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"Ela Roubou o Herdeiro do Chefe da Máfia… E Foi Capturada Cinco Anos Depois" Capítulo 2 — A Morta Que Voltou de Braços Dados

正文开头

Lívia entrou na sala privada sem baixar a cabeça.

Cinco anos antes, atravessava qualquer porta atrás de Dante carregando seus arquivos, conhecendo sua agenda e ocultando uma arma sob o uniforme impecável. Agora caminhava à frente dele, com uma mão sobre o ombro do filho e a outra próxima à abertura do vestido onde guardara a pistola.

Henrique permaneceu ao lado dela.

Dante percebeu tudo: o modo como Beni aceitava a presença do homem, a intimidade com que Henrique encontrou uma garrafa de água na mesa e a entregou ao garoto, a confiança de Lívia em deixá-lo aproximar-se da criança.

— Rafael, esvazie o corredor — ordenou.

— Eu fico — disse Rafael.

— Do lado de fora.

— Se ela tentar desaparecer, eu quero todas as saídas bloqueadas — acrescentou Dante.

— Não vou fugir — disse Lívia.

Dante esperou Rafael fechar a porta.

— Você fez disso uma promessa cinco anos atrás.

Beni bebeu água, tentando parecer indiferente. Seus dedos tremiam ao redor da garrafa. Lívia se ajoelhou diante dele.

— Olhe para mim. Você está seguro.

— Ele fechou as portas.

— Eu vou abri-las.

— Qual é a idade dele? — perguntou Dante.

Lívia se levantou.

— Isso não importa.

— Importa para mim.

— Você não fazia parte da vida dele ontem.

— Ontem eu acreditava que você estava morta.

Henrique colocou-se discretamente mais perto dela.

— Beni tem quatro anos — afirmou Lívia.

O menino franziu a testa.

— Tenho cinco.

O silêncio tornou-se quase físico.

Lívia olhou para o filho.

— Você fez aniversário há pouco tempo.

— Foi em abril. Você fez o bolo azul e Henrique queimou o brigadeiro.

Henrique respirou fundo. Dante aproximou-se da mesa e apoiou as mãos na madeira para esconder a força com que as fechava.

Abril. A explosão ocorrera no fim de agosto, cinco anos antes. As datas cabiam. Mais do que isso: explicavam por que Lívia passara mal durante a última missão, por que recusara vinho e por que uma caixa de vitaminas desaparecera do banheiro da suíte.

— Você já sabia? — perguntou.

Lívia não respondeu.

— No dia da explosão, você sabia que estava grávida?

Beni olhou para a mãe.

— Que explosão?

— Chega — disse Lívia. — Não diante dele.

— Você trouxe nosso filho para um evento onde César Valença estava na lista de convidados.

O nome provocou uma reação imediata. Henrique deixou a garrafa sobre a mesa. Lívia manteve o rosto firme, mas seu olhar foi até a câmera no canto do teto.

— César não veio — disse ela.

— Como sabe?

— Porque verificamos.

— “Nós” quem?

Henrique respondeu:

— A empresa de Lívia foi contratada para testar a segurança digital do evento. Eu coordeno a investigação internacional sobre desvios na Zona Franca.

Dante olhou para as mãos deles. Não havia alianças. Isso não diminuiu o veneno da pergunta seguinte.

正文1

— Ele é o pai que Beni conhece?

Lívia percebeu exatamente o que ele queria saber.

— Henrique esteve presente quando Beni nasceu. Esteve em todas as febres, aniversários e noites difíceis.

— Não foi o que perguntei.

— É a única resposta que você merece.

Dante virou-se para Henrique.

— É seu filho?

Henrique sustentou seu olhar.

— Beni é minha família.

A evasão confirmou a negativa. Dante caminhou até Beni. Lívia bloqueou o caminho.

— Não toque nele.

— Preciso de uma amostra para um exame.

— Você não precisa de nada.

— Eu preciso saber se passei cinco anos procurando a mulher que carregava meu filho enquanto todos acreditavam que ambos estavam mortos.

— E depois? Vai prendê-lo dentro de uma mansão? Cercá-lo de homens armados? Ensinar que amor é outra palavra para obediência?

— Depois eu vou perguntar por que você decidiu que ele estaria mais seguro sem um pai.

— Porque o pai dele era o homem que todos queriam destruir.

Lívia percebeu tarde demais o que admitira.

Beni parou de mexer na garrafa.

Henrique fechou os olhos por um instante. Dante não comemorou. A confirmação abriu dentro dele um vazio ainda maior.

— Eu sou filho dele? — perguntou o menino.

Lívia se ajoelhou novamente.

— Beni, há coisas que eu precisava contar quando você fosse maior.

— Você disse que meu pai morreu.

— Eu disse que ele não podia estar conosco.

— Não é a mesma coisa.

Dante reconheceu a dor por trás da raiva infantil. Ajoelhou-se a uma distância segura.

— Sua mãe protegeu você por cinco anos. Não transforme uma verdade difícil em falta de amor.

Lívia o encarou, surpresa por ele defendê-la.

— Você é mesmo meu pai? — Beni perguntou.

— Acredito que sim.

— Acreditar não é saber.

— Por isso existe o exame.

Beni pensou por alguns segundos.

— Vai doer?

— Um cotonete dentro da boca. Nada de agulhas.

— E se disser que você é meu pai?

Dante olhou para Lívia antes de responder.

— Nada acontecerá sem que você saiba.

O menino assentiu. Lívia segurou seu braço.

— Beni, não.

— Eu quero saber.

A decisão do filho retirou dela o argumento. Dante chamou uma médica, e a coleta foi realizada diante dos quatro. Lívia exigiu códigos escolhidos por Beni.

Quando a médica saiu, Dante recebeu uma mensagem de Rafael: os servidores do laboratório móvel haviam sido acessados externamente.

Ele não ergueu os olhos do telefone.

— Você ainda trabalha depressa.

Lívia já estava com um pequeno transmissor entre os dedos.

— E você continua deixando câmeras demais conectadas à mesma rede.

— Apagou o registro do exame?

— Apaguei qualquer caminho que leve ao meu filho.

— Também apagou o resultado?

— Ainda não existe resultado.

Beni observava a porta. Dante entendeu antes dos demais. O garoto segurara o cartão de acesso roubado durante todo o tempo. Enquanto os adultos discutiam, copiara a sequência luminosa do painel.

正文2

A trava produziu um clique.

— Agora existe uma saída — disse Beni.

Lívia reagiu imediatamente. Pegou a mão do filho e correu para o corredor de serviço. Henrique veio atrás. Dante não ordenou disparos nem permitiu que os guardas tocassem neles. Seguiu-os sozinho.

Lívia conhecia o mapa de emergência. Desceu dois lances de escada, atravessou a cozinha e alcançou uma passagem usada pelos fornecedores. Um carro os esperava além do portão técnico.

Henrique abriu a porta traseira. Beni entrou.

Lívia estava prestes a segui-lo quando percebeu que Dante não tentava agarrá-la. Ele permanecia a alguns metros, respirando com dificuldade, mas com as mãos vazias.

— Se você entrar nesse carro, César encontrará vocês antes do amanhecer — disse ele.

— Você não sabe onde estivemos.

— Não preciso saber. Seu filho acessou uma pasta protegida pelo meu sistema durante uma conferência monitorada por vinte governos. O rosto dele já está em servidores que você não controla.

Henrique verificou o telefone. Sua expressão mudou.

— Há uma busca biométrica ativa — murmurou.

Lívia ficou imóvel.

Dante tirou o próprio paletó, colocou-o no teto do carro e mostrou que não escondia arma.

— Voltem para dentro. Não como prisioneiros. Como pessoas sob minha proteção.

— Sua proteção foi o que quase nos matou.

— Então estabeleça as regras.

Ela pareceu não reconhecer aquele homem. O antigo Dante jamais ofereceria regras a outra pessoa.

Um veículo surgiu no fim da rua de serviço com os faróis apagados. Henrique empurrou Beni para baixo. O primeiro tiro atingiu o retrovisor.

Dante avançou sobre Lívia e a protegeu atrás do carro. Rafael e os seguranças responderam do portão. O veículo atacante recuou e desapareceu.

Beni tremia no banco traseiro. Dante abriu a porta sem tocá-lo.

— Olhe para mim. Acabou.

— Você não sabe — disse o menino. — Mamãe diz que nunca acaba no primeiro tiro.

Dante reconheceu outra de suas próprias regras.

Lívia puxou o filho para os braços. Ao fazer isso, um pingente escapou de dentro do vestido. Era uma metade de medalha negra. Dante retirou do bolso a metade que carregava havia cinco anos.

As duas partes pertenciam ao mesmo símbolo.

— Você guardou — sussurrou Lívia.

— Eu enterrei todo o resto.

Sirene e passos aproximaram-se. Dante abriu a passagem de volta para o prédio.

— Venha comigo.

— Só até descobrirmos quem atirou.

— Só até você parar de mentir sobre meu filho.

Ela atravessou a porta com Beni. Henrique foi atrás.

Antes de entrar, Lívia olhou para Dante.

— Não confunda isto com confiança.

— Não confundo mais nada com confiança.

O telefone de Rafael tocou. O laboratório concluíra a análise antes da invasão do sistema. Ele mostrou o arquivo a Dante.

O resultado era negativo.

Dante analisou os códigos escolhidos por Beni e sorriu sem alegria.

— Trocaram as amostras.

— Como sabe? — perguntou Rafael.

Dante apontou para o tipo sanguíneo registrado no documento.

— Porque este sangue não pertence nem a mim, nem ao menino.

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