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"O Filho do Chefe da Máfia Atacou a Babá" Capítulo 3 — As Sete Babás

正文开头

Dante olhou para Evelina como se a estivesse vendo pela primeira vez.

"Você trancou meu filho em algum quarto?"

A governanta levou a mão ao peito.

"Senhor Montenegro, pelo amor de Deus! Conheço Lucas desde que nasceu."

"Responda."

"Jamais faria uma coisa dessas."

Lucas tremia nos braços de Marina.

"Ela fez, papai."

Evelina balançou a cabeça.

"O menino está confundindo sonhos com lembranças."

Marina sentiu a indignação crescer.

"Ele está assustado. Não podemos discutir isso diante dele."

Dante olhou para o filho.

"Bruno!"

O segurança apareceu na escada.

"Senhor?"

"Quero que ninguém entre nessa ala até segunda ordem."

"Sim, senhor."

Dante voltou-se para Evelina.

"Amanhã conversaremos."

A governanta pareceu ofendida.

"Depois de todos esses anos?"

"Principalmente depois de todos esses anos."

Marina levou Lucas para o quarto.

O menino chorou até adormecer.

Na manhã seguinte, Dante convocou Beatriz Almeida, uma psicóloga infantil recomendada por um médico da família.

A profissional chegou ao Morumbi antes do almoço e passou quase uma hora conversando com Dante e Marina.

"Não devemos pressionar Lucas para contar uma história completa", explicou. "Memórias de crianças pequenas podem ser fragmentadas."

Dante cruzou os braços.

"Mas ele reconheceu Evelina."

"Isso precisa ser levado a sério. Ao mesmo tempo, devemos evitar perguntas que sugiram respostas."

Marina assentiu.

"Quero que ele se sinta seguro."

"Esse é o primeiro passo."

Beatriz recomendou rotinas previsíveis, respostas calmas durante crises e acompanhamento contínuo.

Também sugeriu que Dante conversasse com o filho sem exigir demonstrações imediatas de afeto.

Quando a psicóloga saiu, Marina procurou Bruno.

"Preciso de uma informação."

O segurança olhou ao redor.

"Depende de qual."

"Você trabalhava aqui quando Helena desapareceu?"

"Sim."

"E quando as outras babás foram embora?"

Bruno hesitou.

"Algumas."

"Por que saíram?"

"Marina, essa família tem assuntos complicados."

"Lucas acha que sete mulheres o abandonaram porque ele é um menino ruim."

Bruno abaixou os olhos.

"Nem todas saíram por vontade própria."

Marina ficou imóvel.

"Como assim?"

"Uma delas fez perguntas demais."

"Qual?"

"A última."

"Você sabe o nome?"

"Patrícia Nogueira."

Bruno entregou um endereço antigo.

"Ela mora na Vila Mariana. Mas não diga que fui eu."

Na tarde seguinte, durante a folga, Marina encontrou Patrícia em uma pequena cafeteria.

A mulher tinha cerca de quarenta anos e parecia nervosa.

"Você ainda trabalha naquela casa?", perguntou antes mesmo de se sentar.

"Trabalho."

"Então saia."

"Por quê?"

Patrícia olhou pela janela.

"Lucas não é o problema."

Marina se inclinou.

"Eu sei."

A ex-babá ficou surpresa.

"Ele jogava coisas quando achava que eu ia embora. Uma vez, rasgou meu casaco porque viu uma mala perto da porta."

"Evelina dizia que ele era perigoso?"

"Todos os dias."

"Por que você saiu?"

Patrícia apertou a xícara.

"Eu não saí. Fui demitida."

"Por quê?"

"Encontrei um desenho."

Marina sentiu o coração acelerar.

"Que desenho?"

"Lucas desenhou uma mulher levando outra mulher por um corredor. Havia uma porta branca e um carro preto."

"O que você fez?"

正文1

"Mostrei para Evelina."

Patrícia soltou uma risada amarga.

"Na manhã seguinte, meu contrato estava encerrado."

"Você falou com Dante?"

"Tentei. Disseram que ele estava viajando."

"Quem disse?"

"Camila Ferraz. A advogada."

Marina permaneceu em silêncio.

Patrícia continuou:

"Recebi dinheiro para assinar um acordo de confidencialidade. Disseram que eu poderia perder minha licença profissional se continuasse falando."

"E você acreditou?"

"Eu tinha duas filhas para sustentar."

Marina compreendeu.

"Você ainda tem o desenho?"

"Não. Mas tirei uma fotografia."

Patrícia pegou o celular.

A imagem mostrava um papel infantil.

Um carro preto.

Uma porta branca.

E uma mulher usando algo amarelo no peito.

Marina ampliou a fotografia.

"Isso é um broche?"

"Talvez."

"Posso ficar com uma cópia?"

Patrícia hesitou.

"Você precisa ter cuidado."

"Eu sei."

"Não, Marina. Você não sabe."

A mulher segurou seu braço.

"Naquela casa, algumas pessoas têm mais medo da verdade do que de Dante Montenegro."

Marina voltou para a mansão antes do anoitecer.

Lucas correu ao vê-la.

"Você voltou!"

"Claro que voltei."

Ele abraçou sua cintura.

"Trouxe pão de queijo?"

Marina riu.

"Trouxe."

O menino segurou sua mão e a levou até a cozinha.

Por alguns minutos, tudo pareceu normal.

Mas quando Marina entrou na lavanderia, encontrou Evelina esperando.

"Foi agradável seu passeio?"

"Foi minha folga."

"Esteve na Vila Mariana?"

Marina parou.

"Por quê?"

"Patrícia Nogueira sempre gostou de conversar."

O sangue de Marina gelou.

"Está me seguindo?"

Evelina aproximou-se.

"Estou protegendo esta família."

"De quê?"

"De mulheres que acham que podem entrar aqui e mudar tudo."

Marina respirou fundo.

"Lucas merece saber que não é culpado pelo desaparecimento da mãe."

A governanta perdeu o sorriso.

"Não fale sobre Helena."

"Por que não?"

"Porque algumas histórias devem permanecer enterradas."

"Helena era uma pessoa, não uma história."

Evelina segurou seu braço.

"Você não faz ideia do que está provocando."

Marina soltou-se.

"Não toque em mim."

A governanta recuou.

"Seu contrato pode terminar hoje."

"Quem decide isso é Dante."

"Você ficaria surpresa com a quantidade de decisões que o senhor Montenegro nunca tomou pessoalmente."

Naquela noite, Marina procurou Dante no escritório.

Contou sobre Patrícia, o desenho e os acordos de confidencialidade.

Ele ouviu tudo sem interromper.

Quando terminou, pegou o telefone.

"Camila. Quero todos os contratos das antigas babás na minha mesa amanhã."

Uma pausa.

"Não me interessa se estão arquivados."

Desligou.

Marina observou seu rosto.

"O senhor acredita em mim?"

"Não sei em quem acreditar."

"Mas vai investigar?"

"Vou."

Dante abriu uma gaveta e retirou uma fotografia antiga.

Helena aparecia sorrindo, segurando Lucas ainda bebê.

"Ela era uma boa mãe", disse.

Marina aproximou-se.

"Eu acredito."

Dante passou o polegar sobre a fotografia.

"Depois que desapareceu, começaram a chegar informações contraditórias. Uma testemunha dizia que ela havia fugido. Outra falava em acidente."

"Quem coordenava a investigação?"

"Ricardo e Camila ajudaram com os documentos."

Marina sentiu um desconforto.

"Os mesmos que administravam os funcionários?"

Dante ergueu os olhos.

A pergunta pareceu atingir algo que ele não havia considerado.

Antes que respondesse, o celular de Marina vibrou.

Número desconhecido.

Uma mensagem.

"A sétima babá não pediu demissão."

Marina mostrou a tela.

Dante leu em silêncio.

Uma segunda mensagem apareceu.

"Ela foi mandada embora porque descobriu algo."

Depois, uma terceira.

"Se quiser saber o que aconteceu com Helena, pergunte quem estava no quarto branco naquela noite."

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