"Ela Roubou o Herdeiro do Chefe da Máfia… E Foi Capturada Cinco Anos Depois" Capítulo 5 — O Homem Que Enterrou a Própria Noiva
Os agentes federais chegaram ao hotel procurando uma criança em perigo e encontraram Dante Montenegro sentado sozinho no salão principal, com o mandado já aberto diante dele.
Não havia armas sobre a mesa. Não havia reféns. Lívia, Henrique e Benício haviam deixado o prédio oito minutos antes, usando um veículo registrado em nome da equipe internacional que investigava César Valença.
Dante permanecera para receber as autoridades.
— Onde está a criança? — perguntou o delegado.
— Com a mãe.
— César Valença afirma que o senhor tentou sequestrá-la.
Dante empurrou o resultado do exame adulterado, a fotografia enviada a Lívia e o registro do disparo contra o carro.
— César sabia da existência do menino antes que o exame fosse concluído. Pergunte como.
O delegado não teve resposta. O mandado determinava apenas a verificação das condições de Benício, não a prisão de Dante. Quando a equipe deixou o hotel, Rafael entrou pela porta lateral.
— Eles chegaram à casa segura — informou.
— Henrique está com eles?
— Está.
Dante fechou os olhos por um segundo.
— Então a casa ainda não é segura.
— Lívia confia nele.
— Esse é o problema.
A propriedade ficava às margens do rio Tarumã, escondida por árvores e protegida por um sistema independente da rede Montenegro. Dante a comprara três anos antes para coordenar buscas na Amazônia. Nenhum dos homens que trabalhava ali sabia que a mulher procurada chegaria viva.
Quando Dante entrou, encontrou Henrique agachado diante de Beni, fechando os botões de uma camisa limpa. O menino protestava porque um dos punhos estava apertado.
— Fique parado — disse Henrique. — Você conseguiu entrar no salão usando uma gravata. Sobreviverá a uma camisa.
— A gravata tinha um bolso secreto.
Henrique afrouxou o botão e alisou a gola do garoto com uma intimidade construída ao longo de anos.
Dante parou no corredor.
Ele tinha poder para afastar Henrique com uma palavra. Podia cancelar suas credenciais, congelar contas e colocá-lo em um avião antes do amanhecer. Nenhuma dessas ações devolveria os cinco anos perdidos. Apenas provaria que Lívia tivera razão em fugir.
— O quarto ao lado está preparado para você — disse Dante.
Henrique se levantou.
— Não preciso da sua hospitalidade.
— Não é hospitalidade. É a forma mais eficiente de manter todos vivos.
— Inclusive você?
— Especialmente meu filho.
Beni ergueu a cabeça ao ouvir a última palavra. Dante percebeu, mas não tentou corrigi-la nem se aproximar.
Lívia apareceu no alto da escada usando calça preta, camiseta e coldre. Abandonara o vestido, a maquiagem e qualquer aparência de vulnerabilidade.
— Beni ficará no quarto comigo — declarou.
— A suíte principal tem vidro blindado e duas rotas de evacuação — disse Dante.
— Eu escolho onde meu filho dorme.
— Então escolha a suíte principal.
Ela apertou os olhos, irritada com a concordância.
— Preciso verificar o sistema.
— Rafael dará acesso total.
— E as câmeras internas serão desligadas.
— Já foram.
Lívia passou por ele sem agradecer. Dante seguiu-a até a escada, mantendo dois degraus de distância.
— Onde fica a central? — perguntou ela.
— Depois do escritório.
Ao abrir a porta do escritório, Lívia parou.
O cômodo não parecia pertencer a uma casa usada ocasionalmente. Sobre uma parede inteira havia mapas do Amazonas, fotografias de povoados, registros de clínicas, pistas de pouso e rotas fluviais. Linhas vermelhas ligavam locais onde mulheres com características semelhantes às dela haviam sido vistas.
Em uma estante, caixas estavam identificadas por ano. Dentro delas, Lívia encontrou cópias de passaportes falsos, relatórios de corpos não identificados e depoimentos de pessoas que afirmaram tê-la visto.
— Você montou tudo isto por minha causa?
— Não comprei uma casa no meio da Amazônia por causa do clima.
Ela abriu a caixa marcada com o primeiro ano. No alto havia a fotografia do túmulo vazio. Debaixo dela, um pedaço queimado do vestido usado na noite da explosão, o teste de gravidez deformado e uma caixa de veludo ainda fechada.
Lívia tocou a tampa.
— O que é?
— Uma pergunta que não tive oportunidade de fazer.
Ela retirou a mão como se o veludo queimasse.
Dante não abriu a caixa. Não usaria um pedido de casamento enterrado havia cinco anos para exigir alguma coisa da mulher que acabara de reencontrar.
— Eu achava que você tinha me condenado — disse Lívia.
— Eu achava que minha última pergunta tinha matado você.
— Não foi a pergunta.
— Foi não ter esperado a resposta.
Antes que ela falasse, um som de madeira batendo veio do corredor. Beni havia encontrado uma pequena aeronave de brinquedo sobre outra estante. Uma das asas estava solta.
— Era sua? — perguntou o menino.
— Do meu pai.
— Está quebrada.
— Há muito tempo.
Beni girou a hélice.
— Henrique sabe consertar coisas.
— Henrique sabe muitas coisas — respondeu Dante.
O ciúme escapou na frieza da voz. Lívia o percebeu.
— Ele sabe ficar quando alguém precisa dele.
Dante fechou a caixa de documentos com força.
— Ele ficou porque eu não sabia que vocês existiam.
— Ele ficou sem exigir nada em troca.
— E o que ele quer agora?
— Pergunte a ele.
— Estou perguntando a você.
— Eu não sou mais sua secretária. Não respondo às suas perguntas porque você bateu o dedo sobre uma mesa.
Beni olhava de um para o outro. Dante soltou lentamente a caixa.
— Tem razão.
Lívia pareceu mais surpresa com o recuo do que teria ficado com uma ameaça.
Naquela noite, Beni recusou o jantar preparado pelos funcionários. Disse que não comia nada cuja panela não tivesse visto. Dante dispensou a equipe da cozinha e abriu os armários.
— Você sabe cozinhar? — perguntou o menino.
— Sei manter pessoas vivas.
— Não é a mesma coisa.
Henrique riu. Dante lançou-lhe um olhar, mas continuou cortando pão. Preparou sanduíches simples diante de Beni, provou todos os ingredientes e deixou que o menino escolhesse o próprio prato.
Lívia observou da porta.
Durante anos, imaginara que Dante transformaria o filho em propriedade. Não estava preparada para vê-lo perguntar antes de colocar queijo no pão.
Mais tarde, Beni dormiu na suíte ao lado dela. À uma da manhã, Lívia percebeu que a cama estava vazia.
O alarme não disparara.
Ela correu para o corredor e encontrou Dante diante do escritório aberto. Beni estava sentado no chão, iluminado pela tela do computador.
— Eu só queria saber se ele tinha jogos — disse o menino.
Dante olhou para o monitor. Beni acessara um arquivo protegido por reconhecimento facial e encontrara a ordem de busca emitida cinco anos antes.
Na tela, em letras vermelhas, lia-se:
RECOMPENSA: US$ 100.000.000 POR INFORMAÇÕES SOBRE OS RESPONSÁVEIS PELA MORTE DE LÍVIA AZEVEDO.
Não era uma recompensa para capturar a traidora.
Era uma caçada aos assassinos dela.
Beni virou-se para a mãe.
— Você disse que ele queria encontrar você para machucar a gente.
Lívia sentiu a culpa comprimir sua garganta.
— Era o que eu acreditava.
— Você estava errada?
Antes que ela respondesse, todas as luzes da casa se apagaram.
A voz de Rafael surgiu no comunicador de Dante:
— Perímetro rompido. Alguém acabou de entrar usando o código pessoal de Lívia.
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