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"A Promessa do Mafioso" Capítulo 2 — O Menino Que Não Soltava a Mão Dela

正文开头

O sangue de Marina Oliveira ainda estava nas mãos de Dante Montenegro quando a médica apareceu no corredor.

“Quem é o responsável pela paciente?”

Dante se levantou imediatamente.

“Eu.”

A médica, uma mulher de cabelos castanhos presos num coque, consultou a prancheta.

“Sou a doutora Camila Ribeiro. A senhorita Marina está sendo preparada para uma cirurgia de emergência.”

“Ela vai sobreviver?”

Camila hesitou.

Dante percebeu.

“Doutora, eu fiz uma pergunta.”

“Ela perdeu uma quantidade importante de sangue. Um dos fragmentos atingiu um vaso sanguíneo na região abdominal. Precisamos controlar a hemorragia.”

“Então controle.”

A médica ergueu os olhos.

“Senhor Montenegro, minha equipe vai fazer tudo o que for necessário. Mas preciso que compreenda a gravidade.”

Dante ficou em silêncio.

Camila continuou:

“Se ela tivesse chegado alguns minutos depois, talvez nem tivéssemos a oportunidade de operar.”

Aquelas palavras atingiram Dante de uma maneira inesperada.

Minutos.

A diferença entre uma mulher viva e uma mulher morta poderia ser medida em minutos.

Ele olhou para a própria camisa branca, manchada pelo sangue dela.

“Não deixe essa mulher morrer.”

A médica respondeu com firmeza:

“Vou cuidar dela como cuidaria de qualquer paciente. Agora preciso voltar.”

Quando Camila desapareceu atrás das portas, Dante permaneceu imóvel.

Bruno se aproximou.

“Chefe, a polícia está no Bellavista. Estão recolhendo depoimentos.”

“Entregue tudo o que pedirem.”

“E a luva?”

“Também.”

Bruno pareceu surpreso.

Dante percebeu a expressão.

“Se alguém da minha família tentou matar meu filho, não vou esconder isso.”

Antes que Bruno respondesse, uma voz infantil surgiu no corredor.

“Papai?”

Lucas estava sentado numa poltrona, abraçado ao dinossauro verde.

Dante se aproximou e se agachou diante dele.

“Oi, campeão.”

“Por que a Marina não volta?”

“Porque os médicos estão cuidando dela.”

“Ela vai morrer?”

Dante sentiu um aperto no peito.

Seu filho nunca havia feito aquela pergunta com tanto medo.

“Eu espero que não.”

Lucas começou a chorar.

“Foi por minha causa.”

“Não, filho.”

“Ela entrou na frente!”

Dante segurou delicadamente os ombros do menino.

“Escuta o papai. A culpa é de quem jogou aquelas taças. Não é sua.”

Lucas abaixou a cabeça.

“Eu fiquei parado.”

“Você ficou assustado.”

“Mas ela não ficou.”

Dante não soube o que dizer.

Lembrava perfeitamente da imagem: uma mulher desconhecida, com uma bandeja nas mãos, avançando na direção do perigo sem hesitar.

Nem seus próprios seguranças tinham reagido tão depressa.

Lucas encostou a testa no ombro do pai.

“Eu quero que ela fique boa.”

Dante abraçou o filho.

“Eu também.”

Pouco depois da meia-noite, Helena Montenegro entrou no hospital acompanhada de seu motorista.

Usava um conjunto bege impecável e carregava uma bolsa de couro que custava mais do que Marina ganharia em vários anos.

Ao encontrar Dante, aproximou-se imediatamente.

“Meu Deus, Dante! Onde está Lucas?”

“Com Teresa, na sala reservada.”

“Ele está ferido?”

“Não.”

Helena soltou um suspiro de alívio.

“Graças a Deus.”

Então reparou na camisa do filho.

“Que sangue é esse?”

正文1

“Da mulher que salvou Lucas.”

“Ah.”

A expressão de Helena mudou.

“Como ela está?”

“Em cirurgia.”

“Que tragédia.”

Helena sentou-se, ajeitando a bolsa no colo.

“Naturalmente, vamos pagar todas as despesas. E uma indenização generosa.”

Dante não respondeu.

“Talvez uma casa pequena”, ela continuou. “Ou dinheiro suficiente para que ela não precise mais trabalhar em eventos.”

“Mãe.”

“Estou sendo prática.”

“Ela quase morreu.”

“Eu sei, meu filho. E somos profundamente gratos. Mas você não precisa ficar aqui a noite inteira.”

Dante virou lentamente o rosto.

“Meu filho estaria naquela mesa de cirurgia se ela não tivesse se colocado na frente dele.”

Helena apertou os lábios.

“Não precisa falar assim comigo.”

“Então não fale dela como se fosse uma despesa.”

O silêncio entre os dois ficou pesado.

Helena conhecia aquele olhar.

Era o mesmo que Dante usava quando alguém ultrapassava um limite que ele não estava disposto a negociar.

“Você está emocionalmente abalado”, ela disse.

“Estou.”

A sinceridade da resposta a surpreendeu.

“E vou continuar aqui até saber que Marina está fora de perigo.”

Helena se levantou.

“Espero que você não esteja confundindo gratidão com alguma coisa maior.”

Dante não respondeu.

Porque, naquele momento, ele próprio não sabia explicar o que sentia.

À uma e vinte da madrugada, Patrícia Oliveira chegou ao hospital.

Tinha quarenta e nove anos, os cabelos presos de qualquer jeito e os olhos inchados de tanto chorar.

Usava chinelos e um casaco jogado por cima da roupa de casa.

Bruno a havia buscado na Vila Mariana.

“Cadê minha filha?”

Dante se levantou.

“A senhora é Patrícia?”

“Sou mãe da Marina. Onde ela está?”

“Está sendo operada.”

Patrícia levou a mão à boca.

“Meu Deus…”

As pernas dela fraquejaram.

Dante puxou uma cadeira.

“Sente-se, por favor.”

“Ela saiu de casa tão feliz porque tinha conseguido esse serviço…”

A mulher começou a chorar.

“Disse que ia trazer o dinheiro dos meus remédios.”

Dante abaixou os olhos.

Lembrou-se de Marina caída no salão, preocupada com o desconto de uma bandeja.

“Ela me falou da senhora.”

Patrícia ergueu o rosto.

“Falou?”

“Pediu que eu não deixasse a senhora sozinha.”

O choro de Patrícia aumentou.

Dante se sentou ao lado dela.

“Minha equipe vai ajudá-la com o que precisar enquanto Marina estiver internada.”

“Eu não tenho dinheiro para pagar esse hospital.”

“A senhora não vai pagar.”

Patrícia olhou para ele com desconfiança.

“Minha filha não gosta de dever nada a ninguém.”

“Eu já percebi.”

“Ela é orgulhosa.”

Dante pensou na coragem daquela mulher.

“Tem todo o direito de ser.”

Às três e quarenta e sete da madrugada, Camila voltou ao corredor.

Dante se levantou antes mesmo que ela falasse.

“A cirurgia terminou.”

Patrícia apertou as mãos.

“Minha filha está viva?”

“Está.”

A mulher começou a chorar de alívio.

Dante fechou os olhos por um instante.

Camila continuou:

“Conseguimos controlar o sangramento e retirar os fragmentos que representavam maior risco. Ela vai precisar de acompanhamento, mas respondeu bem ao procedimento.”

正文2

“Posso vê-la?”, Patrícia perguntou.

“Quando for transferida para a recuperação, vamos organizar uma visita breve.”

Dante respirou profundamente.

Pela primeira vez desde o ataque, sentiu os ombros relaxarem.

“Obrigado, doutora.”

Camila assentiu.

“Ela teve muita sorte.”

Dante olhou para as portas fechadas.

“Não foi sorte.”

A médica o encarou.

“Como assim?”

“Meu filho teve sorte. Ela fez uma escolha.”

Na manhã seguinte, Lucas acordou numa sala reservada do hospital.

Teresa Nogueira, a governanta que cuidava dele desde pequeno, estava sentada ao lado da poltrona.

“Bom dia, meu anjinho.”

Lucas esfregou os olhos.

“A Marina morreu?”

Teresa sentiu o coração apertar.

“Não, querido. Ela passou pela cirurgia.”

O menino pulou da poltrona.

“Eu quero ver ela!”

“Precisamos esperar os médicos autorizarem.”

Lucas começou a andar de um lado para o outro.

“Mas eu tenho que dar uma coisa!”

Ele abriu a pequena mochila.

Retirou uma folha de papel dobrada.

Havia desenhado três pessoas de mãos dadas.

Uma mulher de uniforme branco.

Um menino de terno azul.

E um homem muito alto, vestido de preto.

Acima deles, escreveu com letras tortas:

OBRIGADO, MARINA.

Teresa levou a mão ao peito.

“Que desenho lindo.”

Lucas abraçou o papel.

“Ela precisa saber que eu não esqueci.”

Marina abriu os olhos no fim da manhã.

A luz suave do quarto parecia distante.

Tentou se mexer, mas uma dor profunda a fez parar.

Havia um acesso intravenoso em seu braço e curativos sob a roupa hospitalar.

Por alguns segundos, não soube onde estava.

Então se lembrou.

O salão.

As taças.

O menino.

“Lucas…”

Uma cadeira se moveu ao lado da cama.

“Ele está bem.”

Marina virou lentamente a cabeça.

Dante Montenegro estava sentado perto da janela.

Ainda usava roupas escuras, mas havia trocado a camisa manchada de sangue.

Parecia não ter dormido.

“Seu filho…”

“Não sofreu nenhum ferimento.”

Marina fechou os olhos, aliviada.

“Graças a Deus.”

Dante se aproximou.

“Você se lembra do que aconteceu?”

“Um pouco.”

“Você salvou a vida dele.”

“Qualquer pessoa teria feito a mesma coisa.”

Dante permaneceu em silêncio.

Os dois sabiam que aquilo não era verdade.

Marina tentou erguer a mão.

Dante percebeu e aproximou um copo de água, mas esperou a autorização da enfermeira antes de ajudá-la a beber.

“Minha mãe?”

“Está aqui. Foi descansar um pouco.”

“Ela ficou assustada?”

“Muito.”

Marina desviou o olhar.

“Eu não queria preocupar ninguém.”

Dante observou seu rosto pálido.

“Marina, você quase morreu.”

“Mas não morri.”

Ela tentou sorrir.

“Então ainda tenho algumas contas para pagar.”

Dante não conseguiu sorrir de volta.

“Sobre isso, precisamos conversar.”

Antes que continuasse, Marina apertou o lençol.

Seu olhar se fixou em algum ponto atrás dele.

“O homem…”

Dante se inclinou.

“Que homem?”

“Na sacada.”

O corpo dele ficou rígido.

“Você viu quem jogou as taças?”

Marina respirou com dificuldade.

“Eu vi… antes…”

“Marina, olhe para mim.”

Ela segurou seu pulso.

“Ele estava perto da porta…”

“Quem?”

Os olhos dela se encheram de medo.

“Eu vi o rosto dele.”

Dante se aproximou ainda mais.

“Você consegue me dizer quem era?”

Marina abriu a boca.

Mas a dor e o cansaço venceram.

Seus olhos se fecharam novamente.

Dante chamou a enfermeira.

Enquanto a profissional verificava os sinais vitais, ele permaneceu ao lado da cama.

Marina estava estável, apenas exausta.

Mesmo assim, Dante não conseguia afastar aquelas palavras da cabeça.

Eu vi o rosto dele.

A mulher que havia salvado seu filho talvez fosse também a única testemunha capaz de identificar o responsável.

E alguém poderia estar disposto a terminar o que começara no Bellavista.

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