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"No Dia do Meu Casamento, Descobri o Segredo Mais Sombrio da Minha Sogra" Capítulo 5 — A Mulher Que Desapareceu

正文开头

"Se você entrar naquela casa, talvez nunca mais consiga sair."

Lucas Martins segurou o braço de Mariana antes que ela atravessasse a rua.

Do outro lado, uma construção antiga se escondia atrás de um muro coberto por trepadeiras. A fachada amarelada tinha janelas estreitas, grades enferrujadas e uma placa quase ilegível.

Residencial Santa Clara — Cuidados Particulares.

Mariana apertou o papel entregue por Dona Célia.

"É o endereço que ela me deu."

"Eu sei. Mas precisamos entender quem administra esse lugar."

"Minha mãe pode estar lá dentro, Lucas."

Ele olhou para o rosto cansado da amiga.

Mariana havia passado a noite acordada. Depois de ser expulsa da mansão Albuquerque, recusara voltar imediatamente para o apartamento de Vera. Não suportaria ouvir outra explicação sobre os vinte e oito anos de mentiras.

Dormira algumas horas no sofá de Lucas.

Ao amanhecer, os dois viajaram de São Paulo até Santos.

"Vamos conversar com alguém primeiro", sugeriu ele.

Mariana concordou, contrariada.

A poucos metros do residencial havia uma padaria pequena. O proprietário, seu Osvaldo, conhecia quase todos os moradores daquela rua.

"Santa Clara?", repetiu o homem, enquanto preparava dois cafés. "Aquilo não recebe hóspedes comuns."

"Como assim?", perguntou Lucas.

"Gente com dinheiro coloca parentes lá quando não quer que ninguém faça perguntas."

Mariana sentiu o coração acelerar.

"Conhece alguma paciente chamada Helena?"

Osvaldo pensou por alguns segundos.

"Helena... Não sei. Mas tinha uma mulher que vivia olhando pela janela do segundo andar."

"Que mulher?"

"Cabelos castanhos, uns cinquenta anos. Sempre muito quieta."

Mariana mostrou a fotografia antiga guardada no pingente.

"Parecida com ela?"

O homem aproximou o rosto.

"Mais velha, claro. Mas os olhos..."

Ele hesitou.

"Pode ser."

Mariana quase derrubou a xícara.

"Ela ainda está lá?"

"Faz umas semanas que não vejo ninguém naquela janela."

Lucas percebeu o desespero da amiga.

"Vamos descobrir."

Pouco depois, os dois tocaram a campainha do residencial.

Uma mulher de uniforme branco apareceu atrás do portão.

"Bom dia. Posso ajudar?"

"Estamos procurando uma paciente", explicou Mariana. "Helena Oliveira. Talvez registrada como Helena Albuquerque."

A funcionária perdeu o sorriso.

"Não fornecemos informações sobre pacientes."

"Eu sou filha dela."

"Precisa procurar a administração."

"Então chame a responsável."

A mulher observou Mariana por alguns segundos.

"Qual é seu nome?"

"Mariana Oliveira."

A funcionária ficou visivelmente nervosa.

"Espere aqui."

O portão se fechou.

Lucas olhou para Mariana.

"Ela reconheceu seu nome."

"Eu vi."

Cinco minutos depois, um homem alto, de camisa azul e expressão severa, apareceu.

"Sou doutor Álvaro Nogueira, administrador do residencial."

Mariana repetiu a pergunta.

Ele respondeu imediatamente:

"Não temos nenhuma Helena registrada."

"Nem com outro sobrenome?"

"Não."

"Pode verificar?"

"Já conheço nossos registros."

Lucas mostrou sua identificação profissional.

"Sou jornalista. Estamos investigando possíveis irregularidades relacionadas a uma antiga internação."

O homem endureceu.

"Então procurem nosso departamento jurídico."

Mariana deu um passo à frente.

"Eu só quero saber se minha mãe está viva."

Álvaro desviou os olhos.

"Não posso ajudar."

正文1

Quando o portão começou a fechar, uma voz feminina surgiu de uma janela no segundo andar.

"Mariana!"

Ela levantou a cabeça.

Uma mulher de cabelos grisalhos estava atrás do vidro.

"Mariana! Minha menina!"

O administrador se virou imediatamente.

"Fechem aquela janela!"

Mariana correu até o portão.

"Mãe?"

A mulher pressionou as mãos contra o vidro.

"Minha filha!"

Duas funcionárias apareceram e a afastaram.

Mariana começou a bater no portão.

"ABRE! EU VI MINHA MÃE!"

Lucas segurou seus ombros.

"Mariana, precisamos fazer isso do jeito certo."

"Ela me chamou pelo nome!"

O administrador voltou, irritado.

"A paciente está confusa. Chama qualquer pessoa de Mariana."

"Então existe uma paciente!"

Ele percebeu o erro.

"Não vou continuar esta conversa."

O portão foi trancado.

Mariana permaneceu imóvel, olhando para a janela vazia.

Durante vinte e oito anos, acreditara que a mãe havia morrido.

Agora ouvira uma mulher chamá-la de filha.

Lucas pegou o telefone.

"Vou procurar um advogado independente e verificar quais medidas legais podemos tomar."

Mariana enxugou o rosto.

"Não vou embora sem descobrir quem é ela."

Enquanto Lucas fazia ligações, Mariana percebeu uma funcionária saindo por uma porta lateral.

Era uma mulher baixa, de aproximadamente quarenta anos.

Ela caminhou rapidamente até uma farmácia.

Mariana a seguiu.

"Com licença."

A mulher se assustou.

"Não posso conversar."

"Você trabalha no Santa Clara?"

"Preciso voltar."

"Por favor. Aquela mulher na janela me chamou de filha."

A funcionária olhou para os lados.

"Meu nome é Patrícia. Não deveria estar falando com você."

"Ela é Helena?"

Patrícia hesitou.

"Eu não sei qual é o nome verdadeiro dela."

"Como assim?"

"Nos documentos internos, aparece como Heloísa Martins."

Mariana sentiu um arrepio.

"E há quanto tempo está lá?"

"Quando comecei, há oito anos, ela já era paciente."

"Quem paga?"

Patrícia abaixou a voz.

"Uma fundação de São Paulo."

"Qual fundação?"

"A Fundação Albuquerque."

Mariana precisou se apoiar no balcão da farmácia.

"Beatriz..."

Patrícia segurou sua mão.

"Aquela senhora guarda uma fotografia de bebê debaixo do travesseiro. Às vezes passa a noite inteira olhando para ela."

"Você viu a fotografia?"

"Vi."

"Como era?"

"Uma menina enrolada numa manta amarela."

Mariana começou a chorar.

"Sou eu."

Patrícia também ficou emocionada.

"Ela diz que roubaram a filha dela."

Lucas apareceu na entrada da farmácia.

"Mariana, consegui falar com uma advogada."

Patrícia recuou.

"Preciso ir."

Mariana segurou seu braço.

"Ela está segura?"

A funcionária demorou a responder.

"Hoje de manhã, o administrador mandou preparar uma transferência."

"Para onde?"

"Não sei."

"Quando?"

"Hoje à noite."

Mariana ficou pálida.

Lucas percebeu imediatamente.

"O que aconteceu?"

Mariana olhou para o residencial.

"Vão tirar minha mãe de lá."

Naquele momento, um carro preto estacionou diante do portão.

Um homem de terno desceu.

Mariana reconheceu o rosto.

Era Eduardo Sampaio, advogado de Beatriz.

Ele entrou sem precisar tocar a campainha.

Lucas fotografou discretamente o veículo.

"Agora sabemos que existe uma ligação direta."

Mariana apertou os punhos.

"Ele veio buscar minha mãe."

正文2

"Não sabemos disso ainda."

"Eu conheço aquele homem."

Lucas guardou o telefone.

"Vamos documentar tudo e falar com a advogada."

Horas depois, uma profissional chamada Dra. Fernanda Ribeiro chegou ao local.

Ela ouviu o relato de Mariana, examinou a cópia do registro hospitalar e anotou o nome do residencial.

"Podemos pedir providências urgentes para verificar a situação dessa mulher", explicou. "Mas precisamos agir com cuidado. Não podemos simplesmente entrar numa instituição privada."

"Ela pode desaparecer esta noite", respondeu Mariana.

Fernanda assentiu.

"Vou encaminhar os fatos às autoridades competentes e solicitar uma verificação imediata."

Enquanto conversavam, um veículo de transporte médico apareceu na garagem lateral.

Mariana viu dois funcionários conduzindo uma cadeira de rodas.

Uma mulher estava sentada nela.

Usava um casaco cinza.

O rosto estava parcialmente escondido.

Mas havia algo em suas mãos.

Um pedaço de tecido amarelo.

Mariana correu alguns passos.

"MÃE!"

A mulher levantou a cabeça.

Seus olhos encontraram os de Mariana.

Por um instante, pareceu reconhecer a filha.

Então abriu a boca.

"Mariana..."

Um funcionário tentou fechar a porta do veículo.

Lucas começou a filmar.

"Estamos registrando tudo!"

Mariana se aproximou.

"Eu sou sua filha! Estou aqui!"

A mulher começou a chorar.

Antes que a porta se fechasse, gritou:

"BEATRIZ LEVOU MEU BEBÊ!"

O veículo saiu.

Mariana ficou no meio da calçada, tremendo.

Lucas segurou sua mão.

Fernanda anotou a placa.

"Vamos descobrir para onde a levaram."

Mariana olhou para o portão fechado.

Pela primeira vez, não tinha apenas uma suspeita.

Tinha uma voz.

Uma mulher que a chamara de filha.

E uma acusação que Beatriz não conseguiria apagar facilmente.

Naquela noite, o telefone de Mariana tocou.

Era Rafael.

"Mariana, onde você está?"

"Em Santos."

"Minha mãe disse que você está perseguindo uma mulher doente."

Mariana fechou os olhos.

"Rafael, encontrei Helena."

Houve silêncio.

"Tem certeza?"

"Ela me reconheceu."

"Minha mãe disse que essa mulher sofre de problemas de memória."

"Então sua mãe sabe exatamente de quem estou falando."

Rafael não respondeu.

Mariana continuou:

"Ela está viva. E Beatriz paga para mantê-la escondida."

"Isso não prova que minha mãe fez alguma coisa errada."

Mariana sentiu as lágrimas voltarem.

"Ela gritou que Beatriz roubou seu bebê."

Do outro lado da linha, Rafael respirou fundo.

"Mariana, por favor, não transforme isso numa acusação pública antes de termos certeza."

Ela olhou para Lucas, que organizava as fotografias.

"Você ainda está tentando proteger sua mãe?"

"Estou tentando proteger nossa família."

Mariana respondeu com uma calma dolorosa:

"Eu estou tentando descobrir a minha."

Desligou.

Minutos depois, Lucas recebeu uma mensagem de Patrícia.

Havia uma fotografia anexada.

Era a ficha interna da paciente conhecida como Heloísa Martins.

Na parte inferior, aparecia o nome da pessoa responsável pelos pagamentos.

Beatriz Albuquerque.

Mas havia outra anotação.

Nome anterior: Helena Albuquerque.

Mariana aproximou a imagem.

Logo abaixo, numa observação antiga, estava escrito:

Paciente insiste que sua filha foi trocada na maternidade.

E, pela primeira vez, Mariana percebeu que o desaparecimento de Helena talvez não fosse o maior segredo.

O maior segredo era descobrir quem havia ficado com a criança que deveria ter sido dela.

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