"O Filho do Chefe da Máfia Atacou a Babá" Capítulo 4 — O Filho Que Tinha Medo do Pai
"Quem enviou essas mensagens?"
Dante segurava o celular de Marina.
"Não sei."
"Você respondeu?"
"Ainda não."
O empresário caminhou até a janela do escritório.
"Bruno vai verificar o número."
"Não quero colocar Patrícia em perigo."
"Você não vai colocar ninguém em perigo. Eu vou descobrir quem está brincando com a minha família."
Marina cruzou os braços.
"Talvez ninguém esteja brincando."
Dante virou-se.
"Explique."
"Talvez alguém esteja tentando contar a verdade."
O silêncio entre eles ficou pesado.
Dante devolveu o aparelho.
"Você precisa entender uma coisa. Minha família tem inimigos."
"Lucas não deveria pagar por isso."
"Eu sei."
"Então pare de tratar todas as pessoas como inimigas antes de ouvi-las."
Dante aproximou-se.
"Você fala comigo como se não soubesse quem eu sou."
Marina sustentou seu olhar.
"Eu sei exatamente quem o senhor é."
"Então não tem medo?"
"Tenho medo de muita coisa."
"De mim?"
Ela demorou a responder.
"Tenho mais medo do que pode acontecer com Lucas se ninguém escutar aquele menino."
Dante não encontrou resposta.
Na manhã seguinte, Ricardo chegou acompanhado de Camila Ferraz.
A advogada usava um conjunto bege elegante e carregava uma pasta de couro.
"Recebi seu pedido", disse a Dante. "Mas alguns documentos antigos foram destruídos conforme os prazos de arquivamento."
"Quais documentos?"
"Contratos temporários."
"Quero tudo que ainda existe."
Ricardo se acomodou no sofá.
"Você está fazendo uma tempestade por causa de uma babá?"
Dante fechou a pasta.
"Estou fazendo perguntas sobre meu filho."
"O menino sempre foi difícil."
"Ele tem cinco anos."
"E já conseguiu expulsar sete mulheres."
Marina, que estava junto à porta, sentiu Lucas se aproximar por trás dela.
O menino havia escutado.
"Eu sou ruim?", perguntou baixinho.
Todos se voltaram.
Ricardo suspirou.
"Está vendo? Ele sempre aparece na hora errada."
Marina ajoelhou-se.
"Não, Lucas. Você não é ruim."
O menino olhou para o pai.
"Papai?"
Dante abriu a boca.
Mas demorou.
Lucas abaixou a cabeça.
"Eu sabia."
Marina sentiu uma pontada de indignação.
"Ele está esperando sua resposta, senhor Montenegro."
Ricardo soltou uma risada.
"Agora a funcionária dá ordens ao patrão?"
Marina levantou-se.
"Não estou dando ordens. Estou lembrando que existe uma criança aqui."
Ricardo ficou vermelho.
"Você não conhece seu lugar."
"Meu lugar é ao lado de Lucas quando ele precisa de ajuda."
Dante ergueu a mão.
"Chega, Ricardo."
"Vai permitir que ela me desrespeite?"
"Você desrespeitou meu filho primeiro."
O primo ficou imóvel.
Dante se aproximou de Lucas.
Ajoelhar-se diante de alguém não era um gesto habitual para ele.
Mas naquele momento, fez isso.
"Olhe para mim, filho."
Lucas ergueu os olhos lentamente.
"Você não é um menino ruim."
"Mesmo quando fico bravo?"
"Mesmo quando fica bravo."
"Mesmo quando quebrei o cavalo?"
Dante respirou fundo.
"Você fez uma coisa errada. Machucou Marina. Mas isso não significa que você seja ruim."
Lucas olhou para a babá.
Ela assentiu.
O menino começou a chorar.
Dante estendeu os braços.
Lucas hesitou.
Então deu um pequeno passo.
O pai o abraçou.
Marina desviou o olhar para esconder a emoção.
Ricardo se levantou abruptamente.
"Estamos perdendo tempo."
Dante continuou abraçando o filho.
"Então pode ir."
O primo saiu sem se despedir.
Camila o acompanhou, mas antes lançou um olhar preocupado para Evelina, que observava tudo da entrada.
Naquela tarde, Beatriz voltou à mansão.
Conversou com Lucas durante uma sessão de brincadeiras.
Depois reuniu Dante e Marina.
"Lucas demonstra medo intenso de separação e reage especialmente a situações em que sente que perdeu o controle."
Dante passou a mão pelos cabelos.
"Isso pode melhorar?"
"Com acompanhamento, segurança e consistência, há boas possibilidades de melhora."
"Ele sempre vai ter medo de mim?"
Beatriz respondeu com cuidado.
"Ele precisa aprender que o senhor pode estar perto sem exigir obediência imediata."
Marina observou Dante.
A pergunta dele havia sido sincera.
"Comece com pequenos momentos", sugeriu a psicóloga. "Deixe Lucas escolher uma atividade. Esteja presente sem transformar tudo em uma ordem."
Naquela noite, Dante entrou na sala de brinquedos sem terno.
Usava uma camisa azul-escura e calças simples.
Lucas estava montando uma pista de carrinhos.
"Posso brincar?"
O menino olhou para Marina.
Ela sorriu.
"A pista é sua. Você decide."
Lucas pensou.
"Você sabe fazer ponte, papai?"
Dante sentou-se no tapete.
"Não muito bem."
"Eu ensino."
Durante quase meia hora, o homem que comandava reuniões milionárias aprendeu a equilibrar peças de plástico.
Quando a ponte caiu, Dante começou a rir.
Lucas arregalou os olhos.
"Você não ficou bravo?"
"Por causa de uma ponte?"
"É."
"Não, filho."
Lucas sorriu.
Marina observava da porta.
Dante levantou os olhos e encontrou os dela.
Por um instante, algo silencioso passou entre os dois.
Gratidão.
Talvez o começo de alguma coisa mais profunda.
Mais tarde, Lucas pediu que o pai o acompanhasse até o quarto.
Marina caminhou com eles.
O menino entrou, pegou um ursinho e sentou-se na cama.
"Papai?"
"Sim?"
"Você sentia saudade da mamãe?"
Dante ficou imóvel.
"Todos os dias."
"Eu também."
"Eu sei, filho."
Lucas apertou o ursinho.
"Ela não queria ir."
Dante olhou para Marina.
"Por que você acha isso?"
"Porque ela chorou."
O empresário sentou-se lentamente.
"Quando?"
Lucas apontou para a janela.
"Na noite da chuva."
Marina se aproximou.
"Você se lembra de alguma coisa daquela noite?"
O menino assentiu.
"Eu estava brincando no corredor. A mamãe falou alto com alguém."
Dante prendeu a respiração.
"Com quem?"
Lucas olhou para o pai.
"Eu não podia olhar."
"Por quê?"
"Porque a mulher mandou eu entrar no quarto."
Marina manteve a voz tranquila.
"Você não precisa contar mais nada se não quiser."
Lucas apertou o ursinho.
"Mas eu quero."
Dante segurou a mão do filho.
"Estou ouvindo."
O menino começou a chorar.
"A mamãe falou que ia voltar."
Dante sentiu os olhos arderem.
"Depois?"
"Eu ouvi um carro."
"Que carro?"
"Não sei."
Lucas esfregou o rosto.
"Eu bati na porta. Bati muito."
Marina sentou-se do outro lado da cama.
"Você ficou sozinho?"
Ele assentiu.
"E ninguém abriu."
Dante fechou os olhos.
Por três anos, havia acreditado que Lucas simplesmente não se lembrava da mãe.
Agora descobria que o menino guardava uma lembrança terrível.
Lucas tocou o rosto do pai.
"Papai?"
"Estou aqui."
O menino fez a pergunta que Dante jamais esperava ouvir.
"Por que você deixou levarem a mamãe?"
Dante sentiu o mundo parar.
"Eu não deixei, filho."
Lucas balançou a cabeça.
"Deixou, sim."
"Lucas..."
"Eu ouvi!"
Marina ficou imóvel.
O menino começou a tremer.
"Ouvi a mulher falar que você sabia!"
Dante levantou-se devagar.
"Que mulher?"
Lucas apontou para a porta.
Seus olhos estavam arregalados.
"A mulher falou que foi você quem mandou levar a mamãe embora!"
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