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"Os 11 Minutos Perdidos do Chefe da Máfia" Capítulo 5 — O Preço da Traição

正文开头

“Se investigar Ricardo, o menino será o próximo.”

Dante Montenegro leu a ameaça pela quinta vez.

Na fotografia enviada ao celular de Bruno, Gabriel aparecia sentado perto da janela do quarto, abraçado ao velho urso de pelúcia.

A imagem não havia sido capturada pelas câmeras da mansão.

Alguém estivera perto o suficiente para fotografar seu filho sem ser percebido.

E aquela pessoa sabia que Bruno investigava Ricardo.

Dante apagou a tela do telefone no exato momento em que a porta do escritório se abriu.

Ricardo Vasconcelos entrou sorrindo.

“Você ainda está trabalhando?”

“Alguns problemas não se resolvem sozinhos.”

Ricardo olhou para a fotografia de Sofia sobre a mesa.

“Está pensando nela?”

Dante acompanhou o olhar do amigo.

“Todos os dias.”

“Eu também sinto falta dela.”

A frase quase fez Dante perder o controle.

Mas ele apenas assentiu.

“Preciso que você organize uma reunião amanhã. Quero revisar os contratos de transporte.”

Ricardo ergueu as sobrancelhas.

“Algum problema com as empresas?”

“Os lucros caíram.”

“Posso pedir os relatórios ao Marcelo.”

“Ótimo.”

Ricardo aproximou-se.

“Dante, você parece diferente.”

“Estou cansado.”

“É por causa do Gabriel?”

Dante levantou os olhos.

“Por que pergunta?”

“Porque você fechou a mansão, está revendo as câmeras e agora quer investigar contratos antigos.”

Ele sorriu.

“Parece que não confia mais em ninguém.”

Dante sustentou seu olhar.

“Em você eu confio.”

Ricardo relaxou os ombros.

“Então deixe que eu cuide disso.”

Dante sorriu de volta.

Era a mentira mais difícil que já contara.

Na manhã seguinte, o escritório do Grupo Montenegro, na Avenida Faria Lima, recebeu uma reunião extraordinária.

Marcelo Azevedo, diretor financeiro, apresentou os números do último trimestre.

Ricardo permaneceu sentado à direita de Dante.

Bruno, que havia retornado à mansão antes do amanhecer, observava tudo em silêncio.

“Os contratos de logística estão dentro do previsto”, Marcelo explicou.

Dante folheou o relatório.

“E a Alvorada Logística?”

A caneta de Marcelo parou sobre o papel.

Ricardo virou discretamente o rosto.

“Que empresa é essa?”, perguntou.

Dante ergueu uma folha.

“Recebeu pagamentos durante quase dois anos.”

Marcelo limpou a garganta.

“É uma prestadora terceirizada.”

“De quê?”

“Transporte especializado.”

“Quantos veículos possui?”

O diretor financeiro hesitou.

“Não tenho esse número agora.”

Dante fechou a pasta.

“Então me explique por que pagamos quase quatro milhões de reais a uma transportadora cuja frota ninguém conhece.”

O silêncio dominou a sala.

Ricardo interveio.

“Esses contratos foram aprovados pelo departamento financeiro.”

Dante olhou para ele.

“Por isso estou perguntando ao Marcelo.”

O diretor empalideceu.

“Posso verificar os documentos originais.”

“Quero todos até amanhã.”

A reunião terminou poucos minutos depois.

Quando os outros saíram, Ricardo permaneceu.

“Você está desconfiando do Marcelo?”

“Estou desconfiando de números que não fecham.”

“Ele trabalha conosco há quinze anos.”

Dante levantou-se.

“E você trabalha comigo há dezoito.”

Ricardo sorriu.

“Exatamente.”

Dante caminhou até a janela.

“Tempo de serviço não substitui prestação de contas.”

Por um instante, Ricardo não respondeu.

Depois colocou a pasta debaixo do braço.

正文1

“Vou ajudar a esclarecer tudo.”

Naquela tarde, Bruno encontrou Dante numa sala reservada, longe das câmeras administradas por Ricardo.

“Descobri quem controla a Alvorada Logística.”

Dante fechou a porta.

“Fala.”

“Oficialmente, um empresário chamado Sérgio Pacheco.”

“E de verdade?”

Bruno colocou três documentos sobre a mesa.

“Sérgio foi motorista particular de Ricardo durante seis anos.”

Dante observou a assinatura.

“Continue.”

“A empresa foi criada pouco antes de Sofia começar a investigar as transferências.”

“Quem autorizou os primeiros pagamentos?”

“Ricardo aprovou os contratos de segurança vinculados à empresa. Mas os pagamentos precisaram de uma segunda assinatura.”

“Marcelo?”

“Algumas vezes.”

Dante franziu a testa.

“E nas outras?”

“Os registros estão incompletos.”

Bruno mostrou uma sequência de autorizações digitais.

Vários campos haviam sido substituídos por códigos internos.

“Alguém alterou os arquivos depois da morte de Sofia.”

Dante sentiu o sangue ferver.

“Eles continuaram roubando.”

“E continuaram recebendo informações.”

Bruno mostrou outro documento.

Uma transferência havia ocorrido três semanas antes.

Na mesma data, a escala de segurança do quarto de Gabriel fora modificada.

Dante ergueu lentamente a cabeça.

“Não era só dinheiro.”

“Não.”

“Eles estavam comprando acesso ao meu filho.”

Bruno permaneceu em silêncio.

Dante apoiou as mãos na mesa.

“Quero o nome do segundo autorizador.”

“Estou tentando recuperar os registros.”

“Então tente mais rápido.”

Na mansão, Marina Oliveira acompanhava Gabriel durante uma atividade de leitura.

O menino havia escolhido um livro sobre um cachorro que queria aprender a nadar.

“Esse cachorro é teimoso”, Marina comentou.

Gabriel sorriu.

“Parece você.”

“Eu?”

“Você não desiste nunca.”

Marina riu.

“Alguém precisa ser teimoso nesta casa.”

Gabriel virou a página.

“Papai também é.”

“Muito.”

O menino soltou uma pequena gargalhada.

Era um som simples.

Mas, para Teresa Almeida, que observava da porta, parecia um milagre cotidiano.

A governanta entrou trazendo suco.

“Dona Marina, posso conversar com a senhora depois?”

Marina percebeu a preocupação em seu rosto.

“Claro.”

Quando Gabriel começou a desenhar, as duas se afastaram para o corredor.

Teresa baixou a voz.

“Tem uma coisa que nunca contei ao doutor Dante.”

Marina ficou atenta.

“Sobre o quê?”

“Dona Sofia.”

A governanta olhou para os lados.

“Poucos dias antes do acidente, ela pediu que eu chamasse um chaveiro.”

“Para qual porta?”

“A do quarto do Gabriel.”

Marina franziu a testa.

“Por quê?”

“Disse que não queria mais ninguém entrando sem autorização.”

“Ela explicou o motivo?”

Teresa balançou a cabeça.

“Só falou que algumas pessoas estavam confundindo confiança com liberdade.”

Marina sentiu um arrepio.

“Quem ficou sabendo da troca?”

“Eu, dona Sofia e o doutor Ricardo.”

“Ricardo?”

“Ele apareceu quando o chaveiro estava trabalhando. Disse que todas as fechaduras precisavam ficar sob controle da segurança.”

Marina respirou fundo.

“E Sofia concordou?”

Teresa abaixou os olhos.

“Eles discutiram.”

Antes que Marina pudesse perguntar mais, Gabriel chamou do quarto.

“Marina! Olha meu desenho!”

Ela voltou imediatamente.

Mas as palavras de Teresa permaneceram em sua cabeça.

Sofia tentara proteger a porta do filho antes mesmo da explosão.

正文2

E Ricardo interferira.

No final da tarde, Marcelo telefonou diretamente para Dante.

Sua voz estava trêmula.

“Precisamos conversar.”

“Estou ouvindo.”

“Não pelo telefone.”

“Venha ao meu escritório.”

“Não posso.”

Dante ficou imóvel.

“Por quê?”

“Porque alguém está me seguindo.”

O empresário olhou para Bruno, que estava ao seu lado.

“O que você descobriu?”

Marcelo respirou fundo.

“Dona Sofia me procurou antes de morrer.”

Dante apertou o telefone.

“E você nunca me contou?”

“Ela pediu segredo.”

“Minha esposa morreu, Marcelo!”

“Eu sei!”

A voz do diretor falhou.

“E é por isso que estou com medo.”

Dante controlou a raiva.

“O que ela descobriu?”

“Não era uma pessoa só.”

“Explique.”

“Havia dois níveis de autorização. Um para o dinheiro e outro para as informações.”

Dante se inclinou.

“Quem assinava?”

“Tenho os documentos originais.”

“Onde?”

“Guardados fora da empresa.”

“Traga para mim.”

“Preciso ter certeza de que posso confiar em quem vai me buscar.”

Dante olhou para Bruno.

“Vou mandar Bruno sozinho.”

Marcelo hesitou.

“Tudo bem. Amanhã cedo.”

A ligação terminou.

Dante permaneceu olhando para o telefone.

“Ele sabe”, murmurou.

Bruno assentiu.

“E está apavorado.”

Na manhã seguinte, Marcelo não apareceu.

Seu telefone estava desligado.

O apartamento em que morava, no Itaim Bibi, estava vazio.

O porteiro informou que ele saíra antes das seis, carregando uma pasta.

Bruno encontrou o carro abandonado num estacionamento próximo à Marginal Pinheiros.

Não havia sinais claros de violência.

Mas o celular e a pasta haviam desaparecido.

Dante foi pessoalmente ao escritório de Marcelo.

Abriu gavetas.

Examinou documentos.

Encontrou uma fotografia antiga de Sofia numa reunião de diretoria.

Atrás da moldura havia um envelope.

Dentro, apenas uma folha dobrada.

Dante reconheceu a caligrafia de Marcelo.

A mensagem dizia:

“A Sofia descobriu dois traidores, não apenas um.”

Abaixo havia outra frase.

“Se eu desaparecer, procure quem autorizava os pagamentos depois que Ricardo aprovava os contratos.”

Dante apertou o papel.

Ricardo podia ser o homem que vendera seus segredos.

Mas talvez não tivesse agido sozinho.

E o segundo traidor continuava escondido dentro do Grupo Montenegro.

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