"A Noiva de Contrato do Chefe da Máfia Foi Chamada de “Mamãe” Pelo Filho Que Não Falava" Capítulo 2 — As Três Regras da Noiva
O advogado de Dante Montenegro chegou às nove e cinquenta e sete da manhã.
Não veio sozinho.
Um cardiologista do Hospital Santa Cecília entrou logo atrás, carregando os exames de Júlia e uma pasta com a data disponível para a cirurgia.
Elisa permaneceu parada no corredor do pequeno apartamento em Vila Mariana.
"Isso é chantagem", disse.
"É uma consulta", respondeu o advogado, Marcelo Tavares. "A senhorita pode mandar todos embora."
Júlia apareceu à porta do quarto, pálida demais para seus dezessete anos.
"Quem são eles?"
Elisa fechou os olhos por um segundo.
Passara a madrugada lendo as vinte e oito páginas do contrato. A cada cláusula, odiara Dante um pouco mais. A cada pausa para ouvir a respiração cansada da irmã, odiara a própria falta de opções.
"Vieram falar sobre sua cirurgia."
O cardiologista explicou que uma equipe estaria disponível em seis dias. O pagamento garantiria também a internação, os medicamentos e a reabilitação.
Júlia olhou de Elisa para o advogado.
"Quem vai pagar?"
"Um programa privado", mentiu Elisa.
Marcelo não a corrigiu. Apenas deixou um cartão sobre a mesa e saiu com o médico.
Antes de cruzar a porta, entregou-lhe uma caneta preta.
"O senhor Montenegro estará esperando às onze."
"Diga a ele que não sou mercadoria."
"Ele já sabe. Por isso pediu que a senhorita leve suas alterações."
Às onze e quinze, Elisa entrou na sede do Grupo Montenegro, na Avenida Faria Lima. Vestia a única calça social que possuía e carregava o contrato coberto de anotações vermelhas.
Dante esperava na sala de reuniões. Rafael Moura, chefe de segurança, permaneceu junto à porta. Era um homem negro, alto e tão silencioso que parecia parte da parede.
Nicolas estava sentado no chão, alinhando pequenos carros por cor.
Quando viu Elisa, abandonou a fileira e correu para ela.
Não disse "mamãe".
Apenas segurou sua mão.
Dante observou o gesto.
"Você se atrasou quinze minutos."
"Passei quinze minutos decidindo se deveria jogar seu contrato pela janela."
"Estamos no vigésimo segundo andar. Seria dramático."
"E satisfatório."
Elisa sentou-se sem ser convidada. Espalhou as páginas sobre a mesa.
"R$ 2 milhões, um ano de casamento, aparições públicas, residência obrigatória e confidencialidade eterna. Em troca, o senhor decide onde moro, como me visto e quando apareço ao seu lado."
"Em eventos oficiais."
"A cláusula onze permite que sua equipe aprove todas as minhas roupas."
"A imprensa examinará cada fotografia."
"Então sua imprensa terá de sobreviver ao meu armário."
Rafael baixou os olhos para esconder uma reação. Dante o percebeu.
"Quais são suas exigências?", perguntou.
Elisa separou três folhas escritas à mão.
"Primeira: o senhor nunca me desautoriza ou me humilha diante de Nicolas. Se quiser discutir, fazemos isso longe dele."
"Aceito, desde que seja recíproco."
"Segunda: não vamos usar seu filho para convencer juiz, jornalista ou acionista de que somos apaixonados. Fotografias combinadas, tudo bem. Obrigar Nicolas a mentir, não."
Dante apoiou os braços na mesa.
"A audiência existe por causa dele."
"Exatamente. Ele não é sua testemunha de defesa."
Nicolas colocou um carrinho vermelho sobre o contrato.
Elisa notou que o brinquedo tinha uma das rodas arranhada. Quando tentou tocá-lo, o menino o puxou de volta e apertou contra o peito.
"E a terceira regra?", Dante perguntou.
"Se ele realmente acreditar que sou mãe dele, não desaparecerei no fim do contrato. Nós dois contaremos a verdade antes. Juntos."
O rosto de Dante fechou.
"Ele tem quatro anos."
"Tem quatro anos e já sabe que adultos somem."
"Cuidado."
"Com o quê? Com a verdade?"
Rafael saiu discretamente e fechou a porta. Nicolas continuou entre os dois, empurrando o carrinho vermelho sobre as linhas impressas.
Dante falou mais baixo.
"Minha esposa morreu. Eu não a mandei embora."
"Seu filho entende apenas que ela estava presente e depois não estava. Se eu entrar na vida dele por sua causa, o senhor também será responsável pela maneira como saio."
Por vários segundos, ouviu-se apenas o ruído do brinquedo na mesa.
"Aceito", disse Dante.
Elisa não esperava uma resposta tão rápida.
"E quero uma quarta alteração."
"Você disse três."
"Mudei de ideia. Minha irmã nunca poderá ser usada para me obrigar a cumprir uma ordem. O tratamento dela será pago integralmente, mesmo que o casamento termine antes."
"Está me chamando de homem capaz de ameaçar uma adolescente doente?"
"Estou dizendo que ainda não conheço o homem com quem pretende que eu me case."
Dante puxou o contrato para si. Escreveu a nova cláusula sem chamar o advogado e assinou abaixo.
"Agora conhece uma coisa sobre ele."
"Que sabe usar uma caneta?"
"Que cumpre a palavra."
Elisa quis acreditar. Isso a assustou mais do que a arrogância dele.
Marcelo retornou para revisar as mudanças. Enquanto os adultos discutiam datas, Nicolas levou Elisa até uma sala menor. Havia livros infantis, blocos de montar e uma caixa de madeira.
O menino abriu a caixa.
Dentro repousava uma aliança feminina.
"Era da sua mãe?", perguntou Elisa.
Nicolas assentiu.
Ela não estendeu a mão.
"É muito bonita. Você deve guardar."
Ele pegou a aliança e tentou colocá-la no dedo dela.
Elisa recuou.
"Não, Nicolas. Isso pertence a ela."
O menino franziu o rosto. Tentou novamente, mais insistente.
Dante apareceu à porta.
"Ele não mostra essa caixa a ninguém."
"Então explique que não posso ficar com a aliança."
"Você será minha esposa."
"De mentira. A mãe dele foi de verdade."
Nicolas começou a respirar depressa. Elisa percebeu antes de Dante. Ajoelhou-se, mas manteve as mãos sobre os próprios joelhos.
"Posso guardar por alguns minutos", disse ao menino. "Depois colocamos de volta juntos."
Ele permitiu que ela usasse a aliança.
O metal estava frio. Havia uma pequena inscrição na parte interna: B.M.
Bianca Montenegro.
Dante olhou para a mão de Elisa e desviou o rosto.
"A cerimônia civil será depois de amanhã."
"Depois de amanhã?"
"A audiência preliminar foi antecipada."
"Eu ainda nem contei a Júlia."
"Conte hoje."
Elisa se levantou.
"O senhor transforma ordens em frases curtas para fingir que não está com medo."
Os olhos dele se estreitaram.
"Medo de quê?"
"De perder seu filho."
Ela esperou uma ameaça. Dante apenas olhou para Nicolas.
"Augusto pediu a guarda provisória", admitiu. "Meu tio afirma que minhas empresas, meus inimigos e minha rotina tornam esta casa insegura."
"Casar comigo não torna nada seguro."
"Torna a acusação dele mais difícil."
"Então sou um móvel novo para decorar sua defesa."
"Você é a única pessoa que fez Nicolas falar."
A frase não soou como elogio. Soou como uma confissão de desespero.
Elisa devolveu a aliança à caixa. Nicolas segurou seu pulso e apontou para o dedo vazio.
"Amanhã", ela prometeu. "Seu pai vai conseguir outra."
O menino balançou a cabeça e empurrou a joia de Bianca de volta para ela.
Dante interveio, fechando a mão pequena do filho ao redor da aliança.
"Essa fica aqui."
Nicolas o encarou, magoado.
"Elisa terá uma própria."
O menino olhou para ela, depois para o pai. Fez um gesto lento, unindo as duas mãos.
Elisa compreendeu.
"Ele quer saber se vamos ficar juntos."
Dante respondeu sem hesitar:
"Sim."
Era a primeira mentira do casamento, pronunciada antes mesmo da cerimônia.
Naquela noite, Elisa contou a Júlia que se casaria com Dante Montenegro.
A irmã permaneceu em silêncio até ouvir o valor do contrato.
"Não faça isso por mim."
"Não estou fazendo só por você."
"Você conheceu esse menino ontem."
"E ontem ele me chamou de mãe porque estava apavorado."
Júlia segurou as mãos dela.
"Prometa que não vai esquecer quem você é."
Elisa tentou sorrir.
"Um contrato não muda quem eu sou."
O celular vibrou sobre a mesa.
Uma fotografia de Nicolas abraçando-a no salão já circulava nas redes. A manchete dizia que a misteriosa confeiteira havia conquistado o herdeiro Montenegro.
Abaixo, havia uma mensagem de número desconhecido:
"Se entrar naquela família, sua irmã não chegará à mesa de cirurgia."
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