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"Ela Roubou o Herdeiro do Chefe da Máfia… E Foi Capturada Cinco Anos Depois" Capítulo 4 — O Dia em Que a Secretária Foi Desmascarada

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Dois anos antes de morrer, Lívia Azevedo entrou no escritório de Dante Montenegro carregando um currículo falso, um transmissor escondido no salto e a certeza de que ele mandara matar sua família.

Dante não levantou os olhos quando ela parou diante da mesa.

— Está sete minutos atrasada.

— Seu segurança desmontou minha bolsa.

— Rafael leva quatro minutos para revistar alguém.

— Eu levei três para remontá-la corretamente.

Ele ergueu o rosto pela primeira vez.

Lívia havia estudado centenas de fotografias dele. Nenhuma mostrava a intensidade dos olhos escuros nem o silêncio calculado que fazia homens experientes falarem demais.

— Por que quer ser minha secretária? — perguntou.

— Porque seu último assistente não durou três semanas e o anterior desapareceu.

— Isso deveria afastá-la.

— A vaga paga quatro vezes mais do que deveria. Gosto de descobrir por quê.

Dante fechou o currículo.

— Começa amanhã.

— Ainda não me contratou.

— Se fosse uma secretária comum, teria inventado uma resposta mais bonita. Se fosse uma espiã ruim, teria chegado no horário.

O coração dela bateu mais forte, mas o rosto permaneceu neutro.

— E se eu for uma espiã boa?

— Então finalmente terei alguém interessante por perto.

Nos primeiros meses, Lívia copiou agendas, fotografou documentos e plantou programas de acesso nos servidores. Dante parecia não perceber. Ele entregava a ela reuniões confidenciais, rotas internacionais e códigos temporários, sempre retirando a última peça necessária para compreender o sistema completo.

Era como se os dois jogassem uma partida sem admitir que conheciam as regras.

Lívia esperava encontrar ordens ligadas ao massacre dos Azevedo. Encontrou pagamentos secretos a viúvas, registros de homens expulsos por atacarem civis e uma lista de carregamentos que Dante se recusara a transportar.

Nada o inocentava. Mas nada combinava com o monstro descrito em seu arquivo.

A primeira rachadura surgiu em Santos.

Lívia acompanhou Dante a uma inspeção noturna no porto. Oficialmente, precisava registrar alterações contratuais. Na realidade, seu contato informara que um livro-caixa seria transferido naquela noite.

Ela se afastou do grupo e entrou no armazém sete. Encontrou o cofre aberto e um dispositivo preso à fechadura.

Não era um transmissor. Era uma carga explosiva.

— Abaixe-se! — gritou.

Dante apareceu na entrada. Lívia correu contra ele no instante em que as janelas explodiram. Os dois caíram atrás de uma empilhadeira. Homens armados abriram fogo do mezanino.

Lívia retirou a arma escondida na cintura e atingiu a luminária acima dos atiradores. O armazém mergulhou no escuro.

— Secretárias costumam carregar pistolas? — perguntou Dante.

— Só quando o chefe marca reuniões ruins.

Eles avançaram juntos entre caixas e contêineres. Dante cobriu a escada enquanto Lívia desativava a segunda carga. Quando um atirador surgiu atrás dela, Dante recebeu o disparo no ombro antes de derrubá-lo.

Lívia arrastou Dante para fora. Pressionou o ferimento com as duas mãos e ordenou que ele permanecesse consciente.

— Você fala comigo como se mandasse em mim — murmurou ele.

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— Sangre menos e eu serei mais educada.

Foi a primeira vez que Dante sorriu para ela.

Depois daquela noite, as fronteiras começaram a desaparecer.

Lívia continuou investigando. Dante continuou permitindo que ela chegasse perto demais. Ela conheceu a cicatriz sob a clavícula dele, as noites em que não dormia e o hábito de guardar café para ela durante reuniões longas.

Ele descobriu que Lívia acordava ao menor ruído, nunca se sentava de costas para janelas e visitava uma igreja vazia todo dia dezessete.

Nenhum dos dois perguntou por quê.

O primeiro beijo aconteceu depois de outra emboscada, dentro de um carro blindado parado sob chuva. Lívia tinha sangue na boca. Dante segurava o rosto dela, verificando um corte.

— Pare de me olhar como se eu pudesse quebrar — disse ela.

— Estou tentando decidir o que fazer com você.

— Decida depressa.

Ele a beijou.

O relacionamento permaneceu escondido durante meses. Em público, Lívia era a secretária eficiente que organizava compromissos. Em particular, tornava-se a única pessoa autorizada a entrar no quarto de Dante armada.

Ela deveria odiá-lo. Em vez disso, começou a apagar informações dos relatórios enviados aos seus superiores para protegê-lo.

Dante deveria investigá-la. Em vez disso, retirou o nome dela dos arquivos internos de vigilância.

Na manhã do fim, Lívia fez três testes de gravidez no banheiro da cobertura do Rio de Janeiro.

As três linhas positivas fizeram suas mãos tremerem mais do que qualquer tiroteio.

Ela colocou um dos testes dentro da bolsa e passou vinte minutos diante do espelho. Pela primeira vez desde a morte dos pais, imaginou uma vida que não terminava em vingança.

Dante a esperava no terraço. Uma pequena caixa escura estava escondida no bolso do paletó dele.

Nenhum dos dois chegou a revelar o que carregava.

Rafael apareceu na porta.

— A família está reunida. César Valença trouxe documentos sobre Lívia.

Na sala principal, vinte homens observavam telas cobertas por relatórios, fotografias e gravações. O nome verdadeiro de Lívia aparecia acima da palavra INFILTRADA.

César sorria ao lado do projetor.

— Sua secretária trabalha para a unidade clandestina que investiga sua família — anunciou. — Ela copiou suas rotas, seus contratos e suas comunicações privadas.

Dante olhou para Lívia.

Ela não negou.

Ele retirou a arma e a colocou sobre a mesa. Não apontou para ela, mas o som do metal fez Lívia entender que a confiança havia terminado.

— Qual parte de nós também fazia parte da missão? — perguntou Dante.

Lívia tocou a bolsa onde escondera o teste de gravidez.

Antes que pudesse responder, seu relógio vibrou. Uma mensagem interceptada apareceu na tela minúscula.

“A agente está grávida. O herdeiro será a garantia. Elimine Montenegro depois da confirmação.”

Ela leu duas vezes.

César sabia.

Se Lívia contasse a Dante naquele momento, todos na sala saberiam que existia um herdeiro. Se negasse os documentos, César apresentaria provas ainda piores. Se permanecesse, o filho seria transformado em arma antes de nascer.

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— Tudo começou como missão — respondeu ela.

Dante ficou imóvel.

— E terminou como quê?

As luzes se apagaram.

Explosões atingiram o andar inferior. Homens de César, disfarçados entre a segurança externa, abriram fogo. Lívia derrubou a mesa, puxou Dante para o chão e entregou-lhe a própria arma.

Mesmo acreditando que ela o traíra, Dante protegeu seu corpo durante a retirada.

Eles chegaram à garagem por corredores separados. Lívia viu César diante das câmeras, dando a um mercenário a ordem para segui-la. Entendeu que não haveria lugar seguro enquanto ela estivesse viva.

Entrou no carro, deixou o teste de gravidez escondido sob o banco e dirigiu para a estrada costeira. Durante o trajeto, ativou o sistema remoto preparado para uma fuga extrema.

Saltou do veículo antes da curva, rolou pela mata e viu o carro vazio atravessar a proteção. A explosão iluminou a ribanceira.

Ela seguiu a pé até o ponto onde Henrique a esperava com documentos falsos e uma aeronave rumo ao Amazonas.

Horas depois, Dante encontrou o teste de gravidez parcialmente queimado entre os objetos retirados do veículo.

O plástico havia derretido sobre a janela do resultado. Ele não conseguiu saber se era positivo.

Durante cinco anos, guardou aquele fragmento sem compreender.

No presente, Dante colocou o teste queimado sobre a mesa diante de Lívia.

Ela reconheceu o objeto imediatamente.

— Você encontrou.

— Encontrei tudo, menos você.

Lívia observou a linha ainda oculta pelo plástico deformado.

— César sabia da gravidez antes de eu contar a qualquer pessoa.

— Então alguém dentro da sua operação entregou você.

— Ou alguém dentro da sua casa encontrou o teste.

Dante aproximou o objeto da luz. Na lateral, quase invisível sob a fuligem, havia uma impressão digital parcial marcada por uma substância azul.

Lívia empalideceu.

— Esse pó era usado no arquivo clandestino para identificar documentos copiados.

— Quem tinha acesso?

Ela ergueu os olhos para Henrique, que acabava de entrar na sala.

— Apenas três pessoas.

O telefone de Henrique tocou antes que ele pudesse perguntar os nomes. Uma transmissão ao vivo apareceu na tela.

César Valença estava diante dos portões do hotel, cercado por jornalistas.

— Dante Montenegro mantém uma mulher e uma criança como reféns — declarou ele. — A criança é herdeira de um império criminoso e corre perigo imediato.

Atrás de César, agentes federais desciam de veículos blindados com um mandado para retirar Benício da proteção de Lívia e de Dante.

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