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"O Filho do Chefe da Máfia Atacou a Babá" Capítulo 2 — O Quarto Proibido

正文开头

Marina passou a manhã inteira pensando nas últimas palavras de Lucas.

Uma mulher havia mandado o menino guardar segredo.

Mas quem?

E por que Dante parecia tão assustado quando o filho mencionava o quarto escuro?

Naquela tarde, Lucas estava sentado no tapete da sala de brinquedos, construindo uma torre de blocos coloridos.

Marina permaneceu perto da janela.

"Quer que eu ajude?"

"Não."

"Tudo bem."

O menino colocou mais dois blocos.

A torre caiu.

Lucas fechou os punhos.

Marina percebeu sua respiração acelerar.

"Podemos tentar de novo."

"Não!"

Ele empurrou as peças.

Algumas bateram contra a parede.

Marina não se aproximou imediatamente.

"Você ficou muito bravo porque a torre caiu."

Lucas apertou os olhos.

"Ela sempre cai!"

"É frustrante quando uma coisa não dá certo."

"Você vai brigar comigo?"

"Não vou brigar porque uma torre caiu."

O menino a observou desconfiado.

"Mas não podemos jogar blocos nas pessoas. Podemos deixar as peças no chão e tentar quando você estiver pronto."

Lucas demorou alguns segundos.

Depois pegou um bloco vermelho.

"Você segura embaixo?"

Marina sorriu.

"Seguro."

Pela primeira vez, construíram alguma coisa juntos sem que Lucas precisasse olhar para a porta a cada minuto.

Quando terminaram, ele levantou os braços.

"Ficou maior que eu!"

"Ficou mesmo!"

Lucas riu.

Foi uma risada curta, quase tímida.

Mas Marina percebeu alguém observando pela porta.

Dante.

O empresário permaneceu imóvel por alguns segundos antes de se afastar.

Mais tarde, durante o almoço, Marina encontrou a governanta no corredor.

"Evelina, onde ficam os brinquedos antigos de Lucas?"

"No depósito."

"Posso procurá-los?"

"Peça ao funcionário da manutenção."

"Ele disse que algumas caixas estão no segundo andar."

A expressão de Evelina mudou.

"Não há nada para você naquele andar."

"Lucas disse que o quarto da mãe fica lá."

A governanta aproximou-se lentamente.

"Você está ultrapassando seus limites."

"Estou tentando compreender uma criança que acorda chorando todas as noites."

"Compreenda isto, então: o senhor Montenegro não tolera funcionários curiosos."

Marina sustentou seu olhar.

"Curiosidade é uma coisa. Preocupação com Lucas é outra."

Evelina sorriu sem demonstrar alegria.

"Você vai aprender a diferença."

Naquela noite, Dante recebeu Ricardo Montenegro para jantar.

O primo chegou usando um relógio caríssimo e um sorriso que desapareceu quando viu Lucas.

"O pequeno príncipe continua dando trabalho?"

Lucas se escondeu atrás da cadeira de Marina.

"Ricardo", Dante advertiu.

"Estou brincando."

Ricardo se inclinou.

"Ouvi dizer que você quase derrubou uma babá com uma estátua."

Lucas baixou a cabeça.

"Não foi bonito, garoto."

Marina colocou a mão sobre o encosto da cadeira.

"Lucas já conversou sobre o que aconteceu."

Ricardo ergueu as sobrancelhas.

"E você é?"

"Marina Oliveira. Cuido dele."

"Ah, a nova babá."

Ele olhou para Dante.

"Quanto tempo essa vai durar?"

O silêncio caiu sobre a mesa.

Marina sentiu Lucas agarrar sua saia.

Dante pousou os talheres.

"Ricardo, chega."

O primo levantou as mãos.

"Não podemos mais fazer uma brincadeira nesta casa?"

Marina percebeu que Lucas não havia tocado na comida.

正文1

Quando Ricardo saiu, ela acompanhou o menino até o quarto.

"Você não gosta dele?"

Lucas balançou a cabeça.

"Ele fala que eu sou ruim."

"Você não é ruim."

"Eu machuquei você."

"Machucou. E nós vamos trabalhar para que isso não aconteça de novo."

"Mas você ainda gosta de mim?"

Marina sentou-se ao lado dele.

"Gostar de alguém não significa gostar de tudo que essa pessoa faz."

Lucas refletiu.

"Então você gosta de mim mesmo quando fico bravo?"

"Sim."

Ele se aproximou.

"Minha mãe gostava?"

Marina respirou fundo.

"Eu não conheci sua mãe."

"Ela cantava."

"Que música?"

Lucas começou a cantarolar uma melodia suave.

Marina ouviu atentamente.

Quando terminou, o menino apontou para a parede.

"O quarto dela fica do outro lado."

Marina observou a direção.

Era a ala leste da mansão.

"Você sente saudade dela?"

Lucas assentiu.

"Mas tenho medo."

"Medo de quê?"

Ele puxou o cobertor até o queixo.

"Da porta."

Marina não insistiu.

Esperou que ele adormecesse.

Pouco depois das onze, encontrou Dante na biblioteca.

"Precisamos conversar sobre o quarto da sua esposa."

O rosto dele endureceu.

"Quem mencionou aquele quarto?"

"Lucas."

"Não quero que ele entre lá."

"Por quê?"

"Porque tudo naquele lugar pertence a uma vida que acabou."

"Mas seu filho tem medo da porta."

Dante fechou o livro.

"Helena morreu, Marina."

"Eu entendi."

"Não existe nenhum segredo naquele quarto."

"Então por que está trancado?"

Dante permaneceu em silêncio.

Marina continuou:

"Lucas não precisa entrar lá agora. Mas precisamos entender o que aconteceu."

"Minha esposa desapareceu durante uma viagem. Recebemos a confirmação da morte semanas depois."

"Lucas estava com quem naquela noite?"

"Com os funcionários."

"Quais funcionários?"

Dante franziu a testa.

"Evelina administrava a casa."

"Ela estava aqui?"

"Presumo que sim."

Marina percebeu a incerteza.

"O senhor nunca perguntou?"

"Eu estava procurando minha esposa!"

A voz dele ecoou pela biblioteca.

Marina recuou.

Dante fechou os olhos.

"Desculpe."

Ela ficou surpresa.

"Eu não queria gritar."

"Seu filho também se assusta quando o senhor grita."

Dante abaixou a cabeça.

"Eu sei."

Pela primeira vez, Marina viu o homem poderoso sem sua armadura de autoridade.

Havia cansaço em seus olhos.

E uma culpa que ele parecia carregar havia anos.

"Eu procurei Helena por semanas", confessou. "Contratei investigadores. Fiz tudo que estava ao meu alcance."

"E encontrou o corpo?"

Dante demorou a responder.

"Não."

Marina sentiu o coração acelerar.

"Então como confirmaram a morte?"

"Documentos médicos. Uma declaração oficial. Meu advogado cuidou dos procedimentos."

"Qual advogado?"

Dante a encarou.

"Camila Ferraz."

A filha de Evelina.

Marina guardou aquela informação.

Na madrugada seguinte, acordou com um ruído no corredor.

A porta de seu quarto estava entreaberta.

Ela ouviu passos pequenos.

Levantou-se e seguiu o som.

A mansão estava quase completamente escura.

No segundo andar, uma luz fraca iluminava o corredor leste.

Lucas estava parado diante de uma porta branca.

Descalço.

Com seu pijama azul.

Marina aproximou-se lentamente.

"Lucas?"

O menino não respondeu.

Estava com a testa encostada na madeira.

"Meu amor, o que está fazendo aqui?"

Ele ergueu um dedo até os lábios.

"Shhh."

Marina parou.

Lucas parecia escutar alguma coisa.

Então sussurrou:

"Mamãe… eu prometo que não vou contar."

Marina sentiu um frio percorrer suas costas.

"Não vai contar o quê?"

Lucas olhou para ela.

Seu rosto estava molhado de lágrimas.

"A mulher falou que, se eu contasse, a mamãe nunca mais voltava."

Marina ajoelhou-se.

"Que mulher, Lucas?"

O menino apontou para a escada.

Antes que pudesse responder, uma voz surgiu atrás deles.

"O que está acontecendo aqui?"

Evelina estava parada no corredor.

Usava um robe preto.

Lucas imediatamente se escondeu atrás de Marina.

A governanta olhou para a porta branca.

Depois para o menino.

"Você sabe que não pode ficar aqui."

Marina levantou-se.

"Ele estava assustado."

"Leve-o para o quarto."

"Lucas estava tentando me contar uma coisa."

Evelina aproximou-se.

"Lucas, você se lembra do que combinamos?"

O menino começou a tremer.

Marina colocou-se entre os dois.

"Não fale com ele desse jeito."

A governanta estreitou os olhos.

"Você não sabe o que está fazendo."

"Sei que ele está com medo."

Evelina estendeu a mão para o menino.

"Venha comigo."

Lucas gritou.

"Não!"

O som foi tão desesperado que uma porta se abriu no fim do corredor.

Dante apareceu.

"Que diabos está acontecendo?"

Lucas correu para Marina.

"Não deixa ela me levar!"

Dante olhou para Evelina.

"Levar para onde?"

A governanta empalideceu.

"Senhor Montenegro, o menino está confuso."

Mas Lucas continuou chorando.

"Eu não quero entrar no quarto escuro!"

Dante ficou imóvel.

Marina segurou o menino.

Evelina tentou falar novamente.

Porém Lucas levantou a cabeça e apontou diretamente para ela.

"Foi ela, papai! Foi ela que trancou a porta!"

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