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"No Dia do Meu Casamento, Descobri o Segredo Mais Sombrio da Minha Sogra" Capítulo 1 — O Segredo no Altar

正文开头

"Essa porcaria não vai entrar na minha família!"

A voz de Beatriz Albuquerque atravessou o salão da mansão como uma bofetada.

Diante de quase duzentos convidados, a mulher mais poderosa do Morumbi agarrou a corrente que Mariana Oliveira trazia no pescoço e puxou com tanta força que o fecho se rompeu.

O pingente caiu sobre o mármore branco.

Mariana levou a mão ao pescoço, sentindo a pele arder.

"Ficou louca? Era da minha mãe!"

"Então deveria ter deixado essa bijuteria na casa dela", respondeu Beatriz, ajeitando o vestido de seda verde-esmeralda. "Hoje você vai se casar com um Albuquerque. Aprenda a se comportar como um."

O quarteto de cordas parou de tocar.

Mariana estava a poucos minutos de caminhar até o altar. O vestido de noiva, comprado depois de meses de economia, tinha uma delicada renda nos ombros. Ela mesma havia costurado algumas pérolas na barra.

Nunca imaginara que seria humilhada antes de dizer sim.

Rafael Albuquerque surgiu entre os convidados.

"Mãe! O que você pensa que está fazendo?"

"Estou evitando que sua noiva passe vergonha."

"A única pessoa passando vergonha aqui é você."

O rosto de Beatriz endureceu.

Mariana se abaixou para recolher o pingente. A pequena peça oval havia se aberto com a queda, revelando uma fotografia antiga, protegida por um vidro fino.

Duas mulheres apareciam diante de um jardim.

Uma delas era jovem, sorridente, com cabelos castanhos compridos.

A outra era Beatriz.

Mariana conhecia aquela fotografia desde criança. Vera, a mulher que a criara, sempre dissera que a moça de cabelos castanhos era Helena Oliveira, sua mãe biológica, morta quando ela ainda era bebê.

Mas Mariana nunca soubera quem era a mulher ao lado dela.

Até aquele instante.

"Você conhecia minha mãe?"

Beatriz olhou para a fotografia.

Toda a cor desapareceu de seu rosto.

"De onde você tirou isso?"

"Era da minha mãe. Por quê?"

"Me dê."

Beatriz estendeu a mão.

Mariana fechou os dedos ao redor do pingente.

"Responda primeiro."

"Mariana", Rafael pediu, aproximando-se. "Não vamos fazer isso agora."

"Ela conhecia minha mãe, Rafael!"

Beatriz recuperou a postura. Seu sorriso voltou, frio e perfeitamente calculado.

"Trabalhei com muitas pessoas ao longo da vida. Não tenho obrigação de lembrar o nome de cada funcionária."

"Então por que ficou tão assustada?"

"Porque você está transformando um momento importante numa cena ridícula."

Um murmúrio percorreu o salão.

Camila Albuquerque, irmã de Rafael, aproximou-se segurando uma taça de espumante.

"Meu Deus, Mariana. Nem começou a cerimônia e você já está fazendo escândalo?"

Mariana ignorou a provocação.

Beatriz inclinou-se até ficar perto de seu ouvido.

"Guarde essa fotografia. E nunca mais me pergunte sobre essa mulher."

A ameaça foi sussurrada, mas não deixou dúvidas.

Rafael segurou a mão da noiva.

"Vamos conversar depois. Por favor."

Mariana olhou para o homem que amava.

Conhecera Rafael dois anos antes, quando organizava um evento beneficente nos Jardins. Ele aparecera atrasado, sem gravata, pedindo desculpas aos funcionários em vez de dar ordens.

正文1

Era diferente da mãe.

Ou pelo menos ela acreditava nisso.

"Você sabia que sua mãe conhecia Helena?"

"Não. Eu juro."

Mariana procurou alguma mentira nos olhos dele.

Não encontrou.

A cerimônia começou com vinte minutos de atraso.

Quando Mariana entrou no jardim, acompanhada por Vera, todos se levantaram. Rosas brancas decoravam o caminho até o altar, e uma fonte refletia a luz dourada da tarde.

Vera apertou o braço da filha.

"Você está tremendo."

"Depois eu preciso conversar com a senhora."

"Sobre o quê?"

"Sobre minha mãe."

Vera parou por uma fração de segundo.

"Agora não, minha filha."

"Todo mundo parece dizer a mesma coisa."

A mulher desviou o olhar.

Mariana sentiu um aperto no peito.

Diante do celebrante, Rafael segurou suas mãos.

"Você está linda", ele murmurou.

Ela tentou sorrir.

Durante os votos, Beatriz permaneceu na primeira fileira. Seus olhos não estavam no filho.

Estavam no pingente que Mariana havia colocado novamente no pescoço, prendendo a corrente quebrada com um pequeno alfinete.

Quando o celebrante perguntou se Rafael aceitava Mariana como esposa, ele respondeu sem hesitar.

"Sim, aceito."

Mariana ouviu a mesma pergunta.

Por um instante, a voz de Beatriz voltou à sua cabeça.

Nunca mais me pergunte sobre essa mulher.

Ela respirou fundo.

"Sim, aceito."

Os convidados aplaudiram.

Rafael a beijou, e Mariana tentou acreditar que o pior daquele dia havia passado.

Estava enganada.

Durante a recepção, uma funcionária entregou a Mariana um envelope branco.

"Uma senhora pediu que eu desse isso à noiva."

"Que senhora?"

"Não sei. Ela estava perto da entrada de serviço."

Mariana abriu o envelope.

Dentro havia uma folha dobrada.

Se você quiser saber quem realmente é, procure o quarto azul antes da meia-noite.

Não confie em Beatriz.

E não deixe que ela toque no seu pingente outra vez.

Mariana sentiu o coração acelerar.

Virou a folha.

No verso havia apenas uma data: 17 de agosto, vinte e oito anos antes.

Sua data de nascimento.

"Quem entregou isso?", perguntou novamente.

Mas a funcionária já havia desaparecido entre os convidados.

Mariana procurou Rafael.

Ele conversava com o pai, Antônio Albuquerque, perto do bar.

Ela se aproximou, mas ouviu Beatriz chamá-lo.

"Rafael, preciso de você por um instante."

"Agora, mãe?"

"É importante."

Beatriz lançou um olhar rápido para Mariana.

Depois levou o filho para dentro da mansão.

Mariana hesitou.

Então seguiu os dois.

Atravessou o corredor principal e parou perto da biblioteca, onde ouviu vozes.

"Você precisa me ouvir", dizia Beatriz.

"Não vou discutir minha esposa no dia do casamento."

"Você não entende o que está acontecendo!"

"Então me explique."

Houve silêncio.

Mariana aproximou-se da porta entreaberta.

Beatriz falou novamente, agora quase num sussurro.

"Aquela menina não pode descobrir de onde veio."

"Que história é essa?"

"É uma questão antiga. Assunto de família."

"Mariana é minha família agora."

"Você não sabe o que está dizendo."

Mariana recuou, assustada.

A porta começou a abrir.

Ela se escondeu atrás de uma coluna.

正文2

Beatriz saiu primeiro, seguida por Rafael, que parecia irritado.

Quando os dois desapareceram, Mariana voltou ao salão.

Precisava encontrar Vera.

A mãe adotiva estava sentada sozinha numa mesa, observando o movimento dos convidados.

Mariana colocou o envelope diante dela.

"O que aconteceu no dia em que eu nasci?"

Vera leu a data.

Suas mãos começaram a tremer.

"Quem te deu isso?"

"É verdade que minha mãe morreu?"

"Mariana..."

"Olha para mim e responde."

Vera começou a chorar.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Dona Célia, a governanta da mansão, apareceu ao lado delas.

"Desculpem interromper."

A idosa parecia apavorada.

"Dona Mariana, preciso falar com a senhora. Sozinha."

Vera segurou o braço da filha.

"Não vá."

"Por quê?"

Célia olhou para os lados.

"Porque há coisas nesta casa que nunca deveriam ter sido escondidas."

Mariana acompanhou a governanta até um corredor afastado.

"Foi a senhora que mandou a carta?"

Célia não respondeu.

Em vez disso, abriu uma pequena gaveta de um aparador e retirou uma chave de bronze.

"O quarto azul fica no segundo andar, depois da antiga sala de música."

"O que tem lá?"

"Uma coisa que dona Beatriz guarda há vinte e oito anos."

Mariana pegou a chave.

"Por que está me ajudando?"

Os olhos de Célia ficaram úmidos.

"Porque eu já fiquei calada tempo demais."

Passos ecoaram na escadaria.

Célia se afastou imediatamente.

Mariana escondeu a chave na mão.

Quando se virou, Beatriz estava parada no fim do corredor.

"Procurando alguma coisa, minha querida?"

Mariana ergueu o queixo.

"O banheiro."

Beatriz sorriu.

"Então está no andar errado."

Ela se aproximou devagar.

"E mais uma coisa, Mariana. Nesta casa existem portas que permanecem trancadas por um bom motivo."

Mariana sustentou seu olhar.

"Às vezes, as portas estão trancadas porque alguém tem medo do que existe atrás delas."

O sorriso de Beatriz desapareceu.

Naquela noite, quando a festa finalmente terminou, Mariana esperou Rafael entrar no banho.

Retirou a chave do esconderijo e subiu a escadaria.

Encontrou o quarto azul no fim do corredor.

A fechadura girou com dificuldade.

Lá dentro, os móveis estavam cobertos por lençóis brancos.

Havia um berço antigo junto à janela.

Sobre uma cômoda, duas pulseirinhas de maternidade repousavam dentro de uma caixa de vidro.

Mariana se aproximou.

Uma delas trazia o nome de uma recém-nascida.

Mariana Albuquerque.

A outra estava identificada como:

Camila Oliveira.

Mariana levou a mão à boca.

Atrás dela, uma voz feminina rompeu o silêncio.

"Agora você entende por que sua sogra nunca quis esse casamento?"

Mariana se virou.

Uma mulher desconhecida estava parada à porta.

E segurava uma fotografia de dois bebês.

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