"A Noiva de Contrato do Chefe da Máfia Foi Chamada de “Mamãe” Pelo Filho Que Não Falava" Capítulo 1 — O Menino Que Voltou a Falar
O prato de porcelana atingiu o chão antes que Elisa Nogueira pudesse segurar a torre de doces.
O estrondo atravessou o salão do Hotel Imperial, em Itaim Bibi. Taças pararam no ar. Fotógrafos abaixaram as câmeras. Um menino de quatro anos permanecia no centro dos cacos, com as mãos apertadas contra os ouvidos e os olhos arregalados.
"Tirem essas luzes daqui", ordenou Dante Montenegro.
Ninguém precisou perguntar duas vezes.
Homens de terno afastaram os jornalistas. O mestre de cerimônias desligou o microfone. Ainda assim, Nicolas Montenegro continuou respirando depressa, preso entre a mesa de sobremesas e dezenas de convidados que o observavam como se ele fosse mais uma atração da noite.
Elisa pousou a bandeja sobre o balcão.
"Não chegue perto dele", avisou uma mulher de vestido branco. "Ele não suporta estranhos."
Elisa reconheceu Valentina Ferraz pelas revistas de negócios deixadas na cozinha. Filha de um advogado poderoso, presença constante ao lado da família Montenegro e, segundo as outras funcionárias, a mulher que todos esperavam ver casada com Dante.
Nicolas chutou um pedaço de porcelana. O fragmento deslizou até o sapato de Elisa.
Dante avançou um passo.
"Nicolas, olhe para mim."
O menino não olhou.
O homem mais temido do salão tinha trinta e seis anos, ombros largos e uma expressão capaz de silenciar empresários acostumados a comprar qualquer coisa. Naquela noite, porém, havia algo impotente em seu rosto.
Elisa conhecia aquela impotência.
Era a mesma que sentia diante dos exames da irmã, quando médicos falavam de prazos e dinheiro como se o coração de Júlia fosse uma conta vencida.
Uma fotógrafa se inclinou para recuperar a câmera caída. O flash disparou por acidente.
Nicolas gritou.
Ele recuou contra a mesa, derrubando uma tigela de ganache. Dante estendeu a mão, mas o menino se encolheu ainda mais.
"Não toque nele", disse Elisa.
O silêncio mudou de direção.
Dante virou lentamente o rosto.
"O que você disse?"
Elisa sentiu o gerente do hotel empalidecer atrás dela. Precisava daquele turno. Precisava de todos os turnos possíveis. A cirurgia de Júlia custaria mais do que ela conseguiria juntar em anos.
Mesmo assim, não retirou as palavras.
"Se o senhor tocar nele agora, ele vai achar que está preso."
"E você sabe disso porque prepara brigadeiros?"
"Porque estudo pedagogia à noite. E porque ele não está fazendo birra. Está com medo."
Valentina soltou uma risada curta.
"Dante, mande essa funcionária voltar para a cozinha."
Elisa ignorou a ordem que não vinha de seu chefe. Pegou um saco de confeitar, ajoelhou-se a quase dois metros de Nicolas e apertou um pouco de glacê azul sobre uma bandeja caída.
Não pediu que ele se aproximasse.
Desenhou duas rodas.
Depois, uma carroceria pequena.
Um carro.
Nicolas parou de gritar.
Os dedos saíram devagar de cima das orelhas. Seus olhos desceram até o desenho.
Elisa acrescentou uma janela e deixou o saco de confeitar no chão.
"Ficou torto", disse, como se conversasse sozinha. "Minha irmã diria que parece uma batata com rodas."
O menino fungou.
"Eu posso consertar, mas não sei qual cor usar."
Nicolas olhou para uma tigela de cobertura vermelha.
Elisa não seguiu o olhar imediatamente. Esperou que ele percebesse que ainda controlava a distância entre os dois.
"Vermelho?"
Ele fez um movimento quase imperceptível com a cabeça.
Dante prendeu a respiração.
Havia oito meses que Nicolas não respondia a perguntas. O acidente que matara Bianca Montenegro levara a voz do menino junto com a mãe. Especialistas, terapeutas e cuidadoras haviam passado pela mansão. Nenhum conseguira mais do que gritos ou silêncio.
Elisa trocou o saco de confeitar e completou o carro com glacê vermelho.
"Pronto. Agora ele precisa de um motorista."
Nicolas deu um passo.
Valentina tentou segurá-lo pelo ombro.
"Querido, não suje seu traje."
O menino se desvencilhou com violência e correu.
Não para Dante.
Para Elisa.
Seus braços pequenos envolveram o pescoço dela. Elisa quase perdeu o equilíbrio, mas pousou as mãos nas costas do menino sem apertá-lo. Sentiu o corpo dele estremecer.
O salão inteiro assistia.
Dante se aproximou, o rosto endurecido pelo susto.
"Nicolas. Solte a moça."
O menino se agarrou ainda mais.
"Filho, venha comigo."
Nicolas ergueu o rosto molhado contra o ombro de Elisa. Seus lábios se moveram, mas nenhum som saiu.
Dante parou a menos de um metro.
"Não force", Elisa murmurou.
"Ele é meu filho."
"Então perceba que ele está tentando dizer alguma coisa."
A mandíbula de Dante se contraiu. Ninguém falava com ele daquela maneira. Dois seguranças deram um passo à frente, mas ele levantou a mão, mantendo-os afastados.
Nicolas puxou o colar simples de Elisa, como se precisasse confirmar que ela ainda estava ali.
Então falou.
"Mamãe."
A palavra foi baixa.
Ainda assim, atravessou o salão como um disparo.
Uma taça escorregou da mão de Valentina e se partiu. O gerente fez o sinal da cruz. Dante ficou completamente imóvel.
Elisa sentiu o próprio coração doer.
"Eu não sou sua mãe, meu amor", respondeu com delicadeza. "Mas posso ficar aqui até você respirar melhor."
Nicolas não pareceu ouvir a primeira parte. Encostou a cabeça nela e repetiu:
"Mamãe."
Dante desviou os olhos por um instante. Quando voltou a encará-la, a vulnerabilidade havia desaparecido atrás da frieza conhecida.
"Qual é o seu nome?"
"Elisa Nogueira."
"Você trabalha para o hotel?"
"Trabalho onde houver turno. Hoje estou substituindo uma confeiteira."
O gerente se apressou.
"Ela é temporária, senhor Montenegro. Posso dispensá-la agora mesmo."
"Ninguém vai dispensá-la."
Valentina aproximou-se.
"Dante, o menino está confuso. Não transforme isso em espetáculo."
"O espetáculo começou quando vocês cercaram uma criança com câmeras."
Ele tirou o paletó e o colocou sobre os ombros do filho. Nicolas continuou nos braços de Elisa, mas aceitou a aproximação do pai.
"Venha conosco", disse Dante.
"Não posso abandonar meu posto."
"Seu gerente acabou de descobrir que pode sobreviver sem você por dez minutos."
Elisa deveria recusar. Homens como Dante Montenegro não faziam convites; criavam dívidas. Contudo, Nicolas ainda tremia.
Ela permitiu que os conduzissem a uma sala privada.
Longe das câmeras, o menino adormeceu no sofá com a mão fechada em torno de dois dedos de Elisa. Dante permaneceu diante da janela, observando São Paulo sob a chuva.
"Quanto?", perguntou.
Elisa ergueu a cabeça.
"Quanto o quê?"
"Quanto custa o tratamento da sua irmã?"
O sangue fugiu do rosto dela.
"Como sabe sobre Júlia?"
"Você deixou sua bolsa aberta na cozinha. Meu segurança viu os documentos quando procurava sua identificação."
"Seu segurança revistou minhas coisas?"
"Ele confirmou que você não carregava uma arma."
"Eu carregava bicos de confeitar. Quase a mesma coisa."
Por um segundo, Dante pareceu prestes a sorrir. Não sorriu.
Colocou sobre a mesa uma pasta preta.
Dentro havia uma ficha com o nome completo de Elisa, endereço, histórico de trabalho e até o valor que o Hospital Santa Cecília exigia como entrada para operar Júlia.
R$ 380 mil.
"Isso é ilegal", disse ela.
"Muitas coisas úteis são."
Ele abriu a pasta na página seguinte.
Não era uma oferta de emprego.
Era um contrato de casamento.
Elisa leu a primeira linha duas vezes.
"O senhor enlouqueceu."
"Meu filho falou com você. Preciso de uma esposa com antecedentes limpos antes da audiência de custódia. Você precisa salvar sua irmã."
"E acha que pode comprar as duas coisas?"
"Acho que posso oferecer uma solução."
Dante empurrou um cheque pela mesa. Havia tantos zeros que Elisa demorou a compreendê-los.
Dois milhões de reais.
"Um ano", disse ele. "Você será minha esposa diante da família, da imprensa e do tribunal. Júlia terá a cirurgia paga amanhã. Depois de doze meses, sairá com dinheiro suficiente para abrir sua confeitaria."
Elisa olhou para Nicolas. Dormindo, ele ainda segurava seus dedos.
"E quando ele acreditar que eu sou realmente parte da vida dele?"
Dante fechou a pasta.
"Não acredito em histórias felizes, senhorita Nogueira. Acredito em contratos bem escritos."
Ela devolveu o cheque.
"Então procure uma atriz."
Levantou-se com cuidado, tentando soltar a mão do menino.
Nicolas despertou no mesmo instante.
Seus olhos foram do pai para Elisa. O pânico retornou.
"Não", sussurrou.
Era a segunda palavra que pronunciava em oito meses.
Dante observou o filho, depois encarou Elisa.
"Amanhã, às dez", disse. "Meu advogado estará na sua casa. Leia o contrato antes de dizer não outra vez."
Elisa apertou a alça da bolsa.
"E se minha resposta continuar sendo não?"
Dante abriu a porta.
"Então será a primeira pessoa que meu filho escolheu desde que perdeu a mãe... e a primeira a abandoná-lo olhando em seus olhos."
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4