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"Ela Roubou o Herdeiro do Chefe da Máfia… E Foi Capturada Cinco Anos Depois" Capítulo 3 — O Filho Que Ela Roubou

正文开头

Às três da manhã, Dante entrou no quarto onde o filho dormia e encontrou uma faca na mão de Lívia.

Ela estava sentada junto à janela da suíte segura, ainda usando o vestido da festa. Beni dormia atravessado na cama, abraçado ao paletó de Henrique. A lâmina permanecia apoiada sobre a coxa de Lívia, voltada para a porta.

— Se quisesse matar você, não teria acendido a luz — disse Dante.

— Se eu confiasse nisso, não estaria acordada.

Ele fechou a porta sem se aproximar.

— O exame foi adulterado.

— Então acabou.

— Não. Agora sabemos que alguém dentro da operação quer impedir que eu confirme a paternidade.

Lívia olhou para o filho.

— Ou quer provocar uma guerra entre nós.

— Essa guerra começou quando você deixou seu colar dentro de um carro em chamas.

A mão dela apertou a faca.

— Você acha que foi fácil?

— Não sei. Você nunca me contou.

— Porque, naquela noite, seus homens estavam me caçando.

— Meus homens passaram quarenta e três dias procurando seu corpo.

— Depois de você colocar uma arma sobre a mesa e perguntar qual parte de nós fazia parte da missão.

Dante lembrou-se da sala, das telas exibindo os arquivos de infiltração e de César sorrindo enquanto destruía tudo em que ele acreditara. Lembrou-se de Lívia parada diante de vinte chefes de família, sem negar uma única acusação.

— Você poderia ter respondido.

— Seus inimigos já sabiam que eu estava grávida. Se eu confirmasse que amava você, entregaria a única fraqueza que ainda não conheciam.

Dante perdeu o ar.

— Eles sabiam antes de mim.

— Sim.

— E foi por isso que você morreu.

— Foi por isso que precisei morrer.

Beni se mexeu. Os dois ficaram em silêncio até a respiração do menino voltar ao ritmo profundo.

Dante observou o pequeno punho fechado sobre o travesseiro. Cinco anos de febres, primeiros passos, palavras erradas e medos noturnos haviam acontecido sem ele.

— Quem fez o parto?

— Uma médica aposentada perto de Tefé.

— Henrique estava lá?

— Estava.

O ciúme veio misturado à gratidão, combinação que Dante odiou.

— Ele sabia que o filho era meu?

— Sempre soube.

— Então um desconhecido segurou meu filho antes de mim.

— Um homem que arriscou a própria vida para que ele nascesse.

Dante recuou antes que a raiva se transformasse em ameaça. Lívia percebeu.

— Você ainda acredita que pode resolver dor assustando as pessoas.

— E você acredita que fugir é a mesma coisa que proteger.

— Beni está vivo.

— E eu também estava.

Ela não teve resposta.

Dante retirou do bolso um pequeno envelope esterilizado.

— Encontramos o guardanapo que Beni usou no salão. Rafael acompanhou a coleta. O laboratório será escolhido por você, e Henrique poderá observar cada etapa.

— Já sabe a resposta.

— Quero uma prova que ninguém consiga apagar.

正文1

Lívia guardou a faca.

— Quando o resultado chegar, você não pedirá a guarda dele.

— Não vou prometer isso.

— Então não haverá exame.

— Também não vou arrancá-lo de você.

— Isso deveria me tranquilizar?

— É a verdade mais honesta que consigo oferecer esta noite.

Ela estudou o rosto dele. O antigo Dante teria exigido, ameaçado e vencido. Aquele homem esperava uma decisão que podia destruí-lo.

— Eu escolho o laboratório — disse Lívia. — Henrique acompanha. Nenhum resultado entra na rede Montenegro.

— Aceito.

— E Beni só verá o documento quando eu estiver ao lado dele.

— Aceito.

— Você não contará a ninguém antes de conversarmos com ele.

— Aceito.

Lívia pareceu irritada por ele não discutir.

Na manhã seguinte, ela escolheu uma clínica universitária ligada à Universidade Federal do Amazonas. Henrique acompanhou as novas coletas. Dante forneceu uma amostra diante dos três e voltou para o hotel.

Enquanto esperavam, Beni recusou-se a falar com ele.

O menino explorou a suíte, analisou as câmeras e descobriu duas saídas de emergência. Quando Dante trouxe uma caixa de brinquedos enviada por Rafael, Beni nem a abriu.

— Minha mãe diz que homens ricos dão presentes quando querem comprar silêncio.

— Sua mãe dizia muitas coisas sobre mim.

— Ela disse que você não dorme de costas para portas.

Dante olhou para Lívia. Ela fingiu concentrar-se no computador.

— Isso é verdade — respondeu.

— Disse que você odeia canela no café.

— Também é verdade.

— Disse que você não perdoa traidores.

O silêncio voltou.

— Essa parte mudou — afirmou Dante.

Lívia ergueu os olhos.

Beni apontou para o telefone sobre a mesa.

— Posso jogar?

— Não.

— Então vou ficar entediado e talvez toque em alguma coisa importante.

Dante quase sorriu. Entregou-lhe um aparelho sem conexão com os servidores. Dez minutos depois, Beni anunciou que precisava ir ao banheiro. Levou o telefone consigo.

Na verdade, conectou o aparelho ao painel de automação e acessou o arquivo local de Dante.

Quando Lívia percebeu, encontrou o filho sentado no chão do corredor, diante de centenas de fotografias. Havia imagens dela trabalhando no escritório, sorrindo em um barco, limpando sangue do rosto de Dante após uma emboscada. Outras mostravam buscas em portos, hospitais e povoados da Amazônia.

A última fotografia era de uma lápide escura com o nome LÍVIA AZEVEDO.

— Você mentiu — disse Beni.

Lívia se ajoelhou.

— Eu queria contar quando você pudesse entender.

— Ele achou que você estava morta.

— Era necessário.

— Para quem?

A pergunta atingiu o centro da culpa que ela carregava.

Dante apareceu no corredor. Beni se levantou e atirou o telefone contra o peito dele.

— Por que não encontrou a gente?

Dante segurou o aparelho.

— Porque sua mãe é melhor do que quase todos os homens que contratei.

— Você desistiu?

— Nunca.

— Então por que ela tinha medo de você?

Dante olhou para Lívia. Poderia acusá-la, exigir explicações ou usar a pergunta para aproximar o filho. Em vez disso, respondeu:

— Porque eu dei motivos para ela acreditar que não seria ouvida.

Lívia baixou os olhos.

Henrique entrou com o envelope do laboratório. Ninguém precisou perguntar. A expressão dele revelava o resultado.

Os quatro voltaram à sala. Henrique colocou o documento diante de Lívia, não de Dante.

Ela leu primeiro.

Probabilidade de paternidade: 99,9998%.

Lívia entregou o papel a Beni. O menino leu devagar, movendo os lábios nas palavras difíceis.

— Então ele é meu pai.

— Sim — respondeu ela.

Beni encarou Dante durante vários segundos.

— Preciso chamar você de pai?

— Não.

— Preciso morar com você?

— Não enquanto não decidirmos juntos.

— Você vai mandar Henrique embora?

Dante desejou responder que sim. Em vez disso, disse:

— Henrique faz parte da sua vida. Não vou apagar isso.

O menino pareceu aceitar. Caminhou até a janela, mantendo distância dos três adultos.

Dante pegou o resultado e ficou diante de Lívia.

— Você não roubou meu dinheiro, meus segredos ou minhas rotas. Roubou cinco anos da vida do meu filho.

Ela sustentou o golpe.

— Eu preservei todos os anos que ele ainda terá.

— E quem preservou você?

— Eu mesma.

— Sempre você mesma.

Não houve admiração na frase, apenas tristeza.

O alarme do computador de Lívia interrompeu os dois. Uma mensagem criptografada surgira em uma conta que ela não utilizava desde a falsa morte.

Na tela havia uma fotografia tirada minutos antes: Beni diante da janela.

Sob a imagem, uma única frase:

“O herdeiro deveria ter morrido com a mãe.”

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