"O Filho do Chefe da Máfia Atacou a Babá" Capítulo 5 — A Mulher Que Não Morreu
"Foi você quem mandou levar a mamãe embora!"
A acusação de Lucas atingiu Dante Montenegro com mais força do que qualquer ameaça que ele já recebera.
O menino estava sentado na cama, abraçado ao ursinho de pelúcia. Seus olhos procuravam uma resposta no rosto do pai.
Dante se ajoelhou diante dele.
"Lucas, eu nunca mandei ninguém levar sua mãe."
"Mas a mulher falou!"
"Eu acredito que você ouviu isso."
"Então por que ela foi embora?"
Dante abriu a boca, mas nenhuma resposta saiu.
Marina Oliveira se aproximou.
"Lucas, você não precisa descobrir tudo hoje."
O menino começou a esfregar os olhos.
"Eu fiz alguma coisa errada?"
"Não, meu amor."
"Eu derrubei o copo dela naquele dia."
Marina sentiu o peito apertar.
"Uma mãe não desaparece porque o filho derrubou um copo."
Lucas olhou para Dante.
"É verdade, papai?"
"É verdade."
Dante segurou delicadamente as mãos do filho.
"Sua mãe amava você. Muito."
"Então por que não voltou?"
A pergunta ficou suspensa entre os três.
Marina percebeu que Dante também precisava daquela resposta.
Quando Lucas finalmente adormeceu, Dante pediu que ela o acompanhasse até o escritório.
A mansão estava silenciosa.
No corredor, Evelina observou os dois entrarem.
Assim que a porta se fechou, a governanta retirou o celular do bolso.
"Ricardo, precisamos conversar."
Dentro do escritório, Dante abriu uma gaveta trancada.
Retirou uma pasta preta e a colocou sobre a mesa.
"É tudo que tenho sobre o desaparecimento de Helena."
Marina permaneceu em pé.
"Posso ver?"
Dante assentiu.
A primeira fotografia mostrava uma mulher bonita, de cabelos castanhos e sorriso delicado, segurando Lucas ainda bebê.
"Ela se chamava Helena Montenegro."
"Vocês eram felizes?"
Dante demorou a responder.
"Já fomos."
Marina ergueu os olhos.
"Isso significa que não eram mais?"
"Nos meses anteriores ao desaparecimento, discutíamos muito."
"Por quê?"
"Helena descobriu irregularidades financeiras em uma empresa do grupo."
"Que irregularidades?"
"Transferências de dinheiro, contratos falsos e propriedades registradas em nomes de terceiros."
Marina franziu a testa.
"Ela sabia quem estava envolvido?"
"Suspeitava de Ricardo."
Dante caminhou até a janela.
"Meu primo sempre quis controlar os negócios da família. Helena encontrou documentos que poderiam afastá-lo da administração."
"E o senhor acreditou nela?"
O silêncio respondeu antes dele.
"Eu disse que investigaria."
"Mas não investigou?"
"Naquela época, eu estava lidando com uma disputa entre grupos criminosos. Achei que ela estivesse interpretando mal os documentos."
Marina fechou a pasta.
"Ela desapareceu antes que o senhor descobrisse a verdade."
Dante assentiu.
"Três dias depois da nossa última discussão."
A informação fez Marina sentir um arrepio.
"O que aconteceu naquela noite?"
"Helena deveria viajar para Campos do Jordão. Disseram que o carro sofreu um acidente na estrada."
"Disseram?"
"O veículo foi encontrado destruído. Havia sinais de incêndio."
"E o corpo?"
Dante virou-se lentamente.
"Nunca foi identificado de maneira conclusiva."
Marina ficou imóvel.
"Então como declararam que ela morreu?"
"Recebi documentos médicos e um relatório de identificação. Camila cuidou dos procedimentos jurídicos."
"Camila Ferraz?"
"Sim."
"A filha de Evelina."
Dante compreendeu a implicação.
"Você acha que as duas mentiram?"
"Eu acho que precisamos verificar tudo."
Ele abriu outra pasta.
Havia fotografias do veículo, relatórios e uma cópia da certidão de óbito.
Marina examinou os documentos.
"Quem reconheceu os pertences encontrados no carro?"
"Evelina."
"E quem confirmou a identidade da mulher?"
Dante consultou uma página.
"Um médico particular."
"Qual?"
Ele leu o nome.
"Dr. Álvaro Mendes."
Marina anotou.
"Precisamos encontrá-lo."
Dante a observou.
"Você fala como se estivesse investigando um crime."
"E se estivermos?"
O empresário não respondeu.
Na manhã seguinte, Marina encontrou Lucas sentado diante de uma caixa de brinquedos antigos.
Ele segurava um carrinho vermelho sem uma das rodas.
"Era meu quando eu era pequeno."
"Você ainda é pequeno."
"Mas antes eu era bebê."
Marina sorriu.
"Isso é verdade."
Lucas retirou um coelho de pelúcia, duas fotografias e uma pequena caixa azul.
"Essa era da mamãe."
Marina sentou-se ao lado dele.
"Posso ver?"
Lucas abriu a caixa.
Dentro havia uma pulseira delicada de ouro.
Uma pequena placa trazia a inscrição: Para o meu Lucas, com todo o amor. Mamãe.
Marina sentiu a garganta apertar.
"É muito bonita."
"Ela colocou na minha mão."
"Quando?"
Lucas olhou para a janela.
"Na noite em que voltou."
Marina permaneceu imóvel.
"Voltou de onde?"
"Não sei."
"Você lembra onde estava?"
"No corredor."
"E o que aconteceu?"
Lucas colocou a pulseira sobre a palma.
"Eu ouvi a mamãe falando baixinho. Ela estava chorando."
Marina controlou a própria respiração.
"Você viu o rosto dela?"
"Vi."
"E o que ela disse?"
Lucas fechou os dedos sobre a pulseira.
"Que me amava."
"Mais alguma coisa?"
"Que eu precisava ser corajoso."
Marina percebeu que o menino estava ficando tenso.
"Podemos parar por aqui."
Lucas assentiu.
Ela não insistiu.
Mais tarde, levou a pulseira até Dante.
O empresário a reconheceu imediatamente.
"Eu mandei fazer isso quando Lucas nasceu."
"Ele disse que Helena entregou a pulseira pessoalmente."
Dante segurou a joia.
"Impossível."
"Por quê?"
"Ela desapareceu antes da data em que Lucas diz ter recebido."
"Lucas não sabe datas com precisão."
"Mas lembra que ela voltou?"
"É o que ele conta."
Dante ficou olhando para a inscrição.
"Eu procurei essa pulseira durante semanas."
"Por quê?"
"Porque Helena nunca saía sem ela. Quando disseram que encontraram os pertences no carro, a pulseira não estava entre eles."
Marina se aproximou.
"Isso significa alguma coisa."
Dante fechou a mão.
"Significa que alguém precisa me explicar o que aconteceu."
Naquela tarde, ele convocou Camila.
A advogada chegou acompanhada de Ricardo.
"Não sabia que precisávamos de uma reunião familiar", comentou o primo.
Dante colocou a certidão de óbito sobre a mesa.
"Quero os documentos originais."
Camila franziu a testa.
"De Helena?"
"Todos."
"Isso aconteceu há três anos."
"Eu sei quando aconteceu."
Ricardo se acomodou na cadeira.
"Vai começar tudo outra vez?"
Dante ignorou o comentário.
"Quem contratou o médico responsável pela identificação?"
Camila abriu a pasta.
"Foi uma indicação da administração."
"De quem?"
Ela hesitou.
"Da Evelina."
Dante sentiu o sangue ferver.
"Por que uma governanta escolheria o médico responsável por identificar minha esposa?"
Ricardo interveio.
"Porque você estava destruído, Dante! Alguém precisava resolver as coisas."
"Eu não pedi que resolvessem escondendo informações."
Camila fechou a pasta.
"Não existe nenhuma prova de irregularidade."
Dante colocou a pulseira sobre a mesa.
"Então explique isto."
Ricardo perdeu o sorriso por um instante.
Camila olhou para a joia.
"De onde veio?"
"Lucas."
A advogada ficou pálida.
Ricardo se levantou.
"Uma criança de cinco anos pode inventar qualquer coisa."
Dante bateu a mão na mesa.
"Não fale do meu filho!"
O primo recuou.
Marina, que observava perto da porta, percebeu algo importante.
Ricardo não parecia surpreso por reconhecer a pulseira.
Parecia surpreso porque ela ainda existia.
Naquela noite, Dante recebeu uma ligação de Bruno.
"Senhor, encontrei o antigo médico."
"E?"
"Ele deixou São Paulo dois meses depois do desaparecimento de dona Helena."
"Onde está agora?"
"Em Santos."
"Quero falar com ele."
Bruno hesitou.
"Há outra coisa."
Dante apertou o telefone.
"Fale."
"O doutor Álvaro recebeu uma transferência de quatrocentos mil reais três dias antes de assinar o relatório."
"De quem?"
"De uma empresa ligada ao Ricardo."
Dante permaneceu imóvel.
Do outro lado da mansão, Marina preparava Lucas para dormir.
O menino pediu que ela colocasse a pulseira dentro da caixa azul.
"Marina?"
"Sim?"
"A mamãe estava machucada quando voltou."
Marina sentiu um frio na barriga.
"Você lembra disso?"
Lucas assentiu.
"Ela tinha uma coisa branca aqui."
Apontou para o próprio pulso.
"Como uma pulseira?"
"Não. Igual à do hospital."
Marina respirou fundo.
"Entendi."
Lucas segurou sua mão.
"E tinha uma mulher esperando perto da escada."
"Você sabe quem era?"
O menino abaixou a cabeça.
"Ela ficou muito brava quando viu a mamãe."
Marina não fez outra pergunta.
Mas Lucas continuou espontaneamente:
"A mamãe falou que não queria voltar para aquele lugar."
"Que lugar?"
Lucas apertou a mão dela.
"Não sei."
Depois olhou para a porta.
"Marina?"
"Estou aqui."
"Se a mamãe morreu..."
A voz dele falhou.
"Por que ela voltou usando a pulseira do hospital?"
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