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"Os 11 Minutos Perdidos do Chefe da Máfia" Capítulo 3 — A Voz da Mulher Morta

正文开头

“Existe alguém dentro da nossa casa que está preparando a sua morte.”

Dante Montenegro ouviu a frase três vezes.

Na primeira, não conseguiu acreditar.

Na segunda, sentiu uma raiva tão intensa que precisou se apoiar na mesa.

Na terceira, compreendeu que Sofia havia descoberto alguma coisa antes de morrer.

E que provavelmente morrera por causa disso.

“Deixe o vídeo continuar”, Bruno pediu.

Dante permaneceu em silêncio.

Na tela, Sofia olhou para a porta do escritório antes de voltar a falar.

“Eu não sei quanto tempo ainda tenho. Se alguém descobrir que estou gravando isso, tudo pode acabar antes de eu conseguir te contar.”

Ela abriu uma pasta.

“Há seis meses venho analisando movimentações financeiras do Grupo Montenegro.”

Dante franziu a testa.

Sofia sempre fora cuidadosa com os números.

Antes de se casar, trabalhara como auditora.

Mesmo depois de deixar a administração diária das empresas, continuara acompanhando determinados contratos.

“Encontrei pagamentos para empresas que não prestaram serviço algum”, ela explicou.

“Os valores foram divididos em transferências menores. Sempre para contas ligadas a transportadoras, consultorias e empresas de segurança.”

Na tela, surgiram nomes e datas.

Uma empresa chamou a atenção de Bruno.

Alvorada Logística.

Ele anotou o nome.

Sofia continuou:

“Esses pagamentos não são o verdadeiro problema.”

Dante se inclinou.

“O problema é o que estão comprando com esse dinheiro.”

Ela exibiu uma planilha.

Havia datas, horários e endereços.

Dante reconheceu imediatamente sua própria rotina.

Uma reunião na Avenida Faria Lima.

Uma viagem a Campinas.

Um jantar privado no Morumbi.

Até os horários de saída da mansão estavam registrados.

Sofia olhou para a câmera.

“Alguém está vendendo seus deslocamentos.”

O silêncio na sala tornou-se pesado.

“E não apenas os seus”, ela acrescentou.

“Também estão vendendo informações sobre Gabriel.”

Dante sentiu uma pressão no peito.

Na planilha seguinte apareciam os horários das sessões de fisioterapia do menino, o nome do motorista da família e o endereço de uma escola que Gabriel frequentava antes da explosão.

“Meu Deus”, Bruno murmurou.

Dante não disse nada.

Seus olhos estavam presos à tela.

Sofia respirou profundamente.

“Eu tentei descobrir quem autorizava esses pagamentos. Mas cada vez que me aproximava de uma resposta, alguém apagava os registros.”

Ela fez uma pausa.

“Por isso comecei a guardar cópias fora do sistema.”

Dante olhou para o cartão de memória.

Sofia havia escondido as provas no brinquedo do filho.

Não num cofre.

Não num banco.

No lugar que ela acreditava que ninguém ousaria destruir.

Marina aguardava do lado de fora.

Dante pedira que permanecesse perto caso precisasse falar com Gabriel.

Quando a porta finalmente se abriu, ela encontrou um homem completamente diferente daquele que conhecera.

Dante estava pálido.

“Senhor Montenegro?”

Ele demorou a responder.

“Minha esposa sabia.”

“Sabia o quê?”

“Que alguém queria me matar.”

Marina sentiu um arrepio.

Dante caminhou até a janela.

“Ela descobriu tudo. E eu não percebi nada.”

“Talvez ela estivesse tentando proteger o senhor.”

“E morreu fazendo isso.”

正文1

Marina não tentou consolá-lo com frases vazias.

Apenas permaneceu ali.

Depois de alguns instantes, Dante voltou ao computador.

“Você precisa ver uma parte.”

Ele mostrou a Marina a lista de horários de Gabriel.

Ela ficou horrorizada.

“Alguém estava acompanhando a rotina de uma criança?”

“Sim.”

“Por quê?”

“É o que vou descobrir.”

Marina observou a planilha.

Uma informação lhe chamou a atenção.

“Esse horário está errado.”

Dante olhou para ela.

“Qual?”

“A sessão de fisioterapia de terça-feira.”

“Por quê?”

“Gabriel fazia fisioterapia às quintas naquela época, segundo os registros que o doutor Henrique me entregou.”

Dante aproximou-se.

“Tem certeza?”

“Sim.”

Ela apontou outra linha.

“E aqui consta que ele dormia no quarto do andar térreo. Mas Teresa me contou que ele só passou a dormir ali depois da explosão.”

Dante compreendeu.

“Esses registros foram atualizados depois.”

Marina assentiu.

“Alguém continuou alimentando essa lista.”

A descoberta era ainda pior do que imaginavam.

O vazamento não havia terminado com a morte de Sofia.

Continuara durante os catorze meses seguintes.

Na manhã seguinte, Dante convocou uma reunião com Ricardo.

O encontro aconteceu na sede do Grupo Montenegro, na Avenida Faria Lima.

Ricardo entrou sorrindo.

“Finalmente saiu de casa.”

Dante não retribuiu o sorriso.

“Precisamos rever os contratos de segurança.”

“Algum motivo especial?”

“Depois do problema com as câmeras, quero conferir tudo.”

Ricardo puxou uma cadeira.

“Você está certo. Eu mesmo posso coordenar.”

“Prefiro uma auditoria independente.”

O amigo ergueu as sobrancelhas.

“Não confia mais na minha equipe?”

“Confio em resultados.”

Ricardo permaneceu calado por alguns segundos.

Depois sorriu.

“Você sempre foi desconfiado.”

Dante abriu uma pasta.

“É por isso que ainda estou vivo.”

A frase fez Ricardo desviar os olhos.

Dante percebeu.

Mas não disse mais nada.

Precisava de provas.

A suspeita, por mais dolorosa que fosse, ainda não bastava.

À tarde, Bruno encontrou um registro importante.

A Alvorada Logística recebera pagamentos até três semanas antes.

A empresa não possuía frota compatível com os contratos assinados.

Seu endereço comercial correspondia a uma sala quase vazia em Osasco.

“Isso é lavagem de dinheiro?”, Bruno perguntou.

“Pode ser”, Dante respondeu.

“Ou pagamento por informações.”

“Quero saber quem controla essa empresa.”

Bruno assentiu.

“Vou levantar os sócios.”

Dante voltou ao vídeo de Sofia.

Ainda havia alguns minutos não assistidos.

Ele hesitou antes de apertar o botão.

Cada palavra da esposa parecia arrancar mais um pedaço do passado que ele acreditava conhecer.

Na gravação, Sofia abriu outra planilha.

Desta vez, uma data estava marcada em vermelho.

Dante reconheceu imediatamente.

Era o dia da explosão.

Quatorze meses antes.

A linha indicava uma viagem particular pela região de Cotia.

O horário previsto era 19h40.

O veículo designado era um sedã preto blindado.

Dante se levantou.

“Não…”

Bruno olhou para ele.

“Senhor?”

“Esse carro…”

A voz falhou.

Ele fechou os olhos.

Naquele dia, Dante deveria usar o sedã para encontrar um empresário.

Mas uma reunião inesperada o obrigara a permanecer no escritório.

正文2

Sofia decidira aproveitar o veículo disponível para levar Gabriel à casa de uma amiga da família.

O motorista alterara o destino.

Pouco depois, o carro explodira numa estrada particular.

Dante encarou a planilha.

“Esse carro era pra mim.”

Bruno ficou imóvel.

“Doutor Dante…”

“Eles queriam me matar.”

A voz saiu rouca.

“E minha esposa entrou no meu lugar.”

Marina, que acabara de chegar com documentos de Gabriel, ouviu a última frase.

Ela parou junto à porta.

Dante levou as mãos à cabeça.

“Meu filho perdeu a mãe porque alguém queria me atingir.”

Ninguém respondeu.

Por vários segundos, só se ouviu o ar-condicionado.

Então Sofia voltou a falar na gravação.

“Se alguma coisa acontecer comigo, Dante, não confie apenas nas pessoas que estiverem ao seu lado depois.”

Ela olhou diretamente para a câmera.

“Às vezes, quem consola você durante uma tragédia é a mesma pessoa que ajudou a provocá-la.”

Dante pensou no funeral.

Ricardo segurando seu ombro.

Ricardo dizendo que cuidaria de tudo.

Ricardo prometendo proteger Gabriel como se fosse seu próprio filho.

Sofia continuou:

“Eu ainda não consegui reunir todas as provas. Mas existe alguém muito próximo de nós envolvido nisso.”

Ela respirou fundo.

“Não procure o traidor lá fora.”

Dante parou de respirar por um instante.

“Ele está dentro da nossa casa.”

A gravação terminou.

Naquela noite, Marina encontrou Gabriel sentado diante da janela.

O menino segurava o urso.

“Você está triste?”, ela perguntou.

Gabriel assentiu.

“Papai também está.”

“Eu sei.”

“Ele sente saudade da mamãe?”

“Muita.”

Gabriel ficou em silêncio.

Depois perguntou:

“Você acha que a mamãe ficou com medo?”

Marina sentou-se ao lado dele.

“Eu não sei, meu amor.”

“Eu fiquei.”

Ela tocou sua mão.

“Na noite do acidente?”

Gabriel assentiu.

“E ontem também.”

Marina percebeu que o menino estava olhando para o corredor.

“Por causa daquele homem?”

Gabriel não respondeu.

Nesse momento, passos se aproximaram.

Ricardo apareceu à porta.

“Olha só quem está aqui!”

Seu sorriso era caloroso.

“Como está meu afilhado?”

Gabriel imediatamente apertou o urso contra o peito.

Marina sentiu a mudança.

O corpo do menino ficou rígido.

Seus ombros se encolheram.

Ricardo avançou um passo.

“Não vai dar um abraço no tio Ricardo?”

Gabriel baixou os olhos.

Marina colocou-se discretamente entre os dois.

“Ele está cansado. Tivemos uma tarde difícil.”

Ricardo a observou.

“Você é muito protetora, Marina.”

“Estou respeitando o espaço dele.”

O sorriso do homem desapareceu por um instante.

“Sou da família.”

“Eu sei.”

Ricardo olhou para Gabriel.

“Depois a gente conversa, campeão.”

Quando ele saiu, o menino soltou o ar lentamente.

Marina percebeu que estivera prendendo a respiração.

Ela procurou Dante imediatamente.

Encontrou-o sozinho no escritório.

“Preciso contar uma coisa.”

Ele ergueu os olhos.

“É sobre Gabriel?”

“Sim.”

Marina fechou a porta.

“Seu filho tem medo de Ricardo.”

Dante ficou imóvel.

“Cuidado com o que está dizendo.”

“Eu sei exatamente o que estou dizendo.”

“Ricardo é padrinho dele.”

“Isso não impede que Gabriel tenha medo.”

“Eles se conhecem desde que meu filho nasceu.”

Marina aproximou-se da mesa.

“Observe o comportamento dele.”

Dante permaneceu em silêncio.

“Quando Bruno entra, Gabriel continua brincando. Quando Teresa aparece, ele sorri. Quando o senhor chega, ele estende a mão.”

Ela respirou fundo.

“Mas toda vez que Ricardo entra no quarto, Gabriel abraça o urso e para de falar.”

Dante quis negar.

Quis dizer que Marina estava confundindo as coisas.

Quis lembrar os dezoito anos de amizade.

Mas uma imagem surgiu em sua memória.

Gabriel no funeral de Sofia.

Ricardo se aproximando para abraçá-lo.

O menino chorando e tentando se afastar.

Na época, Dante acreditara que fosse apenas o trauma.

Agora, pela primeira vez, não tinha tanta certeza.

“Marina…”

Ela esperou.

“Você acha que Ricardo entrou no quarto dele?”

“Não sei.”

“Então por que está me dizendo isso?”

“Porque Gabriel merece que alguém leve o medo dele a sério.”

Dante abaixou a cabeça.

E compreendeu que talvez tivesse passado catorze meses protegendo o filho de todos os inimigos.

Menos daquele que o menino tentava mostrar desde o começo.

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