"A Noiva de Contrato do Chefe da Máfia Foi Chamada de “Mamãe” Pelo Filho Que Não Falava" Capítulo 4 — A Primeira Noite na Mansão
Elisa não contou a Dante sobre a fotografia até Nicolas estar dormindo.
Esperou o menino ser levado para o quarto na mansão de Jardim Europa. Depois colocou o celular sobre a mesa do escritório e ampliou a imagem de Júlia no hospital.
Dante leu as duas mensagens sem alterar a expressão.
O silêncio dele era pior do que gritos.
"Por que escondeu isso?"
"Porque não sabia se a ameaça vinha de alguém de fora ou de alguém que estaria ao nosso lado no cartório."
"Você deveria ter me contado no primeiro minuto."
"E o senhor deveria ter dito que seu tio estava tentando levar Nicolas antes de colocar um contrato na minha frente. Estamos descobrindo juntos as desvantagens de esconder informações."
Dante apoiou as mãos na mesa.
"Minha equipe vai retirar Júlia daquele hospital."
"Não. A cirurgia é em cinco dias. Ela conhece os médicos e confia neles. Reforce a segurança sem transformar minha irmã em prisioneira."
"Quem tirou aquela foto chegou a menos de dez metros dela."
"Então descubra quem foi."
Rafael entrou após uma ligação. Confirmou que as câmeras do corredor haviam ficado fora do ar por onze minutos. Uma técnica de enfermagem lembrava-se apenas de uma mulher elegante perguntando pelo quarto.
"Valentina estava no cartório quando a primeira mensagem chegou", disse Rafael. "Mas saiu antes de nós. Poderia ter chegado ao hospital."
"Ela falou comigo no banheiro", lembrou Elisa. "Pareceu surpresa quando mencionei a ameaça."
Dante lançou-lhe um olhar frio.
"Valentina parece exatamente o que precisa parecer."
"E Augusto?"
O nome deixou o ambiente mais pesado.
"Meu tio não ameaça adolescentes", respondeu ele.
"O senhor tem certeza ou precisa ter?"
Dante não respondeu.
Antes que Rafael saísse, Elisa pediu que verificasse também os registros de acesso ao apartamento de Vila Mariana. Pouco depois, ele confirmou que a fechadura não fora violada, mas uma câmera da rua mostrava um sedã escuro parado diante do prédio nas duas noites anteriores.
"A placa está coberta", explicou Rafael. "O modelo pertence a uma frota terceirizada usada por três empresas. Uma delas presta serviço ao Grupo Montenegro."
Dante fechou a mão sobre o encosto da cadeira.
"Então não estamos procurando alguém que observa a família de fora."
"Estamos procurando alguém que conhece a rotina por dentro", concluiu Elisa.
Ela percebeu o instante exato em que ele deixou de tratá-la como uma preocupação a ser protegida e passou a vê-la como alguém capaz de pensar ao seu lado. A mudança não trouxe conforto. Significava que o casamento já os colocara contra o mesmo inimigo.
Rafael entregou a Elisa um telefone novo e informou que dois agentes permaneceriam no hospital. Ela aceitou apenas depois de falar diretamente com Júlia.
Quando a reunião terminou, uma governanta chamada Teresa conduziu Elisa ao segundo andar.
"O quarto da senhora fica ao lado do senhor Dante", explicou.
"Ao lado ou junto?"
"Ao lado. O senhor mandou preparar dois quartos."
Elisa ficou surpresa. Esperava ter de lutar também por aquela fronteira.
Seu quarto era maior que o apartamento onde crescera. Havia vestidos no armário, sapatos em caixas e uma penteadeira coberta de produtos que ela jamais compraria.
Sobre a cama, porém, encontrou algo que não pertencera a nenhum estilista.
O carrinho vermelho de Nicolas.
O menino apareceu no corredor e observou sua reação.
"Posso deixar aqui?", perguntou Elisa.
Ele entrou, pegou o brinquedo e o colocou sobre o travesseiro. Depois puxou uma mala pequena até a cama.
"Essa mala é sua?"
Nicolas assentiu.
"Você tem um quarto."
Ele apontou para ela.
"Não posso dormir com você todas as noites."
O rosto dele fechou.
Elisa se sentou no tapete, ficando à altura do menino.
"Posso ler uma história até você dormir no seu quarto. Amanhã fazemos outra coisa juntos."
Nicolas cruzou os braços.
"Se você ficar bravo, a resposta não muda."
Ele empurrou a mala com força. Ela bateu na parede.
Teresa deu um passo à frente, mas Elisa ergueu a mão.
"Você está com medo de acordar e eu não estar mais aqui?"
Nicolas desviou os olhos.
"Não vou sair sem avisar. Essa é uma promessa que posso cumprir."
Ele olhou novamente para ela.
"Mas seu quarto continua sendo o seu lugar de dormir. Pode escolher a história."
Depois de quase um minuto, Nicolas pegou a mala e caminhou para o corredor.
Teresa soltou o ar.
"As outras cuidadoras cediam."
"Eu não sou cuidadora."
"Talvez seja por isso que ele escute."
No quarto infantil, Nicolas escolheu um livro sobre um urso que procurava a própria casa. Elisa leu metade antes de perceber Dante encostado ao batente.
O menino também o viu. Bateu na outra metade da cama.
Dante permaneceu parado.
"Ele quer que o senhor sente."
"Eu entendi."
"Então por que continua na porta?"
"Porque ele nunca pediu isso."
Elisa fechou o livro.
"Talvez estivesse esperando o senhor parar de agir como visitante."
Dante sentou-se com rigidez. Nicolas segurou uma das mãos dele e uma de Elisa. Só então permitiu que a história continuasse.
Quando adormeceu, os dois ficaram presos por alguns minutos, cada um de um lado da cama.
"Ele fazia isso com Bianca?", Elisa perguntou.
"Bianca cantava. Eu chegava tarde."
"E agora?"
"Agora continuo chegando tarde, mas não há ninguém cantando."
Elisa ouviu arrependimento na frase.
"Pode aprender."
"A cantar?"
"A chegar antes."
Dante soltou lentamente a mão do filho.
No corredor, ele conduziu Elisa até uma porta fechada.
"Este era o quarto de Bianca. Nicolas não entra desde o funeral."
"Por que está me mostrando?"
"Porque ele deixou o carrinho no seu quarto. Era o brinquedo que carregava na noite do acidente."
Elisa lembrou a maneira como o menino protegera o objeto na empresa.
"O que aconteceu exatamente?"
"Bianca saiu de um jantar beneficente em Alphaville. O carro perdeu o controle na chuva. Ela morreu antes de chegar ao hospital. Nicolas estava na cadeirinha traseira."
"Ele viu alguém?"
"A polícia concluiu que foi falha mecânica."
"Isso não responde à pergunta."
Dante abriu a porta.
O quarto permanecia intacto: vestidos, fotografias e frascos de perfume. Elisa reconheceu imediatamente a fragrância doce no ar.
Jasmim.
"Bianca usava esse perfume?"
"Todos os dias. Valentina deu a ela no último aniversário."
Elisa aproximou-se da penteadeira. Um dos frascos estava quase vazio, embora o quarto permanecesse fechado havia oito meses.
"Alguém entra aqui."
Dante examinou o vidro.
"Teresa tem a chave."
"E mais quem?"
"Eu. Rafael."
Uma batida interrompeu a conversa. Teresa apareceu com um papel dobrado.
"Nicolas acordou. Está procurando a senhora Elisa."
No quarto do menino, encontraram folhas espalhadas pelo chão. Nicolas havia desenhado o mesmo carro vermelho, uma mulher e uma figura alta ao lado da porta do motorista.
Elisa sentou-se perto dele.
"Você viu esse homem naquela noite?"
Nicolas apertou os lábios.
Ela não insistiu. Pegou outro lápis.
"Podemos desenhar outra coisa."
O menino virou a folha e escreveu letras grandes, com esforço.
TIO VIU.
Dante se agachou.
"Qual tio, Nicolas?"
O menino começou a tremer.
O cheiro de jasmim surgiu novamente, mais forte. Valentina apareceu no corredor, acompanhada de Augusto.
"Viemos dar as boas-vindas à noiva", anunciou ela.
Nicolas olhou para Augusto.
Depois se escondeu atrás de Elisa.
Augusto observou o desenho no chão. Por um segundo, seu sorriso desapareceu.
Ele se abaixou, recolheu a folha e falou com doçura:
"Ainda desenhando acidentes, meu pequeno?"
Nicolas prendeu os dedos no vestido de Elisa.
Augusto rasgou a folha ao meio.
"É melhor esquecer coisas que uma criança não consegue compreender."
Dante arrancou os pedaços da mão dele.
"Nunca mais destrua algo que pertence ao meu filho."
Augusto voltou a sorrir.
"Tenha cuidado, Dante. Uma esposa nova pode colocar ideias antigas na cabeça de um menino confuso."
Elisa juntou os fragmentos do desenho.
No verso de um deles havia outra palavra, escrita em vermelho.
Não era TIO.
Era AUGUSTO.
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