"A Noiva de Contrato do Chefe da Máfia Foi Chamada de “Mamãe” Pelo Filho Que Não Falava" Capítulo 5 — O Nome Que Nicolas Não Podia Dizer
Augusto Montenegro ainda segurava metade do desenho quando Dante fechou a porta do quarto.
"Você não vai sair daqui antes de me explicar por que meu filho escreveu seu nome."
Valentina parou no corredor. O perfume de jasmim continuava entrando pela fresta, doce demais para um ambiente onde ninguém respirava normalmente.
Augusto abriu as mãos.
"Porque uma criança assustada ouviu adultos falando sobre mim. Talvez sua nova esposa tenha feito perguntas diante dele."
"Eu nunca mencionei seu nome", respondeu Elisa.
Nicolas permanecia atrás dela, agarrado ao tecido de seu vestido. O menino não olhava para o tio. Fixava o chão, como se até os sapatos de Augusto fossem perigosos.
Dante juntou os pedaços do papel.
"Saia, Valentina."
"Dante, isso é absurdo."
"Agora."
Ela lançou um olhar a Elisa antes de obedecer. Augusto continuou no mesmo lugar.
"Você vai permitir que uma desconhecida destrua sua família em três dias?"
"Minha família está atrás de mim."
Dante apontou para a porta.
Augusto ajeitou o paletó.
"A avaliação da guarda será na sexta-feira. Quando o psicólogo encontrar Nicolas ainda mais confuso, lembre-se de quem trouxe instabilidade para esta casa."
Ele saiu sem elevar a voz.
Assim que a porta se fechou, Nicolas soltou o vestido de Elisa e correu para debaixo da cama.
Dante se ajoelhou.
"Filho, venha aqui."
O menino se encolheu mais.
Elisa tocou o braço de Dante.
"Dê espaço."
"Ele escreveu o nome de Augusto. Preciso saber por quê."
"E se pressioná-lo agora, ele aprenderá que falar também é perigoso."
Dante se levantou, furioso não com ela, mas com a própria incapacidade. Saiu para chamar Rafael.
Elisa sentou-se no tapete e começou a unir os pedaços do desenho com fita adesiva. Não perguntou nada a Nicolas. Apenas colou a folha e a deixou perto da cama.
Depois de alguns minutos, uma mão pequena apareceu.
Pegou o desenho.
"Eu não vou rasgar", disse Elisa.
Nicolas saiu devagar. Sentou-se ao lado dela, com o carrinho vermelho apertado contra o peito.
"Seu pai quer entender porque quer proteger você. Mas você não precisa contar tudo hoje."
O menino passou o dedo pela figura desenhada ao lado do carro.
"Era o tio Augusto?"
Nicolas não respondeu. Virou o carrinho e examinou a parte inferior como se procurasse alguma coisa.
Na sexta-feira, a avaliadora judicial chegou às nove da manhã.
Dra. Helena Prado era psicóloga credenciada pela Vara da Família. Não usava câmera, não fazia perguntas diante de todos e pediu que os seguranças permanecessem longe da sala.
Augusto também compareceu, acompanhado de seu advogado.
"A ordem permite minha presença", explicou. "Sou o requerente da guarda provisória."
Elisa percebeu que Nicolas não largou sua mão desde que o tio entrou.
A primeira hora transcorreu sem incidentes. A avaliadora observou o café da manhã, pediu que Dante descrevesse a rotina do filho e conversou separadamente com Teresa.
Então Augusto se aproximou de Nicolas junto à mesa de brinquedos.
"Sua nova mãe parece gentil", disse. "Bianca também era."
Dante endureceu.
"Augusto."
"Estou apenas conversando com meu sobrinho-neto."
Ele se abaixou perto do menino.
"Mas pessoas gentis vão embora, Nicolas. Sua mãe foi. Elisa também irá quando receber o dinheiro."
Nicolas jogou o carrinho vermelho contra a parede.
O brinquedo se abriu com o impacto.
Uma pequena peça preta caiu de dentro, mas ninguém percebeu. Nicolas começou a gritar e correu para fora da sala.
Elisa o seguiu até a cozinha de apoio. Encontrou-o escondido dentro da despensa de confeitaria, entre sacos de farinha e caixas de açúcar.
Não entrou.
Sentou-se do lado de fora, deixando a porta aberta.
"Seu tio disse uma coisa cruel."
O menino chorava sem som.
"Eu poderia prometer que nunca vou embora. Seria bonito, mas seria uma mentira."
Nicolas ergueu os olhos.
"O que posso prometer é que nunca desaparecerei sem falar com você. Se eu precisar sair, vou explicar. Você poderá ficar bravo, chorar e fazer perguntas."
Ele apertou as mãos.
"Não precisa me chamar de mãe. Não precisa gostar de mim todos os dias. Só precisa saber que sua voz não vai me fazer fugir."
Dante apareceu no corredor com a avaliadora, mas parou ao ouvir.
Nicolas saiu da despensa.
Não correu para Elisa. Caminhou até o pai.
Dante se ajoelhou imediatamente.
O menino tocou o rosto dele, como se precisasse confirmar que era seguro falar.
"Papai."
Os olhos de Dante se encheram, mas ele não desviou.
"Estou aqui."
Nicolas olhou para Augusto, que surgira atrás da avaliadora.
Seu corpo voltou a tremer.
Elisa permaneceu sentada no chão. Não o incentivou nem completou a frase por ele.
O menino respirou fundo.
"O tio Augusto..."
Augusto avançou um passo.
Rafael bloqueou o caminho.
"Continue, filho", disse Dante.
"O tio Augusto mandou o homem mexer no carro da mamãe."
O silêncio foi absoluto.
A avaliadora fechou lentamente o caderno.
Helena pediu que todos permanecessem onde estavam e falou diretamente com Nicolas.
"Você ouviu o tio Augusto dizer isso ou viu alguma coisa?"
O menino apontou para os próprios olhos. Depois imitou uma mão girando uma ferramenta.
"Um homem mexeu no carro?"
Nicolas assentiu.
"E Augusto estava lá?"
Novo aceno.
Augusto tentou interromper, mas Helena levantou a palma.
"Qualquer nova interferência será registrada como tentativa de influenciar a criança."
Dante ficou ao lado do filho, sem tocá-lo até Nicolas buscar sua mão. Elisa percebeu que o menino não estava apenas recuperando palavras. Estava testando, frase por frase, se os adultos suportariam a verdade sem abandoná-lo.
Rafael recolheu o carrinho quebrado do chão e guardou todas as peças em um saco transparente. Uma delas parecia pesada demais para plástico comum, mas a confusão do momento impediu que ele a examinasse.
Augusto riu, mas a cor havia sumido de seu rosto.
"Isso é uma fantasia implantada. A mulher está treinando a criança."
"Eu não sabia o que ele diria", respondeu Elisa.
"Ele tem quatro anos!"
"E estava no carro."
Dante levantou-se. Pela primeira vez desde que Elisa o conhecera, sua frieza não conseguiu esconder o que havia por baixo. Era dor transformada em raiva.
"Rafael, tranque os portões."
"Você não pode me deter na própria casa", protestou Augusto.
"Posso impedir que saia enquanto meu advogado chama a polícia."
A avaliadora interveio.
"O senhor Montenegro não deve interrogar Nicolas novamente. A declaração precisa ser tratada por profissionais. Mas, considerando a reação observada, registrarei o relato integralmente."
O telefone de Elisa tocou.
Era o Hospital Santa Cecília.
Ela se afastou dois passos para atender.
"Senhora Nogueira?", disse uma funcionária do setor financeiro. "Precisamos falar sobre a cirurgia de Júlia."
"O pagamento foi feito."
"Foi. Mas a dívida anterior e os direitos de cobrança foram adquiridos ontem por uma empresa chamada AM Participações. O representante apresentou uma ordem questionando a origem dos novos recursos."
Elisa olhou para Augusto.
AM.
Augusto Montenegro.
"Eles podem cancelar a cirurgia?"
"A equipe jurídica está analisando. Há mais uma questão. Recebemos documentos indicando que a senhora recebeu pagamentos dessa mesma empresa durante os últimos três meses."
"Isso é mentira."
Dante se aproximou.
"O que aconteceu?"
Antes que Elisa respondesse, Rafael recebeu um arquivo no telefone. Seu rosto se fechou.
"Dante, você precisa ver isto."
Na tela havia três comprovantes bancários. Todos mostravam transferências de Augusto para uma conta em nome de Elisa Nogueira.
O primeiro pagamento fora feito dois meses antes do jantar em que ela conhecera Dante.
Augusto voltou a sorrir.
"Parece que sua esposa de antecedentes impecáveis já trabalhava para mim antes de entrar nesta casa."
A avaliadora exigiu uma cópia dos documentos e informou que acrescentaria a tentativa de intimidação financeira ao relatório. Augusto alegou perseguição, mas seu advogado pediu em voz baixa que ele não dissesse mais nada.
Elisa observou aquela troca. Pela primeira vez, viu medo no rosto do advogado do tio. Não era medo de Dante. Era medo de que Augusto falasse demais.
Do outro cômodo, Nicolas chamou por ela. Elisa deu um passo, mas Dante segurou seu pulso.
"Se esses comprovantes forem verdadeiros..."
"Não são."
"Eu preciso verificar."
"Verifique. Mas não me impeça de ir até uma criança que acabou de contar o pior momento da vida dela."
Dante soltou imediatamente.
Elisa entrou na sala sem saber se, ao sair, ainda seria esposa dele.
Dante olhou para os comprovantes.
Depois olhou para Elisa.
E, pela primeira vez, não havia certeza em seus olhos.
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