sei.”

Dante colocou o aparelho sobre a mesa.

“Providencie proteção discreta para a casa dela e para a mãe.”

“Sem que percebam?”

“Sem assustá-las.”

No apartamento de Valentina Albuquerque, no Jardim Europa, a mesma notícia provocou uma reação completamente diferente.

Valentina estava sentada diante de um espelho, enquanto uma profissional arrumava seus cabelos.

“De novo essa mulher?”

Ela aumentou a fotografia no tablet.

Marina aparecia pálida, sendo retirada do salão numa maca.

A legenda mencionava que Dante Montenegro havia acompanhado pessoalmente o atendimento.

Valentina apertou os lábios.

Havia anos que sua família negociava uma aliança comercial com os Montenegro.

Todos esperavam que a aproximação terminasse num casamento.

Dante nunca prometera isso.

Mas também nunca a desmentira publicamente.

Até agora.

“Uma garçonete”, Valentina murmurou.

A profissional parou de trabalhar.

“Senhora?”

“Nada.”

Valentina pegou o telefone.

Discou um número.

“Ricardo?”

“Valentina. Aconteceu alguma coisa?”

“Aconteceu. Seu primo está transformando aquela mulher numa santa.”

Do outro lado, Ricardo Montenegro ficou em silêncio.

“Você viu as notícias?”, ela perguntou.

“Vi.”

“Ela ainda está no hospital?”

“Pelo que sei.”

“Então precisamos conversar.”

Ricardo demorou alguns segundos para responder.

“Não por telefone.”

No quarto do hospital, Lucas apareceu acompanhado de Teresa.

Carregava o dinossauro verde e uma folha de papel dobrada.

Marina sorriu assim que o viu.

“Olha só quem veio!”

Lucas correu até a cama, mas parou antes de abraçá-la.

“Posso chegar perto? A vovó disse que você tá quebrada.”

Marina soltou uma gargalhada curta.

A dor na lateral do corpo a fez levar a mão ao curativo.

“Não estou quebrada, meu amor. Só preciso tomar cuidado.”

Lucas subiu numa cadeira.

“Eu fiz um desenho.”

Ele entregou o papel.

Marina abriu devagar.

Três pessoas estavam desenhadas de mãos dadas.

Ela reconheceu o menino e o homem alto de terno preto.

A terceira figura usava um uniforme branco.

“Essa sou eu?”

Lucas assentiu.

“E esse é o papai.”

正文2

“Ficou lindo.”

“Eu desenhei a gente feliz.”

Marina sentiu os olhos arderem.

“Obrigada, Lucas.”

O menino ficou sério.

“Você não vai embora, né?”

Ela hesitou.

“Eu vou precisar voltar para minha casa quando melhorar.”

Lucas abaixou a cabeça.

“Mas eu queria que você ficasse.”

Teresa se aproximou.

“Lucas, querido, Marina tem a própria vida.”

“Eu sei.”

O menino apertou o dinossauro.

“Mas ninguém nunca entrou na frente de uma coisa ruim por mim.”

Marina sentiu um nó na garganta.

“Seu pai faria isso.”

Lucas olhou para ela.

“Mas você fez primeiro.”

Antes que Marina encontrasse uma resposta, Dante apareceu à porta.

Ele havia ouvido a última frase.

Lucas correu até ele.

“Papai, a Marina gostou do desenho!”

“Eu vi.”

Dante olhou para Marina.

Ela estava enxugando discretamente uma lágrima.

Pela primeira vez, ele não viu apenas a mulher ferida no salão.

Viu alguém que havia conquistado a confiança de seu filho sem pedir absolutamente nada.

Na manhã seguinte, Marina recebeu autorização para deixar o hospital, desde que seguisse as recomendações médicas.

Patrícia estava organizando as roupas quando um funcionário trouxe os documentos de alta.

Dante havia providenciado transporte e acompanhamento.

Marina agradeceu, mas insistiu que voltaria para casa.

“Não quero causar mais trabalho.”

Dante a observou.

“Você não está causando trabalho.”

“Então me deixe voltar para minha vida.”

Ele demorou a responder.

“Tudo bem.”

Marina ficou surpresa.

“Tudo bem?”

“Não vou obrigar você a aceitar minha ajuda.”

Ela sorriu.

“Obrigada.”

Dante se aproximou da porta.

“Mas o transporte até sua casa não é negociável.”

Marina revirou os olhos.

“Isso é uma ordem?”

“É uma questão de bom senso.”

“Engraçado. Na sua boca, as duas coisas parecem iguais.”

Dante quase sorriu.

Quase.

No fim da tarde, Marina chegou ao apartamento da Vila Mariana.

O lugar era pequeno, mas limpo.

Havia vasos de plantas perto da janela e uma toalha florida sobre a mesa da cozinha.

Patrícia preparou chá enquanto Marina descansava no sofá.

Por alguns minutos, tudo pareceu normal.

Então alguém bateu à porta.

Três batidas rápidas.

Marina olhou para a mãe.

“Você está esperando alguém?”

“Não.”

Patrícia se aproximou.

“Quem é?”

Nenhuma resposta.

Ela abriu apenas a pequena janela de observação.

O corredor estava vazio.

Mas havia um envelope branco no chão.

Marina sentiu um arrepio.

“Mãe, não toca.”

Patrícia recuou.

Marina fotografou o envelope e ligou para Bruno, cujo número havia recebido no hospital.

Ele pediu que não abrissem a porta e enviou uma equipe para recolher o objeto.

Pouco depois, um segurança chegou, verificou o corredor e recolheu o envelope com cuidado.

Marina insistiu em saber o que havia dentro.

Bruno telefonou quando a equipe examinou o conteúdo.

“Marina, preciso que você fique calma.”

“O que aconteceu?”

“Havia uma mensagem.”

Ela apertou o celular.

“Que mensagem?”

Bruno respirou fundo.

“Está escrito: ‘Você salvou o menino errado.’”

Marina sentiu o sangue gelar.

Do outro lado da linha, Bruno continuou:

“E alguém colocou uma fotografia da porta do seu apartamento dentro do envelope.”

Marina olhou lentamente para a mãe.

Pela primeira vez desde que deixara o hospital, compreendeu que talvez o perigo não tivesse terminado.

Talvez estivesse apenas começando.

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