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"A Promessa do Mafioso" Capítulo 1 — A Taça Que Deveria Atingir Uma Criança

正文开头

A primeira taça explodiu contra as costas de Marina Oliveira antes que ela entendesse o que estava acontecendo.

O barulho cortou a música do salão.

Cristais voaram sobre o mármore. Uma mulher gritou. Um garçom deixou cair uma bandeja.

Mas Marina só enxergou o menino.

Ele estava parado a poucos passos dela, vestindo um terninho azul-marinho, com um dinossauro verde de plástico apertado na mão.

Devia ter uns seis anos.

Seus olhos castanhos acompanhavam, imóveis, uma segunda taça que vinha na direção de seu rosto.

Marina não pensou.

Largou a bandeja de prata, avançou e envolveu o menino com os braços.

Virou o próprio corpo para protegê-lo.

A taça se espatifou contra seu ombro.

Uma dor violenta atravessou suas costas. Um estilhaço abriu seu antebraço. Outro atingiu a lateral de sua cintura.

Por um instante, ela não sentiu nada.

Depois veio o calor.

Um calor úmido, assustador, escorrendo por baixo da camisa branca de seu uniforme.

Marina caiu de joelhos, mantendo o menino protegido contra seu peito.

“Não olha, querido”, sussurrou. “Fica quietinho.”

O menino tremia.

A música havia parado.

Duzentos convidados, reunidos no luxuoso Palácio Bellavista, nos Jardins, observavam a garçonete caída no chão.

Ninguém se aproximou.

Naquela noite, Marina estava trabalhando como temporária no evento beneficente mais exclusivo de São Paulo.

Receberia cento e oitenta reais pelo serviço.

Na conta bancária, restavam exatamente R$ 87,40.

O aluguel venceria na segunda-feira. Sua mãe precisava comprar medicamentos. E o gerente da empresa de eventos já havia avisado que qualquer prato quebrado seria descontado do pagamento.

Agora, havia sangue sobre o mármore italiano.

Sangue dela.

“Lucas.”

A voz masculina surgiu atrás dos convidados.

Baixa.

Controlada.

Mas produziu um efeito imediato.

As pessoas abriram caminho.

O menino ergueu a cabeça.

“Papai!”

Marina olhou por cima do ombro.

Um homem alto atravessava o salão com passos firmes.

Vestia um terno preto perfeitamente ajustado. Os cabelos escuros estavam penteados para trás, e uma pequena cicatriz atravessava sua sobrancelha esquerda.

Na gola aberta da camisa, aparecia parte de uma tatuagem negra.

Marina o reconheceu.

Dante Montenegro.

O empresário que aparecia nas capas das revistas financeiras e nas páginas policiais com a mesma frequência.

Dono de construtoras, transportadoras e casas noturnas.

Um homem que, segundo os jornais, controlava muito mais do que os negócios registrados em seu nome.

Marina havia servido água com gás para ele vinte minutos antes.

Dante nem sequer levantara os olhos.

Agora, porém, ele parou diante dela.

Seu olhar encontrou o menino protegido entre seus braços.

“Lucas.”

“Eu tô bem, papai!”

Dante se ajoelhou.

Passou as mãos pelo rosto e pelos ombros do filho, procurando ferimentos.

Não encontrou nenhum.

Então olhou para Marina.

A expressão dele mudou.

“Você está machucada.”

“Foi só um corte.”

Marina tentou sorrir.

A dor respondeu antes que ela conseguisse terminar.

Seu corpo vacilou.

Dante segurou seu ombro.

Quando afastou a mão, seus dedos estavam cobertos de sangue.

正文1

Ele ficou imóvel por um segundo.

“Como você se chama?”

“Marina.”

“Marina o quê?”

“Oliveira.”

O sangue continuava escorrendo pela lateral de seu uniforme.

Dante ergueu o rosto.

“Bruno!”

Um homem forte, de terno grafite, apareceu imediatamente.

“Sim, chefe.”

“Tranque todas as portas.”

Um murmúrio percorreu o salão.

Dante continuou:

“Ninguém sai daqui.”

Um convidado se levantou, indignado.

“Isso é um absurdo! Eu tenho um voo para Brasília!”

Dante nem olhou para ele.

“Então vai perder o voo.”

O homem abriu a boca.

Não disse mais nada.

Bruno fez um sinal discreto para os seguranças.

As saídas começaram a ser controladas.

Marina tentou compreender.

“Senhor… foi um acidente.”

Dante olhou para os cacos espalhados no chão.

Depois levantou os olhos para a sacada do segundo andar.

Uma porta de serviço permanecia entreaberta.

“Não”, respondeu. “Não foi.”

O coração de Marina disparou.

“Como o senhor sabe?”

“Porque duas taças não voam na direção de uma criança por acaso.”

Ele se voltou para Bruno.

“Quero as imagens das câmeras. Todas. E descubra quem estava naquela sacada.”

“Pode deixar.”

“Bruno.”

O segurança parou.

“Se alguém tentar apagar alguma gravação, você me avisa antes de fazer qualquer outra coisa.”

Bruno assentiu e desapareceu entre os convidados.

Lucas se soltou lentamente dos braços de Marina.

Quando viu a mancha vermelha em sua camisa, começou a chorar.

“Papai… ela tá sangrando.”

Marina tentou acariciar seus cabelos.

“Tá tudo bem, meu amor.”

O menino agarrou sua mão.

“Você me salvou.”

Ela respirou com dificuldade.

“O importante é que você não se machucou.”

Dante observou os dedos pequenos envolvendo a mão ensanguentada da garçonete.

Algo passou por seu rosto.

Não era raiva.

Pelo menos não naquele instante.

“Chamaram uma ambulância?”, perguntou.

“Já está chegando, senhor”, respondeu uma funcionária.

Marina tentou se levantar.

“Eu preciso falar com o gerente.”

Dante franziu a testa.

“Para quê?”

“Minha bandeja caiu. Eu não quero que descontem do meu pagamento.”

Por alguns segundos, ele apenas a encarou.

Depois olhou para a bandeja caída entre os cacos.

“Você está preocupada com uma bandeja?”

“Eu preciso receber hoje.”

A resposta saiu quase num sussurro.

Marina odiou a própria fraqueza.

Não queria que aquele homem percebesse sua situação.

Mas a dor aumentava.

O salão começou a girar.

“Eu acho que preciso me sentar.”

“Você já está sentada no chão”, Dante respondeu.

Ela soltou uma risada fraca.

A risada se transformou num gemido.

Dante pressionou a mão contra sua cintura, tentando conter o sangramento.

“Olhe para mim.”

Marina ergueu os olhos.

“Não durma.”

“Eu não vou dormir.”

Suas pálpebras ficaram pesadas.

“Marina.”

A voz dele ficou mais firme.

“Você está me ouvindo?”

“Estou.”

“Então continue olhando para mim.”

Lucas começou a soluçar.

“Papai, faz ela ficar boa.”

Dante engoliu em seco.

“Vou fazer tudo o que puder, filho.”

As portas do salão se abriram.

Dois socorristas entraram carregando equipamentos.

Um deles se ajoelhou ao lado de Marina e começou a avaliar os ferimentos.

正文2

O outro cortou cuidadosamente parte do uniforme para localizar a origem do sangue.

Sua expressão mudou.

“Pressão caindo.”

“Ela perdeu muito sangue?”, Dante perguntou.

“Precisamos levá-la imediatamente.”

O socorrista examinou o ferimento na lateral do corpo.

“Existe a possibilidade de um estilhaço ter atingido um vaso importante.”

Marina ouviu aquelas palavras como se viessem de muito longe.

Vaso importante.

Hemorragia.

Hospital.

De repente, pensou em sua mãe.

Patrícia estaria esperando que ela chegasse em casa com o dinheiro do turno.

Talvez ainda estivesse acordada, sentada na pequena cozinha do apartamento na Vila Mariana.

“Minha mãe…”, Marina murmurou.

Dante se aproximou.

“O que tem sua mãe?”

“Ela não sabe…”

A frase morreu.

“Eu vou avisá-la”, ele respondeu.

Marina tentou segurar sua manga.

“Não deixa ela ficar sozinha.”

Dante cobriu a mão dela com a sua.

“Eu prometo.”

Os socorristas a colocaram na maca.

Lucas tentou acompanhá-los.

“Marina!”

Dante segurou o filho.

“Lucas, espere.”

“Eu quero ir com ela!”

“Ela precisa dos médicos agora.”

O menino chorava tanto que mal conseguia respirar.

Marina estendeu a mão.

“Cuida do seu dinossauro, tá?”

Lucas apertou o brinquedo contra o peito.

A maca começou a se mover.

Dante levantou-se.

“Bruno!”

O segurança reapareceu.

“O carro está pronto, chefe.”

“Eu vou para o hospital.”

“Mas a polícia vai querer falar com o senhor.”

“Ela sabe onde me encontrar.”

Dante caminhou ao lado da maca até o elevador.

Antes que as portas se fechassem, voltou-se para os homens que o acompanhavam.

“Escutem bem.”

Sua voz atravessou o salão.

“Se Marina Oliveira sobreviver a esta noite, nunca mais vai precisar se preocupar com dinheiro.”

Marina tentou abrir os olhos.

A imagem dele estava embaçada.

“E se ela não sobreviver…”, Dante continuou.

O silêncio ficou absoluto.

Ele ergueu o rosto para a sacada.

“Encontrem quem fez isso antes de mim.”

As portas do elevador se fecharam.

A última coisa que Marina ouviu foi Lucas gritando seu nome.

Depois, tudo ficou escuro.

Quarenta minutos mais tarde, enquanto Marina era levada às pressas para o centro cirúrgico do Hospital São Gabriel, Bruno recebeu uma ligação.

Um dos seguranças havia encontrado alguma coisa na passagem de serviço do segundo andar.

Uma luva preta.

Manchada de champanhe.

Bruno pediu que fotografassem o objeto sem tocá-lo.

Quando a imagem chegou ao seu celular, ele ampliou a parte interna do tecido.

Havia um pequeno bordado prateado.

A letra M, cercada pelo símbolo particular da família Montenegro.

Bruno sentiu o estômago afundar.

Aquela luva não pertencia a nenhum funcionário contratado para o evento.

Era parte do uniforme usado pelos seguranças particulares da família.

Ele olhou para a porta do centro cirúrgico.

Do outro lado do corredor, Dante permanecia de pé, com a camisa manchada de sangue.

Bruno se aproximou lentamente.

“Chefe… encontramos uma coisa.”

Dante virou o rosto.

“Quem jogou as taças?”

“Ainda não sabemos.”

Bruno mostrou a fotografia.

“Mas quem estava naquela sacada tinha acesso à sua equipe particular.”

Dante observou o símbolo na luva.

Seu rosto perdeu qualquer expressão.

“Então comece pelos nossos.”

E, pela primeira vez naquela noite, Bruno percebeu que o perigo talvez não estivesse do lado de fora da família Montenegro.

Estava dentro dela.

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